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Jerônimo completa a Vulgata 405 D.C. – Grandes acontecimentos que marcaram a história do Cristianismo. (Comentário de Pastor Luiz Antonio).

Grandes Acontecimentos WebVulgata é a tradução da Bíblia para o latim que foi usada pela Igreja Cristã por séculos e ainda hoje  é muito respeitada, foi escrita no século IV, por Jerônimo, a pedido do Papa Dâmaso I. Jerônimo (em latim: Eusebius Sophronius Hieronymus), também conhecido por Jerônimo de Estridão (cidade na província romana da Dalmácia), foi um sacerdote cristão destacado como teólogo, historiador e considerado confessor e Doutor da Igreja pela Igreja Católica. Sua obra mais conhecida foi a tradução da Bíblia para o latim (conhecida como Vulgata). O nome Vulgata vem da expressão vulgata versio, isto é “versão de divulgação para o povo”, e foi escrita em um latim cotidiano, usado na Vulgata em uma distinção consciente ao latim elegante de Cícero, a quem Jerônimo considerava seu mestre. A denominação Vulgata consolidou-se na primeira metade do século XVI, sobretudo a partir da edição da Bíblia de 1532, tendo sido definitivamente consagrada pelo Concílio de Trento, em 1546. O Concílio estabeleceu um texto único para a Vulgata a partir de vários manuscritos existentes, e esta versão foi ratificada como a Bíblia oficial da Igreja, confirmando assim os outros concílios desde o século II. Nos seus primeiros séculos, a Igreja serviu-se sobretudo da língua grega e foi nesta língua que o Novo Testamento foi escrito, bem como muitos escritos cristãos de séculos seguintes. No século IV, Jerônimo traduz o Antigo Testamento para o latim e revê a Vetus Latina, além de selecionar e revisar textos no Novo Testamento. A Vulgata foi produzida para ser mais exata e mais fácil de compreender do que suas predecessoras. Foi a primeira, e por séculos a única, versão da Bíblia que verteu o Velho Testamento diretamente do hebraico e não da tradução grega conhecida como Septuaginta. A Vulgata, foi usada pela Igreja Católica Romana durante muitos séculos, e ainda hoje é fonte para diversas traduções.

Nova Vulgata

Após o Concílio Vaticano II, por determinação do Papa Paulo VI, foi realizada uma revisão da Vulgata, sobretudo para uso litúrgico. Esta revisão, terminada em 1975, e promulgada pelo Papa João Paulo II em 25 de abril de 1979 é denominada Nova Vulgata e ficou estabelecida como a nova Bíblia oficial da Igreja Católica.

Prólogos da Vulgata

Além do texto bíblico, a Vulgata contém prólogos: Pentateuco, Josué, Reis (Prologus Galeatus), Crônicas, Esdras, Tobias, Judite, Ester, Jó, Salmos (LXX), Livros de Salomão, Isaías, Jeremias, Ezequiel, Daniel, 12 Profetas (menores), Os Evangelhos, Epístolas Paulinas (Primum Quaeritur), os quais a maioria foi escrita por Jerônimo. Esses prólogos são escritos críticos não destinados ao público em geral. O tema recorrente dos prólogos se refere à primazia do texto hebraico sobre os textos da Septuaginta (LXX), escrita em grego koiné.

Entre os mais notáveis prólogos se destaca o Prologus Galeatus, de Jerônimo. Jerônimo traduziu os deuterocanônicos do aramaico. Os deuterocanônicos foram incluídos na edição da Vulgata conforme estavam na Antiga Latina.

Nota: O prólogo Primum Quaeritur (Primeira Pergunta), de autoria desconhecida, defende a autoria paulina para a carta aos Hebreus.

A igreja desde o início aceitou que havia a necessidade de traduzir a Bíblia. Embora o grego comum do Novo Testamento fosse amplamente compreendido em todo o Império Romano, nem todos conheciam aquela língua, e a Igreja tinha o objetivo de alcançar a todos com o Evangelho.

Surgiram então as primeiras traduções em várias línguas, especialmente para o latim (que, com o tempo, passou a ser a língua oficial do império), o siríaco e o copta. Embora possamos destacar o zelo dos primeiros tradutores, infelizmente nem sempre tinham bom domínio do grego.

Dâmaso foi bispo de Roma de 366 a 385. Embora o bispado de Roma fosse tido em grande estima, Dâmaso ainda não alcançara o poder superior ao dos outros bispos, e Dâmaso, a propósito, gostava do poder. Ele queria libertar o cristianismo ocidental da dominação do Oriente. Havia muito tempo, o grego era a língua aceita pela Igreja, mas Dâmaso queria que a Igreja do Ocidente se tornasse claramente latina. Uma das maneiras de conseguir isso seria traduzir a Bíblia para o latim.

O secretário de Dâmaso era Eusebius Sophronius Hieronymus, embora fosse mais conhecido na igreja por Jerônimo. Ele foi treinado nos clássicos em latim e grego e repreendia severamente a si mesmo por sua paixão pelos autores seculares. Para punir-se, praticava uma vida de renúncia e retirou-se para a Síria para estudar hebraico. Jerônimo já havia se tornado um dos maiores estudiosos na época em que começou a trabalhar para Dâmaso.

Como parte de seu plano para transformar a Igreja do Ocidente em uma instituição claramente latina., Dâmaso sugeriu que seu secretário produzisse uma tradução latina da Bíblia, que eliminasse as imprecisões das traduções mais antigas. Dâmaso buscava uniformidade na Igreja e como já padronizara o culto de adoração das igrejas que estavam sob sua autoridade, agora queria um conjunto padronizado das Escrituras.

Jerônimo começou sua obra em 382. Quando Dâmaso morreu, em 384, Jerônimo, aparentemente, alimentava o desejo de ocupar a posição de bispo de Roma. Em parte pela amargura de não ter sido escolhido, e em parte pelo desejo de se livrar das distrações mundanas.

Jerônimo mudou-se de Roma para a Terra Santa, estabelecendo-se em Belém. Em 405, terminou sua tradução, que, a propósito, não foi sua única obra.

Durante 23 anos, ele também produziu comentários e outros escritos, servindo de conselheiro espiritual para algumas viúvas ricas e bastante devotas. Ele se envolveu em várias batalhas teológicas de seus dias, por meio de cartas eloquentes, às vezes, bastante duras que até hoje são consideradas muito dramáticas.

Jerônimo começou sua tradução trabalhando a partir da Septuaginta, a versão grega do Antigo Testamento. Porém, logo resolveu estabelecer um precedente para todos os bons tradutores do Antigo Testamento: seria melhor e mais prudente trabalhar a partir dos originais em hebraico. Jerônimo em seu zelo consultou muitos rabinos e procurava com isso atingir um alto grau de perfeição.

Jerônimo ficou surpreso com o fato de as Escrituras hebraicas não incluírem os livros que chamamos hoje de apócrifos[1]. Sua admiração se deu pelo fato de terem sido incluídos na Septuaginta.

Jerônimo foi compelido a incluí-los também em sua tradução, mas deixou sua opinião bastante clara: eles eram liber ecclesiastici (livros da Igreja), e não liber canonici (livros canónicos). Embora os apócrifos pudessem ser usados para a edificação, não poderiam ser utilizados para estabelecer doutrina alguma.

Centenas de anos mais tarde, os líderes da Reforma dariam um passo adiante e não incluiriam esses livros na Versão Bíblica Protestante.

A biblioteca divina, termo pelo qual Jerônimo se referia à Bíblia, foi finalmente disponibilizada em uma versão precisa e muito bem escrita, na linguagem usada comumente nas igrejas do Ocidente. Ficou conhecida por Vulgata (do latim vulgus, “comum”). A enorme influência de Jerônimo fez com que todos os estudiosos sérios da Idade Média tivessem grande respeito por sua tradução. Martinho Lutero, que conhecia hebraico e grego, fez citações da Vulgata durante toda sua vida.

Pelo fato de a obra de Jerônimo ter o selo de aprovação da Igreja, outros tradutores tiveram dificuldades em segui-lo. Até à Reforma, poucas traduções haviam sido feitas para as línguas européias e, mesmo assim, em vez de trabalhar a partir do Novo Testamento em grego, os tradutores se voltavam para a Vulgata.

Ironicamente, com o tempo, a tradução da Bíblia no idioma que toda a igreja ocidental pudesse usar (o latim), fez com que a Igreja tivesse um culto de adoração e uma Bíblia que nenhum leigo de outra nação pudesse entender. A tradução de Jerônimo deu ao latim o ímpeto que Dâmaso buscava (a Igreja do Ocidente se tornara claramente latina). A Vulgata ao contrário do pretendido por Jerônimo (versão de divulgação para o povo) se tornou tão sacrossanta que a tradução dessa Bíblia para outras línguas foi proibida.

A Igreja Romana não é autora da Bíblia, porém fez algo de bom para a humanidade quando através de Jerônimo  nos entregou a Bíblia traduzida do hebraico para latim (conhecida como a Vulgata Latina).  Outro benefício que esta versão fez foi o de definir depois de muito labor, quais livros seriam considerados dignos de confiança, inspirados, e quais seriam considerados espúrios ou apócrifos.

[1] Livros apócrifos ou Pseudocanônicos, são os livros escritos por comunidades cristãs e pré-cristãs. O termo apócrifo (oculto) foi criado por Jerônimo, no quinto século, para designar basicamente antigos documentos judaicos escritos no período entre o último livro das escrituras judaicas, Malaquias e a vinda de Jesus Cristo. São livros que, segundo a religião protestante, não foram inspirados por Deus e não fazem parte do cânon.

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João Crisóstomo se torna bispo de Constantinopla 398 D.C. – Grandes acontecimentos que marcaram a história do Cristianismo. (Comentário de Pastor Luiz Antonio).

João CrisóstomoJoão Crisóstomo (c. 347, Antioquia / 14 de setembro de 407, Comana Pôntica) foi um arcebispo de Constantinopla e um dos mais importantes patronos do cristianismo primitivo. Ele é conhecido por suas poderosas homilias[1], por sua habilidade em oratória, por sua denúncia dos abusos cometidos por líderes políticos e eclesiásticos de sua época, por sua considerada “Divina Liturgia” e por suas práticas ascetas. O epíteto Χρυσόστομος (“Chrysostomos“, aportuguesado como “Crisóstomo”) significa “da boca de ouro” em língua grega e lhe foi dado por conta de sua lendária eloquência. O título apareceu pela primeira vez na “Constituição” do papa Vigílio em 553 e ele é considerado o maior pregador cristão da história

A primeira vez que a atenção do público se voltou para João Crisóstomo foi devido a uma rebelião em protesto pelos novos impostos. Ele era pastor em Antioquia, em 387, quando o imperador Teodósio impôs essa nova taxa. O povo de Antioquia ficou enraivecido. Em protesto, se revoltaram, atacando oficiais do império e mutilando estátuas de Teodósio e de sua família. A ordem foi logo restaurada e as pessoas esperavam ser punidas.

Flaviano, bispo de Antioquia, correu para Constantinopla, a capital do império, pedindo clemência ao imperador. Teodósio era conhecido por enviar tropas para massacrar os cidadãos que lhe causavam dificuldades. Enquanto o bispo e uma legião de monges pleiteavam junto ao imperador, João tentava acalmar as multidões. O bispo retornou com notícias de anistia e João insistia com as pessoas para que as atitudes delas mudassem para melhor.

Essa não seria a última vez que João enfrentaria uma situação política séria. Ele fez aquilo com coragem, fidelidade e, talvez, com certa dose de arrogância.

Ε possível que ele tivesse aprendido isso com sua mãe, Antusa. Seu marido era oficial militar e morreu pouco depois do nascimento de João. Ela estava com apenas vinte anos e era muito bonita, mas rejeitou seus muitos pretendentes com o objetivo de dar a melhor educação possível a João e à irmã dele. Antusa vinha de uma família abastada e foi capaz de dar a João excelente educação, incluindo estudos de retórica com um famoso professor pagão chamado Libânio. João também estudou Direito, mas foi atraído cada vez mais pela ascese[2]. João ingressou em um mosteiro pouco depois da morte de sua mãe.

Em 381, retornou à sua cidade natal, Antioquia, e foi ordenado diácono. O bispo percebeu suas habilidades na comunicação e fez dele pastor e pregador principal de uma das assembléias de Antioquia. Foi nessa função que ele enfrentou a revolta dos impostos. Durante os anos que se seguiram, ele continuou a ganhar respeito devido à sua habilidade na pregação. Por causa disso, recebeu a alcunha de Crisóstomo, transliteração de uma expressão grega cujo significado é “boca de ouro”.

Seguindo a escola teológica de Antioquia, João adotou a abordagem mais literal da Bíblia (em oposição à interpretação mais alegórica da Escola Alexandrina). Ele também enfatizou a plena humanidade de Jesus em uma época em que as pessoas ignoravam esse aspecto. Crisóstomo pregou longas séries de mensagens sobre Gênesis, Mateus, João e Romanos, a maioria das quais ainda possuímos. Ele também escreveu comentários.

Em 397, o bispado de Constantinopla ficou vago. Era uma posição de grande prestígio, na capital do império. O imperador Arcádio escolheu João, o Boca de Ouro. Ε possível que, mais tarde, ele tenha se arrependido de sua decisão.

João era tão popular em Antioquia que teve de ser praticamente raptado para ser levado a Constantinopla. Acabou por ser consagrado bispo na capital em 398. O oficiante da consagração foi o bispo Teófilo de Alexandria.

Devido especialmente às questões políticas, Teófilo causou grandes problemas a João. Ele queria que João lhe fosse subserviente e, provavelmente, ficou enciumado pelo número de novos bispos que passou a seguir Crisóstomo, em função de sua habilidade na pregação. Teófilo também se opunha à teologia de Orígenes, na qual João se fundamentava. Com seu modo audacioso, João provavelmente não despendeu muito esforço para apaziguar o bispo Teófilo.

João tentou ministrar à grande comunidade dos góticos da cidade, dando-lhes boas-vindas, mas não aprovando a heresia ariana que muitos deles professavam. Pregava de maneira veemente contra o pecado, sempre que deparava com ele, a começar pelo próprio clero. Sacerdotes flertavam com a imoralidade, e João queria que isso acabasse. Ele também pregava contra as roupas insinuantes das mulheres de Constantinopla. Embora não se saiba se João tenha feito isso de propósito, o fato é que a imperatriz Eudóxia tomou as palavras de João como afronta pessoal.

Quanto a Teófilo, a gota d’água foi o fato de João ter aceitado quatro monges, defensores da teologia de Orígenes, que haviam sido disciplinados em Alexandria. O bispo alexandrino viajou para Constantinopla e se reuniu com os inimigos de João. Em uma propriedade conhecida como “O Carvalho”, em 403, foi promovido um sínodo que condenou os ensinamentos de João e o baniu de sua igreja.

Eudóxia, no entanto, era supersticiosa. Um acidente, talvez um terremoto, aconteceu no palácio logo depois do sínodo e a imperatriz ficou assustada. Ela, imediatamente, pediu ao imperador que revogasse as decisões do sínodo. João foi trazido de volta por um período de cerca de um ano. Destemido como era, continuou a expressar de maneira aberta que pensava, especialmente quando uma estátua de Eudóxia foi levantada ao lado da catedral.

A imperatriz reagiu. Soldados imperiais interromperam um culto de Páscoa e alguns dos seguidores de João foram massacrados. João foi mandado para o exílio, em Cucusso, lugar lúgubre perto da Armênia. O papa Inocencio i protestou contra esse tratamento, mas o protesto foi em vão.  O imperador do Oriente já tomara suas decisões. Mesmo no exílio, João continuou a se corresponder com seus seguidores, orientando-os sobre as questões da igreja. Logo, o imperador decidiu mandá-lo para mais longe ainda.

Foi assim que João morreu, viajando para o local de exílio ainda mais distante, em 407. Nas décadas seguintes, o papa Inocencio conseguiu limpar o nome de João, ao forçar o bispo Teófilo e outros a incluir o nome de João na lista de nomes pelos quais a igreja deveria orar.

João deixou o legado da boa pregação. Promoveu o estilo de exposição literal da Bíblia conforme praticado em Antioquia e, com Ambrosio, foi um dos primeiros líderes da igreja a se levantar corajosamente diante dos governantes e dizer: “Assim diz o Senhor…”. Alguns cristãos fariam a mesma coisa em outros momentos críticos da história.

[1] Homilia é uma preleção dada por um sacerdote no decorrer de uma missa após a leitura do Antigo Testamento e do Novo Testamento, e antes da recitação do Credo. A homilia tem a função de explicitar a fé o significado dos vários elementos litúrgicos, também em relação à situação dos presentes, para que o encontro dialogal com Deus se torne verdadeiramente consciente para todos e para cada um. Na prática, a homilia deve ser uma “conversa familiar” do homiliasta com o povo de Deus.

[2] A ascese (do grego ἄσκησις, áskesis) é um “exercício espiritual”, que visa ao desenvolvimento do espírito. Muitas vezes, essa prática consiste na renúncia ao prazer e na não satisfação de algumas necessidades primárias. Em outras culturas e etnias diferentes o conceito abrange um grande espectro de práticas, que vão dos ritos iniciáticos como (maus-tratos, incisões e escoriações no corpo, repreensões de extrema severidade, até a mutilação genital ou a participação em provas que exigem atos excessivos de coragem). Hábitos monásticos de diversas religiões incluem o celibato, o jejum e a mortificação do corpo por diversos meios.

 

Referências Bibliogáficas

Conversão de Agostinho 387 D.C. – Grandes acontecimentos que marcaram a história do Cristianismo. (Comentário de Pastor Luiz Antonio).

A Conversão de Agostinho WebAgostinho de Hipona (em latim: Aurelius Augustinus Hipponensis), conhecido universalmente como Santo Agostinho, foi um dos mais importantes teólogos e filósofos dos primeiros anos do cristianismo cujas obras foram muito influentes no desenvolvimento do cristianismo e filosofia ocidental. Ele era o bispo de Hipona, uma cidade na província romana da África. Escrevendo na era patrística, ele é amplamente considerado como sendo o mais importante dos Padres da Igreja no ocidente. Suas obras-primas são De Civitate Dei (“A Cidade de Deus”) e “Confissões”, ambas ainda muito estudadas atualmente.

“Senhor, torna-me casto, mas não agora”, disse um intelectual, voltado à sensualidade, que flertava com o cristianismo — e com muitas outras coisas também. Depois de se entregar a Deus, esse homem não mais teria problemas para ser casto e se tornaria um dos mais influentes escritores que a Igreja já conheceu.

Esse homem complexo era Aurelius Augustinus, mais conhecido por Agostinho. Nasceu em 354, na cidade de Tagaste, filho de Mônica, mãe cristã, e de Patrício, pai pagão, que era oficial romano.

Ao perceber o brilhantismo de seu filho, Mônica e Patrício procuraram as melhores escolas para ele. Estudou retórica em Cartago e foi estimulado a ler autores latinos como Cícero. Convencido por seus estudos de que a verdade era o objetivo da vida, em um primeiro momento rejeitou o cristianismo, porque via nele uma religião para as pessoas de mente simples.

Quando era adolescente, Agostinho tomou para si uma concubina que lhe deu um filho. Pelo resto de sua vida, Agostinho olharia para seus dias passados em Cartago com aversão. Na obra chamada Confissões, comenta: “Cheguei a Cartago, onde um caldeirão de amores profanos estava chiando e borbulhando ao meu redor”.

O jovem incansável experimentou o maniqueísmo, que ensinava que o mundo era um campo de batalha entre a luz e as trevas, a carne e o espírito. O maniqueísmo, no entanto, não conseguiu satisfazer o desejo de Agostinho de encontrar a verdade definitiva. Tampouco conseguiu encontrá-la no neoplatonismo.

Assolado pela própria insatisfação espiritual, Agostinho se mudou de Cartago para Roma e depois para Milão, ensinando retórica nessas cidades. Em Milão, ele se encontrou com o bispo Ambrósio e aprendeu que nem todos os cristãos eram pessoas de mente simples, pois Ambrósio era um homem brilhante.

Em 387, enquanto estava sentado em um jardim em Milão, Agostinho ouviu uma criança cantar uma música que dizia: “Pegue-a e leia-a, pegue-a e leia-a”. Agostinho leu a primeira coisa que encontrou na sua frente: a Epístola de Paulo aos Romanos. Quando leu Romanos 13.13,14, as palavras de Paulo que versam sobre o revestir-se do Senhor Jesus em vez de deleitar-se com os prazeres pecaminosos tocaram profundamente seu coração, e Agostinho creu, rendendo a Cristo e a uma fé verdadeira. “Foi como se a luz da fé inundasse meu coração e todas as trevas da dúvida tivessem sido dissipadas.”

Apesar de Agostinho estar feliz com sua vida monástica tranquila, sua reputação de cristão brilhante se espalhou. Em 391, ele foi pressionado a ser ordenado sacerdote. Em 395, tornou-se bispo da cidade de Hipona, no norte da África.

Todas as controvérsias dos dias de Agostinho o envolviam. O grupo donatista[1] tinha grande preocupação no sentido de que o clero tivesse a moral adequada. Sob a perseguição do imperador Diocleciano, alguns clérigos entregaram cópias das Escrituras a seus perseguidores para que fossem queimadas. Mais tarde, porém, alguns desses “traidores”, como eram chamados, foram readmitidos no clero. Os donatistas se recusaram a aceitar os “Traidores” e estabeleceram uma igreja rival. Milhares de donatistas viviam na diocese de Agostinho.

Agostinho negava a necessidade de uma igreja rival, pois para ele só havia uma igreja. Embora, como disse, pudessem existir algumas pessoas que não fossem exatamente santas na Igreja. Agostinho definia os sacramentos como sinais visíveis da graça invisível, porém não os achava eficientes em razão da ausência de justiça nos sacerdotes, mas entendia que ainda assim a graça de Deus operava por intermédio deles. A visão de Agostinho prevaleceu, e o movimento donatista perdeu força.

Pelágio[2], um monge inglês, espalhou a heresia em que afirmava que a ação do homem era essencial em sua opção por Deus, afirmando assim que a graça de Deus não era tudo no processo de salvação. Pelágio não ensinava que o homem poderia salvar-se a si mesmo, mas negava que o pecado tivesse sido herdado de Adão.

Agostinho se opôs a essa ideia, dizendo que ninguém poderia escolher o bem a não ser que Deus o levasse a fazer isso. Na verdade, para Agostinho Deus havia predestinado os eleitos, seus redimidos, e nada do que o homem pudesse fazer mudaria esse decreto eterno. Em 431, um ano depois da morte de Agostinho, o Concilio de Éfeso condenou oficialmente o pelagianismo.

Agostinho não apenas desafiou a heresia, mas, em sua obra Confissões, descreveu sua busca espiritual, talvez, sua primeira autobiografia verdadeiramente espiritual. A famosa frase “inquieto está nosso coração enquanto não repousa em ti” vem do primeiro parágrafo dessa obra.

Os ensinamentos de Agostinho se tornaram fundamentais ao cristianismo. Seus pensamentos se espalharam tanto entre os teólogos católicos quanto entre os protestantes. Lutero e Calvino o citavam constantemente; gostavam de sua ênfase na graça de Deus e na incapacidade do homem de salvar-se a si mesmo.

Agostinho escreveu centenas de tratados, cartas e comentários. Sua obra clássica, intitulada A Trindade é provavelmente o trabalho mais conhecido sobre o assunto. Entretanto, sua obra mais importante foi A cidade de Deus, trabalho monumental escrito em resposta à queda de Roma diante dos visigodos.

Algumas pessoas culparam os cristãos pelo acontecido, e alegavam que Roma caíra porque seu povo rejeitara os deuses nativos. Em razão dessas afirmações, Agostinho respondeu defendendo e explicando o plano e a obra de Deus na história. Ele diz que, desde Caim e Abel, sempre houve duas cidades no mundo: a cidade de Deus (os fiéis) e a cidade dos homens (a sociedade pagã). Embora elas se inter-relacionem, Deus cuidará para que a cidade de Deus (a igreja) permaneça por toda a eternidade. Embora Agostinho a tenha escrito no final da era antiga, seus pensamentos influenciaram os estudiosos da Idade Média e perduraram até a Reforma.

[1] O donatismo (cujo nome advém de Donato de Casa Nigra, bispo da Numídia e posteriormente de Cartago) foi uma seita religiosa cristã, considerada herética e cismática pelo catolicismo. Surgiu nas províncias do Norte de África na Antiguidade Tardia. Iniciou-se no início do século IV e foi extinta no final do século VII. Os autores que mais influenciaram os donatistas, em termos de doutrina religiosa, foram São Cipriano e Tertuliano.

[2]   Pelágio da Bretanha (em latim: Pelagius; 350-423 (73 anos)) foi um monge ascético, nascido provavelmente na Britânia. Estabeleceu-se em Roma por volta de 405, depois viajou para África do Norte, continuou a viagem até a Palestina e escreveu dois livros sobre o pecado, o livre-arbítrio e a graça: Do livre-arbítrio e   Da natureza: livro em que sustentava que os seres humanos podem ter uma vida sem pecado com seus “dons naturais” e que cabe a eles fazer isso. Esse foi o início da grande controvérsia a respeito do pecado original, do livre-arbítrio e da graça que ocupou a igreja por mais de cem anos e cuja repercussão continuou nos séculos seguintes. Suas opiniões foram criticadas violentamente por Agostinho e seu amigo Jerônimo, tradutor e comentarista bíblico, que morava em Belém na Palestina. Foi inocentado das acusações sobre heresia pelo Sínodo de Dióspolis na Palestina em 415, mas condenado como herege pelo bispo de Roma em 417 e 418, e pelo Primeiro Concílio de Éfeso em 431. Não se sabe ao certo o ano e o motivo da sua morte, provavelmente foi por volta de 423. É possível que sua condenação pelo Concílio de Éfeso tenha sido após a sua morte.

 

Referências Bibliogáficas

O Bispo Ambrósio desafia a Imperatriz 385 D.C. Grandes acontecimentos que marcaram a história do Cristianismo. (Comentário de Pastor Luiz Antonio).

Ambrosio desafia a ImperatrizO trabalho pastoral de Ambrósio não se limitou à pregação,  administração dos sacramentos ou à direção dos assuntos econômicos da igreja, etc. Era um homem de fé firme, radicado em uma das principais cidades do Império, sendo um homem de princípios e convicções firmes era inevitável que suas convicções não se tornassem contra a Coroa um dia. Os conflitos mais importantes de Ambrósio com a Coroa foram os que o colocaram frente a frente com a imperatriz Justina. No Ocidente governava, além do Graciano, seu meio-irmão Valentiniano ainda menor de idade. Sendo Valentiniano menor de idade a regência recaíra sobre Graciano. Mas na ausência de Graciano a mãe de Valentiniano, Justina, tinha muito poder, e ela tinha a firme intenção de usar esse, poder para afirmar seu filho sobre o trono e para promover a causa ariana, da qual ela era partidária convicta. Contra seus planos se levantava Ambrósio, cuja política consistia em preencher cada sede das proximidades que ficava vaga com um bispo ortodoxo.

Os soldados cercaram a catedral de Milão. O bispo Ambrosio recebeu ordens da imperatriz Justina para abdicar do controle do prédio, mas ele não se moveu. A guarda germânica do imperador preparou-se para executar as ordens da imperatriz. A guarda não apenas tinha grande lealdade à imperatriz, mas os germanos, provavelmente, eram também arianos, ao passo que o bispo seguia os ensinamentos ortodoxos do Concilio de Nicéia.

Muitos esperavam o massacre dos considerados infiéis reunidos na catedral, mas os observadores ouviram o som de salmos ecoando pelo ar e por isso a força imperial deparou-se com uma fé inabalável.

O homem em quem esse conflito estava centralizado era o bispo Ambrosio um dos líderes mais fortes que a Igreja já conhecera. Ambrosio, ainda jovem filho de um dos mais altos oficiais do governo de Constantino, fora criado para seguir os passos de seu pai. Quando terminou seus estudos em Direito, foi nomeado governador do território em volta da cidade de Milão. Muitos o consideravam um líder justo e altamente capaz.

Na época em que Ambrosio ocupava a posição de governador, um ariano chamado Auxêncio ocupou a posição de bispo de Milão. O bispo morreu em 374, e um grande tumulto se levantou enquanto a Igreja tentava escolher o sucessor. Devido ao seu papel governamental, Ambrosio foi até lá para abrandar a contenda.

De repente, alguém começou a gritar: “Ambrosio para bispo!”. E muitas mais pessoas se juntou ao coro.

O único problema era que Ambrosio nem sequer fora batizado. Embora já acreditasse em Cristo havia bastante tempo, continuava um iniciante sem confirmar sua fé. Mas isso não parecia fazer a menor diferença. A aclamação popular fez com que, em somente oito dias, ele fosse consagrado o novo bispo de Milão, queimando as diversas etapas importantes, como o batismo e muitos cargos intermediários que eram requeridos para alcançar esse cargo.

O arianismo[1] perdera seu poder. O último imperador do Oriente a defender essa causa foi Valente, morto em 378. Graciano, imperador do Ocidente, indicou o general Teodósio para governar a metade oriental do império, a partir de Constantinopla. Em 380, os dois imperadores promulgaram um édito declarando o cristianismo niceno a religião de todo o reino. Isso terminou por destruir a seita ariana, exceto em algumas terras distantes, entre os godos e entre alguns membros da família imperial.

Ambrosio levou muito a sério sua posição como bispo. Estudou as Escrituras, e os Pais da Igreja com intensidade, e começou a pregar todos os domingos. Ele sempre fora um grande orador e agora seu discurso tinha ainda mais profundidade. Basilio de Cesaréia, um de seus contemporâneos, descreveu Ambrosio como “um homem notável por seu intelecto, por sua linhagem ilustre e por sua notoriedade na vida e no dom da palavra, um objeto de admiração de todos neste mundo”.

Um de seus admiradores era um escritor de discursos chamado Agostinho. Este jovem cartaginês já pesquisara o maniqueísmo e fora atraído pelos pagaos de Roma. Fora mandado para Milão como professor e retórico do imperador adolescente Valentiniano. Naqueles dias, o poder imperial tinha sua base em Milão, mas o Senado, em Roma, ainda era influente.

De maneira geral, os senadores ainda abraçavam os antigos modos pagãos romanos, mas os imperadores eram cristãos. É bem possível que Agostinho tenha sido mandado pelos pagãos do Senado para ajudar a influenciar o jovem imperador Valentiniano.

Por razões políticas, Agostinho tornou-se catecúmeno na igreja cristã e durante esse processo, entrou em contato com Ambrosio e ficou impressionado com a humildade e o poder do bispo. Mais tarde, por meio do testemunho de um dos ajudantes de Ambrosio, Agostinho se converteu (daremos mais detalhes sobre Agostinho no próximo – Grandes Acontecimentos que marcaram a História do Cristianismo).

Ambrosio também ficou conhecido como compositor de hinos.

Justina era a mãe do imperador Valentiniano, o sucessor de Graciano como governador do Império Romano do Ocidente. Ela era o poder por trás do trono. Como ariana, queria reclamar para si a catedral de Ambrosio, assim como outra igreja em Milão, para que pudessem ser usadas pelas congregações arianas. Ambrosio se recusou a ceder a catedral. Ela então enviou soldados para cumprir suas ordens. O palco estava preparado para o derramamento de sangue.

No entanto, as tropas se dispersaram. Ninguém sabe o porquê. Alguns acham que Ambrosio pode ter feito com que uma mensagem chegasse até Teodósio, homem fervoroso, não-ariano, que governava o Oriente. Talvez a mensagem para Valentiniano, ameaçando a fúria de Teodósio, tenha feito com que o jovem suprimisse os planos de sua mãe. Seja qual for o caso, Ambrosio se posicionou diante da corte imperial e venceu.

Mais tarde, Ambrosio enfrentou o próprio imperador Teodósio. O imperador reagiu de forma exagerada a um distúrbio em Tessalônica, enviando o exército para massacrar os cidadãos daquela cidade. Ambrosio considerou isso um ato hediondo e excomungou Teodósio até que o imperador cumprisse penitência. O fato de o imperador voltar à catedral vestido de saco e coberto de cinza e ajoelhar-se diante do bispo buscando perdão é um testemunho tanto da coragem de Ambrosio quanto da humildade de Teodósio.

Houve um tempo em que a Igreja enfrentou a perseguição de imperadores, agora porém vemos um se humilhando ante o poder da Igreja. Com Ambrosio, um novo padrão de relacionamento entre a Igreja e o Estado começava a se desenvolver.

[1] O arianismo foi uma visão cristológica sustentada pelos seguidores de Ário, presbítero cristão de Alexandria nos primeiros tempos da Igreja primitiva, que negava a existência da consubstancialidade entre Jesus e Deus Pai, que os igualasse, concebendo Cristo como um ser pré-existente e criado, embora a primeira e mais excelsa de todas as criaturas, que encarnara em Jesus de Nazaré. Jesus então, seria subordinado a Deus Pai, sendo Ele (Jesus) não o próprio Deus em si e por si mesmo. Segundo Ário, só existe um Deus e Jesus é seu filho e não o próprio Deus. Ao mesmo tempo afirmava que Deus seria um grande e eterno mistério, oculto em si mesmo, e que nenhuma criatura conseguiria revelá-lo, visto que Ele não pode revelar a si mesmo.

 

Referências Bibliogáficas

A Carta de Atanásio reconhece o cânon do Novo Testamento 367 D.C. – Grandes acontecimentos que marcaram a história do cristianismo. (Comentário de Pastor Luiz Antonio).

A Carta de Atanásio reconhece o cânon do Novo Testamento 367 D.C. WebCarta Pascoal

Cartas pascoais ou Cartas Festivas eram uma série de cartas enviadas anualmente através das quais o bispo de Alexandria, seguindo uma decisão do Primeiro Concílio de Niceia, anunciava a data na qual a Páscoa deveria ser celebrada. As mais famosas foram as de Atanásio, cuja coleção foi redescoberta numa tradução do siríaco em 1842. Mas cartas de outros bispos alexandrinos também sobreviveram, incluindo as de São Cirilo de Alexandria.

39ª Carta Pascoal de Atanásio

Das 45 Cartas Pascoais de Atanásio, a 39ª, escrita para a Páscoa de 367 d. C. é importante por sua ligação com a consolidação cânon da Bíblia. Nela, Atanásio lista os livros do Antigo Testamento como sendo 22, seguindo a tradição judaica. Aos livros da Tanakh, ele acrescenta o Livro de Baruque e a Carta de Jeremias, mas exclui o Livro de Ester. A carta lista também os livros do Novo Testamento como os tradicionais 27: os 4 Evangelhos, os Atos dos Apóstolos, as 7 Epístolas Gerais (listadas na ordem que aparecem nas edições modernas) e as 14 Epístolas Paulinas (com a Epístola aos Hebreus situada entre II Tessalonicenses e as Epístolas Pastorais), terminando com o Apocalipse. Embora a ordem de Atanásio seja diferente da moderna, trata-se da mais antiga referência ao cânone moderno do Novo Testamento.

Atanásio reconhece ainda, não como parte do cânon da Bíblia, mas como livros “nomeados pelos Padres para serem lidos pelos recém-convertidos”: Sabedoria de Salomão, os livros de Ester, Judite e Tobias, além da Didaquê e o Pastor de Hermas.

Além destes, Atanásio lista também os livros que devem ser rejeitados, chamando-os de apócrifos (apocrypha) e descreve-os como “uma invenção dos heréticos, que os escrevem quando querem, aprovando-os e inventando para eles uma data para que, fazendo-os passar por obras antigas, encontrem formas de afastar os mais simplórios da verdade”.

Como o cristão poderia ter certeza dos livros que deveriam constar do Novo Testamento?

Quando Paulo mencionou as Escrituras a Timóteo ele disse: Toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça…”; 2Tm 3.16, ele estava se referindo ao Antigo Testamento, mas, mesmo nas páginas do Novo Testamento, temos indicações de que os cristãos começaram a considerar os Evangelhos e as Epístolas de Paulo como textos especiais.

Ao escrever sobre as Epístolas de Paulo, Pedro disse que elas às vezes continham “algumas coisas difíceis de entender”. Todavia, a sabedoria de Paulo fora dada por Deus, e Pedro repreendeu “os ignorantes” que distorciam as palavras de Paulo, fazendo o mesmo com “as demais Escrituras” (2Pe 3.16).

Ε óbvio que Pedro começava a perceber que os cristãos tinham alguns textos edificantes além das obras do AT.

Os judeus decidiram que alguns livros (os que chamamos hoje de Antigo Testamento) foram claramente inspirados por Deus, ao passo que outros não o eram. Por enfrentar heresias, os cristãos também começaram a sentir a necessidade de distinguir entre escritos verdadeiramente inspirados e os de origem questionável.

O Critério Canônico

Havia dois critérios fundamentais, usados pela Igreja para identificar o cânon (kanon é a palavra grega para “padrão”):

          O critério que a Igreja aplicou como teste de autenticidade era ditado pelas necessidades de fazer face à controvérsia com hereges e descrentes.

Como critério básico a apostolicidade da obra deveria ser constatada, ou seja, deveria ter sido escrita por um dos doze ou possuir o que se poderia chamar hoje de imprimatur[1] apostólico. O escrito deveria ser de um apóstolo ou produzido a seu pedido.

O documento também deveria pertencer a um período bem remoto e quanto aos Evangelhos, estes deveriam manter o padrão apostólico de doutrinas particularmente com referência à encarnação e ser na realidade um evangelho e não porções de evangelhos, como tantos que circulavam naquele tempo.

Com relação à origem apostólica, a Igreja incluiu Paulo entre os Apóstolos recebendo como canônicas suas Epístolas. Embora não tenha caminhado pessoalmente com Cristo, Paulo se encontrou com ele na estrada para Damasco, e a abrangência de sua atividade missionária (relatada no livro de Atos dos Apóstolos) fez dele um modelo de Apóstolo.

Com relação ao uso dos textos nas Igrejas, a orientação parecia ser a seguinte: “Se muitas igrejas usam um texto, e se ele continua a edificá-las, logo esse texto deve ser inspirado”.

Embora esse padrão mostre uma abordagem bastante pragmática, existe uma lógica por traz dele: “alguma coisa inspirada por Deus, sem dúvida, inspirará muitos adoradores”. O texto que não foi inspirado acabaria, mais cedo ou mais tarde, por cair em desuso.

Contudo, esses padrões somente, não eram capazes de estabelecer quais seriam os livros que formariam o cânon; pois diversos textos flagrantemente heréticos as vezes carregavam falsamente o nome de um Apóstolo. Além disso, algumas Igrejas utilizavam textos que outras não se preocupavam em usar.

Por volta do final do século II, os quatro Evangelhos, o livro de Atos e as Epístolas de Paulo eram grandemente valorizadas em quase todos os lugares.

Embora não existisse nenhuma lista “oficial”, as igrejas tinham a tendência crescente de se voltar para esse material como fonte de autoridade espiritual.

Bispos influentes como Inácio, Clemente de Roma e Policarpo contribuíram para que esses textos alcançassem ampla aceitação. Contudo, ainda havia muita disputa com relação a Hebreus, Tiago, 2ª de Pedro, 2ª e 3ª de João, Judas e Apocalipse.

A heresia era uma maneira de fazer com que os cristãos ortodoxos esclarecessem suas posições. Até onde sabemos, a primeira tentativa de elaboração do cânon foi feita por Marcião, que incluiu apenas dez das treze Epístolas de Paulo e o Evangelho de Lucas bastante modificado. Mais tarde, outros grupos heréticos defenderiam seus “livros secretos”, normalmente os que tinham o nome de um Apóstolo ligado a eles.

Uma lista ortodoxa primitiva, compilada por volta do ano 200, foi o Cânon Muratório[2], elaborado pela Igreja de Roma. Ele incluía a maioria dos livros presentes hoje no Novo Testamento, mas adicionava o Apocalipse de Pedro e a Sabedoria de Salomão. Listas posteriores omitiram alguns livros, e deixaram outros, mas continuavam sendo bastante similares. Obras como O pastor, de Hermas, o Didaquê e a Epístola de Barnabé eram muito consideradas, embora as pessoas tivessem dificuldade em considerá-las escritura inspirada.

Em 367, Atanásio, o bispo de Alexandria, influente e altamente ortodoxo, escreveu sua famosa carta oriental. Nesse documento, enumerava os 27 livros que hoje fazem parte do nosso Novo Testamento. Na esperança de impedir que seu rebanho caminhasse rumo ao erro, Atanásio afirmou que nenhum outro livro poderia ser considerado escritura cristã, embora admitisse que alguns, como o Didaquê, pudessem ser úteis para devoções particulares.

A lista de Atanásio não encerrou esse assunto e em 397d.C., o Concilio de Cartago confirmou sua lista, mas as igrejas ocidentais demoraram ainda muito tempo para estabelecer o cânon. A contenda continuou com relação aos livros questionáveis, embora todos terminassem aceitando o Apocalipse.

No final, a lista de Atanásio recebeu aceitação geral e, desde então, as igrejas por todo o mundo jamais se desviaram de sua sabedoria.

[1] Imprimatur é uma declaração oficial da Igreja Católica, que diz que um trabalho literário ou similar não vai contra as ideias dessa instituição e que é uma boa leitura para qualquer católico. Em latim, “imprimatur” significa “deixem-no ser impresso”.

[2] O Cânone Muratori, também conhecido por fragmento muratoriano ou fragmento de Muratori, é uma cópia da lista mais antiga que se conhece dos livros do Novo Testamento. Foi descoberta na Biblioteca Ambrosiana de Milão por Ludovico Antonio Muratori (1672 – 1750) e publicada em 1740. Na lista figuram os nomes dos livros que o autor desconhecido da lista considerava admissíveis, com alguns comentários. A lista está escrita em latim e encontra-se incompleta, daí ser chamada de fragmento.

 

Referências Bibliogáficas

A conversão de Constantino – 312 D.C. Grandes acontecimentos que marcaram a história do cristianismo. (Comentário de Pastor Luiz Antonio).

A Conversão de Constantino 312 D.C.
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Constantino I, também conhecido como Constantino Magno ou Constantino o Grande, (em latim: Flavius Valerius Constantinus; Nascido em 27 de fevereiro de 272 em Naísso (moderna Niš, cidade no sul da Sérvia, a terceira mais importante depois de Belgrado). Morte: 22 de maio de 337 aos 65 anos em Nicomédia (atual Izmit, Turquia) Enterro: Igreja dos Santos Apóstolos em Constantinopla. Foi um imperador romano, proclamado Augusto[1] por suas tropas em 25 de julho de 306. Governou uma porção crescente do Império Romano até a sua morte. Constantino derrotou os imperadores Magêncio e Licínio durante as guerras civis. Ele também lutou com sucesso contra os francos, os alamanos, os visigodos e os sármatas durante boa parte de seu reinado, mesmo depois da reconquista da Dácia, que havia sido abandonada durante o século anterior. Constantino construiu uma nova residência imperial em Bizâncio, chamando-a de Nova Roma. No entanto, em honra de Constantino, as pessoas chamavam-na de Constantinopla, que viria a ser a capital do Império Romano do Oriente durante mais de mil anos. Devido a isso, ele é considerado um dos fundadores do Império Romano do Oriente.

Foi em outubro de 312 d.C. que um jovem general, à quem todas as tropas romanas da Bretanha e da Gália eram fiéis, marchou em direção a Roma para desafiar Maxêncio, outro postulante ao trono imperial.

Nesta ocasião, segundo o relato da história, o general Constantino olhou para o céu e viu um sinal, uma cruz brilhante, na qual se podia ler: “In hoc signo vinces”, que é a tradução latina da frase grega “ἐν τούτῳ νίκα” “en touto nika” que significa “Por este sinal conquistarás”. A lenda também diz que Constantino adotou essa frase grega “εν τούτῳ νίκα”, “en touto nika”, (in hoc signo vinces) como lema.

O historiador Eusébio de Cesareia, diz que Constantino, ao olhar o sol, viu uma cruz luminosa acima dele, e com ela as letras gregas “ksi” (X) e “rhô” (P), as duas primeiras letras do nome de Cristo, pouco antes da batalha da Ponte Mílvia contra Magêncio, em 28 de Outubro de 312. Um monograma composto das duas letras gregas foi criado e posteriormente tornou-se símbolo dos primeiros cristãos.

O supersticioso Constantino já estava começando a rejeitar as divindades romanas a favor de um único Deus. Seu pai adorava o “SOLIS INVITUS”, supremo deus Sol. Seria a visão da cruz acima do sol um bom presságio daquele deus na véspera da batalha?

Mais tarde, Cristo teria aparecido a Constantino em um sonho, segurando o mesmo sinal (uma cruz inclinada), lembrando as letras gregas “ksi” (X) e “rhô” (P), as duas primeiras letras da palavra Christos. O general foi então instruído a colocar esse sinal nos escudos de seus soldados, o que fez prontamente, da forma exata como fora ordenado. Conforme prometido na visão, Constantino venceu a batalha.

Esse foi um dos diversos momentos marcantes do século IV, um período de grandes e violentas mudanças. Qualquer que tivesse saído de Roma no ano 305 d.C. para viver alguns anos fora, quando voltasse certamente esperaria encontrar o cristianismo morto ou enfrentando as últimas ondas de perseguição. Mas ao contrário disso, o cristianismo havia se tornado a religião patrocinada pelo império.

Depois de ter tomado o poder em 284, Diocleciano, um dos mais brilhantes imperadores romanos, começou uma enorme reorganização que afetaria as áreas militar, econômica e civil. Durante sua reorganização em certo período de tempo, ele deixou o cristianismo em paz. Uma das grandes ideias de Diocleciano foi a reestruturação do poder imperial. Ele dividiu o império em Oriente e Ocidente, e cada lado teria um imperador e um vice-imperador (ou César). Cada imperador serviria por vinte anos e, a seguir, os césares assumiriam também por vinte anos e assim por diante. No ano 286, Diocleciano indicou Maximiano para imperador do Ocidente, enquanto ele mesmo continuava a governar o Oriente.

Os césares eram Constancio Cloro (pai de Constantino) no Ocidente e Galério no Oriente.

Como parte da reorganização do império, já que Roma tinha uma moeda única, um sistema político único, deveria portanto, ter uma religião única; mas para concretizar esse plano os cristãos estavam em seu caminho.

Galério era radicalmente anticristão (há informações de que ele em radicalismo anticristão atribuiu a perda de uma batalha a um soldado cristão que fizera o sinal da cruz). Por causa de coisas como essa a partir do ano 298, os cristãos foram retirados do exército e do serviço civil. Em 303, a grande perseguição teve início.

As autoridades planejaram impor severas sanções sobre os cristãos, que começariam a ser implantadas na Festa da Terminália[2], em 23 de fevereiro do ano corrente. As igrejas foram arrasadas, as Escrituras confiscadas, e as reuniões proibidas. No início, não houve derramamento de sangue, mas Galério logo se encarregou de mudar essa situação.

Quando Diocleciano e Maximiano deixaram seus postos (de acordo com o planejado), em 305, Galério desencadeou uma perseguição ainda mais brutal e até o ano 310, a perseguição tirou a vida de muitos cristãos. Mesmo com toda sua ira Galério foi incapaz de esmagar a Igreja. Em seu leito de morte, ele mudou de ideia e no dia 30 de abril de 311, Galério desistiu de lutar contra o cristianismo e promulgou o Edito de Tolerância[3].

Apesar de todo o mal que fizera aos cristãos, insistiu em dizer que fizera tudo para o bem do Império, e que o número de cristãos ainda era grande e que “persistiam em sua determinação”. Desse modo, agora era melhor permitir que eles vivessem livremente, contanto que não atentassem contra a ordem pública.

Além disso, Galério declarou: “Será tarefa dos cristãos orar ao seu Deus em benefício de nosso Estado”. Galério morreu seis dias depois. Por volta desse tempo o grande plano reformador de Diocleciano começara a ruir.

Quando Constancio morreu, no ano 306, seu filho Constantino foi proclamado governador por seus soldados leais. Maximiano, então, tentou sair do exílio e governar o Ocidente outra vez com seu filho Maxêncio (que terminou tirando o próprio pai do poder). Enquanto isso, antes de sua morte Galério indicara Licínio, um general de sua confiança, para governar o Ocidente.

Cada um desses futuros imperadores reivindicava um pedaço do território ocidental.

Constantino, de maneira astuta, forjou uma aliança com Licínio e lutou contra Maxêncio. Na batalha da Ponte Mílvia, Constantino saiu vitorioso.

Constantino estava ansioso para agradecer a Cristo por sua vitória e, desse modo, optou por dar liberdade e status à Igreja.

No ano 313, ele e Licínio emitiram oficialmente o Edito de Milão[4], garantindo a liberdade religiosa dentro do império. “Nosso propósito é garantir tanto aos cristãos quanto a todos os outros a plena autoridade de seguir qualquer culto que o homem desejar”.

Constantino, imediatamente, assumi interesse pela Igreja, restaurou suas propriedades, deu-lhe dinheiro, interveio na controvérsia donatista e convocou os concilios eclesiásticos de Arles e de Nicéia. Ele também fazia manobras para obter poder sobre Licínio, a quem finalmente depôs, em 324.

A partir da conversão de Constantino a Igreja passou de perseguida a privilegiada. Depois de séculos como movimento contracultural, a Igreja precisava aprender a lidar com o poder. Porém, em um período de tempo surpreendentemente curto suas perspectivas mudaram por completo e infelizmente ela não fez as coisas de maneira correta.

A própria presença dinâmica de Constantino modelou a Igreja do século IV.

Ele era um mestre do poder e da política, e a Igreja aprendeu a usar essas ferramentas.

Se a visão de Constantino foi autêntica ou ele foi apenas um oportunista, que usou o cristianismo para benefício próprio, não sabemos! Somente Deus que conhece as almas e o próprio Constantino saberiam dizer! Embora tenha falhado na demonstração de sua fé em várias ocasiões, Constantino certamente assumiu um interesse ativo no cristianismo que professava, e chegou até mesmo a correr risco pessoal em certos momentos.

É certo que Deus usou Constantino para fazer com que coisas boas acontecessem para a Igreja, já que o imperador afirmou e assegurou a tolerância oficial para a fé cristã. Por hora, a batalha contra a perseguição romana estava vencida, mas os cristãos ainda haveriam de provar seu valor e fé nas arenas e nas fogueiras enfrentando bravamente a morte.

[1] Augusto (Augustus, plural: Augusti), Latim para “majestoso”, “o exaltado”, ou “venerável”. Foi um título romano antigo dado para Caio Otávio – (em latim: Gaius Iulius Caesar Octavianus Augustus), frequentemente referido simplesmente como Augusto, o primeiro imperador de Roma.

[2] Terminália (em latim: Terminalia) foi um antigo festival da antiga Roma em honra do deus Término, que era a divindade tutelar das fronteiras. A sua estátua era uma simples pedra colocada na terra para marcar os limites entre duas propriedades adjacentes. No festival os dois proprietários dos terrenos onde havia tais pedras-estátuas coroavam-nas com flores e formavam uma mesa de altar onde faziam oferendas de grãos, mel e vinho e sacrificavam um cordeiro ou um porco; acabavam cantando ao deus.

[3] O Edito de Tolerância de Galério ou Édito de Tolerância de Nicomédia foi um edito datado de 311 d.C. e emitido pela tetrarquia de Galério, Constantino I e Licínio, oficialmente colocando um fim à perseguição de Diocleciano aos cristãos.

[4] O Édito de Milão ou Mediolano (em latim: Edictum mediolanense) promulgado em 13 de junho de 313 foi um documento proclamatório no qual se determina que o Império Romano seria neutro em relação ao credo religioso, acabando oficialmente com toda perseguição sancionada oficialmente, especialmente aos cristãos. Tal documento, publicado em forma de carta, transcreveu o acordo entre os tetrarcas Constantino (imperador do Ocidente) e Licínio (imperador do Oriente).

 

Referências Bibliogáficas

A etimologia da fé – Por Pastor Luiz Antonio.

A etimologia da fé – Por Pastor Luiz Antonio.“Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não veem. Porque, por ela, os antigos alcançaram testemunho”. (Heb. 11, 1,2).

Grego

Pistis é a palavra grega que significa convicção da verdade de algo, ou simplesmente fé. No texto do Novo Testamento, pistis dá a ideia de uma convicção ou crença que diz respeito ao relacionamento do homem com Deus e com as coisas divinas, enfatizando a ideia de confiança em Deus que gera um fervor santo nascido e unido a essa fé.

Pistis tem a ver com a convicção de que Deus existe e é o criador e governador de todas as coisas, sendo o provedor e doador da salvação eterna em Cristo.

Pistis tem a ver com a convicção de que Jesus é o Messias, através do qual nós obtemos a salvação eterna no reino de Deus.

Latim

No Latim o termo é fide. Fide é a adesão de forma incondicional a uma hipótese que a pessoa considera como sendo verdade, sem a necessidade de qualquer tipo de prova ou critério objetivo de verificação. Fide expressa a absoluta confiança que se deposita numa fonte de transmissão.

Hebraico

Sendo uma língua de expressões concretas, o hebraico muitas vezes tem dificuldade em expressar abstratos como é o caso da palavra “Fé”. Mas existe uma palavra para descrever esta virtude, Emunáh.

Emunah é a palavra hebraica que significa fé, crença; firmeza, constância; fidelidade, lealdade; segurança.

Emunah tem o sentido de agarrar-se (agarrar-se com firmeza a alguma coisa). Fé é agarrar-se com firmeza à crença em Cristo.

A raiz da palavra Emunáh é a palavra ‘aman’, que significa construtor, trabalhador capacitado, pessoa capacitada, artesão, construtor.

Caso você tenha um dicionário léxico de grego e hebraico e queira conferir, segue abaixo as palavras correspondentes:

0540 אמן ’aman (aramaico)

  • correspondente a 539; DITAT – 2584; v
  • 1) confiar, apoiar
  • 1a1) crer em
  • 1a2) confiar
  • 1a3) confiável (particípio pass)

0541 אמן ’aman

  • denominativo procedente de 3225; DITAT – 872; v
  • 1) (Hifil) tomar a mão direita, virar à direita, optar pela direita, ir para a direita, usar a mão direita

0542 אמן ’aman

  • procedente de 539 (no sentido de treinamento); DITAT – 116c; n m
  • 1) trabalhador capacitado, artista, pessoa capacitada, artesão, construtor.

 

Tendo a palavra Emunáh sua raiz na palavra hebraica ’amown, que significa construtor, artífice, arquiteto, isso ensina que fé é uma virtude construída ao longo da nossa caminhada. É fortalecida por experiências, nossas e dos outros crentes; ao mesmo tempo que é fortalecida por Deus.

O vocábulo ’amown procedente do verbete “539″ no Léxico de grego e hebraico , tem também o sentido de TREINAR; como você pode ver abaixo. Isso nos ensina que a fé é algo a ser treinado, a fé se fortalece pela prática, pelo conhecimento prático das Escrituras e do Deus das Escrituras, bem como pelo contato com o autor da fé. A fé não é uma coisa cega e meramente mística como muitos afirmam!

  • 0525 אמון ’amown
  • procedente de 539, tem também o sentido de treinar; DITAT – 116L; n m
  • 1) artífice, arquiteto, trabalhador capacitado, trabalhador hábil

 

  • 0526 אמון ’Amown
  • o mesmo que 525, grego 300 Αμων; n pr m
  • Amom = “trabalhador hábil” ou “trabalhador capacitado”
  • 1) um rei de Judá, filho de Manassés
  • 2) um governador de Samaria
  • 3) um descendente de um servo de Salomão

 

  • 0527 אמון ’amown
  • uma variação para 1995; DITAT – 116L; n m
  • 1) artífice, arquiteto, trabalhador capacitado

 

A seguir grandes exemplos de fé prática vividos por homens e mulheres de Deus na galeria dos heróis da fé de “Hebreus 11”:

1 Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não veem.

2 Porque por ela os antigos alcançaram testemunho.

3 Pela fé entendemos que os mundos pela palavra de Deus foram criados; de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente.

4 Pela fé Abel ofereceu a Deus maior sacrifício do que Caim, pelo qual alcançou testemunho de que era justo, dando Deus testemunho dos seus dons, e por ela, depois de morto, ainda fala.

5 Pela fé Enoque foi trasladado para não ver a morte, e não foi achado, porque Deus o trasladara; visto como antes da sua trasladação alcançou testemunho de que agradara a Deus.

6 Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam.

7 Pela fé Noé, divinamente avisado das coisas que ainda não se viam, temeu e, para salvação da sua família, preparou a arca, pela qual condenou o mundo, e foi feito herdeiro da justiça que é segundo a fé.

8 Pela fé Abraão, sendo chamado, obedeceu, indo para um lugar que havia de receber por herança; e saiu, sem saber para onde ia.

9 Pela fé habitou na terra da promessa, como em terra alheia, morando em cabanas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa.

10 Porque esperava a cidade que tem fundamentos, da qual o artífice e construtor é Deus.

11 Pela fé também a mesma Sara recebeu a virtude de conceber, e deu à luz já fora da idade; porquanto teve por fiel aquele que lhe tinha prometido.

12 Por isso também de um, e esse já amortecido, descenderam tantos, em multidão, como as estrelas do céu, e como a areia inumerável que está na praia do mar.

13 Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas; mas vendo-as de longe, e crendo-as e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra.

14 Porque, os que isto dizem, claramente mostram que buscam uma pátria.

15 E se, na verdade, se lembrassem daquela de onde haviam saído, teriam oportunidade de tornar.

16 Mas agora desejam uma melhor, isto é, a celestial. Por isso também Deus não se envergonha deles, de se chamar seu Deus, porque já lhes preparou uma cidade.

17 Pela fé ofereceu Abraão a Isaque, quando foi provado; sim, aquele que recebera as promessas ofereceu o seu unigênito.

18 Sendo-lhe dito: Em Isaque será chamada a tua descendência, considerou que Deus era poderoso para até dentre os mortos o ressuscitar;

19 E daí também em figura ele o recobrou.

20 Pela fé Isaque abençoou Jacó e Esaú, no tocante às coisas futuras.

21 Pela fé Jacó, próximo da morte, abençoou cada um dos filhos de José, e adorou encostado à ponta do seu bordão.

22 Pela fé José, próximo da morte, fez menção da saída dos filhos de Israel, e deu ordem acerca de seus ossos.

23 Pela fé Moisés, já nascido, foi escondido três meses por seus pais, porque viram que era um menino formoso; e não temeram o mandamento do rei.

24 Pela fé Moisés, sendo já grande, recusou ser chamado filho da filha de Faraó,

25 Escolhendo antes ser maltratado com o povo de Deus, do que por um pouco de tempo ter o gozo do pecado;

26 Tendo por maiores riquezas o vitupério de Cristo do que os tesouros do Egito; porque tinha em vista a recompensa.

27 Pela fé deixou o Egito, não temendo a ira do rei; porque ficou firme, como vendo o invisível.

28 Pela fé celebrou a páscoa e a aspersão do sangue, para que o destruidor dos primogênitos lhes não tocasse.

29 Pela fé passaram o Mar Vermelho, como por terra seca; o que intentando os egípcios, se afogaram.

30 Pela fé caíram os muros de Jericó, sendo rodeados durante sete dias.

31 Pela fé Raabe, a meretriz, não pereceu com os incrédulos, acolhendo em paz os espias.

32 E que mais direi? Faltar-me-ia o tempo contando de Gideão, e de Baraque, e de Sansão, e de Jefté, e de Davi, e de Samuel e dos profetas,

33 Os quais pela fé venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas, fecharam as bocas dos leões,

34 Apagaram a força do fogo, escaparam do fio da espada, da fraqueza tiraram forças, na batalha se esforçaram, puseram em fuga os exércitos dos estranhos.

35 As mulheres receberam pela ressurreição os seus mortos; uns foram torturados, não aceitando o seu livramento, para alcançarem uma melhor ressurreição;

36 E outros experimentaram escárnios e açoites, e até cadeias e prisões.

37 Foram apedrejados, serrados, tentados, mortos ao fio da espada; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, desamparados, aflitos e maltratados

38 (Dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos, e montes, e pelas covas e cavernas da terra.

39 E todos estes, tendo tido testemunho pela fé, não alcançaram a promessa,

40 Provendo Deus alguma coisa melhor a nosso respeito, para que eles sem nós não fossem aperfeiçoados.

 

PORQUE JESUS FOI BATIZADO?

Porque Jesus foi batizadoClique na imagem e veja o vídeo.

1 E, naqueles dias, apareceu João o Batista pregando no deserto da Judéia, 2 E dizendo: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus. 3 Porque este é o anunciado pelo profeta Isaías, que disse: Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, Endireitai as suas veredas. 4 E este João tinha as suas vestes de pelos de camelo, e um cinto de couro em torno de seus lombos; e alimentava-se de gafanhotos e de mel silvestre. 5 Então ia ter com ele Jerusalém, e toda a Judéia, e toda a província adjacente ao Jordão; 6 E eram por ele batizados no rio Jordão, confessando os seus pecados. 7 E, vendo ele muitos dos fariseus e dos saduceus, que vinham ao seu batismo, dizia-lhes: Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira futura? 8 Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento; 9 E não presumais, de vós mesmos, dizendo: Temos por pai a Abraão; porque eu vos digo que, mesmo destas pedras, Deus pode suscitar filhos a Abraão. 10 E também agora está posto o machado à raiz das árvores; toda a árvore, pois, que não produz bom fruto, é cortada e lançada no fogo. 11 E eu, em verdade, vos batizo com água, para o arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; cujas alparcas não sou digno de levar; ele vos batizará com o Espírito Santo, e com fogo. 12 Em sua mão tem a pá, e limpará a sua eira, e recolherá no celeiro o seu trigo, e queimará a palha com fogo que nunca se apagará. 13 Então veio Jesus da Galileia ter com João, junto do Jordão, para ser batizado por ele. 14 Mas João opunha-se-lhe, dizendo: Eu careço de ser batizado por ti, e vens tu a mim? 15 Jesus, porém, respondendo, disse-lhe: Deixa por agora, porque assim nos convém cumprir toda a justiça. Então ele o permitiu. 16 E, sendo Jesus batizado, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba e vindo sobre ele. 17 E eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo. (Mateus 3, 1 – 17).

Porque Jesus foi batizado?

  • Para cumprir toda a justiça
  • Para ser Manifestado a Israel como o Messias
  • Para gabaritar o trabalho missionário de João Batista.

 

O Batismo de Jesus autorizaria o trabalho missionário de João Batista.

Ao se batizar Jesus estaria antecipando (por assim dizer) o fato de que ele tomaria nosso lugar (seria contado com os pecadores – Isaías 53:12), e se faria pecado por nós, para que nós fossemos feitos JUSTIÇA DE DEUS.

“Pelo que lhe darei a parte de muitos, e, com os poderosos, repartirá ele o despojo; porquanto derramou a sua alma na morte e foi contado com os transgressores; mas ele levou sobre si o pecado de muitos e pelos transgressores intercede” (Isaías 53:12 (ARC95).

“Para cumprir toda a justiça”

  1. “O Salário do pecado é a morte” – “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor. ” (Romanos 6:23).

Portanto é justo que o pecador representado em Cristo morresse (mesmo que em figura pelo batismo) já que Jesus não tinha pecado!

  1. Como homem era justo que Jesus desse o Exemplo, batizando-se.
  2. É justo reconhecer Deus como Santo e nós como pecadores (está foi a mensagem de Jesus ao se batizar).

 

Notas:

Após o batismo nas águas o Espírito Santo veio sobre Jesus.

Após o batismo nas águas Deus se referiu a Cristo como filho.

ELE NÃO É O ARQUITETO DO UNIVERSO

Ele não é o Arquiteto do UNIVERSO
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ELOHIM – O DEUS CRIADOR

Quatro Palavras importantes aparecem na criação: criou – façamos – haja – produza.

 No Hebraico é: Bará  –   Aseh  –  Yehy – Totsê.

BËRESHYT BÅRÅ ELOHYM ET HASHÅMAYM VËET HÅÅRETS  (Gênesis 1:1).

NO PRINCÍPIO CRIOU DEUS OS CÉUS E A TERRA (Gênesis 1:1).

  • Todas estas palavras quando avaliadas etimologicamente revelam o ato e o poder criativo de Deus, que cria tudo “Ex nihilo”[1].
  • A Bíblia revela vários nomes (codinomes[2]) de Deus. Esses nomes expressam a experiência que as pessoas tinham com Ele. Mas só um é seu nome próprio (YHWH). Em relação a este nome Deus é conhecido como:
  1. e) YHWH – Ex. 3:14-15 – “Eu Sou” – O nome revelado a Moisés. Expressa a relação de Deus com o povo de Israel. Derivado da raiz do verbo hebraico “ser” (haya).

YHWH significa “eu sou”.

Indica O DEUS PRESENTE (a presença de Deus foi garantida a Moisés – Ex. 3:12-14))

O DEUS LIVRE ou A LIBERDADE DE DEUS; A ETERNIDADE DE DEUS; O DEUS DA ALIANÇA (Ex. 19:1-8).

YHWH (EU SOU), indica um Deus soberano (aquele que não necessita pedir autorizar para agir) que age por seu próprio poder, o “Ell Shaday”.

Quando na necessidade o povo o conhecia como “YHWH YRËEH” (JIREH) – Gen. 22:13-14 – “O Senhor Proverá”. Surge da experiência profunda de Abraão com Deus e de sua fé inquestionável num momento de dura provação.

  1. g) YHWH NISSI – Ex. 17:15 – “O Senhor é Minha Bandeira”. Surge da experiência do povo hebreu com Deus, onde Ele atua como aquele que luta e vence pelo seu povo.
  2. h) YHWH SHALOM – Jz. 6:23,24 – “O Senhor é Paz”. Livre da condenação da morte pela consciência de que vendo Deus o homem morreria, Gideão entende que Deus não se interpõe como inimigo do homem, mas como aquele que busca um relacionamento harmonioso.
  3. i) Na guerra YHWH TSSAVAÓTCH – 1 Sm 1:3 – “O Senhor dos Exércitos”. É o nome expresso na experiência de Elcana e Ana que, embora não tivessem filhos, serviam a Deus de contínuo, expressando a submissão àquele que comanda os exércitos dos céus e da terra e, portanto, é soberano e a Ele servimos incondicionalmente.
  4. j) YHWH MACCADESHKEM – Ex. 31:13 – “O Senhor que te Santifica”. Na experiência do povo hebreu com Deus, ficou claro que Deus é santo e esse lhe é um atributo próprio, porém comunicável aos homens e só pela sua absorção chegamos diante de Deus.
  5. k) YHWH RAAH – Sl. 23:1 – “O Senhor Meu Pastor”. Expressa a dependência do homem e o grande amor e poder de Deus.
  6. l) YHWH TSIDKENU – Jr. 23:6 – “O Senhor Justiça Nossa”. Jeremias, na sua vidência de profeta, antevê o Renovo que procede de Davi como aquele que justificaria o povo de Israel. Esse é um atributo que diz respeito à justiça de Deus e suas exigências. Esta é uma profecia messiânica que mostra em quem a justiça de Deus seria satisfeita a fim de justificar os pecadores.
  7. m) YHWH ‘EL GMOLAH – Jr. 51:56 – “O Senhor Deus da Recompensa”. O Senhor, por causa da sua justiça, é justo juiz. Seus juízos são perfeitos e estão relacionados ao seu amor, santidade e justiça.
    n) YHWH NAKEH – Ez. 7:9 – “O Senhor que Fere”. O pecado suscita a ira de Deus e os seus juízos contra os ímpios e rebeldes. A Deus pertence a “vingança” pois seus juízos são perfeitos.
  8. o) YHWH SHAMMAH – Ez. 48:35 – “O Senhor que Está Presente”. Pressupõe a onipresença de Deus.
    p) YHWH RAFÁ – Ex. 15:26 – “O Senhor que te Sara”. Sua soberania e seu poder fazem dele o médico dos médicos, pois, como Criador, conhece a natureza humana totalmente.
  9. c) EL ELYON – Gen. 14:20 – “Deus Altíssimo”. Não traduz a ideia de espaço, pois Deus é onipresente, mas traduz o conceito de transcendência, superioridade, soberania, distinção.
  10. d) EL SHADDAI – Ex. 6:3 – “Deus Todo-Poderoso”. Revela o ser ilimitado no poder e que corresponde ao atributo da onipotência. Este nome foi manifestado pelo próprio Deus, antes de revelar-se como YHWH. Com exceção do nome revelado a Moisés, todos os demais nomes derivados de YHWH partem da relação do homem com Deus que, devido às ações de Deus, vão cada vez compreendendo a natureza, a essência e o ser de Deus.
  • Mas o nome que vai servir de base para esta preleção é:

  1. ELOHIM – Gen. 1:1 – plural de “EL”. É usado sempre com o verbo no singular. Expressa a relação de Deus com o universo e com os povos não israelita.

ELOHIM revela Deus como criador, diferente de YHWH que pretende significar um Deus salvador.

Expressa Deus como criador “ELOHIM” não quer significar o plural deuses, mas a forma “plural majestática” no hebraico, significando a profundidade, grandeza e sublimidade do ser ao qual se refere.

AVALIANDO AS PALAVRAS HEBRAICAS DA CRIAÇÃO –   BARÁ –   ASÊH –  YEHY – TOTSÊ.

BËRESHYT BÅRÅ ELOHYM ET HASHÅMAYM VËET HÅÅRETS  (Gênesis 1:1).

“No princípio criou Deus os céus e a Terra”.

Segunda Palavra importante na criação – yatser

Transliteração: le yatser = E formou
Tradução: manufaturar, produzir.

Segunda Palavra importante na criação Gen. 1,26 – Aseh

Tradução: fazer, realizar;

  

Terceira Palavra importante na criação Yehy

Transliteração: hayah
Tradução: ser, existir, estar, acontecer, tornar-se, haver

 

Quarta Palavra importante na criação Totsê

Tradução: Produzir, tirar, fazer sair; expulsar

 

ELE NÃO É O ARQUITETO DO UNIVERSO

A viagem filosófica da humanidade começa 624 anos antes de Cristo com o pré-Socrático Tales de Mileto.

OS FILÓSOFOS PRÉ-SOCRÁTICOS

Desenvolverem seu pensamento antes de Sócrates, e possuíam uma só temática: a physis. A “physis”, a “matéria infinita e eterna, que constitui a gênese (origem) e o fundamento de todas as coisas”, não era concebida pelos pensadores gregos como dissociada da Alma Universal, Razão Universal ou Logos.

Os pré-socráticos buscavam a origem natural do universo, as transformações que ocorriam nele e seu destino.

Os pré-socráticos se originaram em Mileto, Éfeso, Samos, Clazômena, Crotona, Tarento, Eléia, Agrigento e Trácia.

DENTRE OS FILÓSOFOS DESSA ÉPOCA, PODE-SE DESTACAR:

Leucipo: Atomista, acreditava na origem do universo por meio dos átomos.
Demócrito: Também atomista, acreditava na origem do universo por meio dos átomos. 

Tales de Mileto: Era monista, acreditava na origem de todas as coisas por meio da água. 
Anaximandro: Também monista, acreditava na origem de todas as coisas por meio do indeterminado. 
Anaxímenes: Também monista, acreditava na origem de todas as coisas por meio do ar. 
Pitágoras: Originou o pitagorismo, escola filosófica e seita política, religiosa e moral. 
Heráclito: Também monista, acreditava na origem de todas as coisas por meio do fogo. 
Parmênides: Escrevia em forma de versos e acreditava no ser uno, eterno e imóvel. 
Zenão: Também monista, destaca-se pelas suas dificuldades racionais em relação a críticas do pluralismo.
Empédocles: Pluralista, acreditava na origem de todas as coisas por meio dos quatro elementos: terra, água, ar e fogo. 
Anaxágoras: Também pluralista, acreditava na origem do universo pelos quatro elementos.

As escolas atomistas, monista, e pluralista investigavam a matéria existente, portanto as filosofias tratam da matéria eternamente existente, não são criacionistas, principalmente a filosofia platônica que vê a matéria como eterna. No cristianismo, porém, a matéria é criada pelo Deus criador “ELOHIM”.

 

PERÍODO SOCRÁTICO

VAMOS DESTACAR PLATÃO

Platão escreveu, principalmente, na forma de diálogos.

Escritos de Platão considerados autênticos, em ordem cronológica são os seguintes:

1. Hípias menor: trata do agir humano;
2. Primeiro Alcibíades: trata da doutrina socrática do auto-conhecimento;
3. Segundo Alcibíades: trata do conhecimento;
4. Apologia de Sócrates: relata o discurso de defesa de Sócrates no tribunal de Atenas;
5. Eutífron: trata dos conceitos de piedade e impiedade;
6. Críton: trata da justiça;
7. Hípias maior: discussão estética;
8. Hiparco: ocupa-se com os conceitos de cobiça e avidez;
9. Laques: trata da coragem;
10. Lísis: trata da amizade/amor;
11. Cármides: diálogo ético;
12. Protágoras: trata do conceito e natureza da virtude;
13. Górgias: trata do verdadeiro filósofo em oposição aos sofistas;
14. Mênon: trata do ensino da virtude e da rememoração (anamnese);
15. Fédon: relata o julgamento e morte de Sócrates e trata da imortalidade da alma;
16. O Banquete: trata da origem, as diferentes manifestações e o significado do amor sensual;
17. Fedro: trata da retórica e do amor sensual;
18. Íon: trata de poesia;
19. Menêxeno: elogio da morte no campo de batalha;
20. Eutidemo: crítica aos sofistas;
21. Crátilo: trata da natureza dos nomes;
22. A República: aborda vários temas, mas todos subordinados à questão central da justiça;
23. Parmênides: trata da ontologia. É neste diálogo que o jovem Sócrates, a personagem, defende a teoria das formas que é duramente criticada por Parmênides;
24. Teeteto: trata exclusivamente da Teoria do Conhecimento;
25. Sofista: diálogo de caráter ontológico, discute o problema da imagem, do falso e do não-ser;
26. Político: trata do perfil do homem político;
27. Filebo: versa sobre o bom e o belo e como o homem pode viver melhor;
28. Timeu: trata da origem do universo.
29. Crítias: Platão narra aqui mito de Atlântida através de Crítias (seu avô). É um diálogo inacabado;
30. Leis: aborda vários temas da esfera política e jurídica. É o último (inacabado), mais longo e complexo diálogo de Platão;
31. Epidômite: Cartas (dentre as quais, somente a de número 7 (sete) é considerada realmente autêntica)

A TRINDADE PLATÔNICA

A forma como Platão via o KOSMOS é como se segue:

Platão acreditava numa TRINDADE: O Demiurgo – Ideias arquétipas – Matéria eterna.

Platão concebe a existência desses três elementos eternos, os quais caracterizam sua ontologia[3]:

– Ideias arquétipas

A Teoria das ideias de Platão é fundamentada na hipótese de que o homem viveu em um mundo espiritual e está como que de castigo aqui na terra, assim o corpo é apenas uma prisão do espírito. Como somos espíritos prisioneiros de um corpo, o ato de pensar e conhecer é reflexo daquilo que já conhecemos, ou seja, herança do mundo espiritual.

Eu não conheço um objeto porque o identifico como tal devido a ensinamentos de meus pais e da sociedade, mas o conheço porque relembro da imagem dele que está gravada em minha ideia. (Nessa ideia preexistente as coisas são arquétipas – perfeitas).

Platão concebe a existência de todas as ideias num mundo separado, o mundo dos inteligíveis, situado na esfera celeste.

– O Demiurgo

– Demiurgo, é o organizador de todas as coisas, a causa inicial, aquele que iniciou a cadeia de acontecimentos do universo. O mundo material (o cosmos platônico) resulta da síntese das ideias e da matéria.

Segundo Platão o Demiurgo plasma (modela) o caos da matéria preexistente no modelo das ideias eternas, introduzindo no caos a alma (princípio de movimento e de ordem). O Demiurgo trabalha da desordem para a ordem. Na visão Platônica ele é só um “arquiteto” que coloca as coisas preexistentes no seu lugar.

A filosofia cristã do início da Idade Média, essencialmente neoplatônica, vê o Demiurgo como um paralelo do Deus criador bíblico.

O Demiurgo platônico é diferente do Deus cristão e está mais para uma “inteligência cósmica”, criadora da Ordem no Universo, do que para uma divindade.

Suas ideias arquétipas. Segundo Platão, são eternas, reais, universais; elas correspondem aos números arquétipos de que falam os pitagóricos, a partir dos quais Platão formulou sua doutrina.

Segundo Platão, Deus enquanto organizador do mundo, é um demiurgo (um artista, produtor) atuando sobre a matéria eterna, e imprime nessa matéria os arquétipos como sombra das ideias eternas.

Segundo Platão Deus é conceituado com um artista, que se orienta por uma ideia preexistente (Ideias arquétipas).

No pensamento platônico Deus surge como primeiro motor (alma do universo) e como organizador do mundo (demiurgo). Mas o Deus dos hebreus e dos cristãos não é Demiurgo, não é arquiteto, não é artista, é criador!

[1] Expressão do latim que significa “a partir do nada”, (ex=do nihil=nada).

[2] Codinome – é uma designação que se dá a produtos ou pessoas quando estes não dispõem de um nome que os associe ao meio onde operam, ou que ainda não foram tecnicamente batizados, ou quando não se pretende revelar a verdadeira identidade – especialmente verdade em operações militares secretas ou em espionagem.

[3] Ciência do ser em geral. Em Filosofia é a Parte da metafísica que estuda o ser em geral e suas propriedades transcendentais.

Por Pastor Luiz Antonio

Melquisedeque não era um anjo!

O sacerdócio de Melquisedeque era figura do sacerdócio eterno de Cristo.

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Melquisedeque não era um Anjo

 1Porque este Melquisedeque, que era rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo, e que saiu ao encontro de Abraão quando ele regressava da matança dos reis, e o abençoou; 2a quem também Abraão deu o dízimo de tudo, e primeiramente é, por interpretação, rei de justiça (Malkiy-Tzadeq) e depois também rei de Salém, que é rei de paz; 3sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida, mas, sendo feito semelhante ao Filho de Deus, permanece sacerdote para sempre. 4Considerai, pois, quão grande era este, a quem até o patriarca Abraão deu os dízimos dos despojos. 5E os que dentre os filhos de Levi recebem o sacerdócio têm ordem, segundo a lei, de tomar o dízimo do povo, isto é, de seus irmãos, ainda que tenham descendido de Abraão. 6Mas aquele cuja genealogia não é contada entre eles tomou dízimos de Abraão e abençoou o que tinha as promessas. (Heb 7, 1-6).

Melquisedeque (em hebraico מַלְכִּי־צֶדֶק / מַלְכִּי־צָדֶק, transl. Malkiy-Tzadeq, “meu rei é justiça” ou rei de justiça) é o personagem bíblico do livro de Gênesis que abençoou Abraão quando este retornou vitorioso da batalha de Sidim.

É descrito como o rei de Salém (Malkiy- Shalém), pelo que se sabe do relato bíblico, não deixou descendência, nem sua genealogia foi registrada ou contada.

Melquisedeque é venerado pelo cristianismo, sua festa é no dia 26 de agosto na Igreja Católica.

Melquisedeque na Bíblia

Apesar das raras referências a ele na Bíblia, o Livro Sagrado refere-se a Melquisedeque como um sábio rei de uma terra chamada Salém e “sacerdote do Deus Altíssimo.”

Melquisedeque abençoa a Abrão.

 

18E Melquisedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho; e este era sacerdote do Deus Altíssimo. 19E abençoou-o e disse: Bendito seja Abrão do Deus Altíssimo, o Possuidor dos céus e da terra; 20e bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus inimigos nas tuas mãos. E deu-lhe o dízimo de tudo. (Gênesis 14:18).

No Novo Testamento, Melquisedeque é comparado (tipologicamente) a Jesus, de quem é dito ser Sacerdote Eterno “segundo a ordem de Melquisedeque” (Epístola aos Hebreus).

Segundo o texto do Pentateuco, Melquisedeque foi o rei da cidade de Salém (que significa “paz”), a qual se acredita ter sido a cidade posteriormente conhecida por Jerusalém.

Melquisedeque teria tido importância no direcionamento de Abraão – o primeiro registro bíblico da doação de dízimos decorre desta ocasião.

Abraão e Melquisedeque seriam, portanto, contemporâneos, de acordo com as narrações bíblicas.

Destaca-se na sua história a ausência de menções (comuns nos registros bíblicos) a seus antepassados.

Como se pode interpretar de alguns versos (Hebreus 7:3) “3sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida, mas, sendo feito semelhante ao Filho de Deus, permanece sacerdote para sempre”, Melquisedeque fora um homem sem genealogia, sem filhos ou parentes conhecidos.

O lugar onde seu corpo jaz também é ignorado. Estas características, para a teologia, significam que Melquisedeque seria uma figura do próprio Cristo, nada mais!

A semelhança de Melquisedeque com Cristo deve ser encarada apenas como tipologia. Querer colocar a existência de Melquisedeque como “teofania de Cristo”[1] beira à MITOLOGIA.

MITOLOGIA[2] – Diz-se que não teve ascendência nem descendência, a quem a história atribui-lhe características sobre humanas, divina. Alguém de enorme valor que instruiu os povos e lhes deu a civilização.

MITO – Relato fantástico de tradição oral, geralmente protagonizado por seres que encarnam as forças da natureza e os aspectos gerais da condição humana; lenda. (Por ex: Poseydon o deus dos mares grego representa a força natural dos oceanos, como Zeus representa a justiça, etc. Antropologicamente falando é o relato simbólico, passado de geração em geração dentro de um grupo, que narra e explica a origem de determinado fenômeno, ser vivo, instituição, costume social, etc. (Nesse sentido é mitologia dizer que Melquisedeque seria um anjo). Representação de fatos e/ou personagens históricos, amplificados através do imaginário coletivo e de longas tradições literárias orais ou escritas.

Representação idealizada do estado da humanidade, no passado ou no futuro.

ETIMOLOGIA no latim – mȳthos ou mȳthus, fábula, história, no grego mûthos.

Ao nome Melquisedeque pode ainda ser atribuído o significado de “Rei de Justiça” em função de ser uma possível junção de mais de uma palavra do idioma hebraico, conforme explicado anteriormente. (Malkiy-Tzadeq, “meu rei é justiça” ou rei de justiça).

Cristofania

Alguns teólogos cristãos acreditam que Melquisedeque teria sido uma aparição literal do Messias antes de seu nascimento carnal, humano. E há os que defendem que Malkiy-Tzadeq teria sido um anjo; (não o Anjo do SENHOR).

No Antigo Testamento há várias menções ao “Anjo do SENHOR” (Malach Adonay) que muitos acreditam terem sido aparições de Cristo antes de encarnar.

Para outros ainda, Melquisedeque poderia ter sido o aspecto terreno da pré-encarnação de Cristo em uma forma corpórea temporária. (Isso é espiritismo)

Outros teólogos, no entanto, acreditam que Melquisedeque teria sido apenas uma tipologia de Cristo, tratando-se, pois, de um acontecimento que Deus usou de forma didática (ou de um ensinamento) que se relaciona com as realizações de Jesus.

Na epístola aos Hebreus, o autor ensina que Melquisedeque não teve nem pai e nem mãe, nem genealogia (ascendência ou descendência).

Porque este Melquisedeque, que era rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo, e que saiu ao encontro de Abraão quando ele regressava da matança dos reis, e o abençoou; a quem Abraão deu o dízimo de tudo, e primeiramente é, por interpretação, rei de justiça e depois também é rei de Salém, que é rei de paz; sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida, mas, sendo semelhante ao filho de Deus, permanece sacerdote para sempre. (Hebreus 7:1-3)

Na Bíblia, Melquisedeque é referido como sacerdote do Deus Altíssimo em Genesis 14:18.19, quando traz pão e vinho e recebe de Abrão o dizimo daquilo que foi conquistado, e, abençoando-o, disse:

Bendito seja Abraão, do Deus Altíssimo, o Possuidor dos céus e da terra e bendito seja o Deus Altíssimo que entregou teus inimigos em tuas mãos”.

Referenciado também em Salmos 110.4: “Jurou o Senhor e não se arrependerá: Tu és um Sacerdote Eterno segundo a Ordem de Melquisedeque.”

Em Hebreus, além do já citado, temos 7:4: “Considerai, pois, quão grande era este a quem até o patriarca Abrão deu os dízimos dos despojos”.

Outras citações e explicações de Paulo, eliminam a possibilidade de ter a vida de Melquisedeque como cristofania.

                                                                                                               Por Pastor Luiz Antonio.

[1] Teofania – termo teológico para quando Deus assume uma forma humana.

[2] conjunto dos mitos de determinado povo.

 

Mene, Mene. Tequel. Parsim.

Mene, Mene Tequel Ufarsim.jpg
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Mene, Mene. Tequel. Parsim.

Essa é uma famosa frase bíblica formada por três palavras aramaicas. Segundo o testemunho das Escrituras Sagradas, foi escrita pelo que se pode interpretar como a (mão de Deus), na parede da sala de banquete do rei de Babilônia, Belsazar.

A história na integra está no Profeta Daniel capítulo 5, a data aproximada era 539 antes de Cristo. Belsazar deu um grande banquete aos grandes homens do reino e mandou que trouxesse os utensílios sagrados do Beit Há’MIquidash (o Templo de YHWH), e, naquela noite, ele e seus convidados tomaram vinho nesses utencílios de ouro e de prata, o que foi uma afronta a Deus.

Após esta afronta ao Elohim chayim (Deus Vivo), apareceu uma mão que escreveu em uma das paredes da sala: “MENE, MENE. TEQUEL. PARSIM.”

Ao ver o fenômeno, o rei Belsazar empalideceu-se de medo. Diante disso, mandou chamar os magos para que interpretassem a misteriosa frase, mas foram incapazes.

Então foi informado ao rei que o Profeta Daniel interpretara sonhos e fizera isso para Nabucodonosor, avô de Belsazar.

Daniel interpretou a frase da seguinte maneira:

MENE: Contou Deus o teu reino, e deu cabo dele;

TEQUEL: Pesado foste na balança, e achado em falta;

PERES: Dividido foi o teu reino, e dado aos Medos e aos Persas”.

A profecia se cumpriu naquela mesma noite. Babilônia caiu diante de Ciro o Grande, Belsazar foi morto e Dario, o Medo, assumiu o trono com 62 anos. (inicia-se a época do peito de prata a estatua das nações).

É muito provável que em sua corte o rei Belsazar tinha sábios altamente versados no idioma aramaico, mas, no entanto, incapazes de decifrar os desígnios de Deus. Até por que não conheciam o Deus dos hebreus como Daniel.

Por que Jesus amaldiçoou a figueira?

Por que Jesus amaldiçoou a figueira se não era época de frutos? 

            O episódio está relatado em Marcos 11:12-14, Marcos 11:20-23 e em Mateus 21:18-22, não aparecendo em Lucas.Porq eue Jesus amaldiçoou a figueira.jpg

O texto de Marcos está dividido em duas partes: a primeira, logo após a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém; a segunda parte, presumivelmente no dia seguinte, quando a árvore definhou, o que estimulou Jesus a falar sobre a eficácia da oração. Já Mateus apresenta o milagre como um único evento.

 

No Evangelho de Marcos:

 

12E, no dia seguinte, quando saíram de Betânia, teve fome. 13Vendo de longe uma figueira que tinha folhas, foi ver se nela acharia alguma coisa; e, chegando a ela, não achou senão folhas, porque não era tempo de figos. 14E Jesus, falando, disse à figueira: Nunca mais coma alguém fruto de ti. E os seus discípulos ouviram isso. (Marcos 11:12-14)

20 E eles, passando pela manhã, viram que a figueira se tinha secado desde as raízes. 21 E Pedro, lembrando-se, disse-lhe: Mestre, eis que a figueira que tu amaldiçoaste se secou. 22E Jesus, respondendo, disse-lhes: Tende fé em Deus, 23 porque em verdade vos digo que qualquer que disser a este monte: Ergue-te e lança-te no mar, e não duvidar em seu coração, mas crer que se fará aquilo que diz, tudo o que disser lhe será feito. (Marcos 11:20-23)
   

 

 

No Evangelho de Mateus:

  18E, de manhã, voltando para a cidade, teve fome. 19E, avistando uma figueira perto do caminho, dirigiu-se a ela e não achou nela senão folhas. E disse-lhe: Nunca mais nasça fruto de ti. E a figueira secou imediatamente. 20E os discípulos, vendo isso, maravilharam-se, dizendo: Como secou imediatamente a figueira? 21Jesus, porém,  respondendo, disse-lhes: Em verdade vos digo que, se tiverdes fé e não duvidardes, não só fareis o que foi feito à figueira, mas até, se a este monte disserdes: Ergue-te e precipita-te no mar, assim será feito. 22E tudo o que pedirdes na oração, crendo, o recebereis. (Mateus 21:18-22)

            A exegese tradicional cristã sobre este relato inclui a afirmação da divindade de Jesus ao demonstrar a sua autoridade sobre a natureza amaldiçoando a figueira que secou-se completamente.

            O pensamento reformado tradicional afirma que este evento foi um sinal dado por Jesus sobre o fim da aliança exclusiva entre Deus e os judeus.            Sob o ponto de vista pensamento reformado tradicional, a árvore seria uma metáfora para a nação judaica, que teria uma aparência externa grandiosa (as folhas), mas não estava mais produzindo nada para a glória de Deus (faltava frutos). Esta interpretação metafórica onde Israel é interpretado como sendo a Figueira está ligada à Parábola da Figueira Estéril de (Lucas 13:6-9).

       Em Lucas, a parábola diz:

E passou a narrar esta parábola: Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha; e indo procurar fruto nela, não o achou. Disse então ao viticultor: Eis que há três anos venho procurar fruto nesta figueira, e não o acho; corta-a; para que ocupa ela ainda a terra inutilmente? Respondeu-lhe ele: Senhor, deixa-a este ano ainda, até que eu cave em derredor, e lhe deite estrume; e se no futuro der fruto, bem; mas, se não, cortá-la-ás. (Lucas 13:6-9).

            Era comum ver-se figueiras plantadas nos vinhedos. Nesta parábola, o dono da figueira e da vinha geralmente é considerado como a representação de Deus, o viticultor é Jesus e a Figueira é Israel.

            A parábola reflete Jesus oferecendo a Israel uma última chance para o arrependimento. O período de tempo mencionado fala de forma escatológica sobre a iminência da poda por falta de frutos; (há três anos venho procurar fruto nesta figueira, e não o acho…).

            Nem Mateus e nem Marcos explicam por que Jesus esperava encontrar frutos na árvore sabendo que não era a estação de figos. Para nós que não fazemos parte da cultura daquele povo nem somos agricultores pode parecer injusto da parte do Senhor querer fruto fora da época.

            Mas os contemporâneos de Jesus (homens do campo) sabiam que se as figueiras fossem produzir frutos na época certa; antes da estação própria elas produziriam um fruto denominado “TAQSH”. Como esta não produziu, era um sinal de que ela não iria produzir fruto nenhum naquele ano. Por isso foi amaldiçoada para nos servir de exemplo.

          Quatro coisas evidentes nesse episódio:

            1 – A árvore estava frondosa, isto podia-se ver à distância. (Aparência).

            2 – Não era tempo de figos, mas (deveria produzir TAQSH).

            3 – A árvore tinha somente folhas. (Não podia alimentar pessoas).

            4 – Esse episódio ocorre próximo a Páscoa, ou seja, entre março-abril.

     Bom, mesmo fora de época, uma figueira com folhas, promete frutos!

            Marcos diz que não era tempo de figos, pois faltavam ainda cerca de seis semanas até os figos estarem totalmente formados.

            Mas quando as folhas da figueira aparecem por volta do final de março, são acompanhadas por pequenos frutos chamados pelos Árabes de TAQSH, uma espécie de precursores dos figos reais. Estes taqsh são comidos por agricultores e outros quando têm fome. Eram esses frutos que Jesus esperava encontrar na Figueira e não encontrou.

            Eles caem antes do figo verdadeiro se formar. Mas se as folhas aparecerem sem taqsh, significa que não haverá figos nesse ano.

            Por isso, ficou claro para Jesus que, a ausência de taqsh na figueira no período em que esses frutos deveriam se fazer presentes, denotava que não haveria figos no seu devido tempo.

            Por que Jesus amaldiçoou a figueira se não era época de frutos?

            A conclusão é que Jesus espera frutos de nós a todo tempo!

 

Predestinação

 

PREDESTINAÇÃO, EXISTE

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PREDESTINAÇÂO, EXISTE?

             A doutrina da predestinação é estudada dentro da matéria Soteriologia que é o estudo da salvação humana. A palavra é formada a partir de dois termos gregos Σοτεριος – “Soteria” que significa “salvação” e λογος logos/logia, que significa “palavra”, ou “estudo”.

            Cada religião oferece um tipo diferente de salvação e, portanto, possui sua própria soteriologia.

            No cristianismo a salvação é estabelecida através de Jesus Cristo. A soteriologia no cristianismo estuda como Deus ama as pessoas condenadas pelo pecado e os reconcilia consigo mesmo.

            Os cristãos recebem o perdão dos pecados, vida e salvação adquiridos por Jesus Cristo através de seu sofrimento inocente, morte e ressurreição. Esta graça da salvação é recebida sempre pela fé em Jesus Cristo, através da Palavra de Deus.

          A predestinação tem dois aspectos:

  1. Eleição: É o ato 
  2. eterno de Deus pelo qual Ele, em sua soberana vontade, e sem levar em conta nenhum mérito dos homens, escolhe um certo número deles para receberem a graça especial e a salvação eterna.

  1. Reprovação: É o decreto eterno de Deus pelo qual Ele determinou deixar de aplicar a certo número de homens as operações de sua graça especial, e puni-los por seus pecados, para a manifestação da sua justiça.
  2. Vocação: Vocação ou chamada é o ato da graça pelo qual Deus convida os homens, através de Sua Palavra, a aceitarem pela fé a salvação providenciada por Cristo.

Deus tem um Povo chamado e predestinado, mas não tem indivíduos predestinados! A predestinação se dá no corpo de Cristo, se você for parte ele será um predestinado.

(ICo.1:9; ITs.2:12; IPe.5:10; At.2:39; Rm.8:30; ICo.1:24, Gl.1:15; Ef.4:1; IITs.2:14; IITm.1:9; IPe. 2:9; 5:10).

Imagine um voo predestinado a França, todos dentro do avião estão predestinados, mas quem deixar o avião perdeu a predestinação.

             A predestinação só pode ser entendida do ponto de vista coletivo; Deus não predestina indivíduos, predestina um grupo, (a Igreja).

             Romanos 8:29-30 nos diz: “Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou.”

            Efésios 1:5 e 11: “E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade… Nele, digo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados, conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade.”

            A predestinação é uma doutrina bíblica. O segredo é compreender, biblicamente, o que significa. O segredo é entender que Deus nunca predestinou UMA PESSOA, mas sempre UM POVO.

            As palavras traduzidas como “predestinou” e “predestinados” nas Escrituras citadas acima vêm da palavra grega “proorizo”, que tem o significado de “anteriormente determinado”, “predestinar”, “decidir de antemão”.

            Então, predestinação é Deus determinando antes, que um grupo de pessoas estaria em conformidade com a imagem de Seu filho, sendo chamadas, justificadas e glorificadas. Deus não predetermina a salvação de uma pessoa, mas de um grupo.

            Predestinação é a doutrina bíblica de que Deus, em sua soberania, escolhe um grupo de pessoas para serem salvas.

            A objeção mais comum à doutrina da predestinação é que ela não é justa.             Por que Deus escolheria certas pessoas e não outras; mas Deus não escolhe ou escolheu pessoas (pois isso implicaria em quebrar o livre arbítrio), sendo assim, ele escolheu um grupo (A IGREJA).

           

A Páscoa Pagã

A Páscoa Pagã por Pastor Luiz Antonio

A Páscoa pagã é celebrada no primeiro domingo após a primeira lua nova, após a celebração à deusa Ostara.

A Páscoa pagã está imersa nos mistérios babilônios, o mais maligno sistema idólatra já inventado por Satanás! Em todas as Escrituras proféticas, vemos Deus declarar seu julgamento final sobre a ímpia Babilônia! Mesmo assim, a cada ano, pastores cristãos celebram a Páscoa como se fosse uma festividade cristã.

Na verdade, esse dia deveria ser referido como “Domingo da Ressurreição” e não domingo de páscoa, de modo a fazer distinção da celebração pagã da deusa Ostara.

A deusa babilônica Ishtar é a deusa Ostara a quem a Páscoa [Easter] se refere. (Pagan Traditions of Holidays, pág. 9 – Tradições pagãs dos Feriados) diz: “na realidade, ela era Semíramis, mulher de Ninrode e a verdadeira fundadora dos mistérios satânicos babilônios”.

A Páscoa pagã [Easter, em inglês] — o Dia de Ishtar — é celebrada em várias culturas e religiões do mundo.

  1. Babilônia — Ishtar (Easter), também chamada Deusa da Lua
  2. Católicos — Virgem Maria (Rainha dos Céus)
  3. Chineses — Shingmoo
  4. Druidas — Virgo Paritura
  5. Egito — Ísis
  6. Efésios pagãos — Diana
  7. Etruscos — Nutria
  8. Alemães (antigos) — Herta
  9. Gregos — Afrodite / Ceres
  10. Índia — Isi / Indrani
  11. Judeus apóstatas antigos — Astarte (Rainha dos Céus)
  12. Roma — Vênus / Fortuna
  13. Escandinavos — Disa
  14. Sumérios — Nana

(“America’s Occult Holidays”, Doc Marquis and Sam Pollard. pg 13)

Os babilônios celebravam o dia como o retorno de Ishtar, a deusa da Primavera. Esse dia celebrava o renascimento da Natureza e da deusa da Natureza.

De acordo com uma lenda babilônica, um grande ovo caiu dos céus no rio Eufrates e a deusa Ishtar (Easter moderna) eclodiu de dentro dele. Mais tarde, surgiu uma versão que incluía um ninho, em que o ovo pôde ser incubado até eclodir. Um cesto de palha ou vime era produzido para colocar o ovo da Páscoa (o ovo de Ishtar).

A Procura do Ovo de Páscoa Escondido foi criada porque, se alguém encontrasse o ovo enquanto a deusa estava “renascendo”, ela concederia uma benção especial ao felizardo! Como essa era uma festividade alegre da primavera, os ovos eram pintados com as cores brilhantes da primavera.

O Coelho da Páscoa

“O totem da deusa, a lua-lebre, punha ovos para as crianças comportadas comerem… a lebre da Páscoa era a forma como os celtas imaginavam a superfície da lua cheia…” (Pagan Traditions of Holidays, pg 10).

Assim, “Easter” — Eostre ou Ishtar — era uma deusa da fertilidade. Visto que o coelho é uma criatura que procria rapidamente, ele simbolizava o ato sexual e a deusa. (É só você se lembrar da revista playboy, qual é seu símbolo?)

O ovo simbolizava “nascimento” e “renovação”; juntos, o coelho da Páscoa e o ovo de Páscoa simbolizam o ato sexual.

Assim, é realmente uma questão espiritual muito séria quando as igrejas cristãs incorporam os “Ovos da Ressurreição” como parte da celebração da Páscoa.

Na melhor das hipóteses, essas igrejas estão confundindo as mentes de suas crianças, obscurecendo a linha divisória entre os símbolos pagãos e seus significados e o significado cristão do Dia da Ressurreição.

As crianças que participam dos “Ovos da Ressurreição” na igreja serão condicionadas mais tarde em suas vidas a aceitarem a tradição pagã que envolve os mesmos símbolos.

No pior caso, a igreja que participa na tradição da Páscoa pagã promovendo os “Ovos da Ressurreição” e talvez uma Procura ao Ovo de Páscoa Escondido, é culpada de combinar o cristianismo com o paganismo.

“Por isso saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor; e não toqueis nada imundo, e eu vos receberei, e eu serei para vós Pai e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-Poderoso.” (Efésios 6:17-18).

Outros Ingredientes Pagãos

Oferendas de Páscoa — São derivadas da tradição em que os sacerdotes e sacerdotisas traziam oferendas para os templos pagãos para a deusa da primavera (Ishtar).

Eles traziam flores frescas da primavera e doces para colocar no altar da deusa que adoravam. Eles também assavam um bolo de passas, decorando-o com cruzes para simbolizar a cruz de Wotan; essas cruzes não eram originalmente a cruz de Jesus Cristo. Esse é outro caso em que Satanás falsificou uma tradição pagã que poderia mais tarde ser passada como “cristã” em uma igreja seriamente comprometida com a sincretização (Mistura).

De fato, o primeiro caso de Bolo de Frutas Secas pode ser rastreado até cerca de 1500 AC, até Cecrops, o fundador de Atenas (Marquis, pg 18).

Nas celebrações do Velho Testamento no meio do Israel apóstata, vemos mulheres irritando a Deus porque assavam esses bolos para oferecê-los em adoração à Rainha dos Céus (Jeremias 44:17-18 e Oséias 3:1).

A nota de rodapé para esse título “Rainha dos Céus” no Amplified Bible Commentary (Comentário bíblico ampliado) diz: “Uma deusa da fertilidade, provavelmente o título babilônio para Ishtar. Ela é identificada com o planeta Vênus. As oferendas para essa deusa incluíam bolos feitos na forma de uma estrela”.

Mais tarde os pagãos usaram não só a forma da estrela Pentalfa como também o bolo de frutas secas.

Outra oferenda popular a Ishtar eram as roupas novas, feitas ou compradas! Os sacerdotes usavam seus melhores trajes, enquanto virgens usavam vestidos brancos novos. Elas também usavam algo para cobrir as cabeças, como chapéus de palha ou toucas de tecido e muitas se adornavam com grinaldas de flores da primavera. Elas carregavam cestos de vime cheios de doces e alimentos para oferecerem aos deuses pagãos.

 

Quaresma

O Tempo da Quaresma é o período do ano litúrgico que antecede a Páscoa cristã, sendo celebrado por algumas igrejas cristãs, dentre as quais a Católica, a Ortodoxa, a Anglicana, a Luterana. A expressão Quaresma é originária do latim, quadragésima dies (quadragésimo dia).

A Quaresma na celebração pagã era uma celebração da morte de Tamuz; a lenda diz que ele foi morto por um javali selvagem aos quarenta anos. Portanto, a Quaresma celebra um dia para cada ano de vida de Tamuz (America’s Occult Holidays – feriados ocultistas da América de Doc Marquis e Sam Pollard).

Os participantes deviam expressar seu pesar pela morte precoce de Tamuz pranteando, jejuando e se autoflagelando.

A Quaresma era também uma celebração que durava por exatamente quarenta dias antes da páscoa, (Ishtar) e outras deusas pelas seguintes culturas: babilônica, católicos romanos, curdos, mexicanos, Israel antigo.

Podemos ver a ira de Deus sobre essa celebração da Quaresma em Ezequiel 8:14-18:

14  E levou-me à entrada da porta da casa do SENHOR, que está do lado norte, e eis que estavam ali mulheres assentadas chorando por Tamuz. 15  E disse-me: Vês isto, filho do homem? Ainda tornarás a ver abominações maiores do que estas. 16  E levou-me para o átrio interior da casa do SENHOR, e eis que estavam à entrada do templo do SENHOR, entre o pórtico e o altar, cerca de vinte e cinco homens, de costas para o templo do SENHOR, e com os rostos para o oriente; e eles, virados para o oriente adoravam o sol. (adoração ao sol é natal, como publiquei em nosso jornal de dez/2008) 17  Então me disse: Vês isto, filho do homem? Há porventura coisa mais leviana para a casa de Judá, do que tais abominações, que fazem aqui? Havendo enchido a terra de violência, tornam a irritar-me; e ei-los a chegar o ramo ao seu nariz. 18  Por isso também eu os tratarei com furor; o meu olho não poupará, nem terei piedade; ainda que me gritem aos ouvidos com grande voz, contudo não os ouvirei. (Ezequiel 8:14-18).

O julgamento de Deus sobre essa comemoração é descrito em Ezequiel 9, um capítulo que sugerimos que você leia atentamente, porque Deus declara que punirá de modo similar qualquer nação que não ouvir e obedecer seus mandamentos (Jeremias 12:17).

Compilado por Pastor Luiz Antonio.