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Pastor Luiz Antonio de Oliveira - É missiólogo, preletor, pregador, professor de teologia no SEMINÁRIO IDE & ENSINAI e Pastor há mais de 20 anos. Colou grau de bacharel pela faculdade de teologia Filadélfia em 2007, é mestre em teologia (com especialização em MISSIOLOGIA) pela mesma faculdade em 2012, Colou grau de bacharel (MEC) 2016.

O que é Ateísmo, Agnosticismo e Apateísmo?

Apateista webO Ateísmo é a descrença na existência de Deus ou divindades. O ateísmo é oposto ao teísmo[1], que é a crença de que existe ao menos uma divindade de caráter pessoal e transcendente, soberano do universo e em intercâmbio com a criatura humana.

O termo ateísmo, vem do grego clássico ἄθεος (transl.: a-theos), que significa “sem Deus”. No passado esse termo foi aplicado com uma conotação negativa àqueles que rejeitavam os deuses adorados pela maioria da sociedade.

Os primeiros indivíduos a identificarem-se como “ateus” surgiram no século XVIII. Os ateus são céticos em relação a afirmações sobrenaturais e dizem não haver evidências empíricas[2] que provem sua existência.

 Agnosticismo

A palavra “agnóstico” vem do grego: a-gnostos, ou seja, não-conhecimento, aquele que não conhece. Para um agnóstico, a razão humana é incapaz de prover fundamentos racionais suficientes para justificar tanto a afirmação de que uma divindade existe quanto a afirmação de que uma divindade não existe. (Thomas Henry Huxley, um biólogo inglês, cunhou a palavra “agnóstico”, em 1869).

Apateísmo (a-pathós/não sentimento) é a total apatia ou indiferença em relação à existência de Deus ou deuses. O Apateísmo não caracteriza uma opinião religiosa, mas uma abstenção do debate religioso e da preocupação religiosa. Em outras palavras, um apateísta é alguém que não considera a questão da existência ou inexistência de Deus significativa nem relevante para a sua vida.

O apateísta entende que todos os debates já realizados sobre Deus na história da humanidade não conseguiram provar a existência ou inexistência de Deus ou deuses. Assim apateísta conclui que, ainda que exista uma divindade, ela não parece se manifestar no destino dos seres humanos, o que torna o assunto desinteressante.

 

[1] Teísmo – doutrina comum a religiões monoteístas e sistemas filosóficos freq. inclinados ao fideísmo, caracterizada por afirmar a existência de um único Deus, de caráter pessoal e transcendente, soberano do universo e em intercâmbio com a criatura humana.

[2] Empírico é um fato que se apoia somente em experiências vividas, na observação de coisas, e não em teorias e métodos científicos. Empírico é aquele conhecimento adquirido durante toda a vida, no dia-a-dia, que não tem comprovação científica nenhuma.

 

Ateus famosos de todos os tempos

Charles Darwin (1809-1882), naturalista

Arthur Schopenhauer (1788-1860), filósofo

Denis Diderot (1713-1784), filósofo

Leonardo da Vinci (1452-1519), pintor, escultor, gênio

Daniel Radcliffe (1989), ator

Angelina Jolie (1975), atriz

Brad Pitti (1963), ator

Diogo Mainardi (1962), jornalista

Jodie Foster (1962), atriz

Cássia Eller (1962-2001), cantora

Demócrito (cerca de 460 AEC – 370 AEC)

Ivan Petrovich Pavlov (1849-1936)

Matthew Groening (1954), criador dos Simpsons

James Cameron (1954), cineasta

Ricardo Boechat (1952), jornalista

Christopher Reeve (1952-2004), ator

Juca Kfouri (1950), jornalista

Stephen Wozniak (1950), co-fundador da Apple

Antônio Fagundes (1949), ator

Stephen King (1947), escritor

David Bowie (1947), músico

David Gilmour (1946), vocalista do Pink Floyd

Chico Buarque (1944), compositor e cantor

Drauzio Varella (1943), médico

Mick Jagger (1943), músico

Stephen Hawking (1942-2018), físico

Caetano Veloso (1942), compositor e cantor

Richard Dawkins (1941), biólogo

Arnaldo Jabor (1940), cineasta e jornalista

John Lennon (1940-1980), músico, compositor

Bruce Lee (1940-1973), ator

Morgan Freeman (1937), ator

Jack Nicholson (1937), ator

Luiz Fernando Veríssimo (1936), escritor

Woody Allen (1935), cineasta

Ivan Lessa (1935-2012), jornalista e cronista

Carl Sagan (1934-1996), cientista, astrônomo

Iuri Gagarin (1934-1968), cosmonauta

Omar Sharif (1932-2015), ator

Mikhail Gorbachev ou Gorbatchev (1931), político

Chico Anysio (1931), humorista.

Lima Duarte (1930), ator

Ferreira Gullar (1930), poeta

Walmor Chagas (1930-2013), ator

Paulo Francis (1930-1997), jornalista

Che Guevara (1928-1967), revolucionário

Hugh Hefner (1926-2017), fundador da Playboy

Fidel Castro (1926-2016), ditador

Michel Foucault (1926-1984), filósofo

Marlon Brando (1924-2004), ator

Mário Soares (1924-2017), político português

José Saramago (1922-2010), escritor

Charles Schulz (1922-2000), cartunista

Darcy Ribeiro (1922-1997), antropólogo

Paulo Autran (1922-2007), ator

Edgar Morin (1921), antropólogo e filósofo

João Cabral de Melo Neto (1920-1999), poeta

Isaac Asimov (1920-1992), escritor

Richard Feynman (1918-1988), físico

Dercy Gonçalves (1917-2008), atriz

Arthur Clarke (1917-2008), escritor

Arthur Miller (1915-2005), dramaturgo

Vinícius de Moraes (1913-1980), poeta

Albert Camus (1913-1960)

Jorge Amado (1912-2001), escritor

Mário Lago (1911-2002), ator

Jacques Monod (1910-1976), biologista francês

Oscar Niemeyer (1907-2012), arquiteto

Jean-Paul Sartre (1905-1980)

Cândido Portinari (1903-1962), artista plástico

George Orwell (1903-1950), escritor

Carlos Drummond de Andrade  (1902-1987), escritor

Graciliano Ramos (1892-1953), escritor

Oswald de Andrade (1890-1954), escritor

Luis Carlos Prestes (1898-1990), político

Diego Rivera (1886-1957), pintor

Charlie Chaplin (1889-1977), ator, comediante

Pablo Picasso (1881-1973), pintor, escultor

Vladimir Lenin (1870-1924), revolucionário russo

Mao Tsé-Tung (1893-1976), político

Friedrich Nietzsche (1844-1900)

James Joyce (1882-1941), escritor

Álvares de Azevedo (1831-1852), poeta

Augusto dos Anjos (1884-1914), poeta

Monteiro Lobato (1882-1948), escritor

Bertrand Russell (1872-1970), filósofo e matemático

Richard Strauss (1864-1949), músico, compositor

George Shaw (1856-1950), escritor

Sigmund Freud (1856-1939), criador da psicanálise

Clarence Darrow (1857-1938), advogado americano

Thomas Edison (1847-1931), inventor, cientista

Andrew Carnegie (1835-1910), empresário

Friedrich Müller (1822-1897), naturalista

Friedrich Engels (1820-1895), filósofo

Karl Marx (1818-1883), filósofo

Charles Dickens (1812-1870), escritor

Miguel Nicolelis (1961), cientista

George Clooney (1961), ator

Julianne Moore (1960), atriz

Sean Penn (1960), ator

Antonio Banderas (1960), ator

Uma Thurman (1970), atriz

Hugh Laurie (1959), ator

Bill Maher (1956), comediante

Bill Gates (1955), empresário

Walter Willis (1955), ator

Sam Simon (1955-2015) – co-criador dos Simpsons

Theodorus (nasceu cerca de 300 AEC)

 

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Beda, o Venerável, conclui sua História eclesiástica da Inglaterra 731 D.C. – Grandes acontecimentos que marcaram a história do Cristianismo. (Comentário de Pastor Luiz Antonio).

Beda O Venerável WebO nome “Beda” em língua saxônica significa “oração”. Beda é considerado “o pai da erudição inglesa”. Nasceu em 672 de uma modesta família operária de Newcastle, recebeu formação de monge nos mosteiros de São Pedro, em Monkwearmouth, e de São Paulo, em Jarrow, no nordeste da Inglaterra, uma região que, na época, era parte do Reino da Nortúmbria, neste último foi ordenado padre aos 22 anos. Morreu com 63 anos na abadia de Jarrow, na Inglaterra, após ter ditado a última página de um de seus livros e ter recitado o “Glória ao Pai”. Era a véspera da Ascensão, 25 de maio de 735. “Vivi bastante, disse ele, ao sentir que a morte se aproximava, e Deus usou bem a minha vida”. Ele próprio declara as maiores satisfações de sua vida em três verbos: aprender, ensinar, escrever. Beda, conhecido também como Venerável Beda (em latim: Bēda Venerābilis). É famoso principalmente por sua obra-prima, “A História Eclesiástica do Povo Inglês”, um trabalho que lhe rendeu o título de “Pai da História Inglesa”. Em 1899, Beda recebeu o título de “Doutor da Igreja” pelo papa Leão XIII, um dos mais importantes títulos teológicos da Igreja Católica, e até hoje Beda é o único nativo da Grã-Bretanha a alcançar esta posição. Agostinho de Cantuária, também foi um Doutor da Igreja, mas era nativo da Itália. Beda era um habilidoso linguista e tradutor e suas obras ajudaram a tornar os textos dos primeiros Padres da Igreja escritos em latim e em grego mais acessíveis para os anglo-saxões, contribuindo assim com o desenvolvimento do cristianismo inglês. O mosteiro de Beda dispunha de uma grande biblioteca que incluía, entre outras, obras de Eusébio e Orósio.

Em uma época não destacada por sua erudição, Beda se sobressai como guia. O fato de ele ter sido chamado de “Venerável” testifica o grande conhecimento e a estima que desfrutava.

Embora a confusão política tivesse destruído muito da cultura, os mosteiros permaneciam como centros medievais de educação. Naqueles locais, se aprendia literatura, os amanuenses copiavam manuscritos antigos e homens estudiosos como Beda se dedicavam aos textos.

Os monges preservaram viva a sabedoria da Grécia e de Roma, com as obras dos pais da Igreja. A vida caminhava a passos lentos nas dependências dos monastérios.

Além de ter sido um dos mais brilhantes pesquisadores de sua era, Beda também foi muito devoto. Em uma autobiografia bastante breve, ele narra seu nascimento nas vizinhanças dos mosteiros de Wearmouth e Jarrow, no norte da Inglaterra, no ano de 635. Aos sete anos, ele passou a ser tutelado pelo abade daquela região e viveu o restante de sua vida no mosteiro, jamais se aventurando fora de seus limites.

Embora a idade mínima comum para a ordenação ao diaconato fosse de 25 anos, Beda recebeu essa ordem aos 19, sem dúvida recomendado por sua demonstração de amor e afeto pela obra da Igreja. Aos 30 anos, tornou-se sacerdote e passou o restante da sua vida escrevendo comentários bíblicos e outra obras ligadas à religião. Sua biografia parece mais um catálogo de seus livros que um relato de seus feitos.

A grande contribuição de Beda à Igreja foi sua obra “História eclesiástica da Inglaterra”, que abrangia a história da Inglaterra desde os dias de Júlio César até os dias de Beda. Embora fosse, em muitos aspectos, uma história de propósito geral, o foco principal do livro era a cristianização da Inglaterra e a maneira pela qual o paganismo gradualmente dera lugar à nova religião.

O livro de Beda estava repleto de histórias de missionários valorosos e de chefes tribais e pagãos que finalmente viram a luz da verdade. Preocupado com a verdade histórica, Beda cita cuidadosamente suas fontes ao suas histórias.

Beda não tinha dificuldades para acreditar em milagres, mas tomava o cuidado de registrar somente os que fossem verdadeiros, afastando-se das lendas de fundo puramente religioso.

Histórias como as de Júlio César e Cláudio, do papa Gregório, do missionário Agostinho, a invasão das tribos dos anglos, dos saxões e dos jutos, povoam suas páginas. Por intermédio de seus escritos conhecemos histórias como a de Gregório, o Grande, que, ao ver meninos escravos de cabelos claros à venda em Roma, ficou tão tocado por sua beleza que nunca se esqueceu de seu desejo de evangelizar sua terra natal.

Lemos também sobre o rei pagão Edwin, cujo conselheiro contou uma parábola comparando a vida a um pardal voando em um enorme refeitório e saindo rumo à escuridão. Ele, portanto, aconselhou o rei a se converter ao cristianismo, uma vez que o cristianismo dava alguma esperança de vida além do “vôo breve sobre a sala de banquete”.

A História de Beda contém algumas passagens singulares como esta:

“Nenhuma cobra pode existir ali [na Irlanda], pois apesar de serem, com frequência, trazidas da Bretanha, tão logo o navio se aproxima da terra, elas respiram o perfume de seu ar e morrem. Na verdade, quase todas as coisas desta ilha concedem imunidade ao veneno”.

Os historiadores seculares constatam do cuidado de Beda como relator, pois continuam a observar que seus fatos estão corretos em praticamente todos os detalhes.

Antes de “História eclesiástica da Inglaterra”, as várias tribos inglesas tinham suas histórias, principalmente na forma de poesia pagã, as quais eram muitas vezes recitadas por bardos.

Mas Beda apresenta a história da Inglaterra pelas lentes do cristianismo, mostrando que um grupo de diversas tribos se transformou em uma nação com uma única religião.

poster-780Em vez de destemidos heróis guerreiros como Beowulf, os heróis de Beda são santos, pessoas que dependem da graça de Deus. Com todos os outros historiadores medievais, ele deu à história um novo arcabouço: ela precisava ser a mais exata possível, mas também inspiradora.

Sem Beda, muitas dessas histórias teriam desaparecido com o passar dos tempos. A Inglaterra pode agradecer a esse “Venerável monge” o fato de ter consciência de sua identidade como nação e de seu lugar como país cristão.

Bonifácio parte para ser missionário 716 D.C. – Grandes acontecimentos que marcaram a história do Cristianismo. (Comentário de Pastor Luiz Antonio).

Bonifácio parte para ser missionárioBonifácio (em latim: Bonifacius – “aquele que faz o bem”. Nasceu em Credtion, em Devonshire, em 672 de uma família abastada; estudou teologia nos mosteiros beneditinos de Adescancastre, perto de Exeter, e de Nursling, entre Winchester e Southampton, tendo por mestre neste último o abade Winbert. Aos sete anos entrou no mosteiro de Betlex, sentindo depois claramente que sua vocação era converter os povos pagãos. Dedicou-se especialmente a evangelizar os anglo-saxões da Germânia, sendo encarregado disto pelo Papa Gregório II. Acabou por si mesmo se tornando professor no mosteiro e foi ordenado padre aos trinta anos. Auxiliou Carlos Martelo na reforma da Igreja da França e convocou concílios para reprimir a simonia. Seu nome verdadeiro era Winfrid com o mesmo significado em anglo-saxão. Por seu trabalho missionário juno a esses povos foi  cognominado Apóstolo dos Germanos. Bonifácio foi o responsável pela escritura da primeira gramática de latim produzida na Inglaterra. Foi martirizado em Docom (Frísia). Seu corpo repousa em Fulda (Hesse), onde é objeto de veneração de toda a Alemanha católica, da qual ele é patrono”.

Semelhante a Elias no monte Carmelo, Bonifácio, o missionário saxão da Inglaterra, posicionou-se contra o paganismo profundamente enraizado no coração da Alemanha de sua época. Ele tinha um machado e diante dele estava a enorme Arvore do Trovão [um carvalho], um marco local que os pagãos diziam ser consagrado a Donar o deus do trovão.Donar

Esta divindade era tão proeminente que até mesmo alguns dos que haviam se convertido ao cristianismo, por meio da pregação de Bonifácio, adoravam-na secretamente diante de sua árvore sagrada.

Bonifácio denunciou aquela adoração falsa de maneira audaciosa. Como representante do verdadeiro Deus dos cristãos, destruiu o santuário de Donar  com seu machado e derrubou a Arvore do Trovão. Assim diz a lenda. Se os detalhes são verdadeiros ou não, mesmo assim eles retratam de maneira justa a audácia de Bonifácio, sua fé e seu incansável desafio às falsas religiões.

Nascido de pais cristãos em Wessex, foi instruído em um mosteiro beneditino e ordenado aos trinta anos de idade. Possuía grande capacidade de aprendizado e liderança. Poderia ter ficado na Inglaterra, estudando, ensinando e talvez até mesmo dirigindo um mosteiro. Porém, seu coração queimava por outros que ainda não faziam parte do aprisco cristão. Milhares de compatriotas saxões nos Países Baixos e na Alemanha precisavam ouvir o Evangelho.

Em 716, Winfrid parte para a Frísia, onde missionários ingleses já haviam trabalhado por várias décadas. Radbod o rei da Frísia, se opunha ao cristianismo e a pressão imposta pelo rei foi grande demais, e Winfrid voltou à Inglaterra após fracassar em sua primeira missão.

Seus colegas beneditinos pediram que servisse como abade de seu mosteiro. Depois daquela angustiante experiência na Frísia, ele se sentiu inclinado a aceitar o convite. Contudo, a visão de Winfrid ainda estava voltada para fora do mosteiro. Viajou para Roma em 718 e ali recebeu um comissionamento missionário por parte do papa Gregório II. Ele deveria ir mais longe no continente, passar além do Reno, estabelecendo a igreja romana entre os povos germânicos.

A maior parte da Alemanha já havia sido exposta ao cristianismo de uma maneira ou de outra, mas não existia nenhuma igreja forte ali. No século IV, as tribos germânicas se apegaram ao arianismo e o misturaram às suas superstições. Algum tempo depois disso, os missionários celtas fizeram alguns convertidos, que não deram continuidade à missão, no sentido de organizar uma igreja naquele lugar. O papa estava ansioso para que a igreja estabelecesse sua presença ali. Winfrid foi primeiro à Turíngia para reavivar uma igreja ali enfraquecida. A seguir, ouvindo que Radbod rei da Frísia morrera, retornou àquela região.

A autorização papal pode ter dado a Winfrid maior autoridade sobre os governadores locais, o que o encorajou a trabalhar ali por três anos e depois se mudou para o sudeste, seguindo para Hesse.

Voltou a Roma em 723 e foi consagrado bispo, quando recebeu o nome de Bonifácio. A ele também foi dada uma carta de apresentação para ser levada a Carlos Martelo, rei dos francos. A bravura de Carlos, como militar, era muito conhecida (mais tarde, ele expulsaria os muçulmanos da cidade de Tours). Sua assistência foi um grande apoio para Bonifácio.

Voltando para Hesse, Bonifácio continuou seus esforços para eliminar o paganismo e construir a igreja. Foi nessa ocasião que ele, como se supõe, derrubou a árvore sagrada de Donar o deus do trovão. Talvez, o que impediu que os cidadãos atacassem Bonifácio quando da derrubada da árevore sagrada tenha sido o temor a Carlos Martelo. Seja como for, o final da lenda é que o cristianismo se tornou a nova força de fé na Alemanha, pois se os deuses germânicos não podiam sequer manter uma árvore em pé, então havia pouco, ou nada a oferecer se fossem comparados ao Deus de Bonifácio.

Bonifácio atraiu vários missionários da Inglaterra, monges e freiras que estavam ansiosos para trabalhar ao lado dele. Com a ajuda deles, Bonifácio estabeleceu uma vigorosa organização eclesiástica por toda a região.

Ironicamente, seu protetor, Carlos Martelo, frustrava suas tentativas de reforma da igreja entre os francos. Carlos manteve a igreja naquele local sob seu controle, apoderando-se de suas terras e vendendo propriedades da igreja.

Somente depois de sua morte, em 741, é que Bonifácio pôde assumir a igreja franca.

Em 747, Bonifácio viajou mais uma vez para Roma, onde foi nomeado arcebispo de Mainz e líder espiritual de toda a Alemanha. Contudo, como ele já passava dos setenta anos, estava ansioso para concluir alguns empreendimentos missionários ainda em aberto.

Depois de renunciar a seu arcebispado em 753, voltou para a Frísia, onde novamente começou seu trabalho missionário, acompanhavam-no uns cinquenta monges. Ali, chamou de volta alguns de seus primeiros convertidos que haviam voltado ao paganismo e mudou-se mais uma vez, indo agora para regiões não alcançadas.

No domingo de Pentecoste de 755, em Dackum, perto do rio Borne, ele planejou um culto ao ar livre que serviria para uma pregação e para a confirmação de novos crentes.

Era o dia de Pentecostes. Enquanto estava ao lado do rio, preparando-se para o culto, um grupo de arruaceiros Frisões caminhou na direção de Bonifácio.

Várias pessoas se prepararam para lutar contra os baderneiros e expulsá-los de lá, mas Bonifácio gritou: “Meus filhos, parem com esse conflito, não tenham medo dos que matam o corpo, mas que não podem matar a alma. Recebam com firmeza este momentâneo sopro de morte para que vocês vivam e reinem com Cristo para sempre”. Quando a espada de um infiel estava para atingir seu corpo, ele tentou rebater com o Evangelho, mas o adversário o venceu e cortou-lhe a cabeça. Diz-se que ele morreu com os evangelhos nas mãos.

Devido ao trabalho missionário de Bonifácio, a Alemanha foi uma fortaleza da igreja romana até a época da Reforma.

Não se pode questionar a devoção pessoal de Bonifácio, sua coragem e seu serviço fiel.

O historiador Kenneth Scott Latourette disse: “Poucos missionários cristãos apresentaram por meio de sua conduta, de maneira tão precisa quanto Bonifácio, os ideais da fé que tentavam propagar”.

Ele era humilde, a despeito das tentações que vieram com as altas posições eclesiásticas; sempre se colocou muito acima dos rumores do escândalo; foi um homem de oração e que tinha autoconfiança; assim como era corajoso, abnegado e apaixonado pela justiça. Bonifácio foi um dos maiores exemplos de vida cristã.

O Sínodo de Whitby 664 D.C. – Grandes acontecimentos que marcaram a história do Cristianismo. (Comentário de Pastor Luiz Antonio).

O Sínodo de Whitby marca a história do cristianismo pelo fato de ter sido uma importante reunião de monges cristãos irlandeses e romanos, juntamente com as autoridades políticas realizada na cidade de Whitby, então capital do reino de Northumbria, no ano 664 . Nesse sínodo definiu-se a direção religiosa a ser tomada no conflito entre o cristianismo dos monges irlandeses e o dos romanos. Co

O sínodo de Whitby Web

mo consequência o Sínodo de Whitby marcou a derrota da igreja modelo organizacional irlandesa e afirmou o sistema da igreja romana baseada não em monastérios mas em bispados territorialmente organizados com uma hierarquia rígida. Mesmo diante da escolha pelo sistema religioso romano, a atividade missionária irlandesa continuou pelos séculos seguintes.

Havia dois cristianismos na Inglaterra. Um era o cristianismo celta[1], fortemente monástico, contemplativo e voltado às missões. O outro era romano, bem organizado e firmemente ligado ao restante da cristandade.

O trabalho missionário de Columba em lona resultou no surgimento de uma expansiva comunidade de cristãos de estilo celta, que evangelizaram de maneira agressiva os anglos e os saxões. Pouco antes da morte de Columba vai à Escócia como missionárioColumba, o papa Gregório enviou Agostinho e cerca de trinta outros monges para a Inglaterra a fim de evangelizar e fazer com que a igreja celta se conformasse com a igreja de Roma.

O sucesso obtido por Agostinho foi moderado e se concentrou especialmente em Kent e Essex. Em 627, Paulino de York estabeleceu a igreja romana na Nortúmbria, mas seus esforços logo fracassaram, quando um rei pagão chegou ao poder.

As duas tradições (Celta e Romana) não eram muito diferentes entre si. A maior distinção entre elas era a data na qual celebravam a Páscoa, e o fato de seus monges rasparem a cabeça de maneira diferente bem como algumas poucas divergências cerimoniais, não fundamentais.

Em 664, o assunto da divergência (Celta/Romana) foi levantado por Oswy, o novo rei da Nortúmbria, em uma reunião de cúpula pele fato de ele seguir a tradição celta, enquanto sua esposa era da tradição romana. Desse modo, ele estaria celebrando a Páscoa enquanto a rainha estaria jejuando na Quaresma, e isso simplesmente não daria certo. Então ele convocou uma assembleia na região de Whitby, onde a abadessa Hilda dirigia um mosteiro.

Nesse sínodo o rei ouviu os argumentos de Cedd e Colman, pelo lado celta, e de Wilfrid e Tiago, o Diácono, pelo lado romano. Todos esses homens eram cristãos devotos. Cedd, que defendia o lado celta era abade, já fundara vários mosteiros. Colman e Wilfrid foram bispos. Wilfrid já servira até mesmo como missionário na Frísia. Tiago levara adiante a obra de Paulino na Nortúmbria durante os momentos mais difíceis.

Todos tinham ótimas credenciais, discordavam, porém, com relação à Páscoa. Os líderes celtas reivindicavam a tradição de Columba, enquanto os líderes romanos citavam o Apóstolo Pedro.

Após ouvir os argumentos, o rei anunciou que seguiria a Pedro, uma vez que ele era o guardador das chaves do céu, e o ponto de vista romano prevaleceu.

Alguns historiadores argumentam que mais tarde essa decisão provou ser a mais sábia. Mesmo com a opção pelo sistema eclesiástico romano, a igreja inglesa alcançou o melhor dos dois mundos. O espírito evangelístico celta ainda estava bastante vivo, o que era bom, mas precisava da organização romana para se firmar.

Outros lamentaram porque a opção pelo sistema romano causou a perda da oportunidade de se ter uma importante tradição cristã separada e saudável como era o caso da comunidade Celta.

Logo após o Sínodo de Whitby, uma praga se abateu sobre a Inglaterra, nessa época o arcebispo de Cantuária morreu e por cinco anos, a igreja passou por dificuldades em razão de não ter liderança.

Então, Teodoro de Tarso chegou à região para assumir a posição. Agindo de maneira sábia, ele fortaleceu a liderança da igreja, indicando bispos e sacerdotes tanto da tradição celta quanto da romana e os estilos romano e celta se complementavam mutuamente mostrando a interdependência dessas duas tradições.

[1] Cristianismo céltico ou cristianismo irlandês (às vezes denominado Igreja Céltica ou Igreja Celta) refere-se ao cristianismo praticado na Idade Média e que se desenvolveu ao redor do Mar da Irlanda nos séculos V e VI entre povos celtas/britânicos tais como irlandeses, escoceses, galeses, córnicos e os habitantes da Ilha de Man, fruto do trabalho missionário de Columba. Por extensão, pode referir-se às redes monásticas fundadas como instituições-satélite de comunidades célticas da Escócia e da Europa Continental, especialmente da Gália (França). Neste sentido, cristianismo céltico (ou insular) pode ser distinguido por certas tradições únicas (especialmente em questões de liturgia e ritual) que eram diferentes daquelas do grande mundo romano. A expressão “cristianismo céltico” é por vezes estendida para além do século VII para descrever práticas cristãs posteriores nestas áreas; todavia, por conta da história das igrejas irlandesas, galesas, escocesas, bretãs e córnicas, que divergem significativamente após o século VIII (resultando numa grande diferença mesmo entre tradições irlandesas rivais), os historiadores geralmente evitam o uso da expressão neste contexto. Alguns historiadores não utilizam a expressão “Igreja Céltica”, visto que consideram que a expressão implica o sentido de que houve uma entidade unificada e identificável separada da grande Cristandade Latina.

Nota

Agostinho de Hipona, Agostinho de Cantuária. Nomes idênticos, porém, atuações e tempo de vida diferentes! Os codinomes fazendo referência ao local onde viveram falam de suas diferenças.

O mais conhecido é Santo Agostinho de Hipona. A história de sua conversão, a insistência de sua mãe pedindo a Deus pelo filho, marcam Santo Agostinho e Santa Mônica sua Mãe como exemplos de vida cristã.

A Conversão de Agostinho Web
Clique na imagem e assista ao vídeo!

Agostinho de Hipona,

Agostinho de Hipona, Bispo da Igreja, Filósofo. Sua personalidade é conhecida no mundo inteiro sendo importante teólogo e filosofo. As faculdades de Filosofia e Teologia estudam muito seus escritos. Antes da conversão viveu uma vida distanciada de Deus, teve um filho chamado Adeodato, e nos deixou uma obra chamada Confissões que é um itinerário da Fé. Além do outro livro De Civitate Dei. Faleceu em 28 de agosto de 430 d.C. em Hipona.

Agostinho de Cantuária

Agostinho de Cantuária foi monge beneditino levou o cristianismo para a Inglaterra. Considerado apostolo da Inglaterra e fundador da Igreja naquele lugar. Foi o primeiro Bispo de Cantuária, no ano de 597 d.C. Embora seja Romano de nascimento faleceu em 26 de maio de 604 d.C., em Cantuária, Reino Unido, sua segunda pátria onde viveu anos de evangelização.

 

Lista sucessória dos Papas, chefes da Igreja Católica Apostólica Romana.

outros-papasEsta é uma lista sucessória dos Papas, chefes da Igreja Católica Apostólica Romana, com indicação dos seus anos de pontificado. Os antipapas estão incluídos ao final desta lista.

Não existe uma lista oficial de papas, mas o Anuário Pontifício, publicado pelo Vaticano, contém uma lista que é geralmente considerada a mais correta. Em 2001 foi feito um estudo rigoroso pela Igreja Católica sobre a história do papado.

Nunca houve um “Papa João XX”, nem um Papa Martinho II ou III (ainda que sejam assim designados por vezes os Papas Marinho I e II). Para a numeração dos papas com nome Estêvão, consulte Papa Estêvão. A numeração dos papas de nome “Félix” foi posteriormente corrigida para omitir o Antipapa Félix II. No entanto, a maioria das listas ainda nomeiam os últimos dois papas de nome Félix como Félix III e Félix IV. Adicionalmente, ainda houve um Antipapa Félix V.

Os nomes mais frequentes são “João” (23 vezes, o último foi São João XXIII), “Bento” (16 vezes, o último foi Bento XVI), “Gregório” (16 vezes, o último foi Gregório XVI), “Clemente” (14 vezes, o último foi Clemente XIV), “Inocêncio” (13 vezes, o último foi Inocêncio XIII) e “Leão” (13 vezes, o último foi Leão XIII).

Para ver a lista dos Papas clique no link abaixo

Lista de Papas 

Gregório I se torna papa em 590 D.C. – Grandes acontecimentos que marcaram a história do Cristianismo. (Comentário de Pastor Luiz Antonio).

Gregorio I se torna papa 590 DC WebO título de Papa passou a ser utilizado a partir do século III. Antes de Gregório I também conhecido como Gregório Magno ou Gregório, o Grande, a Igreja católica teve 63 Papas contando com Pedro como sendo o primeiro e depois dele, a lista conta mais 202 até o atual Papa Francisco; perfazendo um número de 266 na lista sucessória dos Papas, chefes da Igreja Católica Apostólica Romana. Seu Pontificado se iniciou em 3 de setembro de 590 no império bizantino e terminou em 12 de março de 604 com uma duração de 4938 dias, cerca de treze anos e meio e foi canonizado.  Os nomes mais frequentes de papas são: “João” (23 vezes, o último foi São João XXIII), “Bento” (16 vezes, o último foi Bento XVI), “Gregório” (16 vezes, o último foi Gregório XVI), “Clemente” (14 vezes, o último foi Clemente XIV), “Inocêncio” (13 vezes, o último foi Inocêncio XIII) e “Leão” (13 vezes, o último foi Leão XIII).

Embora não fosse mais a capital do império, Roma ainda possuía prestígio. Além do mais, a antiga cidade tinha ligações com os Apóstolos Pedro e Paulo. Por muitos anos, os bispos de Roma tentaram expandir o poder que conquistaram. Paulatinamente, a cidade alcançou posição de proeminência sobre as outras dioceses, e o bispo de Roma se tornou o papa.

Contudo, o homem que mais contribuiu para o incremento da autoridade e do poder do papado não fez isso buscando o ganho político, aliás este humilde monge, que não procurava altos postos, chegou ao papado contra a própria vontade.

Gregório nasceu em 540 de uma nobre família romana, que possuía uma história relacionada a serviços prestados na esfera política. Ele se tornou chefe da prefeitura de Roma, o mais alto cargo civil. Porém, não se sentia talhado para a vida pública e acabou renunciando, dividindo suas propriedades para a fundação de mosteiros, vindo a se unir a um deles posteriormente. Alguns anos mais tarde, ele mesmo se tornaria abade[1].

Sua piedade e, sem dúvida, seu passado de administrador habilidoso atraíram a atenção das pessoas. Em 590, quando o papa morreu, os romanos, de maneira unânime, pediram a Gregório que se tornasse seu sucessor. Embora Gregório se recusasse a fazê-lo, a vontade pública prevaleceu.

Como já fora um homem de Estado, o novo papa transpôs sua habilidade de governar para seu novo ofício. Quando os lombardos ameaçaram Roma, Gregório pediu ajuda ao imperador em Constantinopla. Como esse apoio não chegou, o bispo de Roma reuniu as tropas, negociou tratados e fez tudo o que era necessário para promover a paz. As ações independentes de Gregório provaram ao exarca do imperador (seu representante que estava em Ravena), que o papa era bastante capaz para manter a ordem em Roma. Esses movimentos políticos se tornariam uma espécie de primeiros passos para a divisão dos cristãos nos impérios do Oriente e do Ocidente.

Gregório, porém, não tinha ambições políticas. Seus interesses eram apenas espirituais. Extremamente preocupado com o cuidado pastoral, insistia em que o clero visse a si mesmo como um grupo de pastores e servos do rebanho. Gregório dizia que era “servo dos servos de Deus”, e sua obra intitulada “Livro do cuidado pastoral” — um estudo criterioso sobre as provações espirituais das pessoas e a maneira pela qual o clero deveria lidar com elas — tornou-se uma espécie de livro-texto ministerial da Idade Média.

Outra obra sua, “Diálogos”, foi a primeira tentativa de hagiografía (biografia dos santos) que enfatizava o fantástico e o miraculoso, o que acabou por transformar os santos em uma espécie de super-heróis da época. Durante seu papado, a veneração de partes do corpo, de roupas e de outros pertences dos santos foi encorajada, e isso viria a se transformar em uma das principais características da piedade medieval.

Por vários séculos, nenhuma igreja poderia se estabelecer se não tivesse alguma relíquia de um santo para ser colocada nela.

Embora Gregório não afirmasse ser teólogo, algumas de suas crenças se tornaram essenciais para a teologia católica. Ele acreditava no purgatório e ensinava que as missas celebradas a favor dos mortos poderiam aliviar as dores dos que estavam naquele local. Além disso, ajudou a popularizar o ensino de Dion isio Areopagita, que escreveu sobre diversas categorias de anjos. Depois de Gregório, essas ideias se tornariam grandemente aceitas.

Embora não tenha sido ele o criador do canto gregoriano, Gregório era bastante interessado na música da igreja (o cantochão deve muito à sua influência).

Além disso, Gregório autorizou uma missão evangelística à região de Kent, liderada por Agostinho, o missionário que, mais tarde, se tornaria o primeiro arcebispo da Cantuária.

Embora o cristianismo já tivesse alcançado a Bretanha, ao enviar essa missão sob a liderança de Agostinho, o papa estava estendendo o poder de Roma àquelas ilhas. O cristianismo, que tinha em Roma sua liderança, começava a tomar forma.

O bispo de Constantinopla afirmava ser o Patriarca Ecumênico (no sentido de “universal” ou “global”).

Gregório tanto se recusou a aceitar o uso desse título quanto o rejeitou para si mesmo. Tudo o que fez, porém, mostrou que Gregório via a si mesmo como o pastor-chefe de uma igreja mundial.

Em um espaço de 14 anos, Gregório realizou tantos feitos que as gerações posteriores o denominavam de Gregório, o Grande. Talvez ele tenha se tornado grande por ter sido um homem humilde.

[1] Título ou cargo do superior dos monges de uma abadia autônoma ou dos membros de certas ordens ou congregações religiosas monásticas. Abadia: local que abriga uma comunidade religiosa monástica; mosteiro.

Columba vai à Escócia como missionário 563 D.C. – Grandes acontecimentos que marcaram a história do Cristianismo. (Comentário de Pastor Luiz Antonio).

Columba vai à Escócia como missionárioSão Columba (7 de dezembro de 521 – 9 de junho de 597), também conhecido como Columba de Iona, ou, em Gaélico, Colm Cille ou Columcille (pomba da Igreja). Foi a grande figura missionária da Escócia. Como Monge irlandês (gaélico) reintroduziu o Cristianismo entre os Pictos medievais. É dito como sendo o primeiro a ter avistado Nessie, o monstro do lago Ness.

Um irlandês evangelizou a Escócia. Seu nome era Columba — que quer dizer “pomba” — e ele nasceu em uma família de cristãos, em 521, no norte da Irlanda — hoje, o condado de Donegal. Depois de ter frequentado escolas monásticas, ajudou a estabelecer diversos mosteiros na Irlanda e tornou-se conhecido por sua erudição e piedade.

Diz-se que, em mais de uma ocasião, Columba teve discussões com Diamait o chefe de seu clã. Embora fosse cristão, Columba era de temperamento forte colérico, um tanto impaciente, o que o levou a enfrentar muitos problemas.

Nessa ocasião, parece que ele próprio foi a causa de uma batalha na qual morreram três mil homens. É claro que ele não tinha intenção de causar tamanho dano, mas, para sua segurança e para se penitenciar por seu erro, saiu da Irlanda, planejando converter o mesmo número de almas que supostamente levara à morte. Algumas fontes afirmam que ele também concordou em nunca mais voltar à sua terra natal.

Em 563, com doze amigos, Columba corajosamente lançou-se ao mar em uma currach, embarcação bastante popular na Irlanda. Eles se dirigiram a lona, uma ilha na costa ocidental da Escócia. Quando chegaram ali, os treze homens levantaram habitações simples e uma igreja de tábuas que foi usada como base para seus esforços missionários junto aos pictos[1], a tribo escocesa das vizinhanças.

Columba recorreu a Brude, o chefe de Inverness[2], mas Brude não queria nada com missionários. De acordo com as histórias que se contam, o chefe fechou os portões diante dos homens de Columba. Quando Columba fez o sinal da cruz, o portão se abriu e o chefe, apavorado, deu ouvidos à mensagem que eles traziam.

Os sacerdotes pagãos, os druidas, se opuseram aos missionários, mas não demorou muito para que os cristãos tivessem sucesso em evangelizar a Escócia e o norte da Inglaterra.

Columba continuou a viajar, e, posteriormente se tornou abade de um grande mosteiro em lona. Depois de sua morte, os abades dali mantiveram seu poder eclesiástico, tornando-se os mais elevados oficiais da Igreja da Escócia.

A partir de lona, os evangelistas se espalharam também para o continente, e os novos mosteiros criados na Europa se voltavam para o mosteiro daquela ilha em busca de orientação. Como resultado, lona ficou conhecida por sua erudição, piedade e evangelismo.

Os viquingues atacaram repetidamente aquela comunidade, mas ela não sucumbiu. Nesse lugar estão enterrados 46 reis escoceses com Columba seu primeiro abade. Os ataques viquingues profanaram os restos mortais de Columba diversas vezes.

Assim como aconteceu com os outros mosteiros durante a Reforma, o de lona também foi destruído. Em 1900, um duque escocês doou as terras à Igreja da Escócia. E, após 38 anos, uma comunidade de clérigos e leigos foi formada na ilha, a qual recebe hoje o apoio de milhares de membros associados ao redor de todo o mundo.

Na condição de erudito dedicado, Columba copiou livros e escreveu algumas obras. Ao defender a importância dos estudos, ele influenciou os monges da Idade das Trevas[3], os quais continuaram copiando manuscritos enquanto a capacidade de ler e escrever declinava em toda a Europa.

Muitos historiadores notaram a grande influência que o cristianismo teve sobre a Escócia. Columba, como o primeiro grande evangelista da Escócia, pode ser contado entre as testemunhas que levaram os vários pregadores, missionários e escritores saídos daquela pequena porção de terra em direção a tantos outros povos.

[1] Os pictos eram antigos habitantes da Escócia que estabeleceram seu próprio reino e lutaram contra os romanos na Britânia. Fontes romanas afirmam que os pictos teriam um poderoso reino com centro em Strathmore. Tiveram que enfrentar o advento de outros povos à Grã-Bretanha, entre eles os anglos da Úmbria do Norte; e os escotos procedentes da Irlanda, que formaram um reino na Dalriada.

[2] Inverness significa “boca do rio Ness”. É uma cidade da Escócia, capital da região de Highland. Possui mercado agropecuário e indústria têxtil. É centro comercial de lã. A sua catedral data do século XIX. Nesse local afirma-se ter visto o Monstro do Lago Ness, localizado ao sul da cidade.

[3] A “idade das trevas” foi um período da histórica que enfatiza as deteriorações cultural e econômica que ocorreram na Europa consequentes do declínio do Império Romano do Ocidente. O rótulo emprega o tradicional embate visual luz-versus-escuridão para contrastar a “escuridão” deste período com os períodos anteriores e posteriores de “luz”. É caracterizado por uma relativa escassez de registros históricos e outros escritos, pelo menos para algumas áreas da Europa, tornando esse período obscuro para os historiadores. O termo “Era das Trevas” deriva do Latim “saeculum obscurum”, originalmente aplicado por Caesar Baronius em 1602 a uma época tumultuada entre os séculos V e IX.

Bento de Núrsia estabelece sua ordem monástica 529 D.C. – Grandes acontecimentos que marcaram a história do Cristianismo. (Comentário de Pastor Luiz Antonio).

Grandes AcontecimentosBento de Núrsia, irmão gêmeo de Santa Escolástica, nascido Benedito da Nórcia (em italiano: Benedetto di Norcia; em latim: Benedictus). Nórcia é uma comuna italiana da região da Úmbria, província de Perugia, com cerca de 4.695 habitantes. Nórcia na época de Bento pertencia ao Reino Ostrogótico[1]. Foi um monge, fundador da Ordem de São Bento ou Ordem dos Beneditinos, uma das maiores ordens monásticas do mundo. Foi o criador da Regra de São Bento, um dos mais importantes e utilizados regulamentos de vida monástica, inspiração para muitas outras comunidades religiosas. O papa Paulo VI o designou patrono da Europa em 1964, sendo também patrono da Alemanha. É venerado não apenas por católicos, como também por ortodoxos e anglicanos. Fundou a Abadia de Monte Cassino, na Itália, destruída durante a Segunda Guerra Mundial e posteriormente restaurada. O calendário católico-romano comemora-o a 11 de julho, data em que suas relíquias foram transladadas para a Abadia de Saint-Benoît-sur-Loire.

Depois que o cristianismo foi aceito no governo de Constantino, foi difícil distinguir os que verdadeiramente seguiam a Cristo, pois ser cristão era a atitude mais popular a ser adotada naquela época. O resultado foi que muitos cristãos zelosos buscaram se separar das massas religiosas.

Antão começa sua vida de eremitaEremitas como Antão se tornaram famosos por suas façanhas de autonegação. Viviam sem comida e , as vezes, até sem dormir para buscar a santidade. Havia até práticas que para nós hoje pareceriam incabíveis como ficar em pé por horas enquanto oravam e até mesmo a viver no topo de pilares.

Os que haviam se cansado da igreja, que fazia muitas concessões e estava carregada de pecado, sentiram atração por esse tipo de comportamento que parecia provar a dedicação a Deus.

Por volta do ano 320, Pacômio deu origem ao monasticismo comunal. Ciente de que a tendência rumo à autonegação poderia sair do controle e até mesmo degenerar-se em uma disputa espiritual, Pacômio se esforçou para regulamentar o estilo de vida asceta, permitindo uma vida simples de autonegação que tivesse limites.

Outros, como Basílio o Grande (330-379), e os cristãos irlandeses, também fundaram comunidades monásticas.

Porém, Bento de Núrsia se tornou a verdadeira força por trás do monasticismo europeu. Ele nasceu em uma família italiana de classe alta e, ainda jovem, foi estudar em Roma. Contudo, a cidade que tinha a reputação de ser uma das mais cristãs do mundo era considerada por ele imoral e frívola.

Aborrecido com esse fato, Bento deixou Roma e se tornou eremita. Por sua espiritualidade, adquiriu uma reputação tal que as famílias traziam seus filhos para que fossem treinados por ele na vida cristã.

Com bastante relutância, Bento de Núrsia concordou em se tornar abade.

Quando se mostrou um disciplinador mais austero, o entusiasmo que as pessoas tinham por ele arrefeceu. Um monge chegou até mesmo a tentar envenená-lo.

Temendo por sua vida, Bento se escondeu em uma caverna e, depois, deixou a região. Contudo, seus problemas ensinaram uma importante lição: a disciplina é boa, mas expõe a fragilidade da natureza humana.

Por volta do ano 529, Bento se mudou para o monte Cassino onde demoliu um templo pagão que ainda estava em uso, para construir um mosteiro no lugar.

Se Bento apenas tivesse dado um monastério para a igreja, provavelmente não seria tão lembrado quanto foi por ser um disciplinador mais austero. As regras que ele escreveu para governar aquele mosteiro foi, de longe, muito mais importante que o edifício.

Bento concebeu o mosteiro como uma comunidade auto controlada e auto sustentada que tinha seus campos e oficinas. Ele queria criar uma “fortaleza espiritual” para assegurar que os monges não precisassem ir a qualquer outro lugar para satisfazer as necessidades da vida.

Dentro do confinamento da comunidade, os monges teciam as próprias roupas, plantavam a própria comida e faziam sua própria mobília. Vagar fora do perímetro do mosteiro era considerado grande perigo espiritual.

Como Bento já vira antes, alguns dos pretensos monges tinham um comprometimento muito fraco. Assim, criou um noviciado de um ano, um tempo no qual o monge poderia decidir se aquile estilo de vida era realmente o que queria. Somente depois desse período de testes é que ele faria os três votos que o desligariam completamente do mundo.

O voto de pobreza exigia que ele entregasse todos os seus bens pessoais à comunidade; o voto de castidade o levava a renunciar a todos os relacionamentos sexuais; o voto de obediência era promessa de obedecer sempre aos líderes do mosteiro.

A adoração desempenhava papel muito grande na vida monástica. A Região de São Bento prescrevia sete cultos por dia, incluindo-se um culto de vigília que acontecia às duas horas da manhã, considerado muito importante. Cada culto tinha cerca de vinte minutos e consistia praticamente da recitação de salmos.

Além da adoração pública, os monges tomavam parte em devoções pessoais como: leitura da Bíblia, meditação e oração.

Embora muitos acusassem as comunidades monásticas de se afastarem do mundo, os monges sempre oravam por quem estava fora de seus muros. Apesar de os monges orarem pelos que estavam fora dos muros do monastério, esse comportamento de completa separação parecia conflitar com o IDE do Mestre. “E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura”. (Mc 16,15).

“O ócio é o inimigo da alma”, declarava a Regra do monastério. Assim, todos os monges tinham de tomar parte no trabalho manual, incluindo a preparação de alimentos.

Embora essa vida de trabalho, oração e adoração possa parecer tediosa, foi uma tentativa de criar uma vida ordeira procurando não ir a extremos.

Bento também tentou disponibilizar a vida santa aos seres humanos comuns, fora do monastério.

Em sua regra, escreveu:

“Se parecemos muito severos, não se assuste e não saia correndo. A entrada para o caminho da salvação deve ser estreita. Contudo, conforme você progride na vida da fé, o coração se expande e anda mais rápido com a doçura do amor por todas as veredas dos mandamentos de Deus”.

Vivendo em uma era cruel e instável, o monasticismo beneditino forneceu refúgio aos que eram sensíveis à religião. Embora a Europa Ocidental tivesse se tornado nominalmente cristã, a maior parte da população ainda tinha comportamento pagão. Bento ofereceu uma vida calma, nobre e cheia de propósitos que não estava disponível fora do claustro. Muitas pessoas podem não simpatizar com esse afastamento, mas é certamente compreensível por que muitos buscavam a paz e a santidade em um mundo vulgar.

Bento de Núrsia deu ao monasticismo um lugar permanente na Europa ocidental. Sua Regra orienta comunidades monásticas há vários séculos e ainda está em vigência até hoje.

[1] O Reino Ostrogótico foi um Estado germânico fundado pelos ostrogodos que ocuparam a península Itálica e áreas vizinhas de 493 a 553.

O Concílio de Calcedônia 451 D.C. – Grandes acontecimentos que marcaram a história do Cristianismo. (Comentário de Pastor Luiz Antonio).

O Concílio de Calcedônia 451 d.C. webO Concílio de Calcedônia foi um concílio ecumênico que se realizou de 8 de outubro a 1 de novembro de 451 em Calcedônia, uma cidade da Bitínia, na Ásia Menor, frente a Constantinopla. Foi o quarto dos primeiros sete concílios ecumênicos da história do cristianismo, onde foi repudiada a doutrina de Êutiques relativa ao monofisismo e declarada a dualidade humana e divina de Jesus, a segunda pessoa da Santíssima Trindade.

Concílio de Calcedônia 451 D.C.
Data 451 D.C.
Aceito por Católicos RomanosCatólicos Ortodoxos e Protestantes
Concílio anterior Segundo Concílio de Éfeso
Concílio seguinte Segundo Concílio de Constantinopla
Convocado por Imperador Marciano
Presidido por Pascânio
Afluência 500 Clérigos
Tópicos de discussão MonofisismoCristologia e decisões sobre o II Concilío de Éfeso, em 449 D.C.
Documentos Credo da Calcedônia e 28 cânones
 

Embora o Concilio de Nicéia tenha proclamado que Jesus era plenamente Deus, a Igreja ainda precisava compreender sua natureza humana. De que maneira o humano e o divino se inter-relacionavam no Filho de Deus?

A resposta viria por meio de um dos mais exaltados jogos de poder dentro da Igreja.

Conforme a igreja crescia, as principais cidades do império recebiam influência teológica através de seu clero.

A combinação de política e teologia resultava numa mistura poderosa. Alexandria e Roma geralmente ficavam no mesmo lado das questões, opondo-se a Antioquia e Constantinopla.

A influência grega permeava os pensamentos da Escola de Alexandrina e muitas pessoas de Alexandria tinham um histórico filosófico de origem grega.

Teologicamente, acreditavam que Jesus fora plenamente humano, mas eles tinham a tendência de enfatizar mais o Cristo como Palavra divina (Logos) do que o Jesus humano. Quando essa questão era levada ao extremo, existia a tendência de obscurecer a humanidade de Jesus a favor de sua divindade.

Apolinário, um dos principais defensores de Alexandria, lutara bravamente contra heresias como o arianismo e o maniqueísmo.

A Escola de Antioquia apresentava a tendência de se concentrar na humanidade de Jesus. Embora Jesus fosse divino, eles diziam que sua humanidade fora completa e normal.

Em 431, no Terceiro Concilio Ecumênico em Éfeso, o maquinador Cirilo conseguiu que Nestório fosse deposto antes que ele e seus amigos pudessem chegar ao local das reuniões. Quando os clérigos ausentes chegaram, condenaram Cirilo e seus seguidores sob a liderança de João, o patriarca de Antioquia. O imperador Teodósio, que convocara o concilio, foi pressionado e terminou por exilar Nestório.

Eutíquio, chefe de um mosteiro próximo a Constantinopla, ensinava uma ideia que passou a ser chamada monofisismo (de mono, “um”, e physis, “natureza”).

Esse ponto de vista sustentava que a natureza de Cristo estava perdida na divindade, “assim como uma gota d’água que cai no mar é absorvida por ele”.

O patriarca Flaviano de Constantinopla condenou Eutíquio por heresia, mas o patriarca Dióscoro, de Alexandria, o apoiou. A pedido de Dióscoro, Teodósio convocou outro concilio, que se reuniu em Efeso, em 449. Esse concilio proclamou que Eutíquio não era herege, mas muitas igrejas consideraram esse concilio inválido. O papa Leão I rotulou aquele encontro de “Sínodo de Ladrões” e, atualmente, ele não é considerado um concilio ecumênico válido.

O papa Leão I pediu ao imperador que convocasse outro concilio de modo que a igreja, como um todo, fosse representada. Esse concilio aconteceu na cidade de Calcedônia, próximo de Constantinopla, no ano de 451, atraindo cerca de quatrocentos bispos, número superior ao de qualquer outro concilio já realizado até aqueles dias.

Dióscoro sempre foi uma figura um tanto sinistra. Agora, nesse concilio, ele foi excomungado da igreja com resultado de suas ações no chamado “Sínodo de Ladrões”.

Durante o Concilio de Calcedônia foi lida uma afirmação sobre a natureza de Cristo, chamada “tomo” [carta dogmática], de autoria do papa Leão I. Os bispos incorporaram seu ensinamento à declaração de fé que foi chamada de Definição de fé de Calcedônia, Nessa Definição de fé, Cristo “reconhecidamente tem duas naturezas, sem confusão, sem mudança, sem divisão, sem separação, a propriedade característica de cada natureza é preservada e se reúne para formar uma pessoa”.

Essa concepção condenava as ideias de Apolinário e Eutíquio, além das posições atribuídas a Nestório.

Calcedônia foi o primeiro concilio no qual o papa exerceu papel importante.

Cada vez mais o foco da batalha seria entre Roma e Constantinopla.

Calcedônia foi o último concilio que tanto o Ocidente quanto o Oriente consideraram oficial, com relação à definição dos ensinamentos corretos. Esse também foi o último em que todas as regiões foram representadas e conseguiram concordar em questões fundamentais.

Embora Calcedônia não tenha resolvido o problema de como Jesus poderia ser tanto Deus quanto homem, esse concilio estabeleceu limites ao definir como incorretas certas interpretações hoje consideradas eréticas.

O concilio, ao referir-se à posição adotada por Apolinário e Eutíquio, disse: “Qualquer que tenha sido a maneira como isso ocorreu, sabemos que não aconteceu dessa maneira”.

Patrício é enviado como missionário à Irlanda 432 D.C. – Grandes acontecimentos que marcaram a história do Cristianismo. (Comentário de Pastor Luiz Antonio).

Patrício da Irlanda (em inglês: Patrick; em latim: Patricius) foi primeiramente um missionário cristão, sendo depois sagrado bispo e santo padroeiro da Irlanda, Patrício da Irlanda webjuntamente com Santa Brígida de Kildare e São Columba. É considerado o Apóstolo da Irlanda.

 Um ex-escravo que nem nascera na Irlanda se tornaria a mais eficiente testemunha de Cristo naquele país. Patrício, filho de pais cristãos, nasceu na Bretanha romana por volta do ano 390. Embora nos primeiros anos esse menino não levasse a fé tão a sério, começou a orar com fervor aos dezesseis anos, quando foi preso, escravizado e enviado para trabalhar como guardador de porcos em uma fazenda no norte da Irlanda.

Para fugir de sua escravidão, Patrício viajou cerca de 320 quilômetros a pé rumo à costa. Ali, o capitão de um navio que transportava cachorros de caça concordou em levá-lo como tratador. Ele viajou para a França e, de lá, para um mosteiro no Mediterrâneo.

Quando voltou para sua terra natal, Patrício sonhou com as crianças irlandesas implorando para que ele levasse o Evangelho a elas.

“Imploramos que você venha e caminhe entre nós mais uma vez.”

Como achava que não tinha a compreensão adequada da fé, Patrício voltou para a França a fim de estudar em um mosteiro. Por volta do ano 432, ele voltou à Irlanda.

Poucos anos antes de Patrício iniciar seu ministério, o monge britânico Paládio tentara converter os irlandeses, mas obtivera pouco sucesso.

Os anos de escravidão de Patrício entre os irlandeses, o prepararam para ser um homem de coragem, que compreendia aquele povo e sabia como pregar para eles.

A lenda obscurece muitos dados da vida de Patrício, mas a história de muitas vilas atesta seu ministério naquele pais.

Patrício converteu a maioria dos irlandeses ao cristianismo, estabelecendo cerca de 300 igrejas e batizando cerca de 120 mil pessoas.

Embora Patrício enfrentasse problemas com alguns chefes de tribos hostis e com os druidas, (os defensores do velho paganismo), “o povo comum o ouvia com alegria”.

Seu trabalho entre os irlandeses foi tal que não houve um mártir sequer no processo de conversão dos membros daquelas tribos contenciosas.

Usando como metáfora a natureza, à qual os irlandeses já haviam adorado no passado, Patrício descreveu a Trindade comparando-a a um trevo.

A compreensão dos irlandeses de que Patrício agia por Deus quando extirpou a falsa religião e estabeleceu a verdade entre o povo pode ser vista na lenda que diz que ele expulsou as cobras da Irlanda.

Depois de 30 anos de ministério altruísta Patrício morreu, por volta do ano 460 D.C.

Ele nos deixou poucas coisas escritas, dentre as quais podemos destacar o notável hino I bind unto myself today (Eu me comprometo hoje), conhecido como “Brasão de Patrício”.

Muitos anos depois, os missionários da Igreja Ocidental chegaram à Irlanda e descobriram uma fé viva naquele lugar. Os sacerdotes e monges irlandeses eram estudiosos e missionários notáveis, e a Igreja causou profundo efeito sobre as pessoas comuns daquela época.

O clero vivia de maneira simples e devota, muitas vezes em circunstâncias difíceis. Embora seus mosteiros fossem despretensiosos e simples estruturas de pedra, o aprendizado e a arte (por exemplo, o extraordinário Livro de Kells[1]) mostravam a piedade viva dos monges.

O fato é que esse estilo de vida piedoso alcançou o restante da Europa à medida que levaram a Palavra para fora de seu país.

A Igreja da Irlanda se desenvolveu à parte do sistema hierárquico de Roma, pois Patrício evangelizou a nação sem se basear na igreja oficial.

A igreja irlandesa foi organizada ao redor de mosteiros, o que refletia o sistema tribal da nação. Sem o desejo de estabelecer uma burocracia eclesiástica, os abades irlandeses encorajaram seus monges a levar adiante o “verdadeiro negócio” da Igreja: pregar, estudar e ministrar aos pobres.

A Irlanda só se tornou católica por volta do ano 1100, quando o papa deu a Henrique II, rei da Inglaterra, a soberania sobre a Irlanda. Em sinal de admiração pela maneira como Patrício trabalhara na conversão dos irlandeses, a Igreja Católica o canonizou.

[1] O Livro de Kells (em inglês: Book of Kells; em irlandês: Leabhar Cheanannais), também conhecido como Grande Evangeliário de São Columba, é um manuscrito ilustrado com motivos ornamentais, feito por monges celtas por volta do ano 800 AD no estilo conhecido por arte insular. Peça principal do cristianismo irlandês e da arte hiberno-saxônica, constitui, apesar de não concluído, um dos mais suntuosos manuscritos iluminados que restaram da Idade Média. Em razão da sua grande beleza e da excelente técnica do seu acabamento, este manuscrito é considerado por muitos especialistas como um dos mais importantes vestígios da arte religiosa medieval. Escrito em latim, o Livro de Kells contém os quatro Evangelhos do Novo Testamento, além de notas preliminares e explicativas, e numerosas ilustrações e iluminuras coloridas. O manuscrito encontra-se exposto permanentemente na biblioteca do Trinity College de Dublin, República da Irlanda, sob a referência MS A. I. (58).

Shekhinah, Kevod ou Paneh? Comentado por Pastor Luiz Antonio

Shekináh WebO vocábulo Shekhinah significa literalmente “habitação”, “assentamento” e é utilizado para designar a habitação ou presença de Deus especialmente no Templo em Jerusalém, porém não consta no texto da Torá.

A shekhinah tem relação com o lugar (O Templo – Beit Há’Miquidash) enquanto o hebraico “Paneh” designa a “presença” pessoal de Deus em qualquer lugar.

Paneh significa literalmente face, presença pessoal, rosto.

Quando o hebraico “paneh” aparece no texto bíblico invoca a adeia de estar “em frente de”, “na presença de”, “diante da face de”, “diante de ou na presença de”.

Shekhinah não é a Gloria de Deus; “Kevod” sim é a “Gloria” de Deus.

Uma nota importante é que a palavra Shekhinah não é encontrada em nenhum dicionário hebraico. Eu pelo menos não a encontrei nem no “Léxico de grego e hebraico” que tenho!

No hebraico bíblico, a palavra Shekhinah nunca foi usada. A palavra Shekhinah só aparece na Cabala hebraica. O verbo Shachan é usado na Bíblia hebraica em (Êxodo 40:35: “Moisés não podia entrar na tenda da congregação, porquanto a nuvem permanecia (Shachan) sobre ela, e a glória do SENHOR enchia o tabernáculo”.

Sharan

O vocábulo “Shekhinah” não aparece na Bíblia Judaica nem no Novo Testamento, sendo uma palavra derivada da raiz hebraica (Shachan: habitar, morar; situar, estabelecer).

A expressão “Shekhinah”, como uma ideia concreta, aparece só na Literatura rabínica. Na “TORÁ” há somente “alusões” a esta presença divina, no meio do povo de Israel, por exemplo, quando Deus disse ao seu povo em Êxodo 25:8 (ARC95) “E me farão um santuário, e habitarei no meio deles”.

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A mulher vestida do sol – comentado por Pastor Luiz Antonio.

A mulher vestida do sol – Capítulo XII – Compreende os versículos 1-17.

A Mulher vestida do Sol
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1 E viu-se um grande sinal no céu: uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas sobre a cabeça. 2 E estava grávida e com dores de parto e gritava com ânsias de dar à luz. 3 E viu-se outro sinal no céu, e eis que era um grande dragão vermelho, que tinha sete cabeças e dez chifres e, sobre as cabeças, sete diademas. 4 E a sua cauda levou após si a terça parte das estrelas do céu e lançou-as sobre a terra; e o dragão parou diante da mulher que havia de dar à luz, para que, dando ela à luz, lhe tragasse o filho. 5 E deu à luz um filho, um varão que há de reger todas as nações com vara de ferro; e o seu filho foi arrebatado para Deus e para o seu trono. 6 E a mulher fugiu para o deserto, onde já tinha lugar preparado por Deus para que ali fosse alimentada durante mil duzentos e sessenta dias. 7 E houve batalha no céu: Miguel e os seus anjos batalhavam contra o dragão; e batalhavam o dragão e os seus anjos, 8 mas não prevaleceram; nem mais o seu lugar se achou nos céus. 9 E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, chamada o diabo e Satanás, que engana todo o mundo; ele foi precipitado na terra, e os seus anjos foram lançados com ele. Ap. 12 1-9

Os capítulos 12 e 13 do Apocalipse mostram 7 agentes especiais:

  • Dragão1º Agente: A Mulher
  • 2º Agente: O Dragão
  • 3º Agente: O Menino
  • 4º Agente: Miguel – O Arcanjo
  • 5º Agente: A semente da Mulher
  • 6º Agente: A 1ª Besta – O Antcristo
  • 7º Agente: A 2ª Besta – O Falso Profeta

 

1º Agente: A Mulher

 A Mulher“E VIU-SE um grande sinal no céu: uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos seus pés, e uma coroa de doze estrelas sobre a sua cabeça”.

 “…Viu-se…” – João é escolhido para “VER” o futuro sombrio das nãções escatológicas! Por 43 vezes afirmaeu “VI”. Por duas vezes (1 e 3), neste capítulo, aparece a expressão impessoal “viu-se”. A expressão “viu-se” mostra que não só uma pessoa foi testemunha, mas várias.

“…Um grande sinal…” – O termo grego “semeion” é a palavra que comumente significa “sinal” ou “marca distintiva”. Mas nos evangelhos e no livro de Atos dos Apóstolos com frequência é usado para indicar um “milagre”, uma “maravilha”, cuja finalidade é convencer os homens acerca de uma intervenção divina.

       A expressão ocorre setenta e sete vezes no Novo Testamento, quarenta e oito vezes somente nos evangelhos.

       Treze vezes ocorre em Atos, oito nas Epístolas de Paulo, uma vez em Hebreus (2.4), e treze no Apocalipse (9.5; 12.1, 3; 13.14, 16, 17; 14.9, 11; 15.1, 2; 16.2; 19.20; 20.4).

       No Evangelho de João aparece com o significado de “sinal milagroso” (Jo 2.11, 18, 23). No presente texto, “o sinal” é uma maravilha celestial.

“…Uma mulher…” – A primeira vez que aparece a figura feminina no Apocalipse é no capítulo 2.20.

       Mas ao todo, temos quatro mulheres representativas no Apocalipse, que expressam uma reunião de pessoas em um sistema, a saber: (com exceção de uma: Jezabel), que é uma mulher literal.

  • (a) Jezabel. Ap 2.20;
  • (b) A mulher do presente versículo. (Ap 12.1;
  • (c) A mulher vestida de púrpura e de escarlata. Ap 17.4;
  • (d) A mulher do Cordeiro. Ap 21.9.

       Quase que todos os teólogos, seguem neste capítulo, a mesma linha de pensamentos, a saber: A mulher representa a Nação Israelita.

“…ouço uma voz como de mulher que está de parto, uma angústia como da que está com dores do primeiro filho; a voz da filha de Sião, ofegante, que estende as mãos, dizendo: Oh! Ai de mim agora! Porque a minha alma desmaia diante dos assassinos”. Jr 4.31.

       Em figura de retórica[1] temos Jer. 3, 1 a seguir e Os 1. 2, 3. Onde seu relacionamente com sua esposa Gomer tipifica Israel.

 “…Vestida do sol…” – Estar vestida do sol equivale a estar revestida de luz. Bem perto de Deus, pois “…Deus é sol” (Sl 84.11).

  •        Ele “cobre-se de luz como de um vestido” ( Sl 104.2);
  •        A luz é a vestimenta de Deus. Ele é luz.
  •        Jesus Cristo é também: “…O sol da justiça” (Ml 4.2).

      O sol é o rei do dia e a lua é a rainha da noite; estar vestida do sol significa ser um glorioso facho de luz para o mundo…”. a grande glória de Israel (vestido de luz) fala de como Deus elevou aquela nação para trazer o Messias (a Luz do mundo), o Redentor Universal.

       “…Tendo a lua debaixo dos seus pés…”

       O simbolismo do sol, lua e estrelas sugere um resumo da história de Israel, como se depreende de Gn 37.9. “Assim como a lua está subordinada ao sol e recebe dele sua luz, toda a glória de Israel e sua influência provêm daquele que o comprou, dando-lhe vida. A lua brilha de noite; assim Israel deve brilhar, dar seu brilhante testemunho, em meio às trevas sombrias na era da Grande Tribulação”.

“…Uma coroa de doze estrelas…”

       Em razão da Igreja não estar em foco na época da Grande Tribulação, as doze estrelas representam os doze patriarcas, que são o princípio da formação da Nação Israelita.

       O simbolismo que eu defendo aqui faz agente pensar no sonho de José em (Gn 37.9) que diz:

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“…Eis que ainda sonhei um sonho: e eis que o sol, e a lua, e onze estrelas se inclinavam a mim”. Em simbolismo o sol, a lua e as estrelas prestavam honrarias a José, e estas figuras falam da nação de Israel.

 

Não devemos pensar na Igreja nesta interpretação, pois a era da Igreja já passou e ela se encontra ao lado de Cristo nas “bodas do Cordeiro” (Ap 3.10 e 19.9).

  1. “E estava grávida, e com dores de parto, e gritava com ânsia de dar à luz”.

 “…com dores de parto…” – Essa mulher é uma metáfora à nação de Israel que sofreu para trazer o Messias ao mundo. Esse simbolismo é usado acerca de Israel, nas páginas do Antigo Testamento (Is 66.7, 8)

“Antes que estivesse de parto, ela deu à luz; antes que lhe viessem as dores, ela deu à luz um filho. Quem jamais ouviu tal coisa? Quem viu coisas semelhantes? Poder-se-ia fazer nascer uma terra em um só dia? Nasceria uma nação de uma só vez? Mas Sião esteve de parto e já deu à luz seus filhos. Abriria eu a madre e não geraria, diz o Senhor; geraria eu e fecharia a madre? — diz o teu Deus”. (Is 66.7, 8).

        Os profetas descreveram a nação de Israel como quem sofria as dores de parto com o objetivo de trazer Cristo ao mundo a fim de reger todas as nações, foi uma longa agonia.

 

[1] Figura de Retórica. São estratégias que o orador (ou escritor) pode aplicar ao texto para conseguir um determinado efeito na interpretação do ouvinte (ou leitor). Podem relacionar-se com aspectos semânticos, fonológicos ou sintáticos das palavras afetadas.

Halloween ou Reforma Protestante?

Halloween – Dia das bruxas

Sem título-1Dia das Bruxas (em inglês: Halloween) é uma celebração observada em vários países em 31 de outubro, véspera da festa cristã ocidental do Dia de Todos os Santos. Ela começa com a vigília de três dias dedicada a lembrar os mortos, incluindo santos (hallows), mártires e todos os fiéis falecidos.

Acredita-se que muitas das tradições do Halloween originaram-se do antigo festival celta da colheita, o Samhain, e que esta festividade gaélica[1] foi cristianizada pela Igreja. O Samhain e outras festas também podem ter tido raízes pagãs. Alguns, no entanto, apoiam a visão de que o Halloween começou independentemente do Samhain e tem raízes cristãs.

Entre as atividades mais comuns do Halloween, estão festas à fantasia, praticar brincadeiras como “doces ou travessuras”, decorar a casa, fazer lanternas de abóbora, fogueiras, jogos de adivinhação, “atrações assombradas”, contar histórias assustadoras e assistir filmes de terror.

Em muitas partes do mundo, as vigílias religiosas cristãs de Halloween, como frequentar os cultos da igreja e acender velas nos túmulos dos mortos, permanecem populares, embora em outros lugares seja uma celebração mais comercial e secular. Alguns cristãos historicamente se abstém de carne no Dia das Bruxas.

Etimologia

halloween 2O primeiro registro do termo Halloween data de 1745. O vocabulo é uma contracção dos termos escocêses “All Hallows’ Eve”, que significa véspera do Dia de Todos-os-Santos, data comemorativa do calendário cristão. Embora existam várias teorias sobre a origem, a mais difundida aponta para o festival celta de Samhain, celebrado na Irlanda, Escócia e Ilha de Man.

História

A origem do Halloween remonta às tradições dos povos que habitaram a Gália e as ilhas da Grã-Bretanha entre os anos 600 a.C. e 800 d.C.

Originalmente, o Halloween não tinha relação com bruxas. Era um festival do calendário celta da Irlanda, o festival de Samhain, celebrado entre 30 de outubro e 2 de novembro e marcava o fim do verão, já que (samhain significa literalmente “fim do verão”).

A celebração do Halloween tem duas origens que no transcurso da História foram se misturando:

Origem pagã

A origem pagã do “dia das bruxas” tem a ver com a celebração celta chamada Samhain, que tinha como objetivo dar culto aos mortos e à deusa YuuByeol (símbolo antigo da perfeição celta). A invasão das Ilhas Britânicas pelos Romanos (46 a.C.) acabou unindo a cultura latina com a celta, acabando com a cultura celta com o tempo.

No final do século II, com a evangelização desses territórios, a religião dos Celtas, chamada druidismo, já tinha desaparecido na maioria das comunidades. Pouco sabemos sobre a religião dos druidas, pois não se escreveu nada, ou quase nada sobre ela; tudo era transmitido oralmente de geração para geração. Sabe-se, porém, que as festividades do Samhan eram celebradas muito possivelmente entre os dias 5 e 7 de novembro (a meio caminho entre o equinócio de outono e o solstício de inverno, no hemisfério norte). Eram precedidas por uma série de festejos que duravam uma semana, enquanto esperavam o ano novo celta.

A “festa dos mortos” era uma das suas datas mais importantes, pois celebrava a união entre essa vida e a vindoura, invocava o que para os cristãos seria “o céu e a terra” (conceito que só chegaria com o cristianismo). Para os celtas, o lugar dos mortos era um lugar de felicidade perfeita, onde não haveria fome nem dor.

As festas de Samhain, (literalmente “fim do verão”), eram presididas pelos sacerdotes druidas, que atuavam como “médiuns” entre as pessoas vivas e os seus antepassados. Dizia-se também que os espíritos dos mortos voltavam nessa data para visitar seus antigos lares e guiar os seus familiares rumo ao outro mundo.

Origem católica

Desde o século IV a Igreja da Síria consagrava um dia para festejar “Todos os Mártires”. Três séculos mais tarde o Papa Bonifácio IV transformou um templo romano dedicado a todos os deuses (Panteão) num templo cristão e o dedicou a “Todos os Santos”, a todos os que nos precederam na fé.

A festa em honra de Todos os Santos, inicialmente era celebrada no dia 13 de maio, mas o Papa Gregório III mudou a data para 1 de novembro, que era o dia da dedicação da capela de Todos os Santos na Basílica de São Pedro, em Roma. Mais tarde, no ano de 840, o Papa Gregório IV ordenou que a festa de “Todos os Santos” fosse celebrada universalmente.

Hallows eveComo festa grande, esta também ganhou a sua celebração vespertina ou vigília, que prepara a festa no dia anterior (31 de outubro). Na tradução para o inglês, essa vigília era chamada All Hallow’s Eve (Vigília de Todos os Santos, ou véspera do Dia de todos os Santos), passando depois pelas formas All Hallowed Eve e All Hallow Een até chegar à palavra atual Halloween (dia das Bruxas).

Atualmente – Dia das bruxas

Se analisarmos o modo como o Halloween é celebrado hoje, veremos que pouco tem a ver com as suas origens: só restou uma alusão aos mortos, mas com um carácter completamente distinto do que tinha no princípio. Além disso foi sendo pouco a pouco incorporada toda uma série de elementos estranhos tanto à festa de Finados como à de Todos os Santos.

Entre os elementos acrescidos, temos por exemplo o costume dos “disfarces”, muito possivelmente nascido na França entre os séculos XIV e XV.

Nessa época a Europa foi flagelada pela Peste Negra e a peste bubônica dizimou perto da metade da população do Continente, criando entre os católicos um grande temor e preocupação com a morte.

Multiplicaram se as Missas na festa dos Fiéis Defuntos e nasceram muitas representações artísticas que recordavam às pessoas a sua própria mortalidade, algumas dessas representações eram conhecidas como danças da morte ou danças macabras.

Alguns fiéis, dotados de um espírito mais cômico, na véspera da festa de finados, costumavam adornar as paredes dos cemitérios com imagens do diabo puxando uma fila de pessoas para a tumba: papas, reis, damas, cavaleiros, monges, camponeses, leprosos, etc. (afinal, a morte não respeita ninguém).

Também eram feitas representações cênicas, com pessoas disfarçadas de personalidades famosas e personificando inclusive a morte, pela qual todos deveriam passar.

Na Idade Média, um costume do Dia de Finados era o souling (de “soul”, alma), em que crianças iam pelas portas pedindo um bolo, o “bolo das almas”, e em troca disso faziam uma oração pelos familiares falecidos de quem lhes dava o bolo.

Essa tradição (trick or treat, “doce ou travessura”) pode ter evoluído dessa tradição e teve possivelmente origem na Inglaterra, no período da perseguição protestante contra os católicos (1500-1700).

Nesse período, os católicos ingleses foram privados dos seus direitos legais e não podiam exercer nenhum cargo público. Além disso, foram lhes infligidas multas, altos impostos e até mesmo a prisão. Celebrar a missa era passível da pena capital e centenas de sacerdotes foram martirizados. Produto dessa perseguição foi a tentativa de atentado contra o rei protestante Jorge I.

O plano, conhecido como Gunpowder Plot (Conspiração da pólvora), era fazer explodir o Parlamento, matando o rei, e assim dar início a um levante dos católicos oprimidos. A trama foi descoberta em 5 de novembro de 1605, quando um católico converso chamado Guy Fawkes foi apanhado guardando pólvora na sua casa, tendo sido enforcado logo em seguida.

Em pouco tempo a data converteu-se numa grande festa na Inglaterra (que perdura até hoje): muitos protestantes a celebravam usando máscaras e visitando as casas dos católicos para exigir deles cerveja e pastéis, dizendo-lhes: trick or treat (doce ou travessuras). Mais tarde, a comemoração do dia de Guy Fawkes chegou à América trazida pelos primeiros colonos, que a transferiram para o dia 31 de outubro, unindo-a com a festa do Halloween, que havia sido introduzida no país pelos imigrantes irlandeses.

Portanto, a atual festa do Halloween é produto da mescla de muitas tradições, trazidas pelos colonos no século XVIII para os Estados Unidos e ali integradas de modo peculiar na sua cultura. Muitas delas já foram esquecidas na Europa, onde hoje, por colonização cultural dos Estados Unidos, aparece o Halloween enquanto desaparecem as tradições locais.

Conclusão – Um Alerta

O Halloween é mais do que simples “travessuras ou doces”. Na verdade, o dia das bruxas é uma festa pagã, em sua origem e prática, e é uma das datas mais importantes para os adeptos da igreja satânica.

Bruxos, satanistas e adoradores do diabo consideram está festa o dia ideal para fazer sacrifícios humanos e pactos satânicos. Há relatos de que no período de 15 dias antes da data de 31 de outubro e 15 dias após, os seguidores do diabo sacrificam pessoas, confiados na promessa de que alcançarão mais poder e prosperidade.

Conforme as estatísticas, inclusive as do FBI, nos meses de agosto, setembro e outubro acontecem várias atrocidades, inclusive o desaparecimento de crianças do mundo inteiro, principalmente nos EUA.

sacrificio crianças illuminati desaparecidas rapto sequestroA autora do livro “Satanás Escondido” conta que uma destas comemorações de Halloween, tentaram introduzi-la em um ritual satânico e pediram que sacrificasse uma criança recém-nascida. Neste mesmo livro, ela relata que muitas das moças desaparecidas nos meses de março e abril são usadas para a procriação, e seu fetos sacrificados na época do Halloween. Os moradores de Anaheim, CA, também sabem e sentiram os efeitos desta Convenção de Satanás. A própria policia da cidade pede aos crentes que tomem algum tipo de providência, pois reconhecem que do Centro de Convenções de Bruxos, emana uma onda de violência e maus presságios. Os bruxos e adoradores do diabo não perdem tempo. Eles traçam metas horríveis para combater os cristão como, por exemplo, a destruição de 60 mil famílias por ano. Fora isso, trabalham incansavelmente, para que milhares de jovens e crianças sejam envolvidas e aprisionados pelas drogas, prostituição e violência, confirmando algumas histórias da dramaturgia cinematográfica americana.

Conforme a bruxa paulista Rosa Maria Biancardi, em uma entrevista ao jornal O Tempo de Belo Horizonte, os Celtas há mais de 2 mil anos, festejavam o dia dos mortos na data de 31 de outubro, celebrando a travessia e a troca de energia com antepassados.

A festa do Dia das Bruxas, trata de um ritual satânico e demoníaco que envolve crianças inocentes e faz com que as pessoas cultuem o mal.

O crente em vez de compactuar com esta festa deveria combater a influência americana do Halloween, os pastores deveriam convocar suas Igrejas para se posicionarem, orando e jejuando contra este mal que está tomando conta do mundo inteiro, inclusive no Brasil.

REFORMA PROTESTANTE 1517 WEB“É hora de sermos radicais, porque o povo crente não comemora o “DIA DA REFORMA PROTESTANTE” EM 31 DE OUTUBRO, em vez de celebrar uma festa diabólica como o Halloween. Os protestantes/evangélicos deveriam guerrear no dia 31 de outubro, com clamores, jejuns e orações ao Deus altíssimo, combatendo as hostes satânicas e não celebrar com elas!

“Porque a nossa luta não é contra carne e sangue, mas contra os principados, contra as potestades, contra as forças deste mundo tenebroso, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais “. (Efésios Cap. 6: 12)

REFERÊNCIAS

Halloween noun – Definition, pictures, pronunciation and usage notes – Oxford Advanced Learner’s Dictionary at OxfordLearnersDictionaries.com». oald8.oxfordlearnersdictionaries.com
«Tudor Hallowtide». National Trust for Places of Historic Interest or Natural Beauty. 2012. Hallowtide covers the three days – 31 October (All-Hallows Eve or Hallowe’en), 1 November (All Saints) and 2 November (All Souls).
Hughes, Rebekkah (29 de outubro de 2014). «Happy Hallowe’en Surrey!» (PDF). The Stag. University of Surrey. p. 1. Consultado em 31 de outubro de 2015.
Don’t Know Much About Mythology: Everything You Need to Know About the Greatest Stories in Human History but Never Learned (Davis), HarperCollins, page 231
«BBC – Religions – Christianity: All Hallows’ Eve». British Broadcasting Corporation (BBC). 2010. Consultado em 1 de novembro de 2011.
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Roberts, Brian K. (1987). The Making of the English Village: A Study in Historical Geography. [S.l.]: Longman Scientific & Technical. ISBN 9780582301436
Mosteller, Angie (11 de outubro de 2012). «Is Halloween Pagan in Origin?». Crosswalk
Bolinius, Erich (31 de outubro de 2006). «Halloween» (em alemão). FDP Emden
Skog, Jason (2008). Teens in Finland. [S.l.]: Capstone. p. 31. ISBN 9780756534059
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Hynes, Mary Ellen (1993). Companion to the Calendar. [S.l.]: Liturgy Training Publications. p. 160. ISBN 9781568540115. In most of Europe, Halloween is strictly a religious event. Sometimes in North America the church’s traditions are lost or confused.
All Hallows’ Eve (Diana Swift), Anglican Journal
«Online Etymology Dictionary: Halloween». Etymonline.com. Consultado em 13 de outubro de 2013.
«halloween – Origin and meaning of the name halloween by Online Etymology Dictionary». http://www.etymonline.com
A Pocket Guide To Superstitions Of The British Isles (Publisher: Penguin Books Ltd; Reprint edition: 4 November 2004) ISBN 0-14-051549-6
All Hallows’ Eve BBC. Retrieved 31 October 2011.

[1] Que é relativo a Gaélico, próprio dos celtas da Grã-Bretanha ou Irlanda.

Jerônimo completa a Vulgata 405 D.C. – Grandes acontecimentos que marcaram a história do Cristianismo. (Comentário de Pastor Luiz Antonio).

Grandes Acontecimentos WebVulgata é a tradução da Bíblia para o latim que foi usada pela Igreja Cristã por séculos e ainda hoje  é muito respeitada, foi escrita no século IV, por Jerônimo, a pedido do Papa Dâmaso I. Jerônimo (em latim: Eusebius Sophronius Hieronymus), também conhecido por Jerônimo de Estridão (cidade na província romana da Dalmácia), foi um sacerdote cristão destacado como teólogo, historiador e considerado confessor e Doutor da Igreja pela Igreja Católica. Sua obra mais conhecida foi a tradução da Bíblia para o latim (conhecida como Vulgata). O nome Vulgata vem da expressão vulgata versio, isto é “versão de divulgação para o povo”, e foi escrita em um latim cotidiano, usado na Vulgata em uma distinção consciente ao latim elegante de Cícero, a quem Jerônimo considerava seu mestre. A denominação Vulgata consolidou-se na primeira metade do século XVI, sobretudo a partir da edição da Bíblia de 1532, tendo sido definitivamente consagrada pelo Concílio de Trento, em 1546. O Concílio estabeleceu um texto único para a Vulgata a partir de vários manuscritos existentes, e esta versão foi ratificada como a Bíblia oficial da Igreja, confirmando assim os outros concílios desde o século II. Nos seus primeiros séculos, a Igreja serviu-se sobretudo da língua grega e foi nesta língua que o Novo Testamento foi escrito, bem como muitos escritos cristãos de séculos seguintes. No século IV, Jerônimo traduz o Antigo Testamento para o latim e revê a Vetus Latina, além de selecionar e revisar textos no Novo Testamento. A Vulgata foi produzida para ser mais exata e mais fácil de compreender do que suas predecessoras. Foi a primeira, e por séculos a única, versão da Bíblia que verteu o Velho Testamento diretamente do hebraico e não da tradução grega conhecida como Septuaginta. A Vulgata, foi usada pela Igreja Católica Romana durante muitos séculos, e ainda hoje é fonte para diversas traduções.

Nova Vulgata

Após o Concílio Vaticano II, por determinação do Papa Paulo VI, foi realizada uma revisão da Vulgata, sobretudo para uso litúrgico. Esta revisão, terminada em 1975, e promulgada pelo Papa João Paulo II em 25 de abril de 1979 é denominada Nova Vulgata e ficou estabelecida como a nova Bíblia oficial da Igreja Católica.

Prólogos da Vulgata

Além do texto bíblico, a Vulgata contém prólogos: Pentateuco, Josué, Reis (Prologus Galeatus), Crônicas, Esdras, Tobias, Judite, Ester, Jó, Salmos (LXX), Livros de Salomão, Isaías, Jeremias, Ezequiel, Daniel, 12 Profetas (menores), Os Evangelhos, Epístolas Paulinas (Primum Quaeritur), os quais a maioria foi escrita por Jerônimo. Esses prólogos são escritos críticos não destinados ao público em geral. O tema recorrente dos prólogos se refere à primazia do texto hebraico sobre os textos da Septuaginta (LXX), escrita em grego koiné.

Entre os mais notáveis prólogos se destaca o Prologus Galeatus, de Jerônimo. Jerônimo traduziu os deuterocanônicos do aramaico. Os deuterocanônicos foram incluídos na edição da Vulgata conforme estavam na Antiga Latina.

Nota: O prólogo Primum Quaeritur (Primeira Pergunta), de autoria desconhecida, defende a autoria paulina para a carta aos Hebreus.

A igreja desde o início aceitou que havia a necessidade de traduzir a Bíblia. Embora o grego comum do Novo Testamento fosse amplamente compreendido em todo o Império Romano, nem todos conheciam aquela língua, e a Igreja tinha o objetivo de alcançar a todos com o Evangelho.

Surgiram então as primeiras traduções em várias línguas, especialmente para o latim (que, com o tempo, passou a ser a língua oficial do império), o siríaco e o copta. Embora possamos destacar o zelo dos primeiros tradutores, infelizmente nem sempre tinham bom domínio do grego.

Dâmaso foi bispo de Roma de 366 a 385. Embora o bispado de Roma fosse tido em grande estima, Dâmaso ainda não alcançara o poder superior ao dos outros bispos, e Dâmaso, a propósito, gostava do poder. Ele queria libertar o cristianismo ocidental da dominação do Oriente. Havia muito tempo, o grego era a língua aceita pela Igreja, mas Dâmaso queria que a Igreja do Ocidente se tornasse claramente latina. Uma das maneiras de conseguir isso seria traduzir a Bíblia para o latim.

O secretário de Dâmaso era Eusebius Sophronius Hieronymus, embora fosse mais conhecido na igreja por Jerônimo. Ele foi treinado nos clássicos em latim e grego e repreendia severamente a si mesmo por sua paixão pelos autores seculares. Para punir-se, praticava uma vida de renúncia e retirou-se para a Síria para estudar hebraico. Jerônimo já havia se tornado um dos maiores estudiosos na época em que começou a trabalhar para Dâmaso.

Como parte de seu plano para transformar a Igreja do Ocidente em uma instituição claramente latina., Dâmaso sugeriu que seu secretário produzisse uma tradução latina da Bíblia, que eliminasse as imprecisões das traduções mais antigas. Dâmaso buscava uniformidade na Igreja e como já padronizara o culto de adoração das igrejas que estavam sob sua autoridade, agora queria um conjunto padronizado das Escrituras.

Jerônimo começou sua obra em 382. Quando Dâmaso morreu, em 384, Jerônimo, aparentemente, alimentava o desejo de ocupar a posição de bispo de Roma. Em parte pela amargura de não ter sido escolhido, e em parte pelo desejo de se livrar das distrações mundanas.

Jerônimo mudou-se de Roma para a Terra Santa, estabelecendo-se em Belém. Em 405, terminou sua tradução, que, a propósito, não foi sua única obra.

Durante 23 anos, ele também produziu comentários e outros escritos, servindo de conselheiro espiritual para algumas viúvas ricas e bastante devotas. Ele se envolveu em várias batalhas teológicas de seus dias, por meio de cartas eloquentes, às vezes, bastante duras que até hoje são consideradas muito dramáticas.

Jerônimo começou sua tradução trabalhando a partir da Septuaginta, a versão grega do Antigo Testamento. Porém, logo resolveu estabelecer um precedente para todos os bons tradutores do Antigo Testamento: seria melhor e mais prudente trabalhar a partir dos originais em hebraico. Jerônimo em seu zelo consultou muitos rabinos e procurava com isso atingir um alto grau de perfeição.

Jerônimo ficou surpreso com o fato de as Escrituras hebraicas não incluírem os livros que chamamos hoje de apócrifos[1]. Sua admiração se deu pelo fato de terem sido incluídos na Septuaginta.

Jerônimo foi compelido a incluí-los também em sua tradução, mas deixou sua opinião bastante clara: eles eram liber ecclesiastici (livros da Igreja), e não liber canonici (livros canónicos). Embora os apócrifos pudessem ser usados para a edificação, não poderiam ser utilizados para estabelecer doutrina alguma.

Centenas de anos mais tarde, os líderes da Reforma dariam um passo adiante e não incluiriam esses livros na Versão Bíblica Protestante.

A biblioteca divina, termo pelo qual Jerônimo se referia à Bíblia, foi finalmente disponibilizada em uma versão precisa e muito bem escrita, na linguagem usada comumente nas igrejas do Ocidente. Ficou conhecida por Vulgata (do latim vulgus, “comum”). A enorme influência de Jerônimo fez com que todos os estudiosos sérios da Idade Média tivessem grande respeito por sua tradução. Martinho Lutero, que conhecia hebraico e grego, fez citações da Vulgata durante toda sua vida.

Pelo fato de a obra de Jerônimo ter o selo de aprovação da Igreja, outros tradutores tiveram dificuldades em segui-lo. Até à Reforma, poucas traduções haviam sido feitas para as línguas européias e, mesmo assim, em vez de trabalhar a partir do Novo Testamento em grego, os tradutores se voltavam para a Vulgata.

Ironicamente, com o tempo, a tradução da Bíblia no idioma que toda a igreja ocidental pudesse usar (o latim), fez com que a Igreja tivesse um culto de adoração e uma Bíblia que nenhum leigo de outra nação pudesse entender. A tradução de Jerônimo deu ao latim o ímpeto que Dâmaso buscava (a Igreja do Ocidente se tornara claramente latina). A Vulgata ao contrário do pretendido por Jerônimo (versão de divulgação para o povo) se tornou tão sacrossanta que a tradução dessa Bíblia para outras línguas foi proibida.

A Igreja Romana não é autora da Bíblia, porém fez algo de bom para a humanidade quando através de Jerônimo  nos entregou a Bíblia traduzida do hebraico para latim (conhecida como a Vulgata Latina).  Outro benefício que esta versão fez foi o de definir depois de muito labor, quais livros seriam considerados dignos de confiança, inspirados, e quais seriam considerados espúrios ou apócrifos.

[1] Livros apócrifos ou Pseudocanônicos, são os livros escritos por comunidades cristãs e pré-cristãs. O termo apócrifo (oculto) foi criado por Jerônimo, no quinto século, para designar basicamente antigos documentos judaicos escritos no período entre o último livro das escrituras judaicas, Malaquias e a vinda de Jesus Cristo. São livros que, segundo a religião protestante, não foram inspirados por Deus e não fazem parte do cânon.

João Crisóstomo se torna bispo de Constantinopla 398 D.C. – Grandes acontecimentos que marcaram a história do Cristianismo. (Comentário de Pastor Luiz Antonio).

João CrisóstomoJoão Crisóstomo (c. 347, Antioquia / 14 de setembro de 407, Comana Pôntica) foi um arcebispo de Constantinopla e um dos mais importantes patronos do cristianismo primitivo. Ele é conhecido por suas poderosas homilias[1], por sua habilidade em oratória, por sua denúncia dos abusos cometidos por líderes políticos e eclesiásticos de sua época, por sua considerada “Divina Liturgia” e por suas práticas ascetas. O epíteto Χρυσόστομος (“Chrysostomos“, aportuguesado como “Crisóstomo”) significa “da boca de ouro” em língua grega e lhe foi dado por conta de sua lendária eloquência. O título apareceu pela primeira vez na “Constituição” do papa Vigílio em 553 e ele é considerado o maior pregador cristão da história

A primeira vez que a atenção do público se voltou para João Crisóstomo foi devido a uma rebelião em protesto pelos novos impostos. Ele era pastor em Antioquia, em 387, quando o imperador Teodósio impôs essa nova taxa. O povo de Antioquia ficou enraivecido. Em protesto, se revoltaram, atacando oficiais do império e mutilando estátuas de Teodósio e de sua família. A ordem foi logo restaurada e as pessoas esperavam ser punidas.

Flaviano, bispo de Antioquia, correu para Constantinopla, a capital do império, pedindo clemência ao imperador. Teodósio era conhecido por enviar tropas para massacrar os cidadãos que lhe causavam dificuldades. Enquanto o bispo e uma legião de monges pleiteavam junto ao imperador, João tentava acalmar as multidões. O bispo retornou com notícias de anistia e João insistia com as pessoas para que as atitudes delas mudassem para melhor.

Essa não seria a última vez que João enfrentaria uma situação política séria. Ele fez aquilo com coragem, fidelidade e, talvez, com certa dose de arrogância.

Ε possível que ele tivesse aprendido isso com sua mãe, Antusa. Seu marido era oficial militar e morreu pouco depois do nascimento de João. Ela estava com apenas vinte anos e era muito bonita, mas rejeitou seus muitos pretendentes com o objetivo de dar a melhor educação possível a João e à irmã dele. Antusa vinha de uma família abastada e foi capaz de dar a João excelente educação, incluindo estudos de retórica com um famoso professor pagão chamado Libânio. João também estudou Direito, mas foi atraído cada vez mais pela ascese[2]. João ingressou em um mosteiro pouco depois da morte de sua mãe.

Em 381, retornou à sua cidade natal, Antioquia, e foi ordenado diácono. O bispo percebeu suas habilidades na comunicação e fez dele pastor e pregador principal de uma das assembléias de Antioquia. Foi nessa função que ele enfrentou a revolta dos impostos. Durante os anos que se seguiram, ele continuou a ganhar respeito devido à sua habilidade na pregação. Por causa disso, recebeu a alcunha de Crisóstomo, transliteração de uma expressão grega cujo significado é “boca de ouro”.

Seguindo a escola teológica de Antioquia, João adotou a abordagem mais literal da Bíblia (em oposição à interpretação mais alegórica da Escola Alexandrina). Ele também enfatizou a plena humanidade de Jesus em uma época em que as pessoas ignoravam esse aspecto. Crisóstomo pregou longas séries de mensagens sobre Gênesis, Mateus, João e Romanos, a maioria das quais ainda possuímos. Ele também escreveu comentários.

Em 397, o bispado de Constantinopla ficou vago. Era uma posição de grande prestígio, na capital do império. O imperador Arcádio escolheu João, o Boca de Ouro. Ε possível que, mais tarde, ele tenha se arrependido de sua decisão.

João era tão popular em Antioquia que teve de ser praticamente raptado para ser levado a Constantinopla. Acabou por ser consagrado bispo na capital em 398. O oficiante da consagração foi o bispo Teófilo de Alexandria.

Devido especialmente às questões políticas, Teófilo causou grandes problemas a João. Ele queria que João lhe fosse subserviente e, provavelmente, ficou enciumado pelo número de novos bispos que passou a seguir Crisóstomo, em função de sua habilidade na pregação. Teófilo também se opunha à teologia de Orígenes, na qual João se fundamentava. Com seu modo audacioso, João provavelmente não despendeu muito esforço para apaziguar o bispo Teófilo.

João tentou ministrar à grande comunidade dos góticos da cidade, dando-lhes boas-vindas, mas não aprovando a heresia ariana que muitos deles professavam. Pregava de maneira veemente contra o pecado, sempre que deparava com ele, a começar pelo próprio clero. Sacerdotes flertavam com a imoralidade, e João queria que isso acabasse. Ele também pregava contra as roupas insinuantes das mulheres de Constantinopla. Embora não se saiba se João tenha feito isso de propósito, o fato é que a imperatriz Eudóxia tomou as palavras de João como afronta pessoal.

Quanto a Teófilo, a gota d’água foi o fato de João ter aceitado quatro monges, defensores da teologia de Orígenes, que haviam sido disciplinados em Alexandria. O bispo alexandrino viajou para Constantinopla e se reuniu com os inimigos de João. Em uma propriedade conhecida como “O Carvalho”, em 403, foi promovido um sínodo que condenou os ensinamentos de João e o baniu de sua igreja.

Eudóxia, no entanto, era supersticiosa. Um acidente, talvez um terremoto, aconteceu no palácio logo depois do sínodo e a imperatriz ficou assustada. Ela, imediatamente, pediu ao imperador que revogasse as decisões do sínodo. João foi trazido de volta por um período de cerca de um ano. Destemido como era, continuou a expressar de maneira aberta que pensava, especialmente quando uma estátua de Eudóxia foi levantada ao lado da catedral.

A imperatriz reagiu. Soldados imperiais interromperam um culto de Páscoa e alguns dos seguidores de João foram massacrados. João foi mandado para o exílio, em Cucusso, lugar lúgubre perto da Armênia. O papa Inocencio i protestou contra esse tratamento, mas o protesto foi em vão.  O imperador do Oriente já tomara suas decisões. Mesmo no exílio, João continuou a se corresponder com seus seguidores, orientando-os sobre as questões da igreja. Logo, o imperador decidiu mandá-lo para mais longe ainda.

Foi assim que João morreu, viajando para o local de exílio ainda mais distante, em 407. Nas décadas seguintes, o papa Inocencio conseguiu limpar o nome de João, ao forçar o bispo Teófilo e outros a incluir o nome de João na lista de nomes pelos quais a igreja deveria orar.

João deixou o legado da boa pregação. Promoveu o estilo de exposição literal da Bíblia conforme praticado em Antioquia e, com Ambrosio, foi um dos primeiros líderes da igreja a se levantar corajosamente diante dos governantes e dizer: “Assim diz o Senhor…”. Alguns cristãos fariam a mesma coisa em outros momentos críticos da história.

[1] Homilia é uma preleção dada por um sacerdote no decorrer de uma missa após a leitura do Antigo Testamento e do Novo Testamento, e antes da recitação do Credo. A homilia tem a função de explicitar a fé o significado dos vários elementos litúrgicos, também em relação à situação dos presentes, para que o encontro dialogal com Deus se torne verdadeiramente consciente para todos e para cada um. Na prática, a homilia deve ser uma “conversa familiar” do homiliasta com o povo de Deus.

[2] A ascese (do grego ἄσκησις, áskesis) é um “exercício espiritual”, que visa ao desenvolvimento do espírito. Muitas vezes, essa prática consiste na renúncia ao prazer e na não satisfação de algumas necessidades primárias. Em outras culturas e etnias diferentes o conceito abrange um grande espectro de práticas, que vão dos ritos iniciáticos como (maus-tratos, incisões e escoriações no corpo, repreensões de extrema severidade, até a mutilação genital ou a participação em provas que exigem atos excessivos de coragem). Hábitos monásticos de diversas religiões incluem o celibato, o jejum e a mortificação do corpo por diversos meios.

 

Referências Bibliogáficas

Conversão de Agostinho 387 D.C. – Grandes acontecimentos que marcaram a história do Cristianismo. (Comentário de Pastor Luiz Antonio).

A Conversão de Agostinho WebAgostinho de Hipona (em latim: Aurelius Augustinus Hipponensis), conhecido universalmente como Santo Agostinho, foi um dos mais importantes teólogos e filósofos dos primeiros anos do cristianismo cujas obras foram muito influentes no desenvolvimento do cristianismo e filosofia ocidental. Ele era o bispo de Hipona, uma cidade na província romana da África. Escrevendo na era patrística, ele é amplamente considerado como sendo o mais importante dos Padres da Igreja no ocidente. Suas obras-primas são De Civitate Dei (“A Cidade de Deus”) e “Confissões”, ambas ainda muito estudadas atualmente.

“Senhor, torna-me casto, mas não agora”, disse um intelectual, voltado à sensualidade, que flertava com o cristianismo — e com muitas outras coisas também. Depois de se entregar a Deus, esse homem não mais teria problemas para ser casto e se tornaria um dos mais influentes escritores que a Igreja já conheceu.

Esse homem complexo era Aurelius Augustinus, mais conhecido por Agostinho. Nasceu em 354, na cidade de Tagaste, filho de Mônica, mãe cristã, e de Patrício, pai pagão, que era oficial romano.

Ao perceber o brilhantismo de seu filho, Mônica e Patrício procuraram as melhores escolas para ele. Estudou retórica em Cartago e foi estimulado a ler autores latinos como Cícero. Convencido por seus estudos de que a verdade era o objetivo da vida, em um primeiro momento rejeitou o cristianismo, porque via nele uma religião para as pessoas de mente simples.

Quando era adolescente, Agostinho tomou para si uma concubina que lhe deu um filho. Pelo resto de sua vida, Agostinho olharia para seus dias passados em Cartago com aversão. Na obra chamada Confissões, comenta: “Cheguei a Cartago, onde um caldeirão de amores profanos estava chiando e borbulhando ao meu redor”.

O jovem incansável experimentou o maniqueísmo, que ensinava que o mundo era um campo de batalha entre a luz e as trevas, a carne e o espírito. O maniqueísmo, no entanto, não conseguiu satisfazer o desejo de Agostinho de encontrar a verdade definitiva. Tampouco conseguiu encontrá-la no neoplatonismo.

Assolado pela própria insatisfação espiritual, Agostinho se mudou de Cartago para Roma e depois para Milão, ensinando retórica nessas cidades. Em Milão, ele se encontrou com o bispo Ambrósio e aprendeu que nem todos os cristãos eram pessoas de mente simples, pois Ambrósio era um homem brilhante.

Em 387, enquanto estava sentado em um jardim em Milão, Agostinho ouviu uma criança cantar uma música que dizia: “Pegue-a e leia-a, pegue-a e leia-a”. Agostinho leu a primeira coisa que encontrou na sua frente: a Epístola de Paulo aos Romanos. Quando leu Romanos 13.13,14, as palavras de Paulo que versam sobre o revestir-se do Senhor Jesus em vez de deleitar-se com os prazeres pecaminosos tocaram profundamente seu coração, e Agostinho creu, rendendo a Cristo e a uma fé verdadeira. “Foi como se a luz da fé inundasse meu coração e todas as trevas da dúvida tivessem sido dissipadas.”

Apesar de Agostinho estar feliz com sua vida monástica tranquila, sua reputação de cristão brilhante se espalhou. Em 391, ele foi pressionado a ser ordenado sacerdote. Em 395, tornou-se bispo da cidade de Hipona, no norte da África.

Todas as controvérsias dos dias de Agostinho o envolviam. O grupo donatista[1] tinha grande preocupação no sentido de que o clero tivesse a moral adequada. Sob a perseguição do imperador Diocleciano, alguns clérigos entregaram cópias das Escrituras a seus perseguidores para que fossem queimadas. Mais tarde, porém, alguns desses “traidores”, como eram chamados, foram readmitidos no clero. Os donatistas se recusaram a aceitar os “Traidores” e estabeleceram uma igreja rival. Milhares de donatistas viviam na diocese de Agostinho.

Agostinho negava a necessidade de uma igreja rival, pois para ele só havia uma igreja. Embora, como disse, pudessem existir algumas pessoas que não fossem exatamente santas na Igreja. Agostinho definia os sacramentos como sinais visíveis da graça invisível, porém não os achava eficientes em razão da ausência de justiça nos sacerdotes, mas entendia que ainda assim a graça de Deus operava por intermédio deles. A visão de Agostinho prevaleceu, e o movimento donatista perdeu força.

Pelágio[2], um monge inglês, espalhou a heresia em que afirmava que a ação do homem era essencial em sua opção por Deus, afirmando assim que a graça de Deus não era tudo no processo de salvação. Pelágio não ensinava que o homem poderia salvar-se a si mesmo, mas negava que o pecado tivesse sido herdado de Adão.

Agostinho se opôs a essa ideia, dizendo que ninguém poderia escolher o bem a não ser que Deus o levasse a fazer isso. Na verdade, para Agostinho Deus havia predestinado os eleitos, seus redimidos, e nada do que o homem pudesse fazer mudaria esse decreto eterno. Em 431, um ano depois da morte de Agostinho, o Concilio de Éfeso condenou oficialmente o pelagianismo.

Agostinho não apenas desafiou a heresia, mas, em sua obra Confissões, descreveu sua busca espiritual, talvez, sua primeira autobiografia verdadeiramente espiritual. A famosa frase “inquieto está nosso coração enquanto não repousa em ti” vem do primeiro parágrafo dessa obra.

Os ensinamentos de Agostinho se tornaram fundamentais ao cristianismo. Seus pensamentos se espalharam tanto entre os teólogos católicos quanto entre os protestantes. Lutero e Calvino o citavam constantemente; gostavam de sua ênfase na graça de Deus e na incapacidade do homem de salvar-se a si mesmo.

Agostinho escreveu centenas de tratados, cartas e comentários. Sua obra clássica, intitulada A Trindade é provavelmente o trabalho mais conhecido sobre o assunto. Entretanto, sua obra mais importante foi A cidade de Deus, trabalho monumental escrito em resposta à queda de Roma diante dos visigodos.

Algumas pessoas culparam os cristãos pelo acontecido, e alegavam que Roma caíra porque seu povo rejeitara os deuses nativos. Em razão dessas afirmações, Agostinho respondeu defendendo e explicando o plano e a obra de Deus na história. Ele diz que, desde Caim e Abel, sempre houve duas cidades no mundo: a cidade de Deus (os fiéis) e a cidade dos homens (a sociedade pagã). Embora elas se inter-relacionem, Deus cuidará para que a cidade de Deus (a igreja) permaneça por toda a eternidade. Embora Agostinho a tenha escrito no final da era antiga, seus pensamentos influenciaram os estudiosos da Idade Média e perduraram até a Reforma.

[1] O donatismo (cujo nome advém de Donato de Casa Nigra, bispo da Numídia e posteriormente de Cartago) foi uma seita religiosa cristã, considerada herética e cismática pelo catolicismo. Surgiu nas províncias do Norte de África na Antiguidade Tardia. Iniciou-se no início do século IV e foi extinta no final do século VII. Os autores que mais influenciaram os donatistas, em termos de doutrina religiosa, foram São Cipriano e Tertuliano.

[2]   Pelágio da Bretanha (em latim: Pelagius; 350-423 (73 anos)) foi um monge ascético, nascido provavelmente na Britânia. Estabeleceu-se em Roma por volta de 405, depois viajou para África do Norte, continuou a viagem até a Palestina e escreveu dois livros sobre o pecado, o livre-arbítrio e a graça: Do livre-arbítrio e   Da natureza: livro em que sustentava que os seres humanos podem ter uma vida sem pecado com seus “dons naturais” e que cabe a eles fazer isso. Esse foi o início da grande controvérsia a respeito do pecado original, do livre-arbítrio e da graça que ocupou a igreja por mais de cem anos e cuja repercussão continuou nos séculos seguintes. Suas opiniões foram criticadas violentamente por Agostinho e seu amigo Jerônimo, tradutor e comentarista bíblico, que morava em Belém na Palestina. Foi inocentado das acusações sobre heresia pelo Sínodo de Dióspolis na Palestina em 415, mas condenado como herege pelo bispo de Roma em 417 e 418, e pelo Primeiro Concílio de Éfeso em 431. Não se sabe ao certo o ano e o motivo da sua morte, provavelmente foi por volta de 423. É possível que sua condenação pelo Concílio de Éfeso tenha sido após a sua morte.

 

Referências Bibliogáficas

O Bispo Ambrósio desafia a Imperatriz 385 D.C. Grandes acontecimentos que marcaram a história do Cristianismo. (Comentário de Pastor Luiz Antonio).

Ambrosio desafia a ImperatrizO trabalho pastoral de Ambrósio não se limitou à pregação,  administração dos sacramentos ou à direção dos assuntos econômicos da igreja, etc. Era um homem de fé firme, radicado em uma das principais cidades do Império, sendo um homem de princípios e convicções firmes era inevitável que suas convicções não se tornassem contra a Coroa um dia. Os conflitos mais importantes de Ambrósio com a Coroa foram os que o colocaram frente a frente com a imperatriz Justina. No Ocidente governava, além do Graciano, seu meio-irmão Valentiniano ainda menor de idade. Sendo Valentiniano menor de idade a regência recaíra sobre Graciano. Mas na ausência de Graciano a mãe de Valentiniano, Justina, tinha muito poder, e ela tinha a firme intenção de usar esse, poder para afirmar seu filho sobre o trono e para promover a causa ariana, da qual ela era partidária convicta. Contra seus planos se levantava Ambrósio, cuja política consistia em preencher cada sede das proximidades que ficava vaga com um bispo ortodoxo.

Os soldados cercaram a catedral de Milão. O bispo Ambrosio recebeu ordens da imperatriz Justina para abdicar do controle do prédio, mas ele não se moveu. A guarda germânica do imperador preparou-se para executar as ordens da imperatriz. A guarda não apenas tinha grande lealdade à imperatriz, mas os germanos, provavelmente, eram também arianos, ao passo que o bispo seguia os ensinamentos ortodoxos do Concilio de Nicéia.

Muitos esperavam o massacre dos considerados infiéis reunidos na catedral, mas os observadores ouviram o som de salmos ecoando pelo ar e por isso a força imperial deparou-se com uma fé inabalável.

O homem em quem esse conflito estava centralizado era o bispo Ambrosio um dos líderes mais fortes que a Igreja já conhecera. Ambrosio, ainda jovem filho de um dos mais altos oficiais do governo de Constantino, fora criado para seguir os passos de seu pai. Quando terminou seus estudos em Direito, foi nomeado governador do território em volta da cidade de Milão. Muitos o consideravam um líder justo e altamente capaz.

Na época em que Ambrosio ocupava a posição de governador, um ariano chamado Auxêncio ocupou a posição de bispo de Milão. O bispo morreu em 374, e um grande tumulto se levantou enquanto a Igreja tentava escolher o sucessor. Devido ao seu papel governamental, Ambrosio foi até lá para abrandar a contenda.

De repente, alguém começou a gritar: “Ambrosio para bispo!”. E muitas mais pessoas se juntou ao coro.

O único problema era que Ambrosio nem sequer fora batizado. Embora já acreditasse em Cristo havia bastante tempo, continuava um iniciante sem confirmar sua fé. Mas isso não parecia fazer a menor diferença. A aclamação popular fez com que, em somente oito dias, ele fosse consagrado o novo bispo de Milão, queimando as diversas etapas importantes, como o batismo e muitos cargos intermediários que eram requeridos para alcançar esse cargo.

O arianismo[1] perdera seu poder. O último imperador do Oriente a defender essa causa foi Valente, morto em 378. Graciano, imperador do Ocidente, indicou o general Teodósio para governar a metade oriental do império, a partir de Constantinopla. Em 380, os dois imperadores promulgaram um édito declarando o cristianismo niceno a religião de todo o reino. Isso terminou por destruir a seita ariana, exceto em algumas terras distantes, entre os godos e entre alguns membros da família imperial.

Ambrosio levou muito a sério sua posição como bispo. Estudou as Escrituras, e os Pais da Igreja com intensidade, e começou a pregar todos os domingos. Ele sempre fora um grande orador e agora seu discurso tinha ainda mais profundidade. Basilio de Cesaréia, um de seus contemporâneos, descreveu Ambrosio como “um homem notável por seu intelecto, por sua linhagem ilustre e por sua notoriedade na vida e no dom da palavra, um objeto de admiração de todos neste mundo”.

Um de seus admiradores era um escritor de discursos chamado Agostinho. Este jovem cartaginês já pesquisara o maniqueísmo e fora atraído pelos pagaos de Roma. Fora mandado para Milão como professor e retórico do imperador adolescente Valentiniano. Naqueles dias, o poder imperial tinha sua base em Milão, mas o Senado, em Roma, ainda era influente.

De maneira geral, os senadores ainda abraçavam os antigos modos pagãos romanos, mas os imperadores eram cristãos. É bem possível que Agostinho tenha sido mandado pelos pagãos do Senado para ajudar a influenciar o jovem imperador Valentiniano.

Por razões políticas, Agostinho tornou-se catecúmeno na igreja cristã e durante esse processo, entrou em contato com Ambrosio e ficou impressionado com a humildade e o poder do bispo. Mais tarde, por meio do testemunho de um dos ajudantes de Ambrosio, Agostinho se converteu (daremos mais detalhes sobre Agostinho no próximo – Grandes Acontecimentos que marcaram a História do Cristianismo).

Ambrosio também ficou conhecido como compositor de hinos.

Justina era a mãe do imperador Valentiniano, o sucessor de Graciano como governador do Império Romano do Ocidente. Ela era o poder por trás do trono. Como ariana, queria reclamar para si a catedral de Ambrosio, assim como outra igreja em Milão, para que pudessem ser usadas pelas congregações arianas. Ambrosio se recusou a ceder a catedral. Ela então enviou soldados para cumprir suas ordens. O palco estava preparado para o derramamento de sangue.

No entanto, as tropas se dispersaram. Ninguém sabe o porquê. Alguns acham que Ambrosio pode ter feito com que uma mensagem chegasse até Teodósio, homem fervoroso, não-ariano, que governava o Oriente. Talvez a mensagem para Valentiniano, ameaçando a fúria de Teodósio, tenha feito com que o jovem suprimisse os planos de sua mãe. Seja qual for o caso, Ambrosio se posicionou diante da corte imperial e venceu.

Mais tarde, Ambrosio enfrentou o próprio imperador Teodósio. O imperador reagiu de forma exagerada a um distúrbio em Tessalônica, enviando o exército para massacrar os cidadãos daquela cidade. Ambrosio considerou isso um ato hediondo e excomungou Teodósio até que o imperador cumprisse penitência. O fato de o imperador voltar à catedral vestido de saco e coberto de cinza e ajoelhar-se diante do bispo buscando perdão é um testemunho tanto da coragem de Ambrosio quanto da humildade de Teodósio.

Houve um tempo em que a Igreja enfrentou a perseguição de imperadores, agora porém vemos um se humilhando ante o poder da Igreja. Com Ambrosio, um novo padrão de relacionamento entre a Igreja e o Estado começava a se desenvolver.

[1] O arianismo foi uma visão cristológica sustentada pelos seguidores de Ário, presbítero cristão de Alexandria nos primeiros tempos da Igreja primitiva, que negava a existência da consubstancialidade entre Jesus e Deus Pai, que os igualasse, concebendo Cristo como um ser pré-existente e criado, embora a primeira e mais excelsa de todas as criaturas, que encarnara em Jesus de Nazaré. Jesus então, seria subordinado a Deus Pai, sendo Ele (Jesus) não o próprio Deus em si e por si mesmo. Segundo Ário, só existe um Deus e Jesus é seu filho e não o próprio Deus. Ao mesmo tempo afirmava que Deus seria um grande e eterno mistério, oculto em si mesmo, e que nenhuma criatura conseguiria revelá-lo, visto que Ele não pode revelar a si mesmo.

 

Referências Bibliogáficas

A Carta de Atanásio reconhece o cânon do Novo Testamento 367 D.C. – Grandes acontecimentos que marcaram a história do cristianismo. (Comentário de Pastor Luiz Antonio).

A Carta de Atanásio reconhece o cânon do Novo Testamento 367 D.C. WebCarta Pascoal

Cartas pascoais ou Cartas Festivas eram uma série de cartas enviadas anualmente através das quais o bispo de Alexandria, seguindo uma decisão do Primeiro Concílio de Niceia, anunciava a data na qual a Páscoa deveria ser celebrada. As mais famosas foram as de Atanásio, cuja coleção foi redescoberta numa tradução do siríaco em 1842. Mas cartas de outros bispos alexandrinos também sobreviveram, incluindo as de São Cirilo de Alexandria.

39ª Carta Pascoal de Atanásio

Das 45 Cartas Pascoais de Atanásio, a 39ª, escrita para a Páscoa de 367 d. C. é importante por sua ligação com a consolidação cânon da Bíblia. Nela, Atanásio lista os livros do Antigo Testamento como sendo 22, seguindo a tradição judaica. Aos livros da Tanakh, ele acrescenta o Livro de Baruque e a Carta de Jeremias, mas exclui o Livro de Ester. A carta lista também os livros do Novo Testamento como os tradicionais 27: os 4 Evangelhos, os Atos dos Apóstolos, as 7 Epístolas Gerais (listadas na ordem que aparecem nas edições modernas) e as 14 Epístolas Paulinas (com a Epístola aos Hebreus situada entre II Tessalonicenses e as Epístolas Pastorais), terminando com o Apocalipse. Embora a ordem de Atanásio seja diferente da moderna, trata-se da mais antiga referência ao cânone moderno do Novo Testamento.

Atanásio reconhece ainda, não como parte do cânon da Bíblia, mas como livros “nomeados pelos Padres para serem lidos pelos recém-convertidos”: Sabedoria de Salomão, os livros de Ester, Judite e Tobias, além da Didaquê e o Pastor de Hermas.

Além destes, Atanásio lista também os livros que devem ser rejeitados, chamando-os de apócrifos (apocrypha) e descreve-os como “uma invenção dos heréticos, que os escrevem quando querem, aprovando-os e inventando para eles uma data para que, fazendo-os passar por obras antigas, encontrem formas de afastar os mais simplórios da verdade”.

Como o cristão poderia ter certeza dos livros que deveriam constar do Novo Testamento?

Quando Paulo mencionou as Escrituras a Timóteo ele disse: Toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça…”; 2Tm 3.16, ele estava se referindo ao Antigo Testamento, mas, mesmo nas páginas do Novo Testamento, temos indicações de que os cristãos começaram a considerar os Evangelhos e as Epístolas de Paulo como textos especiais.

Ao escrever sobre as Epístolas de Paulo, Pedro disse que elas às vezes continham “algumas coisas difíceis de entender”. Todavia, a sabedoria de Paulo fora dada por Deus, e Pedro repreendeu “os ignorantes” que distorciam as palavras de Paulo, fazendo o mesmo com “as demais Escrituras” (2Pe 3.16).

Ε óbvio que Pedro começava a perceber que os cristãos tinham alguns textos edificantes além das obras do AT.

Os judeus decidiram que alguns livros (os que chamamos hoje de Antigo Testamento) foram claramente inspirados por Deus, ao passo que outros não o eram. Por enfrentar heresias, os cristãos também começaram a sentir a necessidade de distinguir entre escritos verdadeiramente inspirados e os de origem questionável.

O Critério Canônico

Havia dois critérios fundamentais, usados pela Igreja para identificar o cânon (kanon é a palavra grega para “padrão”):

          O critério que a Igreja aplicou como teste de autenticidade era ditado pelas necessidades de fazer face à controvérsia com hereges e descrentes.

Como critério básico a apostolicidade da obra deveria ser constatada, ou seja, deveria ter sido escrita por um dos doze ou possuir o que se poderia chamar hoje de imprimatur[1] apostólico. O escrito deveria ser de um apóstolo ou produzido a seu pedido.

O documento também deveria pertencer a um período bem remoto e quanto aos Evangelhos, estes deveriam manter o padrão apostólico de doutrinas particularmente com referência à encarnação e ser na realidade um evangelho e não porções de evangelhos, como tantos que circulavam naquele tempo.

Com relação à origem apostólica, a Igreja incluiu Paulo entre os Apóstolos recebendo como canônicas suas Epístolas. Embora não tenha caminhado pessoalmente com Cristo, Paulo se encontrou com ele na estrada para Damasco, e a abrangência de sua atividade missionária (relatada no livro de Atos dos Apóstolos) fez dele um modelo de Apóstolo.

Com relação ao uso dos textos nas Igrejas, a orientação parecia ser a seguinte: “Se muitas igrejas usam um texto, e se ele continua a edificá-las, logo esse texto deve ser inspirado”.

Embora esse padrão mostre uma abordagem bastante pragmática, existe uma lógica por traz dele: “alguma coisa inspirada por Deus, sem dúvida, inspirará muitos adoradores”. O texto que não foi inspirado acabaria, mais cedo ou mais tarde, por cair em desuso.

Contudo, esses padrões somente, não eram capazes de estabelecer quais seriam os livros que formariam o cânon; pois diversos textos flagrantemente heréticos as vezes carregavam falsamente o nome de um Apóstolo. Além disso, algumas Igrejas utilizavam textos que outras não se preocupavam em usar.

Por volta do final do século II, os quatro Evangelhos, o livro de Atos e as Epístolas de Paulo eram grandemente valorizadas em quase todos os lugares.

Embora não existisse nenhuma lista “oficial”, as igrejas tinham a tendência crescente de se voltar para esse material como fonte de autoridade espiritual.

Bispos influentes como Inácio, Clemente de Roma e Policarpo contribuíram para que esses textos alcançassem ampla aceitação. Contudo, ainda havia muita disputa com relação a Hebreus, Tiago, 2ª de Pedro, 2ª e 3ª de João, Judas e Apocalipse.

A heresia era uma maneira de fazer com que os cristãos ortodoxos esclarecessem suas posições. Até onde sabemos, a primeira tentativa de elaboração do cânon foi feita por Marcião, que incluiu apenas dez das treze Epístolas de Paulo e o Evangelho de Lucas bastante modificado. Mais tarde, outros grupos heréticos defenderiam seus “livros secretos”, normalmente os que tinham o nome de um Apóstolo ligado a eles.

Uma lista ortodoxa primitiva, compilada por volta do ano 200, foi o Cânon Muratório[2], elaborado pela Igreja de Roma. Ele incluía a maioria dos livros presentes hoje no Novo Testamento, mas adicionava o Apocalipse de Pedro e a Sabedoria de Salomão. Listas posteriores omitiram alguns livros, e deixaram outros, mas continuavam sendo bastante similares. Obras como O pastor, de Hermas, o Didaquê e a Epístola de Barnabé eram muito consideradas, embora as pessoas tivessem dificuldade em considerá-las escritura inspirada.

Em 367, Atanásio, o bispo de Alexandria, influente e altamente ortodoxo, escreveu sua famosa carta oriental. Nesse documento, enumerava os 27 livros que hoje fazem parte do nosso Novo Testamento. Na esperança de impedir que seu rebanho caminhasse rumo ao erro, Atanásio afirmou que nenhum outro livro poderia ser considerado escritura cristã, embora admitisse que alguns, como o Didaquê, pudessem ser úteis para devoções particulares.

A lista de Atanásio não encerrou esse assunto e em 397d.C., o Concilio de Cartago confirmou sua lista, mas as igrejas ocidentais demoraram ainda muito tempo para estabelecer o cânon. A contenda continuou com relação aos livros questionáveis, embora todos terminassem aceitando o Apocalipse.

No final, a lista de Atanásio recebeu aceitação geral e, desde então, as igrejas por todo o mundo jamais se desviaram de sua sabedoria.

[1] Imprimatur é uma declaração oficial da Igreja Católica, que diz que um trabalho literário ou similar não vai contra as ideias dessa instituição e que é uma boa leitura para qualquer católico. Em latim, “imprimatur” significa “deixem-no ser impresso”.

[2] O Cânone Muratori, também conhecido por fragmento muratoriano ou fragmento de Muratori, é uma cópia da lista mais antiga que se conhece dos livros do Novo Testamento. Foi descoberta na Biblioteca Ambrosiana de Milão por Ludovico Antonio Muratori (1672 – 1750) e publicada em 1740. Na lista figuram os nomes dos livros que o autor desconhecido da lista considerava admissíveis, com alguns comentários. A lista está escrita em latim e encontra-se incompleta, daí ser chamada de fragmento.

 

Referências Bibliogáficas

O Concilío de Niceia 325 D.C. – Grandes acontecimentos que marcaram a história do cristianismo. (Comentário de Pastor Luiz Antonio).

O Concílio de Nicéia 325 D.C.
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Características e propósitos

O Primeiro Concílio de Niceia foi convocado pelo Imperador Constantino (O Grande) em consequência das recomendações de um sínodo liderado por Ósio de Córdoba no tempo pascal de 325. Este sínodo[1] havia sido encarregado de investigar o problema causado pela controvérsia ariana no leste grego do mundo greco-romano. Para a maioria dos bispos, os ensinamentos de Ário eram heréticos e perigosos para a salvação das almas. No verão de 325, os bispos de todas as províncias foram convocados a Niceia, um lugar razoavelmente acessível à maioria dos representantes, particularmente os da Ásia Menor, Geórgia, Armênia, Síria, Palestina, Egito, Grécia e Trácia. Este foi o primeiro concílio geral na história da Igreja convocado por Constantino I. No Concílio de Niceia, a Igreja deu seu primeiro grande passo para definir a doutrina revelada, de forma mais precisa, em resposta a um desafio de uma teologia herética.

Participantes

Constantino convidou todos os 1800 bispos da igreja cristã dentro do Império Romano (cerca de 1 000 no leste e 800 no oeste), mas apenas um número menor e incerto compareceu. Eusébio de Cesareia calculou mais de 250, Atanásio de Alexandria contou 318, e Eustácio de Antioquia estimou aproximadamente 270 (todos os três estavam presentes no concílio). Mais tarde, Sócrates de Constantinopla registrou mais de 300. Evágrio, Hilário de Poitiers, Jerônimo, Dionísio Exíguo e Rufino de Aquileia registraram 318. O número 318 é preservado nas liturgias da Igreja Ortodoxa.

Embora Tertuliano tivesse outorgado à Igreja a ideia de que Deus é uma única substância e três pessoas, isso não facilitou para que o mundo tivesse a compreensão adequada da Trindade, mesmo nos dias de hoje. No passado essa doutrina confundia até os maiores teólogos e ainda hoje isso é um fato.

Logo no início do século IV, Ario, pastor de Alexandria, no Egito, afirmava ser cristão, porém, também aceitava a teologia grega, que ensinava que Deus é um só e não pode ser conhecido. De acordo com esse pensamento, Deus é tão radicalmente singular que não pode partilhar sua substância com qualquer outra coisa: somente Deus pode ser Deus.

Na obra intitulada Thalia, Ario proclamou que Jesus era divino, mas não era Deus. De acordo com Ario, somente Deus, o Pai, poderia ser imortal, de modo que o Filho era, necessariamente, um ser criado. Ele era como o Pai, mas não era verdadeiramente Deus.

Muitos ex-pagãos se sentiam confortáveis com a opinião de Ario, pois, assim, podiam preservar a ideia familiar do Deus que não podia ser conhecido e podiam ver Jesus como um tipo de super-herói divino, não muito diferente dos heróis humanos-divinos da mitologia grega.

Por ser um pregador eloquente, Ario sabia usar ao máximo sua capacidade de persuação e até mesmo chegou a colocar algumas de suas ideias em canções populares, que o povo costumava cantar.

Porém, o bispo Alexandre entendia que para que Jesus pudesse salvar a humanidade pecaminosa, ele precisava ser verdadeiramente Deus. Alexandre conseguiu que Ario fosse condenado por um sínodo, mas Ario, muito popular, tinha muitos adeptos. Logo surgiram vários distúrbios em Alexandria devido a essa melindrosa disputa teológica, e outros clérigos começaram a se posicionar em favor de Ario.

Em função desses distúrbios, o imperador Constantino não podia se dar ao luxo de ver o episódio simplesmente como uma “questão religiosa”. Essa “questão religiosa” ameaçava a segurança de seu império. Assim, para lidar com o problema, Constantino convocou um concilio que abrangia todo o império, a ser realizado na cidade de Nicéia, na Ásia Menor.

Vestido com roupas cheias de pedras incrustadas e multicoloridas, Constantino abriu o concilio. Ele disse aos mais de trezentos bispos que compareceram àquela reunião que deveriam resolver o impasse. A divisão da igreja, para Constantino, era pior do que uma guerra, porque esse assunto envolvia a alma eterna.

O imperador deixou que os bispos debatessem. Convocado diante dos bispos, Ario proclamou abertamente que o Filho de Deus era um ser criado e, por ser diferente do Pai, era passível de mudança.

A assembléia denunciou e condenou a afirmação de Ario, mas eles precisavam ir além disso. Era necessário elaborar um credo que proclamasse sua própria visão.

Assim, formularam algumas afirmações sobre Deus Pai e Deus Filho. Nessas declarações, descreviam o Filho como “Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial com o Pai”.

A palavra “consubstancial” era muito importante e a palavra grega usada pelos bispos para significa-la foi homoousios”. Homo quer dizer “igual”; ousios significa “substância”.

O partido de Ario queria acrescentar uma letra a mais àquela palavra: homoiousios”, cujo significado passaria a ser “de substância similar”.

Com exceção de dois bispos, todos os outros assinaram a declaração de fé. Esses dois, com Ario, foram expulsos. Constantino parecia satisfeito com o resultado de sua obra, mas isso não durou muito tempo.

Embora Ário tivesse ficado temporariamente fora do cenário, sua teologia permaneceria por décadas. Um diácono de Alexandria chamado Atanásio tornou-se um dos maiores opositores do arianismo. Em 328, Atanásio tornou-se bispo de Alexandria e continuou a lutar contra a facção Ariana.

A guerra continuou na igreja do Oriente até que outro concilio, realizado em Constantinopla, no ano 381, reafirmou o Concilio de Nicéia. Ainda assim, traços dos pensamentos de Ario permaneceram na Igreja.

O Concilio de Nicéia foi convocado tanto para estabelecer uma questão teológica quanto para servir de precedente para questões da Igreja e do Estado.

A sabedoria coletiva dos bispos foi consultada nos anos que se seguiram, quando questões espinhosas surgiram na Igreja. Constantino deu início à prática de unir o império e a Igreja no processo decisório. Muitas consequências perniciosas seriam colhidas nos séculos futuros por causa dessa união.

O Credo Niceno

O Credo Niceno deriva-se do credo de Nicéia (composto pelo Concílio de Nicéia (325 AD), com pequenas modificações efetuadas pelo Concílio de Calcedônia (451 AD) e pelo Concílio de Toledo (Espanha, 589 AD). Este credo expressa mais precisamente a doutrina da Trindade, contra o arianismo. Abaixo o texto do Credo de Nicéia, conforme aceito por católicos e protestantes:

Texto

Creio em um Deus, Pai Todo-poderoso, Criador do céu e da terra, e de todas as coisas visíveis e invisíveis; e em um Senhor Jesus Cristo, o unigênito Filho de Deus, gerado pelo Pai antes de todos os séculos, Deus de Deus, Luz da Luz, verdadeiro Deus de verdadeiro Deus, gerado não feito, de uma só substância com o Pai; pelo qual todas as coisas foram feitas; o qual por nós homens e por nossa salvação, desceu dos céus, foi feito carne pelo Espírito Santo da Virgem Maria, e foi feito homem; e foi crucificado por nós sob o poder de Pôncio Pilatos. Ele padeceu e foi sepultado; e no terceiro dia ressuscitou conforme as Escrituras; e subiu ao céu e assentou-se à direita do Pai, e de novo há de vir com glória para julgar os vivos e os mortos, e seu reino não terá fim. E no Espírito Santo, Senhor e Vivificador, que procede do Pai e do Filho, que com o Pai e o Filho conjuntamente é adorado e glorificado, que falou através dos profetas. Creio na Igreja una, universal e apostólica, reconheço um só batismo para remissão dos pecados; e aguardo a ressurreição dos mortos e da vida do mundo vindouro.

Comparação dos dois credos.

O Credo Niceno termina com as palavras “(Cremos) no Espírito Santo” e com um anátema contra os arianos. Há também muitas outras diferenças. São poucos os estudiosos que acreditam que o Credo Niceno-constantinopolitano seja uma amplificação do Credo de 325. Só num sentido lato o Credo posterior pode ser chamado niceno, isto é, em conformidade com a fé proclamada em Niceia.

Na tabela abaixo, letras negritas indicam as partes do Credo Niceno omitidas ou movidas no Niceno-constantinopolitano, e letras cursivas as frases presentes no Niceno-constantinopolitano mas não no Niceno.

Credo Niceno (325) Credo Niceno-constantinopolitano (381?)
Πιστεύομεν εἰς ἕνα θεὸν πατέρα παντοκράτορα, πάντων ὁρατῶν τε και ἀοράτων ποιητήν. Πιστεύομεν εἰς ἕνα θεὸν πατέρα παντοκράτορα, ποιητὴν οὐρανοῦ καὶ γῆς, ὁρατῶν τε πάντων καὶ ἀοράτων·
Καὶ εἰς ἕνα κύριον Ἰησοῦν Χριστόν, τὸν υἱὸν τοῦ θεοῦ, γεννηθέντα ἐκ τοῦ πατρὸς μονογενῆ, τοὐτέστιν ἐκ τῆς οὐσίας τοῦ πατρός, καὶ εἰς ἕνα κύριον Ἰησοῦν Χριστόν, τὸν υἱὸν τοῦ θεοῦ τὸν μονογενῆ, τὸν ἐκ τοῦ Πατρὸς γεννηθέντα πρὸ πάντων τῶν αἰώνων,
θεὸν ἐκ θεοῦ, φῶς ἐκ φωτός, θεὸν ἀληθινὸν ἐκ θεοῦ ἀληθινοῦ, γεννηθέντα, οὐ ποιηθέντα, ὁμοούσιον τῷ πατρί φῶς ἐκ φωτός, θεὸν ἀληθινὸν ἐκ θεοῦ ἀληθινοῦ, γεννηθέντα οὐ ποιηθέντα, ὁμοούσιον τῷ πατρί,
δι’ οὗ τὰ πάντα ἐγένετο, τά τε ἐν τῷ οὐρανῷ καὶ τὰ ἐω τῇ γῇ δι’ οὗ τὰ πάντα ἐγένετο,
τὸν δι’ ἡμᾶς τοὺς ἀνθρώπους καὶ διὰ τὴν ἡμετέραν σωτηρίαν κατελθόντα καὶ σαρκωθέντα καὶ ἐνανθρωπήσαντα, τὸν δι’ ἡμᾶς τοὺς ἀνθρώπους καὶ διὰ τὴν ἡμετέραν σωτηρίαν κατελθόντα ἐκ τῶν οὐρανῶν καὶ σαρκωθέντα ἐκ πνεύματος ἅγίου καὶ Μαρίας τῆς παρθένου καὶ ἐνανθρωπήσαντα
παθόντα, καὶ ἀναστάντα τῇ τρίτῃ ἡμέρᾳ, ἀνελθόντα εἰς τοὺς οὐρανούς, σταυρωθέντα τε ὑπὲρ ἡμῶν ἐπὶ Ποντίου Πιλάτου καὶ παθόντα καὶ ταφέντα καὶ ἀναστάντα τῇ τρίτῃ ἡμέρα κατὰ τὰς γραφάς καὶ ἀνελθόντα εἰς τοὺς οὐρανούς καὶ καθεζόμενον ἐκ δεξιῶν τοῦ πατρός
καὶ ἐρχόμενον κρῖναι ζῶντας καὶ νεκρούς. καὶ πάλιν ἐρχόμενον μετὰ δόξης κρῖναι ζῶντας καὶ νεκρούς·
οὗ τῆς βασιλείας οὐκ ἔσται τέλος.
Καὶ εἰς τὸ ἅγιον πνεῦμα. καὶ εἰς τὸ πνεῦμα τὸ ἅγιον, τὸ κύριον, καὶ ζῳοποιόν, τὸ ἐκ τοῦ πατρὸς ἐκπορευόμενον, τὸ σὺν πατρὶ καὶ υἱῷ συμπροσκυνούμενον καὶ συνδοξαζόμενον, τὸ ἐκλαλῆσαν διὰ τῶν προφητῶν·
Τοὺς δὲ λέγοντας· ἦν ποτε ὅτε οὐκ ἦν, καὶ πρὶν γεννηθῆναι οὐκ ἦν, καὶ ὅτι ἐξ οὐκ ὄντων ἐγένετο, ἢ ἐξ ἑτέρας ὑποστάσεως ἢ οὐσίας φάσκοντας εἶναι, ἢ κτιστόν ἢ τρεπτὸν ἢ ἀλλοιωτὸν τὸν υἱὸν τοῦ θεοῦ, ἀναθεματίζει ἡ καθολικὴ ἐκκλησία. Εἰς μίαν ἁγίαν καθολικὴν καὶ ἀποστολικὴν ἐκκλησίαν· ὁμολογοῦμεν ἓν βάπτισμα εἰς ἄφεσιν ἁμαρτιῶν· προσδοκοῦμεν ἀνάστασιν νεκρῶν, καὶ ζωὴν τοῦ μέλλοντος αἰῶνος. ἀμήν.

Numa tradução portuguesa as diferênças aparecem assim:

Credo Niceno (325) Credo Niceno-constantinopolitano (381?)
Cremos em um só Deus, Pai todo-poderoso, criador de todas as coisas visíveis e invisíveis. Cremos em um só Deus, Pai todo-poderoso, Criador do céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis.
Ε em um só Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus, gerado unigênito do Pai, isto é, da substância do Pai; E em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho unigênito de Deus, gerado do Pai antes de todos os séculos
Deus de Deus, luz de luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não feito, consubstancial ao Pai; luz de luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não feito, consubstancial ao Pai,
por quem foram feitas todas as coisas que estão no céu ou na terra. por que, foram feitas todas as coisas.
O qual por nós homens e para nossa salvação, desceu, se encarnou e se fez homem. O qual por nós homens e para a nossa salvação, desceu dos céus: se encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e se fez homem.
Padeceu e ressuscitou ao terceiro dia e subiu aos céus Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos e padeceu e foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia conforme as Escrituras, e subiu aos céus, onde está assentado à direita do Pai.
Ele virá para julgar os vivos e os mortos. Ele virá novamente, em glória, para julgar os vivos e os mortos;
e o Seu reino não terá fim.
E no Espírito Santo. E no Espírito Santo, Senhor e fonte de vida, que procede do Pai; e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado: Ele falou pelos profetas.
E quem quer que diga que houve um tempo em que o Filho de Deus não existia, ou que antes que fosse gerado ele não existia, ou que ele foi criado daquilo que não existia, ou que ele é de uma substância ou essência diferente (do Pai), ou que ele é uma criatura, ou sujeito à mudança ou transformação, todos os que falem assim, são anatematizados pela Igreja Católica. E na Igreja, una, santa, católica e apostólica. Confessamos um só batismo para remissão dos pecados. Esperamos a ressurreição dos mortos; e a vida do mundo vindouro. Amém.

[1] Trata-se de uma reunião convocada pela autoridade eclesiástica. Um sínodo pode ser realizado por qualquer denominação religiosa, sendo comum entre os cristãos. A palavra sínodo tem sua origem no idioma grego – sýnodos – e quer dizer “caminhar juntos”. Um sínodo diocesano é uma “assembléia de eclesiásticos” e leigos “convocados pelo seu prelado ou outro superior” que se reúnem com o propósito de “caminhar juntos”, seguindo um determinado plano.

 

 

NOTAS
Extraído de Paulo Anglada, Sola Scriptura : A Doutrina Reformada das Escrituras (São Paulo: Os Puritanos, 1998), 179-80.
Doutrina de Ario (primeira metade do século IV), segundo a qual Cristo não é eterno, mas o primeiro e mais perfeito ser criado.
Esta frase (tradução do termo latino filioque ) foi adicionada pelo Concílio de Toledo (da igreja ocidental).
Traduzido de Schaff, Creeds of Christendom , 25-29. citado por A. A. Hodge, Outlines of Theology , ( Edinburgh, & Pennsylvania: The Banner of Truth Trust, 1991), 116-117 e Epifânio, Ancoratus c. 374 AD, 118 (citado por Henry Bettenson, Documentos da Igreja Cristã, 56).

 

 

A conversão de Constantino – 312 D.C. Grandes acontecimentos que marcaram a história do cristianismo. (Comentário de Pastor Luiz Antonio).

A Conversão de Constantino 312 D.C.
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Constantino I, também conhecido como Constantino Magno ou Constantino o Grande, (em latim: Flavius Valerius Constantinus; Nascido em 27 de fevereiro de 272 em Naísso (moderna Niš, cidade no sul da Sérvia, a terceira mais importante depois de Belgrado). Morte: 22 de maio de 337 aos 65 anos em Nicomédia (atual Izmit, Turquia) Enterro: Igreja dos Santos Apóstolos em Constantinopla. Foi um imperador romano, proclamado Augusto[1] por suas tropas em 25 de julho de 306. Governou uma porção crescente do Império Romano até a sua morte. Constantino derrotou os imperadores Magêncio e Licínio durante as guerras civis. Ele também lutou com sucesso contra os francos, os alamanos, os visigodos e os sármatas durante boa parte de seu reinado, mesmo depois da reconquista da Dácia, que havia sido abandonada durante o século anterior. Constantino construiu uma nova residência imperial em Bizâncio, chamando-a de Nova Roma. No entanto, em honra de Constantino, as pessoas chamavam-na de Constantinopla, que viria a ser a capital do Império Romano do Oriente durante mais de mil anos. Devido a isso, ele é considerado um dos fundadores do Império Romano do Oriente.

Foi em outubro de 312 d.C. que um jovem general, à quem todas as tropas romanas da Bretanha e da Gália eram fiéis, marchou em direção a Roma para desafiar Maxêncio, outro postulante ao trono imperial.

Nesta ocasião, segundo o relato da história, o general Constantino olhou para o céu e viu um sinal, uma cruz brilhante, na qual se podia ler: “In hoc signo vinces”, que é a tradução latina da frase grega “ἐν τούτῳ νίκα” “en touto nika” que significa “Por este sinal conquistarás”. A lenda também diz que Constantino adotou essa frase grega “εν τούτῳ νίκα”, “en touto nika”, (in hoc signo vinces) como lema.

O historiador Eusébio de Cesareia, diz que Constantino, ao olhar o sol, viu uma cruz luminosa acima dele, e com ela as letras gregas “ksi” (X) e “rhô” (P), as duas primeiras letras do nome de Cristo, pouco antes da batalha da Ponte Mílvia contra Magêncio, em 28 de Outubro de 312. Um monograma composto das duas letras gregas foi criado e posteriormente tornou-se símbolo dos primeiros cristãos.

O supersticioso Constantino já estava começando a rejeitar as divindades romanas a favor de um único Deus. Seu pai adorava o “SOLIS INVITUS”, supremo deus Sol. Seria a visão da cruz acima do sol um bom presságio daquele deus na véspera da batalha?

Mais tarde, Cristo teria aparecido a Constantino em um sonho, segurando o mesmo sinal (uma cruz inclinada), lembrando as letras gregas “ksi” (X) e “rhô” (P), as duas primeiras letras da palavra Christos. O general foi então instruído a colocar esse sinal nos escudos de seus soldados, o que fez prontamente, da forma exata como fora ordenado. Conforme prometido na visão, Constantino venceu a batalha.

Esse foi um dos diversos momentos marcantes do século IV, um período de grandes e violentas mudanças. Qualquer que tivesse saído de Roma no ano 305 d.C. para viver alguns anos fora, quando voltasse certamente esperaria encontrar o cristianismo morto ou enfrentando as últimas ondas de perseguição. Mas ao contrário disso, o cristianismo havia se tornado a religião patrocinada pelo império.

Depois de ter tomado o poder em 284, Diocleciano, um dos mais brilhantes imperadores romanos, começou uma enorme reorganização que afetaria as áreas militar, econômica e civil. Durante sua reorganização em certo período de tempo, ele deixou o cristianismo em paz. Uma das grandes ideias de Diocleciano foi a reestruturação do poder imperial. Ele dividiu o império em Oriente e Ocidente, e cada lado teria um imperador e um vice-imperador (ou César). Cada imperador serviria por vinte anos e, a seguir, os césares assumiriam também por vinte anos e assim por diante. No ano 286, Diocleciano indicou Maximiano para imperador do Ocidente, enquanto ele mesmo continuava a governar o Oriente.

Os césares eram Constancio Cloro (pai de Constantino) no Ocidente e Galério no Oriente.

Como parte da reorganização do império, já que Roma tinha uma moeda única, um sistema político único, deveria portanto, ter uma religião única; mas para concretizar esse plano os cristãos estavam em seu caminho.

Galério era radicalmente anticristão (há informações de que ele em radicalismo anticristão atribuiu a perda de uma batalha a um soldado cristão que fizera o sinal da cruz). Por causa de coisas como essa a partir do ano 298, os cristãos foram retirados do exército e do serviço civil. Em 303, a grande perseguição teve início.

As autoridades planejaram impor severas sanções sobre os cristãos, que começariam a ser implantadas na Festa da Terminália[2], em 23 de fevereiro do ano corrente. As igrejas foram arrasadas, as Escrituras confiscadas, e as reuniões proibidas. No início, não houve derramamento de sangue, mas Galério logo se encarregou de mudar essa situação.

Quando Diocleciano e Maximiano deixaram seus postos (de acordo com o planejado), em 305, Galério desencadeou uma perseguição ainda mais brutal e até o ano 310, a perseguição tirou a vida de muitos cristãos. Mesmo com toda sua ira Galério foi incapaz de esmagar a Igreja. Em seu leito de morte, ele mudou de ideia e no dia 30 de abril de 311, Galério desistiu de lutar contra o cristianismo e promulgou o Edito de Tolerância[3].

Apesar de todo o mal que fizera aos cristãos, insistiu em dizer que fizera tudo para o bem do Império, e que o número de cristãos ainda era grande e que “persistiam em sua determinação”. Desse modo, agora era melhor permitir que eles vivessem livremente, contanto que não atentassem contra a ordem pública.

Além disso, Galério declarou: “Será tarefa dos cristãos orar ao seu Deus em benefício de nosso Estado”. Galério morreu seis dias depois. Por volta desse tempo o grande plano reformador de Diocleciano começara a ruir.

Quando Constancio morreu, no ano 306, seu filho Constantino foi proclamado governador por seus soldados leais. Maximiano, então, tentou sair do exílio e governar o Ocidente outra vez com seu filho Maxêncio (que terminou tirando o próprio pai do poder). Enquanto isso, antes de sua morte Galério indicara Licínio, um general de sua confiança, para governar o Ocidente.

Cada um desses futuros imperadores reivindicava um pedaço do território ocidental.

Constantino, de maneira astuta, forjou uma aliança com Licínio e lutou contra Maxêncio. Na batalha da Ponte Mílvia, Constantino saiu vitorioso.

Constantino estava ansioso para agradecer a Cristo por sua vitória e, desse modo, optou por dar liberdade e status à Igreja.

No ano 313, ele e Licínio emitiram oficialmente o Edito de Milão[4], garantindo a liberdade religiosa dentro do império. “Nosso propósito é garantir tanto aos cristãos quanto a todos os outros a plena autoridade de seguir qualquer culto que o homem desejar”.

Constantino, imediatamente, assumi interesse pela Igreja, restaurou suas propriedades, deu-lhe dinheiro, interveio na controvérsia donatista e convocou os concilios eclesiásticos de Arles e de Nicéia. Ele também fazia manobras para obter poder sobre Licínio, a quem finalmente depôs, em 324.

A partir da conversão de Constantino a Igreja passou de perseguida a privilegiada. Depois de séculos como movimento contracultural, a Igreja precisava aprender a lidar com o poder. Porém, em um período de tempo surpreendentemente curto suas perspectivas mudaram por completo e infelizmente ela não fez as coisas de maneira correta.

A própria presença dinâmica de Constantino modelou a Igreja do século IV.

Ele era um mestre do poder e da política, e a Igreja aprendeu a usar essas ferramentas.

Se a visão de Constantino foi autêntica ou ele foi apenas um oportunista, que usou o cristianismo para benefício próprio, não sabemos! Somente Deus que conhece as almas e o próprio Constantino saberiam dizer! Embora tenha falhado na demonstração de sua fé em várias ocasiões, Constantino certamente assumiu um interesse ativo no cristianismo que professava, e chegou até mesmo a correr risco pessoal em certos momentos.

É certo que Deus usou Constantino para fazer com que coisas boas acontecessem para a Igreja, já que o imperador afirmou e assegurou a tolerância oficial para a fé cristã. Por hora, a batalha contra a perseguição romana estava vencida, mas os cristãos ainda haveriam de provar seu valor e fé nas arenas e nas fogueiras enfrentando bravamente a morte.

[1] Augusto (Augustus, plural: Augusti), Latim para “majestoso”, “o exaltado”, ou “venerável”. Foi um título romano antigo dado para Caio Otávio – (em latim: Gaius Iulius Caesar Octavianus Augustus), frequentemente referido simplesmente como Augusto, o primeiro imperador de Roma.

[2] Terminália (em latim: Terminalia) foi um antigo festival da antiga Roma em honra do deus Término, que era a divindade tutelar das fronteiras. A sua estátua era uma simples pedra colocada na terra para marcar os limites entre duas propriedades adjacentes. No festival os dois proprietários dos terrenos onde havia tais pedras-estátuas coroavam-nas com flores e formavam uma mesa de altar onde faziam oferendas de grãos, mel e vinho e sacrificavam um cordeiro ou um porco; acabavam cantando ao deus.

[3] O Edito de Tolerância de Galério ou Édito de Tolerância de Nicomédia foi um edito datado de 311 d.C. e emitido pela tetrarquia de Galério, Constantino I e Licínio, oficialmente colocando um fim à perseguição de Diocleciano aos cristãos.

[4] O Édito de Milão ou Mediolano (em latim: Edictum mediolanense) promulgado em 13 de junho de 313 foi um documento proclamatório no qual se determina que o Império Romano seria neutro em relação ao credo religioso, acabando oficialmente com toda perseguição sancionada oficialmente, especialmente aos cristãos. Tal documento, publicado em forma de carta, transcreveu o acordo entre os tetrarcas Constantino (imperador do Ocidente) e Licínio (imperador do Oriente).

 

Referências Bibliogáficas