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Pastor Luiz Antonio de Oliveira - É missiólogo, preletor, pregador, professor de teologia no SEMINÁRIO IDE & ENSINAI e Pastor há mais de 20 anos. Colou grau de bacharel pela faculdade de teologia Filadélfia em 2007, é mestre em teologia (com especialização em MISSIOLOGIA) pela mesma faculdade em 2012, Colou grau de bacharel (MEC) 2016.

Jerônimo completa a Vulgata 405 D.C. – Grandes acontecimentos que marcaram a história do Cristianismo. (Comentário de Pastor Luiz Antonio).

Grandes Acontecimentos WebVulgata é a tradução da Bíblia para o latim que foi usada pela Igreja Cristã por séculos e ainda hoje  é muito respeitada, foi escrita no século IV, por Jerônimo, a pedido do Papa Dâmaso I. Jerônimo (em latim: Eusebius Sophronius Hieronymus), também conhecido por Jerônimo de Estridão (cidade na província romana da Dalmácia), foi um sacerdote cristão destacado como teólogo, historiador e considerado confessor e Doutor da Igreja pela Igreja Católica. Sua obra mais conhecida foi a tradução da Bíblia para o latim (conhecida como Vulgata). O nome Vulgata vem da expressão vulgata versio, isto é “versão de divulgação para o povo”, e foi escrita em um latim cotidiano, usado na Vulgata em uma distinção consciente ao latim elegante de Cícero, a quem Jerônimo considerava seu mestre. A denominação Vulgata consolidou-se na primeira metade do século XVI, sobretudo a partir da edição da Bíblia de 1532, tendo sido definitivamente consagrada pelo Concílio de Trento, em 1546. O Concílio estabeleceu um texto único para a Vulgata a partir de vários manuscritos existentes, e esta versão foi ratificada como a Bíblia oficial da Igreja, confirmando assim os outros concílios desde o século II. Nos seus primeiros séculos, a Igreja serviu-se sobretudo da língua grega e foi nesta língua que o Novo Testamento foi escrito, bem como muitos escritos cristãos de séculos seguintes. No século IV, Jerônimo traduz o Antigo Testamento para o latim e revê a Vetus Latina, além de selecionar e revisar textos no Novo Testamento. A Vulgata foi produzida para ser mais exata e mais fácil de compreender do que suas predecessoras. Foi a primeira, e por séculos a única, versão da Bíblia que verteu o Velho Testamento diretamente do hebraico e não da tradução grega conhecida como Septuaginta. A Vulgata, foi usada pela Igreja Católica Romana durante muitos séculos, e ainda hoje é fonte para diversas traduções.

Nova Vulgata

Após o Concílio Vaticano II, por determinação do Papa Paulo VI, foi realizada uma revisão da Vulgata, sobretudo para uso litúrgico. Esta revisão, terminada em 1975, e promulgada pelo Papa João Paulo II em 25 de abril de 1979 é denominada Nova Vulgata e ficou estabelecida como a nova Bíblia oficial da Igreja Católica.

Prólogos da Vulgata

Além do texto bíblico, a Vulgata contém prólogos: Pentateuco, Josué, Reis (Prologus Galeatus), Crônicas, Esdras, Tobias, Judite, Ester, Jó, Salmos (LXX), Livros de Salomão, Isaías, Jeremias, Ezequiel, Daniel, 12 Profetas (menores), Os Evangelhos, Epístolas Paulinas (Primum Quaeritur), os quais a maioria foi escrita por Jerônimo. Esses prólogos são escritos críticos não destinados ao público em geral. O tema recorrente dos prólogos se refere à primazia do texto hebraico sobre os textos da Septuaginta (LXX), escrita em grego koiné.

Entre os mais notáveis prólogos se destaca o Prologus Galeatus, de Jerônimo. Jerônimo traduziu os deuterocanônicos do aramaico. Os deuterocanônicos foram incluídos na edição da Vulgata conforme estavam na Antiga Latina.

Nota: O prólogo Primum Quaeritur (Primeira Pergunta), de autoria desconhecida, defende a autoria paulina para a carta aos Hebreus.

A igreja desde o início aceitou que havia a necessidade de traduzir a Bíblia. Embora o grego comum do Novo Testamento fosse amplamente compreendido em todo o Império Romano, nem todos conheciam aquela língua, e a Igreja tinha o objetivo de alcançar a todos com o Evangelho.

Surgiram então as primeiras traduções em várias línguas, especialmente para o latim (que, com o tempo, passou a ser a língua oficial do império), o siríaco e o copta. Embora possamos destacar o zelo dos primeiros tradutores, infelizmente nem sempre tinham bom domínio do grego.

Dâmaso foi bispo de Roma de 366 a 385. Embora o bispado de Roma fosse tido em grande estima, Dâmaso ainda não alcançara o poder superior ao dos outros bispos, e Dâmaso, a propósito, gostava do poder. Ele queria libertar o cristianismo ocidental da dominação do Oriente. Havia muito tempo, o grego era a língua aceita pela Igreja, mas Dâmaso queria que a Igreja do Ocidente se tornasse claramente latina. Uma das maneiras de conseguir isso seria traduzir a Bíblia para o latim.

O secretário de Dâmaso era Eusebius Sophronius Hieronymus, embora fosse mais conhecido na igreja por Jerônimo. Ele foi treinado nos clássicos em latim e grego e repreendia severamente a si mesmo por sua paixão pelos autores seculares. Para punir-se, praticava uma vida de renúncia e retirou-se para a Síria para estudar hebraico. Jerônimo já havia se tornado um dos maiores estudiosos na época em que começou a trabalhar para Dâmaso.

Como parte de seu plano para transformar a Igreja do Ocidente em uma instituição claramente latina., Dâmaso sugeriu que seu secretário produzisse uma tradução latina da Bíblia, que eliminasse as imprecisões das traduções mais antigas. Dâmaso buscava uniformidade na Igreja e como já padronizara o culto de adoração das igrejas que estavam sob sua autoridade, agora queria um conjunto padronizado das Escrituras.

Jerônimo começou sua obra em 382. Quando Dâmaso morreu, em 384, Jerônimo, aparentemente, alimentava o desejo de ocupar a posição de bispo de Roma. Em parte pela amargura de não ter sido escolhido, e em parte pelo desejo de se livrar das distrações mundanas.

Jerônimo mudou-se de Roma para a Terra Santa, estabelecendo-se em Belém. Em 405, terminou sua tradução, que, a propósito, não foi sua única obra.

Durante 23 anos, ele também produziu comentários e outros escritos, servindo de conselheiro espiritual para algumas viúvas ricas e bastante devotas. Ele se envolveu em várias batalhas teológicas de seus dias, por meio de cartas eloquentes, às vezes, bastante duras que até hoje são consideradas muito dramáticas.

Jerônimo começou sua tradução trabalhando a partir da Septuaginta, a versão grega do Antigo Testamento. Porém, logo resolveu estabelecer um precedente para todos os bons tradutores do Antigo Testamento: seria melhor e mais prudente trabalhar a partir dos originais em hebraico. Jerônimo em seu zelo consultou muitos rabinos e procurava com isso atingir um alto grau de perfeição.

Jerônimo ficou surpreso com o fato de as Escrituras hebraicas não incluírem os livros que chamamos hoje de apócrifos[1]. Sua admiração se deu pelo fato de terem sido incluídos na Septuaginta.

Jerônimo foi compelido a incluí-los também em sua tradução, mas deixou sua opinião bastante clara: eles eram liber ecclesiastici (livros da Igreja), e não liber canonici (livros canónicos). Embora os apócrifos pudessem ser usados para a edificação, não poderiam ser utilizados para estabelecer doutrina alguma.

Centenas de anos mais tarde, os líderes da Reforma dariam um passo adiante e não incluiriam esses livros na Versão Bíblica Protestante.

A biblioteca divina, termo pelo qual Jerônimo se referia à Bíblia, foi finalmente disponibilizada em uma versão precisa e muito bem escrita, na linguagem usada comumente nas igrejas do Ocidente. Ficou conhecida por Vulgata (do latim vulgus, “comum”). A enorme influência de Jerônimo fez com que todos os estudiosos sérios da Idade Média tivessem grande respeito por sua tradução. Martinho Lutero, que conhecia hebraico e grego, fez citações da Vulgata durante toda sua vida.

Pelo fato de a obra de Jerônimo ter o selo de aprovação da Igreja, outros tradutores tiveram dificuldades em segui-lo. Até à Reforma, poucas traduções haviam sido feitas para as línguas européias e, mesmo assim, em vez de trabalhar a partir do Novo Testamento em grego, os tradutores se voltavam para a Vulgata.

Ironicamente, com o tempo, a tradução da Bíblia no idioma que toda a igreja ocidental pudesse usar (o latim), fez com que a Igreja tivesse um culto de adoração e uma Bíblia que nenhum leigo de outra nação pudesse entender. A tradução de Jerônimo deu ao latim o ímpeto que Dâmaso buscava (a Igreja do Ocidente se tornara claramente latina). A Vulgata ao contrário do pretendido por Jerônimo (versão de divulgação para o povo) se tornou tão sacrossanta que a tradução dessa Bíblia para outras línguas foi proibida.

A Igreja Romana não é autora da Bíblia, porém fez algo de bom para a humanidade quando através de Jerônimo  nos entregou a Bíblia traduzida do hebraico para latim (conhecida como a Vulgata Latina).  Outro benefício que esta versão fez foi o de definir depois de muito labor, quais livros seriam considerados dignos de confiança, inspirados, e quais seriam considerados espúrios ou apócrifos.

[1] Livros apócrifos ou Pseudocanônicos, são os livros escritos por comunidades cristãs e pré-cristãs. O termo apócrifo (oculto) foi criado por Jerônimo, no quinto século, para designar basicamente antigos documentos judaicos escritos no período entre o último livro das escrituras judaicas, Malaquias e a vinda de Jesus Cristo. São livros que, segundo a religião protestante, não foram inspirados por Deus e não fazem parte do cânon.

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João Crisóstomo se torna bispo de Constantinopla 398 D.C. – Grandes acontecimentos que marcaram a história do Cristianismo. (Comentário de Pastor Luiz Antonio).

João CrisóstomoJoão Crisóstomo (c. 347, Antioquia / 14 de setembro de 407, Comana Pôntica) foi um arcebispo de Constantinopla e um dos mais importantes patronos do cristianismo primitivo. Ele é conhecido por suas poderosas homilias[1], por sua habilidade em oratória, por sua denúncia dos abusos cometidos por líderes políticos e eclesiásticos de sua época, por sua considerada “Divina Liturgia” e por suas práticas ascetas. O epíteto Χρυσόστομος (“Chrysostomos“, aportuguesado como “Crisóstomo”) significa “da boca de ouro” em língua grega e lhe foi dado por conta de sua lendária eloquência. O título apareceu pela primeira vez na “Constituição” do papa Vigílio em 553 e ele é considerado o maior pregador cristão da história

A primeira vez que a atenção do público se voltou para João Crisóstomo foi devido a uma rebelião em protesto pelos novos impostos. Ele era pastor em Antioquia, em 387, quando o imperador Teodósio impôs essa nova taxa. O povo de Antioquia ficou enraivecido. Em protesto, se revoltaram, atacando oficiais do império e mutilando estátuas de Teodósio e de sua família. A ordem foi logo restaurada e as pessoas esperavam ser punidas.

Flaviano, bispo de Antioquia, correu para Constantinopla, a capital do império, pedindo clemência ao imperador. Teodósio era conhecido por enviar tropas para massacrar os cidadãos que lhe causavam dificuldades. Enquanto o bispo e uma legião de monges pleiteavam junto ao imperador, João tentava acalmar as multidões. O bispo retornou com notícias de anistia e João insistia com as pessoas para que as atitudes delas mudassem para melhor.

Essa não seria a última vez que João enfrentaria uma situação política séria. Ele fez aquilo com coragem, fidelidade e, talvez, com certa dose de arrogância.

Ε possível que ele tivesse aprendido isso com sua mãe, Antusa. Seu marido era oficial militar e morreu pouco depois do nascimento de João. Ela estava com apenas vinte anos e era muito bonita, mas rejeitou seus muitos pretendentes com o objetivo de dar a melhor educação possível a João e à irmã dele. Antusa vinha de uma família abastada e foi capaz de dar a João excelente educação, incluindo estudos de retórica com um famoso professor pagão chamado Libânio. João também estudou Direito, mas foi atraído cada vez mais pela ascese[2]. João ingressou em um mosteiro pouco depois da morte de sua mãe.

Em 381, retornou à sua cidade natal, Antioquia, e foi ordenado diácono. O bispo percebeu suas habilidades na comunicação e fez dele pastor e pregador principal de uma das assembléias de Antioquia. Foi nessa função que ele enfrentou a revolta dos impostos. Durante os anos que se seguiram, ele continuou a ganhar respeito devido à sua habilidade na pregação. Por causa disso, recebeu a alcunha de Crisóstomo, transliteração de uma expressão grega cujo significado é “boca de ouro”.

Seguindo a escola teológica de Antioquia, João adotou a abordagem mais literal da Bíblia (em oposição à interpretação mais alegórica da Escola Alexandrina). Ele também enfatizou a plena humanidade de Jesus em uma época em que as pessoas ignoravam esse aspecto. Crisóstomo pregou longas séries de mensagens sobre Gênesis, Mateus, João e Romanos, a maioria das quais ainda possuímos. Ele também escreveu comentários.

Em 397, o bispado de Constantinopla ficou vago. Era uma posição de grande prestígio, na capital do império. O imperador Arcádio escolheu João, o Boca de Ouro. Ε possível que, mais tarde, ele tenha se arrependido de sua decisão.

João era tão popular em Antioquia que teve de ser praticamente raptado para ser levado a Constantinopla. Acabou por ser consagrado bispo na capital em 398. O oficiante da consagração foi o bispo Teófilo de Alexandria.

Devido especialmente às questões políticas, Teófilo causou grandes problemas a João. Ele queria que João lhe fosse subserviente e, provavelmente, ficou enciumado pelo número de novos bispos que passou a seguir Crisóstomo, em função de sua habilidade na pregação. Teófilo também se opunha à teologia de Orígenes, na qual João se fundamentava. Com seu modo audacioso, João provavelmente não despendeu muito esforço para apaziguar o bispo Teófilo.

João tentou ministrar à grande comunidade dos góticos da cidade, dando-lhes boas-vindas, mas não aprovando a heresia ariana que muitos deles professavam. Pregava de maneira veemente contra o pecado, sempre que deparava com ele, a começar pelo próprio clero. Sacerdotes flertavam com a imoralidade, e João queria que isso acabasse. Ele também pregava contra as roupas insinuantes das mulheres de Constantinopla. Embora não se saiba se João tenha feito isso de propósito, o fato é que a imperatriz Eudóxia tomou as palavras de João como afronta pessoal.

Quanto a Teófilo, a gota d’água foi o fato de João ter aceitado quatro monges, defensores da teologia de Orígenes, que haviam sido disciplinados em Alexandria. O bispo alexandrino viajou para Constantinopla e se reuniu com os inimigos de João. Em uma propriedade conhecida como “O Carvalho”, em 403, foi promovido um sínodo que condenou os ensinamentos de João e o baniu de sua igreja.

Eudóxia, no entanto, era supersticiosa. Um acidente, talvez um terremoto, aconteceu no palácio logo depois do sínodo e a imperatriz ficou assustada. Ela, imediatamente, pediu ao imperador que revogasse as decisões do sínodo. João foi trazido de volta por um período de cerca de um ano. Destemido como era, continuou a expressar de maneira aberta que pensava, especialmente quando uma estátua de Eudóxia foi levantada ao lado da catedral.

A imperatriz reagiu. Soldados imperiais interromperam um culto de Páscoa e alguns dos seguidores de João foram massacrados. João foi mandado para o exílio, em Cucusso, lugar lúgubre perto da Armênia. O papa Inocencio i protestou contra esse tratamento, mas o protesto foi em vão.  O imperador do Oriente já tomara suas decisões. Mesmo no exílio, João continuou a se corresponder com seus seguidores, orientando-os sobre as questões da igreja. Logo, o imperador decidiu mandá-lo para mais longe ainda.

Foi assim que João morreu, viajando para o local de exílio ainda mais distante, em 407. Nas décadas seguintes, o papa Inocencio conseguiu limpar o nome de João, ao forçar o bispo Teófilo e outros a incluir o nome de João na lista de nomes pelos quais a igreja deveria orar.

João deixou o legado da boa pregação. Promoveu o estilo de exposição literal da Bíblia conforme praticado em Antioquia e, com Ambrosio, foi um dos primeiros líderes da igreja a se levantar corajosamente diante dos governantes e dizer: “Assim diz o Senhor…”. Alguns cristãos fariam a mesma coisa em outros momentos críticos da história.

[1] Homilia é uma preleção dada por um sacerdote no decorrer de uma missa após a leitura do Antigo Testamento e do Novo Testamento, e antes da recitação do Credo. A homilia tem a função de explicitar a fé o significado dos vários elementos litúrgicos, também em relação à situação dos presentes, para que o encontro dialogal com Deus se torne verdadeiramente consciente para todos e para cada um. Na prática, a homilia deve ser uma “conversa familiar” do homiliasta com o povo de Deus.

[2] A ascese (do grego ἄσκησις, áskesis) é um “exercício espiritual”, que visa ao desenvolvimento do espírito. Muitas vezes, essa prática consiste na renúncia ao prazer e na não satisfação de algumas necessidades primárias. Em outras culturas e etnias diferentes o conceito abrange um grande espectro de práticas, que vão dos ritos iniciáticos como (maus-tratos, incisões e escoriações no corpo, repreensões de extrema severidade, até a mutilação genital ou a participação em provas que exigem atos excessivos de coragem). Hábitos monásticos de diversas religiões incluem o celibato, o jejum e a mortificação do corpo por diversos meios.

 

Referências Bibliogáficas

Conversão de Agostinho 387 D.C. – Grandes acontecimentos que marcaram a história do Cristianismo. (Comentário de Pastor Luiz Antonio).

A Conversão de Agostinho WebAgostinho de Hipona (em latim: Aurelius Augustinus Hipponensis), conhecido universalmente como Santo Agostinho, foi um dos mais importantes teólogos e filósofos dos primeiros anos do cristianismo cujas obras foram muito influentes no desenvolvimento do cristianismo e filosofia ocidental. Ele era o bispo de Hipona, uma cidade na província romana da África. Escrevendo na era patrística, ele é amplamente considerado como sendo o mais importante dos Padres da Igreja no ocidente. Suas obras-primas são De Civitate Dei (“A Cidade de Deus”) e “Confissões”, ambas ainda muito estudadas atualmente.

“Senhor, torna-me casto, mas não agora”, disse um intelectual, voltado à sensualidade, que flertava com o cristianismo — e com muitas outras coisas também. Depois de se entregar a Deus, esse homem não mais teria problemas para ser casto e se tornaria um dos mais influentes escritores que a Igreja já conheceu.

Esse homem complexo era Aurelius Augustinus, mais conhecido por Agostinho. Nasceu em 354, na cidade de Tagaste, filho de Mônica, mãe cristã, e de Patrício, pai pagão, que era oficial romano.

Ao perceber o brilhantismo de seu filho, Mônica e Patrício procuraram as melhores escolas para ele. Estudou retórica em Cartago e foi estimulado a ler autores latinos como Cícero. Convencido por seus estudos de que a verdade era o objetivo da vida, em um primeiro momento rejeitou o cristianismo, porque via nele uma religião para as pessoas de mente simples.

Quando era adolescente, Agostinho tomou para si uma concubina que lhe deu um filho. Pelo resto de sua vida, Agostinho olharia para seus dias passados em Cartago com aversão. Na obra chamada Confissões, comenta: “Cheguei a Cartago, onde um caldeirão de amores profanos estava chiando e borbulhando ao meu redor”.

O jovem incansável experimentou o maniqueísmo, que ensinava que o mundo era um campo de batalha entre a luz e as trevas, a carne e o espírito. O maniqueísmo, no entanto, não conseguiu satisfazer o desejo de Agostinho de encontrar a verdade definitiva. Tampouco conseguiu encontrá-la no neoplatonismo.

Assolado pela própria insatisfação espiritual, Agostinho se mudou de Cartago para Roma e depois para Milão, ensinando retórica nessas cidades. Em Milão, ele se encontrou com o bispo Ambrósio e aprendeu que nem todos os cristãos eram pessoas de mente simples, pois Ambrósio era um homem brilhante.

Em 387, enquanto estava sentado em um jardim em Milão, Agostinho ouviu uma criança cantar uma música que dizia: “Pegue-a e leia-a, pegue-a e leia-a”. Agostinho leu a primeira coisa que encontrou na sua frente: a Epístola de Paulo aos Romanos. Quando leu Romanos 13.13,14, as palavras de Paulo que versam sobre o revestir-se do Senhor Jesus em vez de deleitar-se com os prazeres pecaminosos tocaram profundamente seu coração, e Agostinho creu, rendendo a Cristo e a uma fé verdadeira. “Foi como se a luz da fé inundasse meu coração e todas as trevas da dúvida tivessem sido dissipadas.”

Apesar de Agostinho estar feliz com sua vida monástica tranquila, sua reputação de cristão brilhante se espalhou. Em 391, ele foi pressionado a ser ordenado sacerdote. Em 395, tornou-se bispo da cidade de Hipona, no norte da África.

Todas as controvérsias dos dias de Agostinho o envolviam. O grupo donatista[1] tinha grande preocupação no sentido de que o clero tivesse a moral adequada. Sob a perseguição do imperador Diocleciano, alguns clérigos entregaram cópias das Escrituras a seus perseguidores para que fossem queimadas. Mais tarde, porém, alguns desses “traidores”, como eram chamados, foram readmitidos no clero. Os donatistas se recusaram a aceitar os “Traidores” e estabeleceram uma igreja rival. Milhares de donatistas viviam na diocese de Agostinho.

Agostinho negava a necessidade de uma igreja rival, pois para ele só havia uma igreja. Embora, como disse, pudessem existir algumas pessoas que não fossem exatamente santas na Igreja. Agostinho definia os sacramentos como sinais visíveis da graça invisível, porém não os achava eficientes em razão da ausência de justiça nos sacerdotes, mas entendia que ainda assim a graça de Deus operava por intermédio deles. A visão de Agostinho prevaleceu, e o movimento donatista perdeu força.

Pelágio[2], um monge inglês, espalhou a heresia em que afirmava que a ação do homem era essencial em sua opção por Deus, afirmando assim que a graça de Deus não era tudo no processo de salvação. Pelágio não ensinava que o homem poderia salvar-se a si mesmo, mas negava que o pecado tivesse sido herdado de Adão.

Agostinho se opôs a essa ideia, dizendo que ninguém poderia escolher o bem a não ser que Deus o levasse a fazer isso. Na verdade, para Agostinho Deus havia predestinado os eleitos, seus redimidos, e nada do que o homem pudesse fazer mudaria esse decreto eterno. Em 431, um ano depois da morte de Agostinho, o Concilio de Éfeso condenou oficialmente o pelagianismo.

Agostinho não apenas desafiou a heresia, mas, em sua obra Confissões, descreveu sua busca espiritual, talvez, sua primeira autobiografia verdadeiramente espiritual. A famosa frase “inquieto está nosso coração enquanto não repousa em ti” vem do primeiro parágrafo dessa obra.

Os ensinamentos de Agostinho se tornaram fundamentais ao cristianismo. Seus pensamentos se espalharam tanto entre os teólogos católicos quanto entre os protestantes. Lutero e Calvino o citavam constantemente; gostavam de sua ênfase na graça de Deus e na incapacidade do homem de salvar-se a si mesmo.

Agostinho escreveu centenas de tratados, cartas e comentários. Sua obra clássica, intitulada A Trindade é provavelmente o trabalho mais conhecido sobre o assunto. Entretanto, sua obra mais importante foi A cidade de Deus, trabalho monumental escrito em resposta à queda de Roma diante dos visigodos.

Algumas pessoas culparam os cristãos pelo acontecido, e alegavam que Roma caíra porque seu povo rejeitara os deuses nativos. Em razão dessas afirmações, Agostinho respondeu defendendo e explicando o plano e a obra de Deus na história. Ele diz que, desde Caim e Abel, sempre houve duas cidades no mundo: a cidade de Deus (os fiéis) e a cidade dos homens (a sociedade pagã). Embora elas se inter-relacionem, Deus cuidará para que a cidade de Deus (a igreja) permaneça por toda a eternidade. Embora Agostinho a tenha escrito no final da era antiga, seus pensamentos influenciaram os estudiosos da Idade Média e perduraram até a Reforma.

[1] O donatismo (cujo nome advém de Donato de Casa Nigra, bispo da Numídia e posteriormente de Cartago) foi uma seita religiosa cristã, considerada herética e cismática pelo catolicismo. Surgiu nas províncias do Norte de África na Antiguidade Tardia. Iniciou-se no início do século IV e foi extinta no final do século VII. Os autores que mais influenciaram os donatistas, em termos de doutrina religiosa, foram São Cipriano e Tertuliano.

[2]   Pelágio da Bretanha (em latim: Pelagius; 350-423 (73 anos)) foi um monge ascético, nascido provavelmente na Britânia. Estabeleceu-se em Roma por volta de 405, depois viajou para África do Norte, continuou a viagem até a Palestina e escreveu dois livros sobre o pecado, o livre-arbítrio e a graça: Do livre-arbítrio e   Da natureza: livro em que sustentava que os seres humanos podem ter uma vida sem pecado com seus “dons naturais” e que cabe a eles fazer isso. Esse foi o início da grande controvérsia a respeito do pecado original, do livre-arbítrio e da graça que ocupou a igreja por mais de cem anos e cuja repercussão continuou nos séculos seguintes. Suas opiniões foram criticadas violentamente por Agostinho e seu amigo Jerônimo, tradutor e comentarista bíblico, que morava em Belém na Palestina. Foi inocentado das acusações sobre heresia pelo Sínodo de Dióspolis na Palestina em 415, mas condenado como herege pelo bispo de Roma em 417 e 418, e pelo Primeiro Concílio de Éfeso em 431. Não se sabe ao certo o ano e o motivo da sua morte, provavelmente foi por volta de 423. É possível que sua condenação pelo Concílio de Éfeso tenha sido após a sua morte.

 

Referências Bibliogáficas

O Bispo Ambrósio desafia a Imperatriz 385 D.C. Grandes acontecimentos que marcaram a história do Cristianismo. (Comentário de Pastor Luiz Antonio).

Ambrosio desafia a ImperatrizO trabalho pastoral de Ambrósio não se limitou à pregação,  administração dos sacramentos ou à direção dos assuntos econômicos da igreja, etc. Era um homem de fé firme, radicado em uma das principais cidades do Império, sendo um homem de princípios e convicções firmes era inevitável que suas convicções não se tornassem contra a Coroa um dia. Os conflitos mais importantes de Ambrósio com a Coroa foram os que o colocaram frente a frente com a imperatriz Justina. No Ocidente governava, além do Graciano, seu meio-irmão Valentiniano ainda menor de idade. Sendo Valentiniano menor de idade a regência recaíra sobre Graciano. Mas na ausência de Graciano a mãe de Valentiniano, Justina, tinha muito poder, e ela tinha a firme intenção de usar esse, poder para afirmar seu filho sobre o trono e para promover a causa ariana, da qual ela era partidária convicta. Contra seus planos se levantava Ambrósio, cuja política consistia em preencher cada sede das proximidades que ficava vaga com um bispo ortodoxo.

Os soldados cercaram a catedral de Milão. O bispo Ambrosio recebeu ordens da imperatriz Justina para abdicar do controle do prédio, mas ele não se moveu. A guarda germânica do imperador preparou-se para executar as ordens da imperatriz. A guarda não apenas tinha grande lealdade à imperatriz, mas os germanos, provavelmente, eram também arianos, ao passo que o bispo seguia os ensinamentos ortodoxos do Concilio de Nicéia.

Muitos esperavam o massacre dos considerados infiéis reunidos na catedral, mas os observadores ouviram o som de salmos ecoando pelo ar e por isso a força imperial deparou-se com uma fé inabalável.

O homem em quem esse conflito estava centralizado era o bispo Ambrosio um dos líderes mais fortes que a Igreja já conhecera. Ambrosio, ainda jovem filho de um dos mais altos oficiais do governo de Constantino, fora criado para seguir os passos de seu pai. Quando terminou seus estudos em Direito, foi nomeado governador do território em volta da cidade de Milão. Muitos o consideravam um líder justo e altamente capaz.

Na época em que Ambrosio ocupava a posição de governador, um ariano chamado Auxêncio ocupou a posição de bispo de Milão. O bispo morreu em 374, e um grande tumulto se levantou enquanto a Igreja tentava escolher o sucessor. Devido ao seu papel governamental, Ambrosio foi até lá para abrandar a contenda.

De repente, alguém começou a gritar: “Ambrosio para bispo!”. E muitas mais pessoas se juntou ao coro.

O único problema era que Ambrosio nem sequer fora batizado. Embora já acreditasse em Cristo havia bastante tempo, continuava um iniciante sem confirmar sua fé. Mas isso não parecia fazer a menor diferença. A aclamação popular fez com que, em somente oito dias, ele fosse consagrado o novo bispo de Milão, queimando as diversas etapas importantes, como o batismo e muitos cargos intermediários que eram requeridos para alcançar esse cargo.

O arianismo[1] perdera seu poder. O último imperador do Oriente a defender essa causa foi Valente, morto em 378. Graciano, imperador do Ocidente, indicou o general Teodósio para governar a metade oriental do império, a partir de Constantinopla. Em 380, os dois imperadores promulgaram um édito declarando o cristianismo niceno a religião de todo o reino. Isso terminou por destruir a seita ariana, exceto em algumas terras distantes, entre os godos e entre alguns membros da família imperial.

Ambrosio levou muito a sério sua posição como bispo. Estudou as Escrituras, e os Pais da Igreja com intensidade, e começou a pregar todos os domingos. Ele sempre fora um grande orador e agora seu discurso tinha ainda mais profundidade. Basilio de Cesaréia, um de seus contemporâneos, descreveu Ambrosio como “um homem notável por seu intelecto, por sua linhagem ilustre e por sua notoriedade na vida e no dom da palavra, um objeto de admiração de todos neste mundo”.

Um de seus admiradores era um escritor de discursos chamado Agostinho. Este jovem cartaginês já pesquisara o maniqueísmo e fora atraído pelos pagaos de Roma. Fora mandado para Milão como professor e retórico do imperador adolescente Valentiniano. Naqueles dias, o poder imperial tinha sua base em Milão, mas o Senado, em Roma, ainda era influente.

De maneira geral, os senadores ainda abraçavam os antigos modos pagãos romanos, mas os imperadores eram cristãos. É bem possível que Agostinho tenha sido mandado pelos pagãos do Senado para ajudar a influenciar o jovem imperador Valentiniano.

Por razões políticas, Agostinho tornou-se catecúmeno na igreja cristã e durante esse processo, entrou em contato com Ambrosio e ficou impressionado com a humildade e o poder do bispo. Mais tarde, por meio do testemunho de um dos ajudantes de Ambrosio, Agostinho se converteu (daremos mais detalhes sobre Agostinho no próximo – Grandes Acontecimentos que marcaram a História do Cristianismo).

Ambrosio também ficou conhecido como compositor de hinos.

Justina era a mãe do imperador Valentiniano, o sucessor de Graciano como governador do Império Romano do Ocidente. Ela era o poder por trás do trono. Como ariana, queria reclamar para si a catedral de Ambrosio, assim como outra igreja em Milão, para que pudessem ser usadas pelas congregações arianas. Ambrosio se recusou a ceder a catedral. Ela então enviou soldados para cumprir suas ordens. O palco estava preparado para o derramamento de sangue.

No entanto, as tropas se dispersaram. Ninguém sabe o porquê. Alguns acham que Ambrosio pode ter feito com que uma mensagem chegasse até Teodósio, homem fervoroso, não-ariano, que governava o Oriente. Talvez a mensagem para Valentiniano, ameaçando a fúria de Teodósio, tenha feito com que o jovem suprimisse os planos de sua mãe. Seja qual for o caso, Ambrosio se posicionou diante da corte imperial e venceu.

Mais tarde, Ambrosio enfrentou o próprio imperador Teodósio. O imperador reagiu de forma exagerada a um distúrbio em Tessalônica, enviando o exército para massacrar os cidadãos daquela cidade. Ambrosio considerou isso um ato hediondo e excomungou Teodósio até que o imperador cumprisse penitência. O fato de o imperador voltar à catedral vestido de saco e coberto de cinza e ajoelhar-se diante do bispo buscando perdão é um testemunho tanto da coragem de Ambrosio quanto da humildade de Teodósio.

Houve um tempo em que a Igreja enfrentou a perseguição de imperadores, agora porém vemos um se humilhando ante o poder da Igreja. Com Ambrosio, um novo padrão de relacionamento entre a Igreja e o Estado começava a se desenvolver.

[1] O arianismo foi uma visão cristológica sustentada pelos seguidores de Ário, presbítero cristão de Alexandria nos primeiros tempos da Igreja primitiva, que negava a existência da consubstancialidade entre Jesus e Deus Pai, que os igualasse, concebendo Cristo como um ser pré-existente e criado, embora a primeira e mais excelsa de todas as criaturas, que encarnara em Jesus de Nazaré. Jesus então, seria subordinado a Deus Pai, sendo Ele (Jesus) não o próprio Deus em si e por si mesmo. Segundo Ário, só existe um Deus e Jesus é seu filho e não o próprio Deus. Ao mesmo tempo afirmava que Deus seria um grande e eterno mistério, oculto em si mesmo, e que nenhuma criatura conseguiria revelá-lo, visto que Ele não pode revelar a si mesmo.

 

Referências Bibliogáficas

A Carta de Atanásio reconhece o cânon do Novo Testamento 367 D.C. – Grandes acontecimentos que marcaram a história do cristianismo. (Comentário de Pastor Luiz Antonio).

A Carta de Atanásio reconhece o cânon do Novo Testamento 367 D.C. WebCarta Pascoal

Cartas pascoais ou Cartas Festivas eram uma série de cartas enviadas anualmente através das quais o bispo de Alexandria, seguindo uma decisão do Primeiro Concílio de Niceia, anunciava a data na qual a Páscoa deveria ser celebrada. As mais famosas foram as de Atanásio, cuja coleção foi redescoberta numa tradução do siríaco em 1842. Mas cartas de outros bispos alexandrinos também sobreviveram, incluindo as de São Cirilo de Alexandria.

39ª Carta Pascoal de Atanásio

Das 45 Cartas Pascoais de Atanásio, a 39ª, escrita para a Páscoa de 367 d. C. é importante por sua ligação com a consolidação cânon da Bíblia. Nela, Atanásio lista os livros do Antigo Testamento como sendo 22, seguindo a tradição judaica. Aos livros da Tanakh, ele acrescenta o Livro de Baruque e a Carta de Jeremias, mas exclui o Livro de Ester. A carta lista também os livros do Novo Testamento como os tradicionais 27: os 4 Evangelhos, os Atos dos Apóstolos, as 7 Epístolas Gerais (listadas na ordem que aparecem nas edições modernas) e as 14 Epístolas Paulinas (com a Epístola aos Hebreus situada entre II Tessalonicenses e as Epístolas Pastorais), terminando com o Apocalipse. Embora a ordem de Atanásio seja diferente da moderna, trata-se da mais antiga referência ao cânone moderno do Novo Testamento.

Atanásio reconhece ainda, não como parte do cânon da Bíblia, mas como livros “nomeados pelos Padres para serem lidos pelos recém-convertidos”: Sabedoria de Salomão, os livros de Ester, Judite e Tobias, além da Didaquê e o Pastor de Hermas.

Além destes, Atanásio lista também os livros que devem ser rejeitados, chamando-os de apócrifos (apocrypha) e descreve-os como “uma invenção dos heréticos, que os escrevem quando querem, aprovando-os e inventando para eles uma data para que, fazendo-os passar por obras antigas, encontrem formas de afastar os mais simplórios da verdade”.

Como o cristão poderia ter certeza dos livros que deveriam constar do Novo Testamento?

Quando Paulo mencionou as Escrituras a Timóteo ele disse: Toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça…”; 2Tm 3.16, ele estava se referindo ao Antigo Testamento, mas, mesmo nas páginas do Novo Testamento, temos indicações de que os cristãos começaram a considerar os Evangelhos e as Epístolas de Paulo como textos especiais.

Ao escrever sobre as Epístolas de Paulo, Pedro disse que elas às vezes continham “algumas coisas difíceis de entender”. Todavia, a sabedoria de Paulo fora dada por Deus, e Pedro repreendeu “os ignorantes” que distorciam as palavras de Paulo, fazendo o mesmo com “as demais Escrituras” (2Pe 3.16).

Ε óbvio que Pedro começava a perceber que os cristãos tinham alguns textos edificantes além das obras do AT.

Os judeus decidiram que alguns livros (os que chamamos hoje de Antigo Testamento) foram claramente inspirados por Deus, ao passo que outros não o eram. Por enfrentar heresias, os cristãos também começaram a sentir a necessidade de distinguir entre escritos verdadeiramente inspirados e os de origem questionável.

O Critério Canônico

Havia dois critérios fundamentais, usados pela Igreja para identificar o cânon (kanon é a palavra grega para “padrão”):

          O critério que a Igreja aplicou como teste de autenticidade era ditado pelas necessidades de fazer face à controvérsia com hereges e descrentes.

Como critério básico a apostolicidade da obra deveria ser constatada, ou seja, deveria ter sido escrita por um dos doze ou possuir o que se poderia chamar hoje de imprimatur[1] apostólico. O escrito deveria ser de um apóstolo ou produzido a seu pedido.

O documento também deveria pertencer a um período bem remoto e quanto aos Evangelhos, estes deveriam manter o padrão apostólico de doutrinas particularmente com referência à encarnação e ser na realidade um evangelho e não porções de evangelhos, como tantos que circulavam naquele tempo.

Com relação à origem apostólica, a Igreja incluiu Paulo entre os Apóstolos recebendo como canônicas suas Epístolas. Embora não tenha caminhado pessoalmente com Cristo, Paulo se encontrou com ele na estrada para Damasco, e a abrangência de sua atividade missionária (relatada no livro de Atos dos Apóstolos) fez dele um modelo de Apóstolo.

Com relação ao uso dos textos nas Igrejas, a orientação parecia ser a seguinte: “Se muitas igrejas usam um texto, e se ele continua a edificá-las, logo esse texto deve ser inspirado”.

Embora esse padrão mostre uma abordagem bastante pragmática, existe uma lógica por traz dele: “alguma coisa inspirada por Deus, sem dúvida, inspirará muitos adoradores”. O texto que não foi inspirado acabaria, mais cedo ou mais tarde, por cair em desuso.

Contudo, esses padrões somente, não eram capazes de estabelecer quais seriam os livros que formariam o cânon; pois diversos textos flagrantemente heréticos as vezes carregavam falsamente o nome de um Apóstolo. Além disso, algumas Igrejas utilizavam textos que outras não se preocupavam em usar.

Por volta do final do século II, os quatro Evangelhos, o livro de Atos e as Epístolas de Paulo eram grandemente valorizadas em quase todos os lugares.

Embora não existisse nenhuma lista “oficial”, as igrejas tinham a tendência crescente de se voltar para esse material como fonte de autoridade espiritual.

Bispos influentes como Inácio, Clemente de Roma e Policarpo contribuíram para que esses textos alcançassem ampla aceitação. Contudo, ainda havia muita disputa com relação a Hebreus, Tiago, 2ª de Pedro, 2ª e 3ª de João, Judas e Apocalipse.

A heresia era uma maneira de fazer com que os cristãos ortodoxos esclarecessem suas posições. Até onde sabemos, a primeira tentativa de elaboração do cânon foi feita por Marcião, que incluiu apenas dez das treze Epístolas de Paulo e o Evangelho de Lucas bastante modificado. Mais tarde, outros grupos heréticos defenderiam seus “livros secretos”, normalmente os que tinham o nome de um Apóstolo ligado a eles.

Uma lista ortodoxa primitiva, compilada por volta do ano 200, foi o Cânon Muratório[2], elaborado pela Igreja de Roma. Ele incluía a maioria dos livros presentes hoje no Novo Testamento, mas adicionava o Apocalipse de Pedro e a Sabedoria de Salomão. Listas posteriores omitiram alguns livros, e deixaram outros, mas continuavam sendo bastante similares. Obras como O pastor, de Hermas, o Didaquê e a Epístola de Barnabé eram muito consideradas, embora as pessoas tivessem dificuldade em considerá-las escritura inspirada.

Em 367, Atanásio, o bispo de Alexandria, influente e altamente ortodoxo, escreveu sua famosa carta oriental. Nesse documento, enumerava os 27 livros que hoje fazem parte do nosso Novo Testamento. Na esperança de impedir que seu rebanho caminhasse rumo ao erro, Atanásio afirmou que nenhum outro livro poderia ser considerado escritura cristã, embora admitisse que alguns, como o Didaquê, pudessem ser úteis para devoções particulares.

A lista de Atanásio não encerrou esse assunto e em 397d.C., o Concilio de Cartago confirmou sua lista, mas as igrejas ocidentais demoraram ainda muito tempo para estabelecer o cânon. A contenda continuou com relação aos livros questionáveis, embora todos terminassem aceitando o Apocalipse.

No final, a lista de Atanásio recebeu aceitação geral e, desde então, as igrejas por todo o mundo jamais se desviaram de sua sabedoria.

[1] Imprimatur é uma declaração oficial da Igreja Católica, que diz que um trabalho literário ou similar não vai contra as ideias dessa instituição e que é uma boa leitura para qualquer católico. Em latim, “imprimatur” significa “deixem-no ser impresso”.

[2] O Cânone Muratori, também conhecido por fragmento muratoriano ou fragmento de Muratori, é uma cópia da lista mais antiga que se conhece dos livros do Novo Testamento. Foi descoberta na Biblioteca Ambrosiana de Milão por Ludovico Antonio Muratori (1672 – 1750) e publicada em 1740. Na lista figuram os nomes dos livros que o autor desconhecido da lista considerava admissíveis, com alguns comentários. A lista está escrita em latim e encontra-se incompleta, daí ser chamada de fragmento.

 

Referências Bibliogáficas

O Concilío de Niceia 325 D.C. – Grandes acontecimentos que marcaram a história do cristianismo. (Comentário de Pastor Luiz Antonio).

O Concílio de Nicéia 325 D.C.
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Características e propósitos

O Primeiro Concílio de Niceia foi convocado pelo Imperador Constantino (O Grande) em consequência das recomendações de um sínodo liderado por Ósio de Córdoba no tempo pascal de 325. Este sínodo[1] havia sido encarregado de investigar o problema causado pela controvérsia ariana no leste grego do mundo greco-romano. Para a maioria dos bispos, os ensinamentos de Ário eram heréticos e perigosos para a salvação das almas. No verão de 325, os bispos de todas as províncias foram convocados a Niceia, um lugar razoavelmente acessível à maioria dos representantes, particularmente os da Ásia Menor, Geórgia, Armênia, Síria, Palestina, Egito, Grécia e Trácia. Este foi o primeiro concílio geral na história da Igreja convocado por Constantino I. No Concílio de Niceia, a Igreja deu seu primeiro grande passo para definir a doutrina revelada, de forma mais precisa, em resposta a um desafio de uma teologia herética.

Participantes

Constantino convidou todos os 1800 bispos da igreja cristã dentro do Império Romano (cerca de 1 000 no leste e 800 no oeste), mas apenas um número menor e incerto compareceu. Eusébio de Cesareia calculou mais de 250, Atanásio de Alexandria contou 318, e Eustácio de Antioquia estimou aproximadamente 270 (todos os três estavam presentes no concílio). Mais tarde, Sócrates de Constantinopla registrou mais de 300. Evágrio, Hilário de Poitiers, Jerônimo, Dionísio Exíguo e Rufino de Aquileia registraram 318. O número 318 é preservado nas liturgias da Igreja Ortodoxa.

Embora Tertuliano tivesse outorgado à Igreja a ideia de que Deus é uma única substância e três pessoas, isso não facilitou para que o mundo tivesse a compreensão adequada da Trindade, mesmo nos dias de hoje. No passado essa doutrina confundia até os maiores teólogos e ainda hoje isso é um fato.

Logo no início do século IV, Ario, pastor de Alexandria, no Egito, afirmava ser cristão, porém, também aceitava a teologia grega, que ensinava que Deus é um só e não pode ser conhecido. De acordo com esse pensamento, Deus é tão radicalmente singular que não pode partilhar sua substância com qualquer outra coisa: somente Deus pode ser Deus.

Na obra intitulada Thalia, Ario proclamou que Jesus era divino, mas não era Deus. De acordo com Ario, somente Deus, o Pai, poderia ser imortal, de modo que o Filho era, necessariamente, um ser criado. Ele era como o Pai, mas não era verdadeiramente Deus.

Muitos ex-pagãos se sentiam confortáveis com a opinião de Ario, pois, assim, podiam preservar a ideia familiar do Deus que não podia ser conhecido e podiam ver Jesus como um tipo de super-herói divino, não muito diferente dos heróis humanos-divinos da mitologia grega.

Por ser um pregador eloquente, Ario sabia usar ao máximo sua capacidade de persuação e até mesmo chegou a colocar algumas de suas ideias em canções populares, que o povo costumava cantar.

Porém, o bispo Alexandre entendia que para que Jesus pudesse salvar a humanidade pecaminosa, ele precisava ser verdadeiramente Deus. Alexandre conseguiu que Ario fosse condenado por um sínodo, mas Ario, muito popular, tinha muitos adeptos. Logo surgiram vários distúrbios em Alexandria devido a essa melindrosa disputa teológica, e outros clérigos começaram a se posicionar em favor de Ario.

Em função desses distúrbios, o imperador Constantino não podia se dar ao luxo de ver o episódio simplesmente como uma “questão religiosa”. Essa “questão religiosa” ameaçava a segurança de seu império. Assim, para lidar com o problema, Constantino convocou um concilio que abrangia todo o império, a ser realizado na cidade de Nicéia, na Ásia Menor.

Vestido com roupas cheias de pedras incrustadas e multicoloridas, Constantino abriu o concilio. Ele disse aos mais de trezentos bispos que compareceram àquela reunião que deveriam resolver o impasse. A divisão da igreja, para Constantino, era pior do que uma guerra, porque esse assunto envolvia a alma eterna.

O imperador deixou que os bispos debatessem. Convocado diante dos bispos, Ario proclamou abertamente que o Filho de Deus era um ser criado e, por ser diferente do Pai, era passível de mudança.

A assembléia denunciou e condenou a afirmação de Ario, mas eles precisavam ir além disso. Era necessário elaborar um credo que proclamasse sua própria visão.

Assim, formularam algumas afirmações sobre Deus Pai e Deus Filho. Nessas declarações, descreviam o Filho como “Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial com o Pai”.

A palavra “consubstancial” era muito importante e a palavra grega usada pelos bispos para significa-la foi homoousios”. Homo quer dizer “igual”; ousios significa “substância”.

O partido de Ario queria acrescentar uma letra a mais àquela palavra: homoiousios”, cujo significado passaria a ser “de substância similar”.

Com exceção de dois bispos, todos os outros assinaram a declaração de fé. Esses dois, com Ario, foram expulsos. Constantino parecia satisfeito com o resultado de sua obra, mas isso não durou muito tempo.

Embora Ário tivesse ficado temporariamente fora do cenário, sua teologia permaneceria por décadas. Um diácono de Alexandria chamado Atanásio tornou-se um dos maiores opositores do arianismo. Em 328, Atanásio tornou-se bispo de Alexandria e continuou a lutar contra a facção Ariana.

A guerra continuou na igreja do Oriente até que outro concilio, realizado em Constantinopla, no ano 381, reafirmou o Concilio de Nicéia. Ainda assim, traços dos pensamentos de Ario permaneceram na Igreja.

O Concilio de Nicéia foi convocado tanto para estabelecer uma questão teológica quanto para servir de precedente para questões da Igreja e do Estado.

A sabedoria coletiva dos bispos foi consultada nos anos que se seguiram, quando questões espinhosas surgiram na Igreja. Constantino deu início à prática de unir o império e a Igreja no processo decisório. Muitas consequências perniciosas seriam colhidas nos séculos futuros por causa dessa união.

O Credo Niceno

O Credo Niceno deriva-se do credo de Nicéia (composto pelo Concílio de Nicéia (325 AD), com pequenas modificações efetuadas pelo Concílio de Calcedônia (451 AD) e pelo Concílio de Toledo (Espanha, 589 AD). Este credo expressa mais precisamente a doutrina da Trindade, contra o arianismo. Abaixo o texto do Credo de Nicéia, conforme aceito por católicos e protestantes:

Texto

Creio em um Deus, Pai Todo-poderoso, Criador do céu e da terra, e de todas as coisas visíveis e invisíveis; e em um Senhor Jesus Cristo, o unigênito Filho de Deus, gerado pelo Pai antes de todos os séculos, Deus de Deus, Luz da Luz, verdadeiro Deus de verdadeiro Deus, gerado não feito, de uma só substância com o Pai; pelo qual todas as coisas foram feitas; o qual por nós homens e por nossa salvação, desceu dos céus, foi feito carne pelo Espírito Santo da Virgem Maria, e foi feito homem; e foi crucificado por nós sob o poder de Pôncio Pilatos. Ele padeceu e foi sepultado; e no terceiro dia ressuscitou conforme as Escrituras; e subiu ao céu e assentou-se à direita do Pai, e de novo há de vir com glória para julgar os vivos e os mortos, e seu reino não terá fim. E no Espírito Santo, Senhor e Vivificador, que procede do Pai e do Filho, que com o Pai e o Filho conjuntamente é adorado e glorificado, que falou através dos profetas. Creio na Igreja una, universal e apostólica, reconheço um só batismo para remissão dos pecados; e aguardo a ressurreição dos mortos e da vida do mundo vindouro.

Comparação dos dois credos.

O Credo Niceno termina com as palavras “(Cremos) no Espírito Santo” e com um anátema contra os arianos. Há também muitas outras diferenças. São poucos os estudiosos que acreditam que o Credo Niceno-constantinopolitano seja uma amplificação do Credo de 325. Só num sentido lato o Credo posterior pode ser chamado niceno, isto é, em conformidade com a fé proclamada em Niceia.

Na tabela abaixo, letras negritas indicam as partes do Credo Niceno omitidas ou movidas no Niceno-constantinopolitano, e letras cursivas as frases presentes no Niceno-constantinopolitano mas não no Niceno.

Credo Niceno (325) Credo Niceno-constantinopolitano (381?)
Πιστεύομεν εἰς ἕνα θεὸν πατέρα παντοκράτορα, πάντων ὁρατῶν τε και ἀοράτων ποιητήν. Πιστεύομεν εἰς ἕνα θεὸν πατέρα παντοκράτορα, ποιητὴν οὐρανοῦ καὶ γῆς, ὁρατῶν τε πάντων καὶ ἀοράτων·
Καὶ εἰς ἕνα κύριον Ἰησοῦν Χριστόν, τὸν υἱὸν τοῦ θεοῦ, γεννηθέντα ἐκ τοῦ πατρὸς μονογενῆ, τοὐτέστιν ἐκ τῆς οὐσίας τοῦ πατρός, καὶ εἰς ἕνα κύριον Ἰησοῦν Χριστόν, τὸν υἱὸν τοῦ θεοῦ τὸν μονογενῆ, τὸν ἐκ τοῦ Πατρὸς γεννηθέντα πρὸ πάντων τῶν αἰώνων,
θεὸν ἐκ θεοῦ, φῶς ἐκ φωτός, θεὸν ἀληθινὸν ἐκ θεοῦ ἀληθινοῦ, γεννηθέντα, οὐ ποιηθέντα, ὁμοούσιον τῷ πατρί φῶς ἐκ φωτός, θεὸν ἀληθινὸν ἐκ θεοῦ ἀληθινοῦ, γεννηθέντα οὐ ποιηθέντα, ὁμοούσιον τῷ πατρί,
δι’ οὗ τὰ πάντα ἐγένετο, τά τε ἐν τῷ οὐρανῷ καὶ τὰ ἐω τῇ γῇ δι’ οὗ τὰ πάντα ἐγένετο,
τὸν δι’ ἡμᾶς τοὺς ἀνθρώπους καὶ διὰ τὴν ἡμετέραν σωτηρίαν κατελθόντα καὶ σαρκωθέντα καὶ ἐνανθρωπήσαντα, τὸν δι’ ἡμᾶς τοὺς ἀνθρώπους καὶ διὰ τὴν ἡμετέραν σωτηρίαν κατελθόντα ἐκ τῶν οὐρανῶν καὶ σαρκωθέντα ἐκ πνεύματος ἅγίου καὶ Μαρίας τῆς παρθένου καὶ ἐνανθρωπήσαντα
παθόντα, καὶ ἀναστάντα τῇ τρίτῃ ἡμέρᾳ, ἀνελθόντα εἰς τοὺς οὐρανούς, σταυρωθέντα τε ὑπὲρ ἡμῶν ἐπὶ Ποντίου Πιλάτου καὶ παθόντα καὶ ταφέντα καὶ ἀναστάντα τῇ τρίτῃ ἡμέρα κατὰ τὰς γραφάς καὶ ἀνελθόντα εἰς τοὺς οὐρανούς καὶ καθεζόμενον ἐκ δεξιῶν τοῦ πατρός
καὶ ἐρχόμενον κρῖναι ζῶντας καὶ νεκρούς. καὶ πάλιν ἐρχόμενον μετὰ δόξης κρῖναι ζῶντας καὶ νεκρούς·
οὗ τῆς βασιλείας οὐκ ἔσται τέλος.
Καὶ εἰς τὸ ἅγιον πνεῦμα. καὶ εἰς τὸ πνεῦμα τὸ ἅγιον, τὸ κύριον, καὶ ζῳοποιόν, τὸ ἐκ τοῦ πατρὸς ἐκπορευόμενον, τὸ σὺν πατρὶ καὶ υἱῷ συμπροσκυνούμενον καὶ συνδοξαζόμενον, τὸ ἐκλαλῆσαν διὰ τῶν προφητῶν·
Τοὺς δὲ λέγοντας· ἦν ποτε ὅτε οὐκ ἦν, καὶ πρὶν γεννηθῆναι οὐκ ἦν, καὶ ὅτι ἐξ οὐκ ὄντων ἐγένετο, ἢ ἐξ ἑτέρας ὑποστάσεως ἢ οὐσίας φάσκοντας εἶναι, ἢ κτιστόν ἢ τρεπτὸν ἢ ἀλλοιωτὸν τὸν υἱὸν τοῦ θεοῦ, ἀναθεματίζει ἡ καθολικὴ ἐκκλησία. Εἰς μίαν ἁγίαν καθολικὴν καὶ ἀποστολικὴν ἐκκλησίαν· ὁμολογοῦμεν ἓν βάπτισμα εἰς ἄφεσιν ἁμαρτιῶν· προσδοκοῦμεν ἀνάστασιν νεκρῶν, καὶ ζωὴν τοῦ μέλλοντος αἰῶνος. ἀμήν.

Numa tradução portuguesa as diferênças aparecem assim:

Credo Niceno (325) Credo Niceno-constantinopolitano (381?)
Cremos em um só Deus, Pai todo-poderoso, criador de todas as coisas visíveis e invisíveis. Cremos em um só Deus, Pai todo-poderoso, Criador do céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis.
Ε em um só Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus, gerado unigênito do Pai, isto é, da substância do Pai; E em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho unigênito de Deus, gerado do Pai antes de todos os séculos
Deus de Deus, luz de luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não feito, consubstancial ao Pai; luz de luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não feito, consubstancial ao Pai,
por quem foram feitas todas as coisas que estão no céu ou na terra. por que, foram feitas todas as coisas.
O qual por nós homens e para nossa salvação, desceu, se encarnou e se fez homem. O qual por nós homens e para a nossa salvação, desceu dos céus: se encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e se fez homem.
Padeceu e ressuscitou ao terceiro dia e subiu aos céus Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos e padeceu e foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia conforme as Escrituras, e subiu aos céus, onde está assentado à direita do Pai.
Ele virá para julgar os vivos e os mortos. Ele virá novamente, em glória, para julgar os vivos e os mortos;
e o Seu reino não terá fim.
E no Espírito Santo. E no Espírito Santo, Senhor e fonte de vida, que procede do Pai; e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado: Ele falou pelos profetas.
E quem quer que diga que houve um tempo em que o Filho de Deus não existia, ou que antes que fosse gerado ele não existia, ou que ele foi criado daquilo que não existia, ou que ele é de uma substância ou essência diferente (do Pai), ou que ele é uma criatura, ou sujeito à mudança ou transformação, todos os que falem assim, são anatematizados pela Igreja Católica. E na Igreja, una, santa, católica e apostólica. Confessamos um só batismo para remissão dos pecados. Esperamos a ressurreição dos mortos; e a vida do mundo vindouro. Amém.

[1] Trata-se de uma reunião convocada pela autoridade eclesiástica. Um sínodo pode ser realizado por qualquer denominação religiosa, sendo comum entre os cristãos. A palavra sínodo tem sua origem no idioma grego – sýnodos – e quer dizer “caminhar juntos”. Um sínodo diocesano é uma “assembléia de eclesiásticos” e leigos “convocados pelo seu prelado ou outro superior” que se reúnem com o propósito de “caminhar juntos”, seguindo um determinado plano.

 

 

NOTAS
Extraído de Paulo Anglada, Sola Scriptura : A Doutrina Reformada das Escrituras (São Paulo: Os Puritanos, 1998), 179-80.
Doutrina de Ario (primeira metade do século IV), segundo a qual Cristo não é eterno, mas o primeiro e mais perfeito ser criado.
Esta frase (tradução do termo latino filioque ) foi adicionada pelo Concílio de Toledo (da igreja ocidental).
Traduzido de Schaff, Creeds of Christendom , 25-29. citado por A. A. Hodge, Outlines of Theology , ( Edinburgh, & Pennsylvania: The Banner of Truth Trust, 1991), 116-117 e Epifânio, Ancoratus c. 374 AD, 118 (citado por Henry Bettenson, Documentos da Igreja Cristã, 56).

 

 

A conversão de Constantino – 312 D.C. Grandes acontecimentos que marcaram a história do cristianismo. (Comentário de Pastor Luiz Antonio).

A Conversão de Constantino 312 D.C.
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Constantino I, também conhecido como Constantino Magno ou Constantino o Grande, (em latim: Flavius Valerius Constantinus; Nascido em 27 de fevereiro de 272 em Naísso (moderna Niš, cidade no sul da Sérvia, a terceira mais importante depois de Belgrado). Morte: 22 de maio de 337 aos 65 anos em Nicomédia (atual Izmit, Turquia) Enterro: Igreja dos Santos Apóstolos em Constantinopla. Foi um imperador romano, proclamado Augusto[1] por suas tropas em 25 de julho de 306. Governou uma porção crescente do Império Romano até a sua morte. Constantino derrotou os imperadores Magêncio e Licínio durante as guerras civis. Ele também lutou com sucesso contra os francos, os alamanos, os visigodos e os sármatas durante boa parte de seu reinado, mesmo depois da reconquista da Dácia, que havia sido abandonada durante o século anterior. Constantino construiu uma nova residência imperial em Bizâncio, chamando-a de Nova Roma. No entanto, em honra de Constantino, as pessoas chamavam-na de Constantinopla, que viria a ser a capital do Império Romano do Oriente durante mais de mil anos. Devido a isso, ele é considerado um dos fundadores do Império Romano do Oriente.

Foi em outubro de 312 d.C. que um jovem general, à quem todas as tropas romanas da Bretanha e da Gália eram fiéis, marchou em direção a Roma para desafiar Maxêncio, outro postulante ao trono imperial.

Nesta ocasião, segundo o relato da história, o general Constantino olhou para o céu e viu um sinal, uma cruz brilhante, na qual se podia ler: “In hoc signo vinces”, que é a tradução latina da frase grega “ἐν τούτῳ νίκα” “en touto nika” que significa “Por este sinal conquistarás”. A lenda também diz que Constantino adotou essa frase grega “εν τούτῳ νίκα”, “en touto nika”, (in hoc signo vinces) como lema.

O historiador Eusébio de Cesareia, diz que Constantino, ao olhar o sol, viu uma cruz luminosa acima dele, e com ela as letras gregas “ksi” (X) e “rhô” (P), as duas primeiras letras do nome de Cristo, pouco antes da batalha da Ponte Mílvia contra Magêncio, em 28 de Outubro de 312. Um monograma composto das duas letras gregas foi criado e posteriormente tornou-se símbolo dos primeiros cristãos.

O supersticioso Constantino já estava começando a rejeitar as divindades romanas a favor de um único Deus. Seu pai adorava o “SOLIS INVITUS”, supremo deus Sol. Seria a visão da cruz acima do sol um bom presságio daquele deus na véspera da batalha?

Mais tarde, Cristo teria aparecido a Constantino em um sonho, segurando o mesmo sinal (uma cruz inclinada), lembrando as letras gregas “ksi” (X) e “rhô” (P), as duas primeiras letras da palavra Christos. O general foi então instruído a colocar esse sinal nos escudos de seus soldados, o que fez prontamente, da forma exata como fora ordenado. Conforme prometido na visão, Constantino venceu a batalha.

Esse foi um dos diversos momentos marcantes do século IV, um período de grandes e violentas mudanças. Qualquer que tivesse saído de Roma no ano 305 d.C. para viver alguns anos fora, quando voltasse certamente esperaria encontrar o cristianismo morto ou enfrentando as últimas ondas de perseguição. Mas ao contrário disso, o cristianismo havia se tornado a religião patrocinada pelo império.

Depois de ter tomado o poder em 284, Diocleciano, um dos mais brilhantes imperadores romanos, começou uma enorme reorganização que afetaria as áreas militar, econômica e civil. Durante sua reorganização em certo período de tempo, ele deixou o cristianismo em paz. Uma das grandes ideias de Diocleciano foi a reestruturação do poder imperial. Ele dividiu o império em Oriente e Ocidente, e cada lado teria um imperador e um vice-imperador (ou César). Cada imperador serviria por vinte anos e, a seguir, os césares assumiriam também por vinte anos e assim por diante. No ano 286, Diocleciano indicou Maximiano para imperador do Ocidente, enquanto ele mesmo continuava a governar o Oriente.

Os césares eram Constancio Cloro (pai de Constantino) no Ocidente e Galério no Oriente.

Como parte da reorganização do império, já que Roma tinha uma moeda única, um sistema político único, deveria portanto, ter uma religião única; mas para concretizar esse plano os cristãos estavam em seu caminho.

Galério era radicalmente anticristão (há informações de que ele em radicalismo anticristão atribuiu a perda de uma batalha a um soldado cristão que fizera o sinal da cruz). Por causa de coisas como essa a partir do ano 298, os cristãos foram retirados do exército e do serviço civil. Em 303, a grande perseguição teve início.

As autoridades planejaram impor severas sanções sobre os cristãos, que começariam a ser implantadas na Festa da Terminália[2], em 23 de fevereiro do ano corrente. As igrejas foram arrasadas, as Escrituras confiscadas, e as reuniões proibidas. No início, não houve derramamento de sangue, mas Galério logo se encarregou de mudar essa situação.

Quando Diocleciano e Maximiano deixaram seus postos (de acordo com o planejado), em 305, Galério desencadeou uma perseguição ainda mais brutal e até o ano 310, a perseguição tirou a vida de muitos cristãos. Mesmo com toda sua ira Galério foi incapaz de esmagar a Igreja. Em seu leito de morte, ele mudou de ideia e no dia 30 de abril de 311, Galério desistiu de lutar contra o cristianismo e promulgou o Edito de Tolerância[3].

Apesar de todo o mal que fizera aos cristãos, insistiu em dizer que fizera tudo para o bem do Império, e que o número de cristãos ainda era grande e que “persistiam em sua determinação”. Desse modo, agora era melhor permitir que eles vivessem livremente, contanto que não atentassem contra a ordem pública.

Além disso, Galério declarou: “Será tarefa dos cristãos orar ao seu Deus em benefício de nosso Estado”. Galério morreu seis dias depois. Por volta desse tempo o grande plano reformador de Diocleciano começara a ruir.

Quando Constancio morreu, no ano 306, seu filho Constantino foi proclamado governador por seus soldados leais. Maximiano, então, tentou sair do exílio e governar o Ocidente outra vez com seu filho Maxêncio (que terminou tirando o próprio pai do poder). Enquanto isso, antes de sua morte Galério indicara Licínio, um general de sua confiança, para governar o Ocidente.

Cada um desses futuros imperadores reivindicava um pedaço do território ocidental.

Constantino, de maneira astuta, forjou uma aliança com Licínio e lutou contra Maxêncio. Na batalha da Ponte Mílvia, Constantino saiu vitorioso.

Constantino estava ansioso para agradecer a Cristo por sua vitória e, desse modo, optou por dar liberdade e status à Igreja.

No ano 313, ele e Licínio emitiram oficialmente o Edito de Milão[4], garantindo a liberdade religiosa dentro do império. “Nosso propósito é garantir tanto aos cristãos quanto a todos os outros a plena autoridade de seguir qualquer culto que o homem desejar”.

Constantino, imediatamente, assumi interesse pela Igreja, restaurou suas propriedades, deu-lhe dinheiro, interveio na controvérsia donatista e convocou os concilios eclesiásticos de Arles e de Nicéia. Ele também fazia manobras para obter poder sobre Licínio, a quem finalmente depôs, em 324.

A partir da conversão de Constantino a Igreja passou de perseguida a privilegiada. Depois de séculos como movimento contracultural, a Igreja precisava aprender a lidar com o poder. Porém, em um período de tempo surpreendentemente curto suas perspectivas mudaram por completo e infelizmente ela não fez as coisas de maneira correta.

A própria presença dinâmica de Constantino modelou a Igreja do século IV.

Ele era um mestre do poder e da política, e a Igreja aprendeu a usar essas ferramentas.

Se a visão de Constantino foi autêntica ou ele foi apenas um oportunista, que usou o cristianismo para benefício próprio, não sabemos! Somente Deus que conhece as almas e o próprio Constantino saberiam dizer! Embora tenha falhado na demonstração de sua fé em várias ocasiões, Constantino certamente assumiu um interesse ativo no cristianismo que professava, e chegou até mesmo a correr risco pessoal em certos momentos.

É certo que Deus usou Constantino para fazer com que coisas boas acontecessem para a Igreja, já que o imperador afirmou e assegurou a tolerância oficial para a fé cristã. Por hora, a batalha contra a perseguição romana estava vencida, mas os cristãos ainda haveriam de provar seu valor e fé nas arenas e nas fogueiras enfrentando bravamente a morte.

[1] Augusto (Augustus, plural: Augusti), Latim para “majestoso”, “o exaltado”, ou “venerável”. Foi um título romano antigo dado para Caio Otávio – (em latim: Gaius Iulius Caesar Octavianus Augustus), frequentemente referido simplesmente como Augusto, o primeiro imperador de Roma.

[2] Terminália (em latim: Terminalia) foi um antigo festival da antiga Roma em honra do deus Término, que era a divindade tutelar das fronteiras. A sua estátua era uma simples pedra colocada na terra para marcar os limites entre duas propriedades adjacentes. No festival os dois proprietários dos terrenos onde havia tais pedras-estátuas coroavam-nas com flores e formavam uma mesa de altar onde faziam oferendas de grãos, mel e vinho e sacrificavam um cordeiro ou um porco; acabavam cantando ao deus.

[3] O Edito de Tolerância de Galério ou Édito de Tolerância de Nicomédia foi um edito datado de 311 d.C. e emitido pela tetrarquia de Galério, Constantino I e Licínio, oficialmente colocando um fim à perseguição de Diocleciano aos cristãos.

[4] O Édito de Milão ou Mediolano (em latim: Edictum mediolanense) promulgado em 13 de junho de 313 foi um documento proclamatório no qual se determina que o Império Romano seria neutro em relação ao credo religioso, acabando oficialmente com toda perseguição sancionada oficialmente, especialmente aos cristãos. Tal documento, publicado em forma de carta, transcreveu o acordo entre os tetrarcas Constantino (imperador do Ocidente) e Licínio (imperador do Oriente).

 

Referências Bibliogáficas

Antão começa sua vida de eremita 270 D.C. – Grandes acontecimentos que marcaram a história do Cristianismo.

Antão começa sua vida de eremita
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Santo Antão do Deserto, também conhecido como Santo Antão do Egito, Santo Antão o Grande, Santo Antão o Eremita, Santo Antão o Anacoreta, ou ainda O Pai de Todos os Monges. Foi um santo cristão do Egito, um líder de destaque entre os Padres do Deserto. Ele é comemorado em muitas igrejas nas seguintes datas festivas: 30 de Janeiro no antigo calendário da Igreja Ortodoxa e da Igreja Ortodoxa Copta; 17 de Janeiro no novo calendário da Igreja Ortodoxa, da Igreja Ortodoxa Búlgara, da Igreja Católica Romana e da Igreja Católica Copta. Nascimento: 12 de janeiro de 251 d.C., Heracleopolis Magna, Egito. Falecimento: 17 de janeiro de 356 d.C., Egito Romano.

 

Santo Antão foi um dos principais fundadores das comunidades monásticas apesar de não ter em mente a ideia de fundar coisa alguma. Ele estava simplesmente preocupado com a própria condição espiritual e passou a maior parte de sua vida sozinho.

Nasceu no Egito, provavelmente por volta do ano 251, em uma família de pais abastados que morreram quando ele contava cerca de vinte anos, deixando para ele toda sua herança.

As palavras de Jesus ao jovem rico; “Se queres ser perfeito, vende tudo quanto tens, reparte-o pelos pobres e terás um tesouro no céu; depois, vem e segue-me” (Lucas 18,22), mudaram a vida do jovem Antão.

A mensagem parecia ter sido escrita para ele, e uma vez que a entendeu literalmente, doou suas terras aos vizinhos, vendeu suas outras propriedades e repartiu o dinheiro entre os pobres. Colocou-se sob os cuidados de um cristão idoso que lhe ensinou sobre a autonegação. Como forma de penitencia Antão optou por comer uma única refeição por dia, composta de pão e água, e passou a dormir no chão.

Com a conversão do imperador Constantino em 312, a situação da igreja mudou drasticamente. Os cristãos saíram da posição de minoria perseguida e tornaram-se membros de uma religião respeitável que desfrutava de apoio oficial. Contudo, à medida que grandes multidões começaram a entrar para a Igreja, ficou mais difícil distinguir entre os que tinham compromisso verdadeiro com Cristo e os que queriam apenas tomar parte da religião popular. A fé se transformou em uma coisa fácil e a sinceridade foi prejudicada.

Cristãos zelosos dessa época, com frequência, optavam por lutar por sua fé afastando-se do mundo. Antão buscou fazer isso com muito afinco e foi viver em uma caverna.

De acordo com Atanásio, seu biógrafo, durante doze anos Antão foi cercado por demônios que assumiam formas de vários animais estranhos e em alguns momentos, o atacavam, e, em determinada ocasião, quase o mataram.

Segundo Atanásio esses demônios tentavam trazer Antão de volta ao mundo dos prazeres sensuais, mas Antão sempre se levantava de maneira triunfante.

Para se afastar ainda mais do mundo, Antão se mudou para um forte abandonado, onde viveu vinte anos sem ver um rosto humano. Sua comida lhe era jogada por cima do muro. As pessoas ouviam sobre sua impressionante autonegação e suas batalhas com os demônios. Alguns admiradores ergueram casas rudes próximas ao forte, e, de modo relutante, ele se tornou conselheiro espiritual dessas pessoas, dando-lhes orientação sobre jejum, oração e obras de caridade. Antão se tornou então um modelo de autonegação.

Em 311, Maximino, um dos últimos imperadores pagãos, estava perseguindo os cristãos, o que fez com que Antão deixasse sua casa, disposto até mesmo a morrer por sua fé. Em vez disso, ele ministrou aos cristãos que foram condenados a trabalhar nas minas imperiais. Essa experiência o convenceu de que viver a vida cristã poderia ser algo tão importante e tão santo quanto morrer por ela.

Mais uma vez, em 350, ele saiu de casa para defender a ortodoxia contra a heresia ariana, que não fora extinta pelo Concilio de Nicéia (325). Muitas pessoas, incluindo o imperador Constantino, buscavam o conselho espiritual de Antão o Eremita, como também era conhecido.

Antão morreu com 105 anos, aparentemente desfrutando de vigor físico e mental. Ele insistiu para que fosse enterrado secretamente de modo que nenhum culto se desenvolvesse ao redor de sua sepultura.

Apesar desse cuidado, porém, um culto surgiu. Atanásio, o influente teólogo que teve papel muito importante no Concilio de Nicéia, escreveu uma obra muito popular chamada “Vida de Antão”, na qual retratava-o como o monge ideal, que podia realizar milagres e discernir entre espíritos bons e maus. Não demorou muito para que a ideia de um verdadeiro guerreiro espiritual que se tornou monge e negou a si mesmo tomasse vulto dentro da Igreja.

A prática das comunidades de monges que viviam juntos começou com Pacômio, um jovem companheiro de Antão. Como Antão, a maioria de seus seguidores também foi eremita. Seja como for, Antão comunicou a ideia de que a pessoa verdadeiramente religiosa deve se afastar do mundo, abstendo-se do casamento, da família e dos prazeres mundanos.

Essa ideia prevaleceu e só foi desafiada seriamente na época da Reforma.

Referências Bibliogáficas

Cipriano escreve a “Unidade da Igreja” 251 D.C. Grandes acontecimentos que marcaram a história do cristianismo.

CIPRIANO DE CARTAGO – DA UNIDADE DA IGREJA (Comentário de Pastor Luiz Antonio).

Cipriano (nascido Táscio Cecílio Cipriano; em latim: Thascius Caecilius Cyprianus). Uma das grandes figuras do século III, Cipriano, de família rica de Cartago, capital romana no Norte de África.  Considerado Padre latino passou para a história não apenas como santo, mas também como excelente orador. A principal fonte sobre sua vida é a obra “Vida de São Cipriano”, escrita por seu discípulo Pôncio de Cartago. Cipriano Converteu-se ao cristianismo quando contava trinta e cinco anos de idade. No ano 249 foi escolhido para bispo de sua cidade e empenhou-se na organização da Igreja na África. Contribuiu para a criação do latim cristão e revelou-se extraordinário mestre de moral cristã. Deixou diversos escritos, sobretudo cartas, que constituem preciosa coleção documental sobre fé e culto. Quando pagão era ótimo advogado e mestre de retórica, até que provocado pela constância e serenidade dos mártires cristãos converteu-se.

Cipriano escreve Unidade da igreja 251 D.C. WebQue relação existe entre os membros da Igreja e seus líderes? De que maneira a Igreja pode disciplinar os me mbros? São questões que a Igreja deve abordar em qualquer época.

Essas perguntas foram proferidas por Cipriano, que possuía muita riqueza e nascera pagão em uma família culta, por volta do ano 200. Quando se tornou cristão, renunciou ao seu estilo de vida, doou seus bens e o dinheiro aos pobres e assumiu o voto de castidade. Com relação à sua conversão, escreveu: “O segundo nascimento fez de mim um novo homem por meio do Espírito soprado do céu”.

Professor de retórica e orador famoso, o eloquente e devoto Cipriano destacou-se entre os membros da Igreja, tornando-se bispo de Cartago por volta do ano 248.

Embora tivesse conhecimento dos clássicos gregos e romanos, Cipriano não era teólogo. De modo diferente de Tertuliano, a quem admirava, Cipriano era um homem prático que se importava pouco com as disputas teológicas de seus dias. Ele simplesmente queria a unidade da Igreja. Em uma igreja bem desunida, buscou unir os cristãos por meio da autoridade dos bispos.

O imperador romano Décio perseguira os cristãos, e alguns negaram sua fé. Décio não procurava fazer mártires, porque sabia que o martírio simplesmente chamava mais a atenção para o cristianismo. Em vez de matar os cristãos, ele os torturava, na esperança de que dissessem “César é Senhor”. Os que se rendiam e proferiam essa declaração passaram a ser conhecidos como lapsi (latim: afundamento).

Lapsi (latim para “caídos”) era o nome dado aos apóstatas ou cristão que renegaram sua fé durante as perseguições pelo Império Romano. O termo também engloba os que relaxaram em sua fé e que decidem depois voltar pra ela.

Os cristãos que se mantinham firmes, denominados “confessores”, normalmente desaprovavam os lapsi. Desse modo, o concilio de bispos estabeleceu regras rígidas em relação à readmissão dos crentes proscritos na Igreja. Diante dessa disciplina, um sacerdote chamado Novato deu início a uma igreja rival que oferecia admissão fácil aos lapsi.

Embora não tivesse sofrido por causa de sua fé, Cipriano não conseguia suportar a divisão. Acreditava que os cristãos dedicados deveriam passar pela penitência para provar sua fé. A penitência era composta de um período de tristeza verdadeira, depois do qual a pessoa poderia participar novamente da ceia do Senhor. Depois de o penitente ter “cumprido seu tempo”, ele comparecia diante da congregação vestido de saco e coberto de cinzas para que os bispos pronunciassem o perdão.

Cipriano via isso como um sistema graduado: quanto mais grave fosse o pecado, mais penitência a pessoa precisava cumprir.

Sua ideia tornou-se popular e passou a ser um dos mais poderosos e, às vezes, mais abusivos métodos de disciplina da Igreja.

No ano 251, Cipriano convocou o Concilio de Cartago e leu a Unidade da igreja, seu trabalho principal, que teve profunda influência sobre a história da Igreja.

A Igreja, conforme argumentou, é uma instituição divina — a noiva de Cristo — e só pode haver uma noiva. Somente na Igreja as pessoas poderiam alcançar a salvação; fora dela, há somente escuridão e confusão. Fora da Igreja, os sacramentos, os pastores — e até mesmo a Bíblia — não tinham importância.

O indivíduo não poderia viver a vida cristã em contato direto com Deus; ele precisava da Igreja. Uma vez que Cristo estabelecera a Igreja sob autoridade de Pedro, interpretado por ele como (a Pedra), Cipriano disse que todos os bispos eram, em certo sentido, sucessores de Pedro e, portanto, deveriam ser obedecidos. Embora não declarasse que o bispo de Roma estava acima dos outros, Cipriano via o episcopado como especial em razão da conexão de Pedro com aquela cidade.

Afirmações de Cipriano como “Fora da Igreja não há salvação” e “Ninguém pode ter Deus como Pai se não tiver a Igreja como mãe” encorajavam as pessoas a dar aos bispos lugar de grande importância.

O bispo era capaz de determinar quem podia fazer parte da Igreja, o que, com efeito, é o mesmo que ter o poder de dizer: “Você está salvo; você não está salvo”. Em vez de confiar na obra do Espírito Santo por meio da Igreja como um todo, Cipriano deixou implícito que o Espírito Santo trabalhava por meio dos bispos.

Os bispos, naturalmente, ganharam poder com a disseminação dessas ideias. Cipriano também promoveu a ideia de que a missa era o sacrifício do sangue e do corpo de Cristo. Uma vez que os sacerdotes agiam como representantes de Cristo, oferecendo novamente o sacrifício em todos os cultos de adoração, isso somente serviu para lhes aumentar o poder.

Cipriano morreu durante a perseguição do imperador Valeriano. Pelo fato de ter se recusado a oferecer sacrifícios aos deuses pagãos, o bispo de Cartago foi decapitado em 258.

A Igreja da época de Cipriano, caracterizada pela desunião, apegou-se às suas ideias. O bispo não poderia ter previsto as consequências dos meios pelos quais procurou manter a igreja unida. Na Idade Média, alguns homens incrivelmente gananciosos e imorais exerceriam o ofício de bispo, usando-o em benefício próprio, em vez de cuidar dos assuntos espirituais. A estrutura hierárquica que criou a “união”, também provocou uma enorme divisão entre o clero e os leigos.

 

Referências Bibliogáficas


	

Orígenes começa a escrever 205 D.C. – Grandes acontecimentos que marcaram a história do cristianismo.

Orígenes WebOrígenes, cognominado Orígenes de Alexandria, Orígenes de Cesareia ou ainda Orígenes o Cristão.

  • Nascimento 185 – Alexandria.
  • Morte 253 – Tiro.

Orígenes de Alexandria não deve ser confundido com o filósofo Orígenes, o Pagão (210-280).

Um dos mais distintos pupilos de Amônio de Alexandria. Foi teólogo, filósofo neoplatônico patrístico e Padre grego. Orígenes também foi um produtivo escritor cristão, de grande erudição, ligado à Escola Catequética de Alexandria, no período pré-niceno.

Inspirados em Orígenes e na Escola de Alexandria, muitos escritores cristãos desenvolveram suas obras: Sexto Júlio Africano, Dionísio de Alexandria, Gregório Taumaturgo, Firmiliano bispo de Cesareia (Capadócia), Teognosto, Pedro de Alexandria, Pânfilo e Hesíquio.

Biografia

O maior erudito da Igreja antiga – segundo J. Quasten – nasceu de uma família cristã egípcia e teve como mestre Clemente de Alexandria.

Assumiu, em 203, a direção da escola catequética de Alexandria – fundada por um estoico chamado Panteno, que se havia convertido à Cristo. Atraiu muitos jovens estudantes pelo seu carisma, conhecimento e virtudes pessoais.

Depois de ter também frequentado, desde 205, a escola de Amônio Sacas, fundador do neo-platonismo e mestre de Plotino, apercebeu-se da necessidade do conhecimento apurado dos grandes filósofos.

No decurso de uma viagem à Grécia, no ano de 230, foi ordenado sacerdote na Palestina pelos bispos Alexandre de Jerusalém e Teoctisto de Cesareia.

Em 231, Orígenes foi forçado a abandonar Alexandria devido à desafetividade que o bispo Demétrio lhe devotava.

Orígenes, então, passou a morar num lugar onde Jesus havia muitas vezes estado: Cesareia, na Palestina, onde prosseguiu suas atividades com grande sucesso, abrindo a chamada Escola de Cesareia. Na sequência da onda de perseguição aos cristãos, ordenada por Décio, Orígenes foi preso e torturado, o que lhe causou a morte, por volta de 253.

Os seus ensinos foram condenados ainda pelo Concílio de Alexandria e pelo Segundo Concílio de Constantinopla, em 533, o que demonstra terem perdurado até ao século VI.

Em seus primeiros dias, o cristianismo foi criticado como uma religião de pobres e iletrados, pois, na verdade, muitos dos fiéis vinham das classes mais humildes. Como Paulo escreveu, na igreja “poucos eram sábios segundo os padrões humanos; poucos eram poderosos; poucos eram de nobre nascimento” (I Co 1.26). “Porque vede, irmãos, a vossa vocação, que não são muitos os sábios segundo a carne, nem muitos os poderosos, nem muitos os nobres que são chamados”.

Em seu século, porém, Orígenes foi um dos maiores intelectuais e era cristão. Pagãos, hereges e cristãos o admiravam. Sua instrução e conhecimento vastos contribuíram muito para o futuro da cultura cristã.

Orígenes nasceu em Alexandria, por volta do ano 185, filho de pais cristãos devotos. Por volta do ano 201, seu pai, Leónidas, foi preso durante a perseguição de Septímio Severo. Orígenes então escreveu ao pai, que estava na prisão, e o encorajou a não negar a Cristo por amor à família. Embora Orígenes quisesse se entregar às autoridades e sofrer o martírio com pai, sua mãe escondeu suas roupas e o impediu em seu ato zeloso, porém tolo.

Depois do martírio de seu pai Leónidas, sua propriedade foi confiscada e sua viúva foi deixada com sete filhos. Orígenes tomou as providências para sustentá-los, ensinando literatura grega e copiando manuscritos. Uma vez que muitos dos estudiosos mais idosos fugiram para Alexandria na época da perseguição, a escola catequética cristã tinha grande necessidade de professores. Aos dezoito anos, Orígenes tornou-se presidente da escola e deu início à sua longa carreira de professor, estudioso e escritor.

Praticava a ascese[1], passava grande parte das noites em estudo e em oração, dormia no chão duro, nos poucos momentos em que realmente conciliava o sono. Seguia o mandamento de Jesus, pois tinha apenas uma capa e não possuía sapatos. Chegou até mesmo a seguir literalmente Mateus 19.12: ele se castrou como defesa contra as tentações carnais. O maior desejo de Orígenes era ser fiel à igreja e honrar o nome de Cristo.

“Porque há eunucos que assim nasceram do ventre da mãe; e há eunucos que foram castrados pelos homens; e há eunucos que se castraram a si mesmos por causa do Reino dos céus. Quem pode receber isso, que o receba”. (Mateus 19.12).

Como escritor extremamente prolífico, Orígenes foi capaz de manter sete secretários ocupados com seus ditados. Ele produziu cerca de duas mil obras, incluindo comentários sobre quase todos os livros da Bíblia, além de centenas de homílias.

A obra Héxapla foi uma façanha da crítica textual, pois tentou encontrar a melhor versão grega do Antigo Testamento. Em seis colunas paralelas, era possível observar o a.t. em hebraico, uma transliteração para o grego, três traduções em grego e a Septuaginta.

A obra Contra Celso foi um dos mais importantes trabalhos apologéticos do cristianismo, pois o defendeu dos ataques pagaos.

A obra De principiis (Sobre os princípios) foi a primeira tentativa de criar uma teologia sistemática. Nela, Orígenes examina cuidadosamente as crenças cristãs referentes a Deus, a Cristo e ao Espírito Santo, bem como assuntos referentes à Criação, à alma, ao livre-arbítrio, à salvação e às Escrituras.

Orígenes foi, em grande parte, responsável pelo estabelecimento da interpretação alegórica das Escrituras, que dominaria a Idade Média.

Acreditava que em todo o texto existiam três níveis de significado: o literal, o moral (que servia para edificar a alma) e o alegórico ou espiritual, considerado oculto é o mais importante para a fé cristã.

O próprio Orígenes desprezou o significado literal e o histórico-gramatical do texto, enfatizando o significado alegórico mais profundo.

Orígenes tentou relacionar o cristianismo à ciência e à filosofia de seus dias. Acreditava que a filosofia grega era a preparação para a compreensão das Escrituras e usava a analogia, mais tarde adotada por Agostinho.

Idéias heréticas

Ao aceitar os ensinamentos da filosofia grega, Orígenes adotou muitas idéias platônicas, estranhas ao cristianismo ortodoxo.

A maioria de seus erros era causada pela pressuposição grega de que a matéria e o mundo material são intrínsecamente maus.

Acreditava na existência da alma antes do nascimento e ensinava que a posição de alguém no mundo era consequência de sua conduta em um estado preexistente.

Negava a ressurreição física e advogava que, no final de tudo, Deus salvaria todos os homens e todos os anjos.

Segundo Orígenes, o Filho foi eternamente gerado pelo Pai que, por sua vez, criou o mundo eterno. Segundo ele, foi somente a humanidade de Jesus que morreu na cruz, como pagamento feito ao Diabo em resgate pelo mundo.

Devido a equívocos como esses, o bispo Demetrio de Alexandria convocou o concilio que excomungou Orígenes. Embora Roma e a igreja ocidental tivessem aceitado a excomunhão de Orígenes, a igreja da Palestina e a maior parte do Oriente não a aceitaram. Eles continuaram consultando Orígenes devido à sabedoria, à erudição e ao conhecimento que ele possuía.

Durante a perseguição promovida por Décio, Orígenes foi preso, torturado e condenado a morrer em uma estaca. Somente a morte do imperador impediu que a sentença fosse executada.

Com a saúde debilitada devido à provação, Orígenes morreu por volta do ano 251. Ele fez mais do que qualquer outra pessoa para promover a causa da erudição cristã e para fazer com que a Igreja fosse respeitada aos olhos do mundo. Os pais da igreja posteriores a ele, tanto do Oriente quanto do Ocidente, sentiram sua influência. A diversidade de seu pensamento e de seus escritos lhe rendeu a reputação de ser o pai da ortodoxia, bem como das heresias.

[1] Ascese, “exercício” que consiste de uma prática que visa o desenvolvimento espiritual. Muitas vezes, essa prática consiste na renúncia ao prazer e na não satisfação de algumas necessidades primárias.

Referências Bibliogáficas

Tertuliano começa a escrever livros cristãos 196 D.C. – Grandes acontecimentos que marcaram a história do cristianismo. (Comentário de Pastor Luiz Antonio).

Tertuliano começa a escrever livros cristãosTertuliano começa a escrever livros cristãos 196 D.C. – Grandes acontecimentos que marcaram a história do cristianismo – comentados por Pastor Luiz Antonio Bel. Me. Th. M.

Sinópse

Tertuliano de Cartago (em latim: Quintus Septimius Florens Tertullianus); Nascimento: 160 d.C., Cartago na província romana da África. Falecimento: 220 d.C., Cartago na província romana da África (60 anos). Ele foi o primeiro autor cristão a produzir uma obra literária (corpus) em latim. Ele também foi um notável apologista cristão e um polemista contra a heresia. Ele organizou e avançou a nova teologia da Igreja antiga. Ele é famoso por ser o autor mais antigo cuja obra sobreviveu e na qual utilizou o termo “Trindade” (em latim: Trinitas) e por nos dar a mais antiga exposição formal ainda existente sobre a teologia trinitária. Apesar de importante entre os Padres latinos, algumas das ideias de Tertuliano não eram aceitáveis para os ortodoxos e, no fim de sua vida, ele se tornou um montanista.

Podemos dividir o conjunto das suas obras em três grandes grupos:

  1. Escritos apologéticos fazendo de defesa da fé contra os opositores: Aos pagãos, Apologeticum (a sua obra mais conhecida), O testemunho da alma, Contra Escápula, Contra os judeus.
  2. Escritos polémicos: A prescrição dos hereges, Contra Marcião, Contra Hermógenes, Contra os valentinianos, O batismo, Scorpiace, A carne de Cristo, A ressurreição da carne, Contra Práxeas, A alma.
  3. Escritos disciplinares, morais e ascéticos: Aos mártires, Os espetáculos, O vestido das mulheres, A oração, A paciência, A penitência, À esposa, A exortação da castidade, A monogamia, O véu das virgens, A coroa, A fuga na perseguição, A idolatria, O jejum, A pudicícia, O manto.

 

“O sangue dos mártires é a semente da igreja.”

“É certo por ser impossível.”

“O que Atenas e Jerusalém têm em comum?”

Frases como essas eram típicas das obras de Quintus Septimius Florens Tertullianus ou simplesmente Tertuliano.

Nativo de Cartago, foi criado em um lar de cultura pagã e educado nos clássicos da literatura, na arte de discursar e em Direito.

Por volta do ano 196, quando voltou seu poderoso intelecto para os tópicos cristãos, Tertuliano mudou o caráter do pensamento e da literatura da igreja ocidental.

Até esse ponto, a maioria dos escritores cristãos usava o grego, uma língua flexível e sutil, perfeita para filosofar e para discutir ninharias. Os cristãos de fala grega eram então muito propensos a uma fé filosófica.

Embora Tertuliano fosse africano, sabia grego, porém, preferia escrever em latim. Tertuliano atraiu muitos outros escritores para sua língua favorita.

Enquanto os cristãos gregos discutiam a divindade de Cristo e sua relação com o Pai, Tertuliano buscava unificar a fé e esclarecer a posição ortodoxa. Em função disso, criou uma fórmula bastante útil que é usada ainda hoje: “Deus é uma única substância, consistindo em três pessoas”.

Ao introduzir a fórmula que se tornou a doutrina da Trindade, Tertuliano extraiu sua terminologia não dos filósofos, mas dos tribunais romanos. A palavra latina “substantia” não significava “material”, mas carregava a ideia de “direito à propriedade”.  Bem como a palavra “persona” não significava “pessoa”, do modo como usamos a palavra. Ela se referia a uma das partes na ação legal. Conforme o uso do termo proposto por Tertuliano permite que seja concebível que três “personas” pudessem compartilhar a mesma “substantia”. Três pessoas (Pai, Filho e Espírito Santo) compartilham uma “substância”, (direito à propriedade), ou seja, a soberania divina.

A filosofia estoica, bastante popular em sua época, causou grande influência na vida de Tertuliano. Alguns dizem que a ideia do pecado original passou do estoicismo para Tertuliano e depois para a igreja ocidental.

Por volta do ano 206, Tertuliano deixou a igreja para se juntar aos montanistas [1], grupo de “puristas” que reagiu contra o que consideravam uma frouxidão moral entre os cristãos. Eles esperavam que a Segunda Vinda de Cristo acontecesse logo, e passaram a ressaltar a liderança imediata do Espírito Santo, e não a do clero ordenado.

Embora Tertuliano tivesse começado a enfatizar a ideia da sucessão apostólica, ficou perturbado pela afirmação dos bispos de que tinham poder para perdoar pecados, e afirmava que isso se tratava de grande presunção por parte dos bispos. Além do mais, Tertuliano acreditava que todos os crentes fossem sacerdotes!

Por mais de 1200 anos, o clero teria um lugar especial. Somente depois de Martinho Lutero ter desafiado a igreja é que “o sacerdócio de todos os crentes” foi defendido outra vez.

O conjunto das obras de Tertuliano, seus Escritos Apologéticos, seus Escritos Polémicos e Escritos disciplinares contribuíram muito para o bem do Cristianismo de todos os tempos.

[1] O montanismo foi um movimento cristão fundado por Montano por volta de 156 d.C.. Por ter se originado na região da Frígia, Eusébio de Cesareia relata em sua História Eclesiástica (V.14-16) que ela era chamada de “Heresia Frígia” na época. O seu adepto mais famoso foi Tertuliano (c. 170-212), um dos primeiros doutores da Igreja, autor de inúmeras obras em defesa da Cristandade. Em torno de 210, insatisfeito com o pensamento cristão e suas práticas, uniu-se ao montanismo, sendo considerado herético, embora não haja evidências concretas de que tenha fundado uma seita própria.

REFERÊNCIAS

Os 100 Acontecimentos mais importantes da história do Cristianismo. A. KENNETH Curtis – J. STEPHEN Lang – RANDY Petersen.

A etimologia da fé – Por Pastor Luiz Antonio.

A etimologia da fé – Por Pastor Luiz Antonio.“Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não veem. Porque, por ela, os antigos alcançaram testemunho”. (Heb. 11, 1,2).

Grego

Pistis é a palavra grega que significa convicção da verdade de algo, ou simplesmente fé. No texto do Novo Testamento, pistis dá a ideia de uma convicção ou crença que diz respeito ao relacionamento do homem com Deus e com as coisas divinas, enfatizando a ideia de confiança em Deus que gera um fervor santo nascido e unido a essa fé.

Pistis tem a ver com a convicção de que Deus existe e é o criador e governador de todas as coisas, sendo o provedor e doador da salvação eterna em Cristo.

Pistis tem a ver com a convicção de que Jesus é o Messias, através do qual nós obtemos a salvação eterna no reino de Deus.

Latim

No Latim o termo é fide. Fide é a adesão de forma incondicional a uma hipótese que a pessoa considera como sendo verdade, sem a necessidade de qualquer tipo de prova ou critério objetivo de verificação. Fide expressa a absoluta confiança que se deposita numa fonte de transmissão.

Hebraico

Sendo uma língua de expressões concretas, o hebraico muitas vezes tem dificuldade em expressar abstratos como é o caso da palavra “Fé”. Mas existe uma palavra para descrever esta virtude, Emunáh.

Emunah é a palavra hebraica que significa fé, crença; firmeza, constância; fidelidade, lealdade; segurança.

Emunah tem o sentido de agarrar-se (agarrar-se com firmeza a alguma coisa). Fé é agarrar-se com firmeza à crença em Cristo.

A raiz da palavra Emunáh é a palavra ‘aman’, que significa construtor, trabalhador capacitado, pessoa capacitada, artesão, construtor.

Caso você tenha um dicionário léxico de grego e hebraico e queira conferir, segue abaixo as palavras correspondentes:

0540 אמן ’aman (aramaico)

  • correspondente a 539; DITAT – 2584; v
  • 1) confiar, apoiar
  • 1a1) crer em
  • 1a2) confiar
  • 1a3) confiável (particípio pass)

0541 אמן ’aman

  • denominativo procedente de 3225; DITAT – 872; v
  • 1) (Hifil) tomar a mão direita, virar à direita, optar pela direita, ir para a direita, usar a mão direita

0542 אמן ’aman

  • procedente de 539 (no sentido de treinamento); DITAT – 116c; n m
  • 1) trabalhador capacitado, artista, pessoa capacitada, artesão, construtor.

 

Tendo a palavra Emunáh sua raiz na palavra hebraica ’amown, que significa construtor, artífice, arquiteto, isso ensina que fé é uma virtude construída ao longo da nossa caminhada. É fortalecida por experiências, nossas e dos outros crentes; ao mesmo tempo que é fortalecida por Deus.

O vocábulo ’amown procedente do verbete “539″ no Léxico de grego e hebraico , tem também o sentido de TREINAR; como você pode ver abaixo. Isso nos ensina que a fé é algo a ser treinado, a fé se fortalece pela prática, pelo conhecimento prático das Escrituras e do Deus das Escrituras, bem como pelo contato com o autor da fé. A fé não é uma coisa cega e meramente mística como muitos afirmam!

  • 0525 אמון ’amown
  • procedente de 539, tem também o sentido de treinar; DITAT – 116L; n m
  • 1) artífice, arquiteto, trabalhador capacitado, trabalhador hábil

 

  • 0526 אמון ’Amown
  • o mesmo que 525, grego 300 Αμων; n pr m
  • Amom = “trabalhador hábil” ou “trabalhador capacitado”
  • 1) um rei de Judá, filho de Manassés
  • 2) um governador de Samaria
  • 3) um descendente de um servo de Salomão

 

  • 0527 אמון ’amown
  • uma variação para 1995; DITAT – 116L; n m
  • 1) artífice, arquiteto, trabalhador capacitado

 

A seguir grandes exemplos de fé prática vividos por homens e mulheres de Deus na galeria dos heróis da fé de “Hebreus 11”:

1 Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não veem.

2 Porque por ela os antigos alcançaram testemunho.

3 Pela fé entendemos que os mundos pela palavra de Deus foram criados; de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente.

4 Pela fé Abel ofereceu a Deus maior sacrifício do que Caim, pelo qual alcançou testemunho de que era justo, dando Deus testemunho dos seus dons, e por ela, depois de morto, ainda fala.

5 Pela fé Enoque foi trasladado para não ver a morte, e não foi achado, porque Deus o trasladara; visto como antes da sua trasladação alcançou testemunho de que agradara a Deus.

6 Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam.

7 Pela fé Noé, divinamente avisado das coisas que ainda não se viam, temeu e, para salvação da sua família, preparou a arca, pela qual condenou o mundo, e foi feito herdeiro da justiça que é segundo a fé.

8 Pela fé Abraão, sendo chamado, obedeceu, indo para um lugar que havia de receber por herança; e saiu, sem saber para onde ia.

9 Pela fé habitou na terra da promessa, como em terra alheia, morando em cabanas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa.

10 Porque esperava a cidade que tem fundamentos, da qual o artífice e construtor é Deus.

11 Pela fé também a mesma Sara recebeu a virtude de conceber, e deu à luz já fora da idade; porquanto teve por fiel aquele que lhe tinha prometido.

12 Por isso também de um, e esse já amortecido, descenderam tantos, em multidão, como as estrelas do céu, e como a areia inumerável que está na praia do mar.

13 Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas; mas vendo-as de longe, e crendo-as e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra.

14 Porque, os que isto dizem, claramente mostram que buscam uma pátria.

15 E se, na verdade, se lembrassem daquela de onde haviam saído, teriam oportunidade de tornar.

16 Mas agora desejam uma melhor, isto é, a celestial. Por isso também Deus não se envergonha deles, de se chamar seu Deus, porque já lhes preparou uma cidade.

17 Pela fé ofereceu Abraão a Isaque, quando foi provado; sim, aquele que recebera as promessas ofereceu o seu unigênito.

18 Sendo-lhe dito: Em Isaque será chamada a tua descendência, considerou que Deus era poderoso para até dentre os mortos o ressuscitar;

19 E daí também em figura ele o recobrou.

20 Pela fé Isaque abençoou Jacó e Esaú, no tocante às coisas futuras.

21 Pela fé Jacó, próximo da morte, abençoou cada um dos filhos de José, e adorou encostado à ponta do seu bordão.

22 Pela fé José, próximo da morte, fez menção da saída dos filhos de Israel, e deu ordem acerca de seus ossos.

23 Pela fé Moisés, já nascido, foi escondido três meses por seus pais, porque viram que era um menino formoso; e não temeram o mandamento do rei.

24 Pela fé Moisés, sendo já grande, recusou ser chamado filho da filha de Faraó,

25 Escolhendo antes ser maltratado com o povo de Deus, do que por um pouco de tempo ter o gozo do pecado;

26 Tendo por maiores riquezas o vitupério de Cristo do que os tesouros do Egito; porque tinha em vista a recompensa.

27 Pela fé deixou o Egito, não temendo a ira do rei; porque ficou firme, como vendo o invisível.

28 Pela fé celebrou a páscoa e a aspersão do sangue, para que o destruidor dos primogênitos lhes não tocasse.

29 Pela fé passaram o Mar Vermelho, como por terra seca; o que intentando os egípcios, se afogaram.

30 Pela fé caíram os muros de Jericó, sendo rodeados durante sete dias.

31 Pela fé Raabe, a meretriz, não pereceu com os incrédulos, acolhendo em paz os espias.

32 E que mais direi? Faltar-me-ia o tempo contando de Gideão, e de Baraque, e de Sansão, e de Jefté, e de Davi, e de Samuel e dos profetas,

33 Os quais pela fé venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas, fecharam as bocas dos leões,

34 Apagaram a força do fogo, escaparam do fio da espada, da fraqueza tiraram forças, na batalha se esforçaram, puseram em fuga os exércitos dos estranhos.

35 As mulheres receberam pela ressurreição os seus mortos; uns foram torturados, não aceitando o seu livramento, para alcançarem uma melhor ressurreição;

36 E outros experimentaram escárnios e açoites, e até cadeias e prisões.

37 Foram apedrejados, serrados, tentados, mortos ao fio da espada; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, desamparados, aflitos e maltratados

38 (Dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos, e montes, e pelas covas e cavernas da terra.

39 E todos estes, tendo tido testemunho pela fé, não alcançaram a promessa,

40 Provendo Deus alguma coisa melhor a nosso respeito, para que eles sem nós não fossem aperfeiçoados.

 

Irineu se torna bispo de Lião 177 D.C. – Grandes acontecimentos que marcaram a história do cristianismo – comentados por Pastor Luiz Antonio.

Irineu se torna bispo de lyonSinópse

Ireneu ou Irineu de Lyon, (130-202) foi um bispo grego, teólogo e escritor cristão que nasceu, segundo se crê, na província romana da Ásia Menor Proconsular – a parte mais ocidental da atual Turquia – provavelmente Esmirna. O livro mais famoso de Irineu, Sobre a detecção e refutação da chamada Gnosis, também conhecido como Contra as Heresias (Adversus haereses, ca. 180 d.C.) é um ataque minucioso ao gnosticismo, que era então uma séria ameaça à Igreja Primitiva e, especialmente, ao sistema proposto pelo gnóstico Valentim. Como um dos primeiros grandes teólogos cristãos, ele enfatizava os elementos da Igreja, especialmente o episcopado, as Escrituras e a tradição. Irineu escreveu que a única forma dos cristãos se manterem unidos era aceitarem humildemente uma autoridade doutrinária dos concílios episcopais. Seus escritos, assim como os de Clemente e Inácio, são tidos como evidências iniciais da primazia papal. Irineu foi também a testemunha mais antiga do reconhecimento do caráter canônico dos quatro Evangelhos. As Igrejas Católicas e Ortodoxas consideram-no santo, o que é reconhecido pelos protestantes da Comunhão Anglicana e da Igreja Luterana, sendo seu dia comemorado, a 28 de junho, exceto pela Igreja Ortodoxa, onde seu dia é a 23 de agosto.

Irineu se torna bispo de Lião 177 D.C.

Até mesmo quanto às heresias, “não há nada novo debaixo do sol” (Ec 1.9). Os falsos ensinamentos que surgiram dentro e em torno da Igreja permanecem basicamente os mesmos.

Em vez de se voltar para a obra expiatória de Cristo, muitos buscam salvar a si mesmos pela descoberta de algum conhecimento secreto. Isso surgiu na igreja primitiva por meio de um conjunto de heresias chamado de gnosticismo (gnosis é uma palavra grega que significa “conhecimento”).

Aparentemente, já existia uma forma de gnosticismo antes da fundação da Igreja. João desferiu um golpe contra esse falso ensinamento, quando escreveu sua primeira carta. Contudo, essa doutrina ainda continuou a exercer influência mesmo no nosso século.

Sabemos pouco sobre Irineu, o homem que se opôs ao gnosticismo na segunda metade do século em que viveu. Nasceu, provavelmente, na Ásia Menor, por volta do ano 125.

Em virtude do intenso comércio entre a Ásia Menor e a Gália, os cristãos puderam levar a fé àquela região, onde foi estabelecida uma igreja vigorosa em sua cidade principal, Lyon.

Enquanto serviu como presbítero em Lyon, Irineu viveu de acordo com seu nome, que significa “pacífico”, viajando até Roma para pedir indulgência aos montanistas da Ásia Menor. Durante essa missão, a perseguição cresceu em Lyon, e o bispo daquela cidade foi martirizado.

Irineu o sucedeu como bispo e descobriu que o gnosticismo conseguira algumas conversões na Gália. Essa doutrina se espalhou facilmente, porque os gnósticos usavam termos cristãos, embora tivessem interpretações radicalmente diferentes das expressões cristãs por eles usadas.

A fusão dos termos cristãos com os conceitos da filosofia grega e das religiões asiáticas era atraente aos que queriam acreditar que poderiam salvar a si mesmos, sem depender da graça do Pai todo-poderoso.

Irineu estudou as várias formas de gnosticismo. Embora variassem grandemente, os ensinamentos mais comuns eram os seguintes:

  1. O mundo físico é mau; o mundo foi criado e é governado por poderes angelicais, e não por Deus;
  2. Deus está distante e não está realmente ligado a este mundo;
  3. A salvação pode ser alcançada pelo aprendizado de alguns ensinamentos secretos especiais.
  4. As pessoas espirituais — ou seja, os próprios seguidores do gnosticismo — são superiores aos cristãos comuns.

Os mestres do gnosticismo sustentavam essas ideias valendo-se dos evangelhos gnósticos; volumes que normalmente tomavam emprestado o nome de um apóstolo e retratavam Jesus Cristo ensinando doutrinas gnósticas.

Quando o bispo de Lyon finalmente tomou conhecimento dessa heresia, escreveu a obra denominada Contra as heresias, um enorme trabalho no qual buscava revelar a tolice do “falso conhecimento”. Valendo-se tanto do Antigo quanto do Novo Testamentos, Ireneu mostrou que o Deus amoroso criou o mundo, que se corrompeu por causa do pecado humano. Adão, o primeiro homem inocente, tornou-se pecador ao ceder à tentação.

Porém, sua queda foi reparada pela obra do segundo homem inocente, Cristo, o segundo Adão.

Segundo Irineu e diferentemente do pensamento gnóstico, o corpo não é mau, e, no último dia, o corpo e a alma dos crentes ressuscitarão; viverão para sempre com Deus.

Irineu compreendia que o gnosticismo se valia do desejo humano de conhecer algo que os outros não conheciam. Com relação aos gnósticos, escreveu: “Tão logo um homem é convencido a aceitar a forma da salvação deles [dos gnósticos], se torna tão orgulhoso com o conceito e a importância de si mesmo, que passa a andar como se fosse um pavão”.

Porém, os cristãos deveriam humildemente aceitar a graça de Deus, e não se envolver em exercícios intelectuais que levavam à vaidade.

Durante toda a sua vida, Irineu recordou com alegria o fato de ter sido próximo de Policarpo, que conhecera pessoalmente o apóstolo João. Desse modo, talvez não seja surpreendente o fato de Irineu apelar para a autoridade dos Apóstolos, quando desaprovou as afirmações do gnosticismo.

O bispo de Lyon destacou que os Apóstolos ensinaram em público, e não guardaram segredo sobre nenhum dos ensinamentos que receberam do Mestre.

Por todo o império, as igrejas concordavam sobre certos ensinamentos que vieram dos Apóstolos de Cristo e que apenas esses ensinamentos formavam os fundamentos de sua crença. Ao declarar que os bispos, os sucessores dos Apóstolos, eram os guardiães da fé, Irineu aumentou o respeito dispensado aos bispos.

Na obra Contra as heresias, Irineu apresentou o padrão para a teologia da igreja: “toda a verdade que precisamos está na Bíblia”. Ele também provou ser o maior teólogo desde o Apóstolo Paulo. Suas discussões amplamente divulgadas foram um golpe mortal para o gnosticismo em sua época e suas discussões bem como sua obra Contra as heresias marcaram a história do cristianismo.

 

REFERÊNCIAS

Os 100 Acontecimentos mais importantes da história do Cristianismo. A. KENNETH Curtis – J. STEPHEN Lang – RANDY Petersen.

 

 

 

O martírio de Policarpo D.C. 156 – Grandes acontecimentos que marcaram a história do cristianismo. (Comentário de Pastor Luiz Antonio).

O Martírio de PolicarcoSinopse: Policarpo de Esmirna foi um bispo da igreja de Esmirna do século II. De acordo com a obra “Martírio de Policarpo”, ele foi apunhalado quando estava amarrado numa estaca para ser queimado vivo, mas as chamas milagrosamente não o queimavam. Ele é considerado por isso um mártir e um santo por diversas denominações cristãs.

As autoridades de Esmirna já haviam levado muitos cristãos à morte na arena. Agora, uma multidão irada exigia a morte do líder, (Policarpo).

Por causa da perseguição Policarpo saíra da cidade e se escondera na propriedade de alguns amigos, no interior. Quando os soldados o alcançaram, ele fugiu para outra propriedade. Embora não tivesse medo da morte e quisesse permanecer na cidade, seus amigos insistiram para que se escondesse, talvez com temor de que sua morte pudesse desmoralizar a Igreja. Se esse era o caso, estavam completamente equivocados.

Quando os soldados alcançaram a primeira fazenda, torturaram um menino escravo para que revelasse o paradeiro de Policarpo. Embora tivesse tempo para escapar, Policarpo se recusou a fazê-lo. “Que a vontade de Deus seja feita”, decidiu.

Em vez de fugir, deu as boas-vindas aos seus captores, ofereceu-lhes comida e pediu permissão para passar um momento sozinho em oração. Policarpo orou durante duas horas.

Alguns dos que ali estavam com a finalidade de prendê-lo pareciam arrependidos por prender um homem tão simpático. No caminho de volta a Esmirna, o chefe da guarda tentou argumentar com Policarpo: “Que problema há em dizer ‘César é senhor’ e acender incenso em sua honra?”. Policarpo calmamente disse que não faria isso.

As autoridades romanas divulgavam a ideia de que o espírito ou o “gênio” do imperador (César) era divino. A maioria dos romanos, por causa de seu panteão[1], não tinha problema em prestar culto ao imperador, pois entendia a situação como questão de lealdade nacional. Porém, os cristãos sabiam que isso era idolatria.

Pelo fato de os cristãos se recusarem a adorar o imperador ou os outros deuses de Roma e adorar a Cristo de maneira silenciosa e secreta em seus lares, a maioria das pessoas achava que eles não tinham fé.

Preso, Policarpo entrou em uma arena cheia de pessoas enfurecidas.

“Fora com os ateus!”, gritava a turba de Esmirna, enquanto buscava os cristãos para prendê-los. Como sabiam apenas que os cristãos não participavam dos muitos festivais pagãos e não ofereciam os sacrifícios comuns, a multidão atacava o grupo considerado ímpio e sem pátria.

O procónsul romano parecia respeitar a idade do bispo e como queria evitar uma cena horrível, se Policarpo apenas oferecesse um sacrifício, todos poderiam ir para casa.

    — Respeito sua idade, velho homem — implorou o procónsul.
— Mude de ideia. Diga “Fora com os ateus!”.

O procónsul obviamente queria que Policarpo salvasse sua própria vida ao separar-se daqueles “ateus”, (os cristãos). Policarpo, então, olhou para a multidão zombadora, levantou a mão na direção deles e disse:

     —  Fora com os ateus!

O procónsul tentou outra vez:

     — Amaldiçoe a Cristo e eu o libertarei. Amaldiçoe a Cristo!

A resposta de Policarpo foi:

    — “Por 86 anos servi a Cristo, e ele nunca me fez qualquer mal. Como poderia blasfemar contra meu Rei, que me salvou? ”

A tradição diz que Policarpo estudou com o apóstolo João. Se isso foi realmente verdade, ele era, provavelmente, o último elo vivo com a igreja apostólica.

Cerca de quarenta anos antes, quando Policarpo começou seu ministério como bispo, Inácio, um dos pais da Igreja, escreveu a ele uma carta especial.

Policarpo escreveu, de próprio punho, uma carta aos filipenses onde falava sobre as verdades que ele aprendeu com seus mestres. Policarpo não fazia exegese de textos do Antigo Testamento, como os estudiosos cristãos posteriores, mas citava os apóstolos e os outros líderes da igreja para exortar os filipenses.

Cerca de um ano antes de seu martírio, Policarpo foi a Roma para acertar algumas diferenças quanto à data da Páscoa com o bispo daquela cidade. Uma história diz que, nessa cidade, ele debateu com o herege Marcião, a quem chamava “o primogênito de Satanás”. Diz-se que diversos seguidores de Marcião se converteram com sua exposição dos ensinamentos apostólicos.

Este era o papel de Policarpo: ser uma testemunha fiel. A era de Policarpo requeria apenas fidelidade. Ε ele foi fiel até a morte.

Na arena, a argumentação continuava entre o bispo e o procónsul.

Ameaçado pelo fogo, Policarpo reagiu: “Seu fogo poderá queimar por uma hora, mas depois se extinguirá; mas o fogo do julgamento por vir é eterno”.

Por fim, anunciou-se que Policarpo não se retrataria. O procónsul ordenou que o bispo fosse queimado. O povo de Esmirna gritou: “Este é o mestre da Ásia, o pai dos cristãos, o destruidor de nossos deuses, que ensina o povo a não sacrificar e não adorar!”.

Policarpo foi amarrado a uma estaca, e o fogo foi ateado. Contudo, de acordo com testemunhas oculares, o fogo não consumia seu corpo.

Então, um dos executores o perfurou com uma lança e o sangue que jorrou apagou o fogo.

Este relato foi repassado às congregações por todo o império. A Igreja valorizou esses relatos e começou a celebrar a vida e a morte de seus mártires, chegando a coletar seus ossos e outras relíquias.

Em 23 de fevereiro, todos os anos, comemoravam o “dia do nascimento” de Policarpo no Reino celestial.

Nos 150 anos seguintes, à medida que centenas de outros mártires caminharam fielmente para a morte, muitos foram fortalecidos pelos relatos do testemunho fiel do bispo de Esmirna. Este grande acontecimento é especialmente marcante na história do cristianismo! O testemunho e martírio de Policarpo se constituiu num pilar para a fé da Igreja recém iniciada.

REFERÊNCIAS

Os 100 Acontecimentos mais importantes da história do Cristianismo.
  1. KENNETH Curtis – J. STEPHEN Lang – RANDY Petersen.

[1] Panteão (grego) “pan”, “todo”; e “théos”, “deus” significa literalmente o conjunto de deuses de determinada religião. Eventualmente, o termo “panteão” passou a significar tanto o conjunto de deuses quanto o templo específico a eles devotado. Atualmente, o “panteão” é o termo designado para um mausoléu que abriga os restos mortais de diversas pessoas notáveis.

Justino Mártir escreve sua Apologia 150 D.C. – Grandes acontecimentos que marcaram a história do cristianismo. (Comentário de Pastor Luiz Antonio).

Justino Mártir escreve sua ApologiaQuando ainda era jovem o filósofo Justino Mártir tinha sua mente sempre agitada, sempre ativa, buscando novas verdades.

Era inteirado dos ensinamentos dos estoicos, de Aristóteles e de Pitágoras; porém naquela época de sua vida, era adepto do platonismo, que prometia uma visão de Deus aos que sondassem a verdade com profundidade suficiente. Era isso que Justino enquanto filósofo queria.

Certo dia enquanto caminhava, encontrou-se com um idoso cristão e ficou perplexo diante da dignidade e humildade daquele homem. O homem citou várias profecias judaicas, mostrando que o caminho cristão era realmente verdadeiro e que Jesus era a verdadeira expressão de Deus, conforme Heb. 1,1-3.

Esse encontro foi decisivo para uma grande mudança na vida de Justino, que a partir de então debruçara-se sobre aqueles escritos proféticos, lendo os Evangelhos e as cartas de Paulo, ele se tornou um cristão dedicado.

Assim, nos últimos trinta anos de sua vida, viajou, evangelizou e escreveu.

Desempenhou um papel muito importante no desenvolvimento da teologia da Igreja, assim como da compreensão que a Igreja tinha de si mesma e da imagem que apresentava ao mundo.

Desde o início, a Igreja funcionou em dois mundos: o judeu e o gentio. O livro de Atos dos Apóstolos registra o desenvolvimento do cristianismo no mundo gentio. Pedro e Estêvão pregaram aos ouvintes judeus, e Paulo falou aos filósofos atenienses e aos governadores romanos.

A vida de Justino apresenta muitos paralelos com a vida de Paulo. O apóstolo era judeu nascido em (Tarso) área gentia; Justino era um gentio nascido em área judaica (a antiga Siquém).

Ambos tinham boa formação e usavam o dom da argumentação para convencer judeus e gentios da verdade de Cristo e os dois foram martirizados em Roma em razão de sua fé.

Durante os reinados dos imperadores do século I, (Nero e Domiciano), a Igreja se esforçava para sobreviver e continuar sua tradição e para mostrar ao mundo o amor de Jesus Cristo.

Os não-cristãos viam o cristianismo como uma seita primitiva, como uma ramificação do judaísmo caracterizada por ensinamentos e práticas estranhas.

Durante o século II, sob o comando de imperadores mais razoáveis como Trajano, Antonino Pio e Marco Aurélio, a Igreja teve uma nova preocupação: explicar o motivo de sua existência para o mundo de maneira convincente.

Justino se tornou um dos primeiros apologistas cristãos, ou seja, um dos primeiros a explicar a fé como sistema racional.

Como outros escritores que surgiriam mais tarde, como Orígenes e Tertuliano, Justino interpretou o cristianismo em termos que seriam familiares aos gregos e aos romanos instruídos de seus dias.

A maior obra de Justino, a Apologia[1], foi endereçada ao imperador Antonino Pio. Enquanto Justino explicava e defendia sua fé, ele discutia com as autoridades romanas por que considerava errado perseguir os cristãos.

De acordo com seu pensamento, as autoridades deveriam unir forças com os cristãos na exposição da falsidade dos sistemas pagãos.

Para Justino, toda a verdade era a verdade de Deus. Na opinião de Justino os grandes filósofos gregos haviam sido inspirados por Deus até certo ponto, mas permaneciam cegos com relação à plenitude da verdade de Cristo.

Justino trabalhou com o pensamento grego, explicando Cristo como o princípio apresentado pelo apóstolo João, no qual Cristo é o Logos, a Palavra.

Justino concordava com Platão no aspecto de que Deus Pai era santo e separado da humanidade maligna. Porém, por intermédio de Cristo, seu Logos, Deus pôde alcançar os seres humanos.

Justino ensinava que o Logos de Deus (Cristo), era da mesma essência do Deus Pai, embora separado. E este pensamento de Justino foi fundamental no desenvolvimento da consciência da Igreja com relação à Trindade e à encarnação; apesar de Justino ter uma linha de pensamento judia que caminhava com suas inclinações gregas.

Justino era fascinado pelas profecias já cumpridas. Ε é possível que isso tenha nascido no encontro com o idoso à beira-mar. Lendo e estudando, ele percebeu que a profecia hebraica confirmou a identidade singular de Jesus Cristo. Como Paulo, Justino não abandonou os judeus à medida que se aproximava dos gregos.

Em Diálogo com Trifão, outra grande obra, ele escreve a um judeu, um conhecido dele, apresentando Cristo como cumprimento da tradição hebraica.

Além de escrever, Justino viajou bastante, sempre argumentando a favor da fé. Ele se encontrou com Trifão em Êfeso e em Roma, encontrou-se com Marcião, o líder gnóstico. Em outra ocasião, durante uma viagem a Roma, Justino se indispôs com um homem chamado Crescendo, o Cínico.

Quando Justino retornou a Roma, por volta do ano 165, Crescendo o denunciou às autoridades. Justino foi preso, torturado e decapitado, com outros seis crentes.

Justino escreveu certa vez: “Vocês podem nos matar, mas não podem nos causar dano verdadeiro”. O apologista apegou-se a essa convicção até a morte. Ao fazer isso, recebeu o nome que passaria usar por toda a história: Justino Mártir.

A forte relação que a história de Justino tem com o Cristianismo é que a partir do encontro com o ancião na praia, passou o restante da vida fazendo apologia (defesa) a Cristo e sua Igreja.

 

OBRAS CONSULTADAS:

1- A. Kenneth Curtis, J. Stephen Lang e Randy Petersen – Os 100 Acontecimentos mais importantes da História do Cristianismo. – São Paulo: Editora Vida, 2003.
2 – Roque Frangiotti – Introdução e Notas Explicativas em I APOLOGIA DE JUSTINO DE ROMA. – Fonte: Padres Apostólicos – São Paulo, 1995. – Coleção Patrística.

[1] A palavra grega apologia refere-se à lógica na qual as crenças de uma pessoa são baseadas.

Tito destrói Jerusalém – 70 D.C. – Grandes acontecimentos que marcaram a história do cristianismo. (Comentário de Pastor Luiz Antonio).

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            Géssio Floro[1] amava o dinheiro e odiava os judeus. Como procurador romano, governava a Judéia e pouco se importava com as sensibilidades religiosas. Quando a entrada de impostos era baixa, ele se apoderava da prata do Templo. Em 66 d.C., quando a oposição cresceu, ele enviou tropas a Jerusalém para crucificar e massacrar alguns judeus. A ação de Floro foi o estopim para uma revolta que já estava em ebulição havia algum tempo.

No século anterior, Roma não tinha tratado os judeus de maneira adequada. Primeiramente, Roma havia fortalecido o odiado usurpador Herodes, o Grande. Apesar de todos os belos edifícios que construíra, Herodes não conseguiu lugar no coração das pessoas.

Arquelau, filho de Herodes e seu sucessor era tão cruel que o povo pediu a Roma que lhe desse um alívio. Roma atendeu a esse pedido enviando diversos governadores: Pôncio Pilatos, Félix, Festo e Floro. Eles, assim como outros, tinham a tarefa de manter a paz em uma terra bastante instável.

Mesmo sob tanta opressão o espírito independente dos judeus nunca morreu. Eles olhavam com orgulho para os dias dos macabeus, quando se livraram do jugo de seus senhores sírios. Agora, suas desavenças mesquinhas e o fabuloso crescimento de Roma os colocavam novamente sob o comando de mãos estrangeiras.

O clima de revolução continuou durante o governo de Herodes. Os zelotes e os fariseus, cada um à sua maneira, queriam que as mudanças acontecessem. O fervor messiânico estava nos corações.

Foi em Massada (formação rochosa praticamente inexpugnável, que se eleva próximo ao mar Morto, onde Herodes construiu um palácio e os romanos ergueram uma fortaleza) que a revolta judaica teve seu início e um fim trágico.

Inspirados pelas atrocidades de Floro, alguns zelotes[2] ensandecidos decidiram atacar a fortaleza. Para surpresa de todos, eles a conquistaram, e massacraram o exército romano que estava acampado ali.

Em Jerusalém, o capitão do Templo, quando interrompeu os sacrifícios diários a favor de César, declarou abertamente uma rebelião contra Roma.

Não demorou muito para que toda a Jerusalém ficasse alvoroçada, e as tropas romanas fossem expulsas ou mortas. A Judéia se revoltou, e a seguir a Galileia. Por um breve período de tempo, parecia que os judeus estavam vencendo.

Foi então que Céstio Galo, o governador romano da região, saiu da Síria com 20 mil soldados, cercou Jerusalém por seis meses, mas fracassou, deixando para trás seis mil soldados romanos mortos e grande quantidade de armamentos que os defensores judeus recolheram e usaram.

Após isso o imperador Nero enviou Vespasiano, general condecorado, para sufocar a rebelião. Vespasiano foi minando a força dos rebeldes, eliminando a oposição na Galileia, depois na Transjordânia e por fim na Iduméia. A seguir, cercou Jerusalém.

Contudo, antes do golpe que provavelmente desmantelaria a rebelião judaica, Vespasiano foi chamado a Roma, por causa da morte de Nero. O pedido dos exércitos orientais para que Vespasiano fosse o imperador marcou o fim de uma luta pelo poder.

Em um de seus primeiros atos imperiais, Vespasiano nomeou seu filho, Tito, para conduzir a guerra contra os judeus.

A situação se voltou contra Jerusalém, agora cercada e isolada do restante do país. Facções internas da cidade se desentendiam com relação às estratégias de defesa. Conforme o cerco se prolongava, as pessoas morriam de fome e de doenças. A esposa do sumo sacerdote, outrora cercada de luxo, revirava as lixeiras da cidade em busca de alimento.

Enquanto isso, os romanos empregavam novas máquinas de guerra para arremessar pedras contra os muros da cidade. Aríetes forçavam as muralhas das fortificações. Os defensores judeus lutavam durante todo o dia e tentavam reconstruir as muralhas durante a noite. Por fim, os romanos irromperam pelo muro exterior, depois pelo segundo muro, chegando finalmente ao terceiro muro.

Os judeus continuaram lutando, correram para o Templo, sua última linha de defesa. Mas esse foi o fim para os bravos guerreiros judeus e também para o Templo.

Josefo, historiador judeu, disse que Tito queria preservar o Templo, mas os soldados estavam tão irados com a resistência dos oponentes que terminaram por queimá-lo.

Esse episódio obviamente lembra as palavras do Mestre: “E, respondendo Jesus, disse-lhe: Vês estes grandes edifícios? Não ficará pedra sobre pedra que não seja derribada”. (Marcos 13:2) ARC.

“Jesus, porém, lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada”. (Mateus 24:2) ARC.

A queda de Jerusalém, essencialmente, pôs fim à revolta. Os judeus foram dizimados ou capturados e vendidos como escravos. O grupo dos zelotes que havia tomado Massada permaneceu na fortaleza por três anos. Quando os romanos finalmente construíram a rampa para cercar e invadir o local, encontraram todos os rebeldes mortos. Eles cometeram suicídio para que não fossem capturados pelos invasores.

A revolta dos judeus marcou o fim do Estado judeu até os tempos modernos. A destruição do Templo de Herodes trouxe significativas mudanças no culto judaico.

Quando os babilônios destruíram o Templo de Salomão, em 586 a.C, os judeus estabeleceram as sinagogas, onde podiam estudar a Lei de Deus.

A destruição do Templo de Herodes pôs fim ao sistema sacrificial judeu e os forçou a contar apenas com as sinagogas, que cresceram muito em importância.

O que se segue agora faz com que esse evento da destruição de Jerusalém e do Templo (Beit há’Miquidash) seja importante para o cristianismo!

Onde estavam os cristãos durante a revolta judaica? Eles lembrarem-se das advertências de Cristo em (Mt 24.15-18).  Consta também em  (Lc 21.20-24):

15 Quando, pois, virdes que a abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel, está no lugar santo (quem lê, entenda), 16então, os que estiverem na Judeia, fujam para os montes; 17e quem estiver sobre o telhado não desça a tirar alguma coisa de sua casa; 18e quem estiver no campo não volte atrás a buscar as suas vestes. (Mt 24.15-18).

 

Crentes agora mais do que nunca nas advertências de Cristo fugiram de Jerusalém assim que viram os exércitos romanos cercar a cidade. Eles se recusaram a pegar em armas contra os romanos e retiraram-se para Pela[3], na Transjordânia.

Uma vez que a nação judaica e seu Templo tinham sido destruídos, os cristãos não podiam mais confiar na proteção que o império dava ao judaísmo. Não havia mais onde se esconder da perseguição romana. A partir de então inicia-se a Diáspora Judaica[4].

 

 

 

 

[1] Géssio Floro foi um político e militar romano nomeado procurador da Judeia entre 64 e 66. Nascido em Clazômenas, Floro foi nomeado no lugar de Luceio Albino por Nero por causa da amizade da imperatriz Popeia Sabina com sua esposa Cleópatra. Seu mandato é lembrado principalmente pela sua ganância, que, segundo Flávio Josefo, foi a causa principal da Grande Revolta Judaica.

[2] O termo zelote (do grego antigo ζηλωτής, transl. zelotés, “imitador”, “admirador zeloso” ou “seguidor”), em hebraico קנאי, kanai (frequentemente usado na forma plural, קנאים, kana’im) significa literalmente alguém que zela pelo nome de Deus. Apesar de a palavra designar em nossos dias alguém com excesso de entusiasmo, a sua origem prende-se ao movimento político judaico do século I que procurava incitar o povo da Judeia a rebelar-se contra o Império Romano e expulsar os romanos pela força das armas, que conduziu à primeira guerra judaico-romana (66-70).

[3] Pela (em grego clássico: Πέλλα; transl.: Pélla) foi a capital do antigo reino grego da Macedônia, célebre por seus reis Filipe e seu filho, Alexandre, o Grande. Situa-se na planície central da região geográfica da Macedônia, entre o rio Ludias e o Áxio, sobre uma colina que dava, na Antiguidade, para um lago pantanoso, e foi povoada inicialmente por gregos e bárbaros.

[4] O termo “diáspora” é usado com muita frequência para fazer referência à dispersão do povo judaico no mundo antigo, a partir do exílio na Babilônia no século VI a.C. mas, especialmente, depois da destruição de Jerusalém em 70 d.C.

 

REFERÊNCIAS

Flávio JosefoAntiguidades Judaicas 20, 11, 1

Flávio JosefoGuerra dos Judeus 2, 14, 5

Flávio JosefoGuerra dos Judeus 2, 14, 6

Flávio JosefoGuerra dos Judeus 2, 14, 9

Flávio JosefoGuerra dos Judeus 6, 4, 3

O incêndio de Roma – 64 D.C. – Grandes acontecimentos que marcaram a história do cristianismo. (Comentário de Pastor Luiz Antonio).

Incendio de Roma.jpg Clique na imagem e veja o vídeo!

O incêndio de Roma – 64 D.C.

(Comentário de Pastor Luiz Antonio).

Talvez o cristianismo não tivesse se expandido tanto se o Império Romano não tivesse existido. As estradas romanas que unificavam praticamente todo o império ajudaram muito na expansão do Evangelho. Com elas as viagens ficaram mais fáceis. Inclusive a afirmação de Cristo em Apocalipse 3,8 pode referir-se a elas!

 

“…eis que diante de ti pus uma porta aberta, e ninguém a pode fechar…”

Cinco coisas sobre esta “porta aberta”:

A “porta aberta” diante da igreja de Filadélfia, possivelmente era a rota (estrada) que ligava Jerusalém a capital do império Romano.

Esta “porta aberta” representava a rota da estrada do correio imperial que vinha de Roma e atravessava o porto de Trôade, seguindo para Pérgamo, Sardes, Antioquia capital da Psídia, depois de atravessar outras regiões, essa via alcançava a Antioquia capital da Síria, e finalmente, alcançava Jerusalém.

Todos os viajantes vindos de Roma e todos os de Esmirna que se dirigiam ao centro da Ásia Menor passavam em Filadélfia.

A passagem quase obrigatória desses viajantes por Filadélfia representava, para a igreja, uma grande “porta aberta diante de si”, para evangelização e testemunho.

Através dessa estrada (porta), podiam ser alcançados até os viajantes das regiões e cidades mais distantes”.

As pessoas falavam grego por todo o império e o forte exército romano mantinha a paz. O resultado da facilidade de locomoção proporcionado pelas estradas romanas foi a migração de centenas de pessoas para cidades maiores, como Roma, Corinto, Atenas ou Alexandria.

Com isso o cristianismo encontrou um clima aberto para seu crescimento. As pessoas daquela época abraçavam com facilidade as religiões orientais como a adoração a Isis, Dionísio, Mitra, Cibele e outros.

Esses adoradores estavam sempre em busca de novas crenças, mas algumas dessas religiões foram declaradas ilegais por serem suspeitas de praticar rituais ofensivos. Outras crenças foram oficialmente reconhecidas, como aconteceu com o judaísmo, que já desfrutava de proteção especial desde os dias de Júlio César, embora o monoteísmo do judaísmo e sua forma de revelação o colocasse à parte das outras formas de adoração.

Vendo esta vantagem, os missionários cristãos viajaram por todo o império espalhando o Evangelho do Reino. Ao compartilhar sua mensagem, as pessoas nas sinagogas judaicas, nos assentamentos dos artesãos e nos cortiços se convertiam. Em pouco tempo, todas as cidades principais tinham igrejas, incluindo a capital imperial.

Roma, o centro do império, atraía pessoas como um ímã. Até Paulo quis visitar Roma:

10…pedindo sempre em minhas orações que, nalgum tempo, pela vontade de Deus, se me ofereça boa ocasião de ir ter convosco. 11Porque desejo ver-vos, para vos comunicar algum dom espiritual, a fim de que sejais confortados, 12isto é, para que juntamente convosco eu seja consolado pela fé mútua, tanto vossa como minha. (Rm 1.10-12).

Na época em que Paulo escreveu sua carta à igreja romana, ele já saudava diversos cristãos romanos pelo nome talvez porque já os tivesse encontrado em suas viagens. (Rm 16. 3-15).

Paulo chegou a Roma como preso. O livro de Atos dos Apóstolos termina narrando que Paulo recebia convidados e os ensinava em sua casa, onde cumpria pena de prisão domiciliar, ainda que, de certa forma, não vigiada.

A tradição também diz que Pedro passou algum tempo na igreja romana. Embora não tenhamos números precisos, podemos dizer que, sob a liderança desses dois homens, a igreja se fortaleceu, recebendo tanto nobres e soldados quanto artesãos e servos.

Durante três décadas, os oficiais romanos achavam que o cristianismo era apenas uma ramificação do judaísmo (uma religião legal) e tiveram pouco interesse em perseguir a nova “seita judaica”.

Mas muitos judeus escandalizados pela nova fé, partiram para o ataque, tentando inclusive envolver Roma no conflito.

Por volta de 64 d.C., alguns oficiais romanos começaram a perceber que o cristianismo era substancialmente diferente do judaísmo.

Os judeus rejeitavam o cristianismo, e por influência deles cada vez mais pessoas começaram a ver o cristianismo como uma religião ilegal, assim a opinião pública em relação ao cristianismo pode ter começado a mudar mesmo antes do incêndio de Roma.

Embora os romanos aceitassem facilmente novos deuses, o cristianismo não estava disposto a partilhar sua honra com outras crenças e quando o cristianismo desafiou o politeísmo tão arraigado de Roma com sua pregação monoteísta, o império contra-atacou.

O grande incêndio de Roma teve início na noite de 18 de julho, no ano 64 d.C., afetando 10 das 14 zonas da antiga cidade de Roma, três das quais foram completamente destruídas.

O incêndio se prolongou por sete dias, consumindo um quarteirão após o outro dos cortiços populosos. De um total de catorze quarteirões, dez foram destruídos, e morreram muitas pessoas.

A lenda diz que o imperador romano Nero “dedilhava” um instrumento musical, enquanto Roma era destruída pelas chamas. Muitos de seus contemporâneos achavam que Nero fora o responsável pelo incêndio.

Quando a cidade foi reconstruída, mediante o uso de altas somas do dinheiro público, Nero se apoderou de uma grande extensão de terra e construiu ali os Palácios Dourados. O incêndio pode ter sido a maneira mais rápida de renovar a paisagem urbana para a obra de Nero.

Para desviar a culpa que recaíra sobre si, o imperador acusou os cristãos de terem dado início ao incêndio. Como resultado, Nero jurou perseguir e matar os cristãos.

A primeira onda da perseguição romana se estendeu de um período pouco posterior ao incêndio de Roma até a morte de Nero, em 68 d.C.

A tirania de Nero o levou a crucificar e queimar vários cristãos e iluminar as estradas romanas com seus corpos usados como tochas!

Outros vestidos com peles de animais, eram destroçados por cães nas arenas. De acordo com a tradição, tanto Pedro como Paulo foram martirizados na perseguição de Nero: Paulo foi decapitado, e Pedro foi crucificado de cabeça para baixo.

Tertuliano, escritor cristão do século lI, disse: “O sangue dos mártires é a semente da igreja”. Afirmação esta que pôde ser constatada ao longo da renhida história que se seguiu; pois para surpresa geral, sempre que surgia uma perseguição, o número de cristãos a ser perseguido era maior. Em sua primeira carta, Pedro encorajou os cristãos a suportar o sofrimento, confiantes na vitória derradeira e no governo divino que seria estabelecido em Cristo (l Pe 5.8-11). Mesmo sob essa severa situação o crescimento da igreja pode ser verificado.

 

 

REFERÊNCIAS
Os 100 Acontecimentos mais importantes da história do Cristianismo.
  1. KENNETH Curtis – J. STEPHEN Lang – RANDY Petersen.

 

Terceira carta, à igreja de Pérgamo (Apocalipse 2:12-17) 

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Terceira carta, à igreja de Pérgamo.jpg12 E ao anjo da igreja que está em Pérgamo escreve:  isto diz aquele que tem a espada aguda de dois fios: 13 Eu sei as tuas obras, e onde habitas, que é onde está o trono de Satanás; e reténs o meu nome e não negaste a minha fé, ainda nos dias de Antipas, minha fiel testemunha, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita. 14Mas umas poucas coisas tenho contra ti, porque tens lá os que seguem a doutrina de Balaão, que ensinava Balaque a lançar tropeços diante dos filhos de Israel para que comessem dos sacrifícios da idolatria e se prostituíssem. 15Assim, tens também os que seguem a doutrina dos nicolaítas, o que eu aborreço. 16Arrepende-te, pois; quando não, em breve virei a ti e contra eles batalharei com a espada da minha boca. 17Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao que vencer darei eu a comer do maná escondido e dar-lhe-ei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe. (Apocalipse 2:12-17).

  1. “E ao anjo da igreja que está em Pérgamo escreve: Isto diz aquele que tem a espada aguda de dois fios”.

 Não há nenhum vestígio no Novo Testamento, sobre quem era o “anjo” (pastor) da igreja de Pérgamo nos dias em que esta carta foi enviada, visto que, o Novo Testamento não cita nominalmente a igreja de Pérgamo, a não ser aquilo que é depreendido do texto em foco. Porém, pela descrição bíblica pensamos ser um cristão pertencente a Igreja Primitiva. Foi ele, sem dúvida, o substituto de “Antipas”, a fiel testemunha de Cristo (v.13).

PÉRGAMO. O nome significa “alto” ou “elevado”.

Situação Geográfica: no pequeno Continente da Ásia Menor. O nome “Pérgamo” estava relacionado a “purgo”, isto é, “torre” ou “castelo”.

Geograficamente, ocupava importante posição, próxima do extremo marítimo do lago Vale do Rio Caico. Para os intérpretes históricos, a palavra “Pérgamo” leva outro sentido, isto é, invés de “torre” ou “castelo”, traduzem a palavra por “casada”. Historicamente, nos fins do primeiro, segundo e terceiro século, especialmente mediante o gnosticismo libertino, e, profeticamente, na época de Constantino, houve uma espécie de “casamento” entre a igreja e o estado. Sua suposta significação de “casada”: segundo se diz, deriva-se disso.

A espada aguda. Para o ambiente carregado e adverso de Pérgamo, este é o traço do auto-retrato de Cristo: “aquele que tem a espada aguda de dois fios”. No original, o vocábulo “espada”, neste versículo, refere-se a um tipo especial de espada, pesada e longa, usada pelos romanos (porque não queriam apenas ferir, queriam matar). Esta espada do versículo em foco é a mesma que vimos no versículo 16 do primeiro capítulo deste livro. A diferença é que, aqui, o artigo definido (a) determina que “a espada”, é a mesma da passagem citada.

Espada na simbologia profética das Escrituras Sagradas, representa castigo ou guerra. Ela distingue vencido de vencedores.

  1. “Eu sei as tuas obras, e onde habitas, que é onde está o trono de Satanás; e reténs o meu nome, e não negaste a minha fé, ainda nos dias de Antipas, minha fiel testemunha, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita”.

 “…O trono de Satanás”. No Apocalipse fala-se muito a respeito de Satanás.

As diversas denominações diabo, caluniador (Ap 2.10; 12.9; 12; 20.2, 10), Satanás, adversário (Ap 2.9, 13; 24; 3.9; 20.2, 7), antiga serpente (Ap 12.9; 20.2), acusador de nossos irmãos (Ap 12.10) definem bem sua obra negativa.

No presente texto, fala-se do seu “trono”. Isto é, lugar onde Satanás exerce autoridade, como se fora rei. “A palavra “trono” (no grego hodierno, “thronos”), é usado no Novo Testamento como sentido de “trono real” (Lc 1.32, 52), ou com o sentido de “tribunal judicial” (cf. Mt 19.28 e Lc 22.30). Também há alusão aos “tronos” de elevados poderes angelicais, ou aos governantes humanos”. A possível referência atribuída ao “trono de Satanás” nesta passagem, pode ser (conforme alguns comentaristas) a COLINA que havia por trás da cidade, com 300 metros de altura, na qual havia muitos templos e altares dedicados com exclusividade à idolatria. Essa colina podia ser um monte ou o “trono de Satanás”, em contraste com o “Monte de Deus” (cf. Is 14.13 e Ez 28.14, 16).

Existe outra possível interpretação sobre o “trono de Satanás”. Vejamos a seguir: “A invasão da cidade de Pérgamo, é atribuída ao monarca Eumenes II (197 d. C.). Foi esse rei (segundo Plínio) criou uma biblioteca em Pérgamo, (cujo nome deriva-se de pergaminho) que chegou a atingir 200.000 volumes, e quem libertou Pérgamo dos invasores bárbaros. Para comemorar, ergueu em honra a Zeus o “altar monumental” com 34 por 37 metros, cujas fundações em ruínas, ainda podem ser vistas hoje. Esse altar pode ser “o trono de Satanás” do presente versículo. ”

Ainda nos dias de Antipas. Nada se sabe de certo acerca desse personagem, exceto aquilo que poderia ser depreendido do texto em foco. As Escrituras não entram em detalhes sobre a biografia desta testemunha do Senhor na cidade de Pérgamo. A palavra grega para “testemunha” no dizer de G. Ladd é “martys”, que mais tarde ficou com a conotação de mártir.

O testemunho mais eficiente do cristão é ser fiel ao seu Senhor até à morte e ao martírio. Antipas foi uma delas! Para aqueles que interpretam o livro do Apocalipse do ponto de vista histórico, acham que o antropônimo “Antipas”, no grego hodierno “Anti-pas”, tratava-se da forma contraída de “Antipater”, que poderia ser traduzido com a forma “Anti-papa”. Assim, o seu nome pode ter sido profético, e significa: “Aquele que se opõe ao Papa”.

Esta linha de pensamento aceita que as letras que formam a palavra “Antipas” tenham esse sentido. Para nós, este ponto de vista, não combina com a tese e argumento principal, a razão é por que Antipas foi morto antes do ano (96 d. C.), e o sistema papal só veio a existir séculos depois. Aceitamos ter sido Antipas um homem de origem Iduméria. Este servo de Deus, uma vez convertido ao cristianismo em Jerusalém, sentido a chamada de Deus, e em razão de ser conhecido pessoal do Apóstolo João, foi servir como bispo na cidade de Pérgamo.

Existiam naquela igreja, segundo o texto divino, duas falsas doutrinas: a de Balaão e a dos nicolaítas.

Antipas como sendo uma testemunha de Cristo, ousou desafiar sozinho e selar seu testemunho com seu próprio sangue opondo-se a este “sistema nocivo”.

Simeão Metafrasta, diz que Antipas, o bispo de Pérgamo, foi colocado dentro de um boi feito de bronze, e a seguir foi aquecido ao rubro. Seu corpo foi literalmente, cozido, na chama abrasadora.

  1. “Mas umas poucas de coisas tenho contra ti; porque tens lá os que seguem a doutrina de Balaão, o qual ensinava Balaque a lançar tropeços diante dos filhos de Israel, par que comessem dos sacrifícios da idolatria, e se prostituíssem”.

 “…A doutrina de Balaão”. Na Epístola de Judas (versículo 11): há referência a três homens caídos do Antigo Testamento: “Caim… Balaão… e Core” (cf. Gênesis capítulos 16, 22, 23, 24). Nos dias neotestamentários seus nomes são tomados como figuras expressivas dos falsos ensinadores que, segundo se diz, entrariam no “seio” da Igreja Cristã (cf. 2 Pd 2.15). No texto em foco, é-nos apresentada: “a doutrina de Balaão”.

As características dos seguidores desta “doutrina” são:

(a) Olho mau: malícia.

(b) Espírito orgulhoso: egoísmo.

(c) Alma sensual: imoralidade.

Em Apocalipse 2.14 encontramos a expressão “doutrina de Balaão”. Por conseguinte, existem; o caminho de Balaão. 2Pd 2.15, o erro de Balaão. 2Pd 2.15a e, ainda o prêmio de Balaão, Judas v. 11.

A doutrina de Balaão, que também se transformou no seu erro, era que, raciocinando segundo a moralidade natural, e assim vendo erro em Israel, ele supôs que Deus, justo que era teria de amaldiçoá-lo.

No tocante, ao “caminho de Balaão”, diz Scofield: “Balaão (Nm capítulos 22 a 24), foi o típico profeta de aluguel, ansioso apenas por mercadejar com o dom de Deus. Este é “o caminho de Balaão” (2 Pd 2.15) ”.

No tocante a “doutrina de Balaão”, continua Dr. C. I. Scofield: “A doutrina de Balaão” era o seu ensino a Balaque, rei dos moabitas no qual ensinava Balaque a corromper o povo Israelita, o qual não podia ser maldito (cf. Nm 22.5; 23.8; 31.16), tentando-o a se casar com mulheres moabitas, contaminando assim seu estado de separação para Deus.

As características dos seguidores de Balaão, são: Se alguém tem olho bom, alma humilde, espírito manso, então é discípulo de Abraão, nosso Pai. Mas se alguém tem olho mau, alma jactanciosa e espírito altivo, é dos discípulos de Balaão.

A se prostituíssem. No grego moderno a palavra (ponêros) cujo significado é (mau, de natureza ou condição má; num sentido ético: mau, ruim, iníquo) descreve bem os de Pérgamo, os quais tinham dificuldade de ser (haplous) (perfeito).

Balaão não só foi profeta mercenário; mas além de tudo lançou dois “tropeços” mortais contra o povo de Deus (cf. v. 14). Um desses tropeços consistia em seu mau “caminho” (o da rebelião), Nm 22.32. O próprio Deus disse dele: “…o teu caminho é perverso diante de mim”.

O segundo tropeço que Balaão pôs diante dos filhos de Israel no deserto foi, o da “prostituição” (cf. Nm capítulo 25). A palavra grega aqui usada, “pornéia”, ela alcança todas as formas de imoralidades, porquanto é usada tanto nos ensinos dos profetas, como dos Apóstolos, e de um modo especial nos ensinos de Jesus, para indicar as “formas” dessa prática de infidelidade contra a santidade e a moral.

  1. “Assim tens também os que seguem a doutrina dos nicolaítas: o que eu aborreço”.

“…doutrina dos nicolaítas”. No versículo 14 deste capítulo, encontramos a “doutrina de Balaão”, aqui agora, a “doutrina dos nicolaítas”. É possível observar que na igreja de Éfeso, o Senhor Jesus aborrecia “as obras dos nicolaítas” (2.6 e ss), aqui na igreja de Pérgamo, ele aborrece a sua “doutrina”.

  1. “Arrepende-te, pois, quando não em breve virei a ti, e contra eles batalharei com a espada da minha boca”.

 “…com a espada da minha boca”. No capítulo 19.19 deste livro, o famoso guerreiro (Jesus) trará também uma poderosa Espada. Ali é dito por João, que ela está afiada. Paulo, o Apóstolo nos dá a interpretação sobre isso dizendo: “A espada é a palavra de Deus” (Ef 6.17), e em (2Ts 2.8), ela é chamada, exatamente: “o assopro da sua boca”.

  1. “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito dz às igrejas: Ao que vencer darei eu a comer do maná escondido, e dar-lhe-ei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe”.

 “…comer do maná escondido”. Os gnósticos ofereciam “vantagens abertas”, mediante suas práticas imorais, seus prazeres e a satisfação da parte carnal do homem. Cristo oferece-nos aquilo que está oculto a maioria dos homens: o maná escondido! Para a igreja de Pérgamo o Senhor faz, ao vencedor, uma tríplice promessa: comer do maná escondido, receber uma pedra branca, e um novo nome. O “maná” era um tipo de Cristo, o pão da vida (Jo 6.48), ele caía no deserto, mas não era do deserto (Êx 16.35); Cristo, estava no mundo, mas não era do mundo (Jo 17.16).

Uma pedra branca. Sobre esta “pedra branca” do texto em foco, há muitas opiniões e formas de interpretações:

(a) Conferia-se a pedra branca a um homem que sofrera processo e fora absolvido, o qual como prova de sua absolvição levava, então, consigo a pedra branca para provar que não cometera o crime que se lhe imputara. “Assim, a “pedrinha branca” alude a uma antiga prática judicial da época de João: quando o juiz condenava a alguém, dava-lhe uma pedrinha preta, com o termo da sentença nela escrito; e, quando impronunciava alguém, dava-lhe uma pedrinha branca, com o termo da justificação nela inscrito”.

É evidente que que os cristãos de Pérgamo compreendiam muito bem a aplicação em foco, e as que se seguem.

(b) Era também concedida ao escravo liberto e que agora se tornara cidadão da província. Levava a pedra consigo para provar diante dos anciãos sua cidadania.

(c) Era conferida também a vencedor de corridas e de lutas, como prova de haver vencido seu opositor. Sempre que este competidor conseguia ouvia-se dizer: “correu de tal maneira que o alcançou” (cf. 1Co 9.24b). Isto podia significar tanto uma “coroa de louro” ou uma pedrinha branca”.

(d) A pedra da amizade: Dois amigos poderiam, como sinal de amizade, partir uma pedra branca pelo meio, e cada um ficava com a metade. Ao se encontrarem, a pedra era refeita, e a amizade continuaria.

(e) Também era conferida ao guerreiro, quando de volta da batalha e da vitória sobre o inimigo. Esta forma de interpretar o texto, se coaduna bem a tese principal. Nesta passagem, a pedra branca será entregue ao “Vencedor” do inimigo de Deus e dos homens: o diabo (12.11).

Um novo nome. O nome em toda a extensão das Escrituras tem profundo significado. Ele exprime a realidade profunda do ser que o carrega. Por isso a criação só está completa no momento em que lhe é colocado o nome (cf. Gn 2.19).

O nome pessoal de Deus é YHWH, que significa, “Eu sou”, exprime sua realidade de Ser eternamente (Êx 3.13 e ss).

Eliminar o nome é suprimir a existência (cf. 1Sm 24.22; 2Rs 14.27; Jó 18.17; Sl 83.5; Is 14.22; Sf 1). Do ponto de vista divino, o nome de Deus é o nome por excelência, (Zc 14.9). No presente texto, a promessa de um novo nome é reafirmada, no capítulo 3.12 deste livro. Esse nome que a Igreja receberá da parte de Cristo, é sem dúvida, “um nome social”. Isto, se dará, provavelmente, logo após a celebração das bodas do Cordeiro.

Esse nome conferirá à Noiva a condição de “esposa, mulher do Cordeiro” (cf. Is 56.5; Jr 15.16; Ap 2.17; 3.12; 19.12).

Não deve ser “Hephzibah” (meu regozijo está nela); nem “Beulah” (casada), (Is 62.4) pois esse nome é de Sião.

Só uma coisa é certa: esse novo nome é uma grande bênção de Deus! (Gn 12.2 e 17.5).

 

PORQUE JESUS FOI BATIZADO?

Porque Jesus foi batizadoClique na imagem e veja o vídeo.

1 E, naqueles dias, apareceu João o Batista pregando no deserto da Judéia, 2 E dizendo: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus. 3 Porque este é o anunciado pelo profeta Isaías, que disse: Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, Endireitai as suas veredas. 4 E este João tinha as suas vestes de pelos de camelo, e um cinto de couro em torno de seus lombos; e alimentava-se de gafanhotos e de mel silvestre. 5 Então ia ter com ele Jerusalém, e toda a Judéia, e toda a província adjacente ao Jordão; 6 E eram por ele batizados no rio Jordão, confessando os seus pecados. 7 E, vendo ele muitos dos fariseus e dos saduceus, que vinham ao seu batismo, dizia-lhes: Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira futura? 8 Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento; 9 E não presumais, de vós mesmos, dizendo: Temos por pai a Abraão; porque eu vos digo que, mesmo destas pedras, Deus pode suscitar filhos a Abraão. 10 E também agora está posto o machado à raiz das árvores; toda a árvore, pois, que não produz bom fruto, é cortada e lançada no fogo. 11 E eu, em verdade, vos batizo com água, para o arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; cujas alparcas não sou digno de levar; ele vos batizará com o Espírito Santo, e com fogo. 12 Em sua mão tem a pá, e limpará a sua eira, e recolherá no celeiro o seu trigo, e queimará a palha com fogo que nunca se apagará. 13 Então veio Jesus da Galileia ter com João, junto do Jordão, para ser batizado por ele. 14 Mas João opunha-se-lhe, dizendo: Eu careço de ser batizado por ti, e vens tu a mim? 15 Jesus, porém, respondendo, disse-lhe: Deixa por agora, porque assim nos convém cumprir toda a justiça. Então ele o permitiu. 16 E, sendo Jesus batizado, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba e vindo sobre ele. 17 E eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo. (Mateus 3, 1 – 17).

Porque Jesus foi batizado?

  • Para cumprir toda a justiça
  • Para ser Manifestado a Israel como o Messias
  • Para gabaritar o trabalho missionário de João Batista.

 

O Batismo de Jesus autorizaria o trabalho missionário de João Batista.

Ao se batizar Jesus estaria antecipando (por assim dizer) o fato de que ele tomaria nosso lugar (seria contado com os pecadores – Isaías 53:12), e se faria pecado por nós, para que nós fossemos feitos JUSTIÇA DE DEUS.

“Pelo que lhe darei a parte de muitos, e, com os poderosos, repartirá ele o despojo; porquanto derramou a sua alma na morte e foi contado com os transgressores; mas ele levou sobre si o pecado de muitos e pelos transgressores intercede” (Isaías 53:12 (ARC95).

“Para cumprir toda a justiça”

  1. “O Salário do pecado é a morte” – “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor. ” (Romanos 6:23).

Portanto é justo que o pecador representado em Cristo morresse (mesmo que em figura pelo batismo) já que Jesus não tinha pecado!

  1. Como homem era justo que Jesus desse o Exemplo, batizando-se.
  2. É justo reconhecer Deus como Santo e nós como pecadores (está foi a mensagem de Jesus ao se batizar).

 

Notas:

Após o batismo nas águas o Espírito Santo veio sobre Jesus.

Após o batismo nas águas Deus se referiu a Cristo como filho.