A preservação e a tradução da Bíblia

A preservação e a tradução da Bíblia

Este capítulo abrange os seguintes pontos: línguas ori­ginais da Bíblia; os manuscritos mais importantes; as pri­meiras e principais versões e traduções; certas particulari­dades do texto bíblico. Em todos esses fatos podemos ver a mão poderosa de Deus agindo para que este Livro chegasse às nossas mãos, para nossa felicidade eterna.

I. AS LÍNGUAS ORIGINAIS DA BlBLIA

O hebraico e o aramaico para o Antigo Testamento, e o grego para o Novo Testamento, são as línguas originais da Bíblia.

a. O hebraico. Todo o Antigo Testamento foi escrito em hebraico, o idioma oficial da nação israelita, exceto algu­mas passagens de Esdras, Jeremias e Daniel, que foram es­critas em aramaico. A mais extensa é em Daniel, que vai de 2.4 a 7.28.

O hebraico faz parte das línguas semíticas, que eram faladas na Ásia (mediterrânea), exceto em bem poucas re­giões. As línguas semíticas formavam um ramo dividido em grupos, sendo o hebraico integrante do grupo cananeu.

O aramaico já era língua internacional do comércio nas regiões situadas ao longo das rotas comerciais do Oriente. O aramaico é também chamado “siríaco”, no Norte (2 Rs 18.26; Ed 4.7; Dn 2.4 ARC), e também “caldaico”, no Sul (Dn 1.4). Tinha o mesmo alfabeto que o hebraico, diferia nos sons e na estrutura de certas partes gramaticais. Do mesmo modo que o hebraico, não tinha vogais; a partir de 800 d.C., é que os sinais vocálicos lhe fo­ram introduzidos. É muito parecido com o hebraico.

O aramaico foi a língua do Senhor Jesus, seus discípu­los e da igreja primitiva, em Jerusalém. Em Mateus 5.18, quando Jesus diz que a menor letra é o jota (aramaico io­de), Ele tinha em mente o alfabeto aramaico, pois somente neste é que se verifica isto. (A letra iode originou o nosso i). Nos dias de Jesus, o aramaico já se modificara um pouco na Palestina, resultando no “aramaico palestinense”, como o chamam os eruditos. Também em Marcos 14.36, o uso da palavra aramaica “abba, Pai”, por Jesus, é outra evi­dência de que Ele falava aquela língua. Que Ele também falava o hebraico é evidente em Lucas 4.16-20, uma vez que os rolos sagrados eram escritos em hebraico.

O hebraico foi de fato absorvido pelo aramaico, mas continuou sendo a língua oficial do culto divino no templo e nas sinagogas, dos rolos sagrados, e dos rabinos e erudi­tos. Havia escolas de rabinos, inicialmente em Jerusalém, e, depois da queda da cidade, em Tiberíades. Havia esco­las semelhantes noutros centros judaicos. As conquistas árabes e a propagação do islamismo em largas áreas da Ásia, África e Europa, reduziu e por fim destruiu a influên­cia do aramaico. Por sua vez, o hebraico, sendo língua morta, começou a ressurgir. Para que se cumprissem as profecias referentes a Israel, era necessário que a língua re­vivesse e assumisse a posição que hoje desfruta na família das nações modernas.

O aramaico ainda sobrevive numa remota e pequena vila da Síria, chamada Malloula, com a população de 4.000 habitantes.

Devido aos hebreus terem adotado o aramaico como uma língua, este passou a chamar-se hebraico, conforme se vê em Lucas 23.38; João 5.2; 19.13,17,20; Atos 21.40; 26.14; 72 , Apocalipse 9.11.

Portanto, quando o NT menciona o hebraico, trata-se, na realidade, do aramaico. Marcos, es­crevendo para os romanos, põe em aramaico 5.41 e 15.34 do seu livro; já Mateus, que escreveu para os judeus, escreve a mesma passagem em hebraico (Mt 27.46).

O AT contém, além do hebraico e aramaico, algumas palavras persas, como “tirsata” (Ed 2.63 FIG) e “sátrapa” (Dn 3.2).

c. O Grego. Esta é a língua em que foi originalmente es­crito o Novo Testamento. A única dúvida paira sobre o li­vro de Mateus, que muitos eruditos afirmam ter sido escri­to em aramaico. O grego faz parte do grupo das línguas arianas. Vem da fusão dos dialetos dórico e ático. Os dóricos e os áticos foram duas das principais tribos que povoa­ram a Grécia. É língua de expressão muito precisa, e, das línguas bíblicas, é a que mais se conhece, devido a ser mais próxima da nossa.

O grego do Novo Testamento não é o grego clássico dos filósofos, mas o dialeto popular do homem da rua, dos co­merciantes, dos estudantes, que todos podiam entender: era o “Koiné”. Este dialeto formou-se a partir das conquis­tas de Alexandre, em 336 a.C. Nesse ano, Alexandre subiu ao trono e, no curto espaço de 13 anos, alterou o curso da história do mundo. A Grécia tornou-se um império mun­dial, e toda a terra conhecida recebeu influência da língua grega. Deus preparou, deste modo, um veículo linguístico para disseminar as novas do Evangelho até os confins do mundo, no tempo oportuno.

Até no Egito o grego se impôs, pois aí foi a Bíblia tradu­zida do hebraico para o grego – a chamada Septuaginta, cerca de 285 a.C. Nos dias de Jesus, os judeus entendiam quase tão bem o grego como o aramaico, haja vista que a Septuaginta em grego era popular entre os judeus. Nos pri­mórdios do cristianismo, o Evangelho pregado ou escrito em grego podia ser compreendido pelo mundo todo. Só Deus podia fazer isso! Ele não enviaria o seu Filho ao mun­do enquanto este não estivesse preparado, e esse preparo incluía uma língua conhecida por todos. (Ver Marcos 1.15 e Gaiatas 4.4.)

A língua grega tem 24 letras; a primeira é alfa e a últi­ma ômega. Quando, em Apocalipse 1.8, Jesus diz que é o Alfa e o Omega, está afirmando que é o primeiro e o últi­mo. Os gregos receberam seu alfabeto através dos fenícios, conforme mostram estudos a respeito.

Ninguém vá supor que por não conhecer essas línguas originais das Escrituras, não compreenderá a revelação di­vina. Sim, o conhecimento e a compreensão dos originais auxiliará muito, mas não é o essencial. Na Bíblia, como já dissemos, vêem-se duas coisas principais: o texto e a men­sagem. O principal é a mensagem contida no texto. É espe­cialmente a mensagem que o Espírito Santo vitaliza, reve­la e maneja como sua espada (Ef 6.17).

II. OS MANUSCRITOS DA BÍBLIA

A história da Bíblia e como chegou até nós, é encontra­da em seus manuscritos. Manuscritos são rolos ou livros da antiga literatura, escritos à mão. O texto da Bíblia foi pre­servado e transmitido mediante os seus manuscritos. Nos tratados sobre a Bíblia, a palavra manuscritos é sempre in­dicada pela abreviatura MS, no plural MSS ou MSs. Há, em nossos dias, cerca de 4.000 MSS da Bíblia, preparados entre os séculos II e XV.

a. Material gráfico dos MSS bíblicos.

Há dois materiais principais: papiro e pergaminho. O linho era usa­do também, mas não tanto como os dois citados. O centro da indústria de papiro era o Egito, onde teve início o seu emprego, cerca de 3.000 a.C.

O papiro é um tipo de junco de grandes proporções. Tem caule tríquetro de 3 a 5 metros de altura, com 5 a 7 centímetros de diâmetro, tendo sua fronde em forma de guarda-chuva. As dimensões da folha de papiro preparada para a escrita eram normalmente 30 cm a 3 m de comprimento por 30 cm de largura. Essas fo­lhas eram formadas por tiras cortadas da planta, sobrepos­tas cruzadas, coladas, prensadas e depois polidas. Eram escritas de um lado, apenas. Tinham cor amarelada. À fo­lha do papiro assim preparada, os gregos chamavam biblos.

Pergaminho é a pele de animais curtida e preparada para a escrita; seu uso generalizado vem dos primórdios do cristianismo, mas já era conhecido em tempos remotos, pois já é mencionado em Isaías 34.4. O pergaminho prepa­rado de modo especial chamava-se velo. Este tornou-se co­mum a partir do século IV. É mais durável. Foi muito usa­do nos códices. Tudo indica que o vocábulo pergaminho derivou seu nome da cidade de Pérgamo, capital de um ri­quíssimo reino que ocupou grande parte da Ásia Menor, sendo Eumenes II (197-159 d.C.), seu maior rei. Esse rei projetou formar para si uma biblioteca maior que a de Ale­xandria, Egito. O rei do Egito, por inveja, proibiu a expor­tação do papiro, obrigando Eumenes a recorrer a outro ma­terial gráfico. Tal fato motivou o surgimento de um novo método de preparar peles, muito aperfeiçoado, que resul­tou no pergaminho. Vindo o domínio romano, Pérgamo veio a ser a primeira capital da província da Ásia, situada ao oeste da Ásia Menor; sua segunda capital foi Éfeso. O Novo Testamento menciona esse material gráfico em 2 Ti­móteo 4.13 e Apocalipse 6.14.

Outros materiais foram usados para a escrita nos tem­pos antigos, mas de menor importância, como:

Linho. Tem sido encontrado nas descobertas arqueo­lógicas.

Ostraco, fragmento de cerâmica. É mencionado em Jó 38.14; Ezequiel 4.1. Foi muito usado em Babilónia.

Madeira.

• Pedra (Êx 24.12; Js 8.30-32).

Tábuas recobertas de cera (Is 8.1; Lc 1.63).

Um exemplo do emprego desses materiais é o livro es­crito em pedra, conhecido como Código Hamurabi. Trata-se de um rei de Babilónia coevo de Abraão. É identificado pêlos cientistas como o Anrafel de Génesis 14.1. É um códi­go de leis descoberto em Susã, em 1902, lindamente traba­lhado em pedra, com 2 m de altura. Esse livro é testemu­nha de que aquele tempo o homem atingira uma capacida­de literária notável. O código trata do culto nos templos (pagãos, é claro), administração da justiça e leis em geral. Vimos esse código no Museu do Louvre, Paris.

Extraido do livro “A Bíblia através dos séculos”.

 

 

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