Terceira carta, à igreja de Pérgamo (Apocalipse 2:12-17) 

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Terceira carta, à igreja de Pérgamo.jpg12 E ao anjo da igreja que está em Pérgamo escreve:  isto diz aquele que tem a espada aguda de dois fios: 13 Eu sei as tuas obras, e onde habitas, que é onde está o trono de Satanás; e reténs o meu nome e não negaste a minha fé, ainda nos dias de Antipas, minha fiel testemunha, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita. 14Mas umas poucas coisas tenho contra ti, porque tens lá os que seguem a doutrina de Balaão, que ensinava Balaque a lançar tropeços diante dos filhos de Israel para que comessem dos sacrifícios da idolatria e se prostituíssem. 15Assim, tens também os que seguem a doutrina dos nicolaítas, o que eu aborreço. 16Arrepende-te, pois; quando não, em breve virei a ti e contra eles batalharei com a espada da minha boca. 17Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao que vencer darei eu a comer do maná escondido e dar-lhe-ei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe. (Apocalipse 2:12-17).

  1. “E ao anjo da igreja que está em Pérgamo escreve: Isto diz aquele que tem a espada aguda de dois fios”.

 Não há nenhum vestígio no Novo Testamento, sobre quem era o “anjo” (pastor) da igreja de Pérgamo nos dias em que esta carta foi enviada, visto que, o Novo Testamento não cita nominalmente a igreja de Pérgamo, a não ser aquilo que é depreendido do texto em foco. Porém, pela descrição bíblica pensamos ser um cristão pertencente a Igreja Primitiva. Foi ele, sem dúvida, o substituto de “Antipas”, a fiel testemunha de Cristo (v.13).

PÉRGAMO. O nome significa “alto” ou “elevado”.

Situação Geográfica: no pequeno Continente da Ásia Menor. O nome “Pérgamo” estava relacionado a “purgo”, isto é, “torre” ou “castelo”.

Geograficamente, ocupava importante posição, próxima do extremo marítimo do lago Vale do Rio Caico. Para os intérpretes históricos, a palavra “Pérgamo” leva outro sentido, isto é, invés de “torre” ou “castelo”, traduzem a palavra por “casada”. Historicamente, nos fins do primeiro, segundo e terceiro século, especialmente mediante o gnosticismo libertino, e, profeticamente, na época de Constantino, houve uma espécie de “casamento” entre a igreja e o estado. Sua suposta significação de “casada”: segundo se diz, deriva-se disso.

A espada aguda. Para o ambiente carregado e adverso de Pérgamo, este é o traço do auto-retrato de Cristo: “aquele que tem a espada aguda de dois fios”. No original, o vocábulo “espada”, neste versículo, refere-se a um tipo especial de espada, pesada e longa, usada pelos romanos (porque não queriam apenas ferir, queriam matar). Esta espada do versículo em foco é a mesma que vimos no versículo 16 do primeiro capítulo deste livro. A diferença é que, aqui, o artigo definido (a) determina que “a espada”, é a mesma da passagem citada.

Espada na simbologia profética das Escrituras Sagradas, representa castigo ou guerra. Ela distingue vencido de vencedores.

  1. “Eu sei as tuas obras, e onde habitas, que é onde está o trono de Satanás; e reténs o meu nome, e não negaste a minha fé, ainda nos dias de Antipas, minha fiel testemunha, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita”.

 “…O trono de Satanás”. No Apocalipse fala-se muito a respeito de Satanás.

As diversas denominações diabo, caluniador (Ap 2.10; 12.9; 12; 20.2, 10), Satanás, adversário (Ap 2.9, 13; 24; 3.9; 20.2, 7), antiga serpente (Ap 12.9; 20.2), acusador de nossos irmãos (Ap 12.10) definem bem sua obra negativa.

No presente texto, fala-se do seu “trono”. Isto é, lugar onde Satanás exerce autoridade, como se fora rei. “A palavra “trono” (no grego hodierno, “thronos”), é usado no Novo Testamento como sentido de “trono real” (Lc 1.32, 52), ou com o sentido de “tribunal judicial” (cf. Mt 19.28 e Lc 22.30). Também há alusão aos “tronos” de elevados poderes angelicais, ou aos governantes humanos”. A possível referência atribuída ao “trono de Satanás” nesta passagem, pode ser (conforme alguns comentaristas) a COLINA que havia por trás da cidade, com 300 metros de altura, na qual havia muitos templos e altares dedicados com exclusividade à idolatria. Essa colina podia ser um monte ou o “trono de Satanás”, em contraste com o “Monte de Deus” (cf. Is 14.13 e Ez 28.14, 16).

Existe outra possível interpretação sobre o “trono de Satanás”. Vejamos a seguir: “A invasão da cidade de Pérgamo, é atribuída ao monarca Eumenes II (197 d. C.). Foi esse rei (segundo Plínio) criou uma biblioteca em Pérgamo, (cujo nome deriva-se de pergaminho) que chegou a atingir 200.000 volumes, e quem libertou Pérgamo dos invasores bárbaros. Para comemorar, ergueu em honra a Zeus o “altar monumental” com 34 por 37 metros, cujas fundações em ruínas, ainda podem ser vistas hoje. Esse altar pode ser “o trono de Satanás” do presente versículo. ”

Ainda nos dias de Antipas. Nada se sabe de certo acerca desse personagem, exceto aquilo que poderia ser depreendido do texto em foco. As Escrituras não entram em detalhes sobre a biografia desta testemunha do Senhor na cidade de Pérgamo. A palavra grega para “testemunha” no dizer de G. Ladd é “martys”, que mais tarde ficou com a conotação de mártir.

O testemunho mais eficiente do cristão é ser fiel ao seu Senhor até à morte e ao martírio. Antipas foi uma delas! Para aqueles que interpretam o livro do Apocalipse do ponto de vista histórico, acham que o antropônimo “Antipas”, no grego hodierno “Anti-pas”, tratava-se da forma contraída de “Antipater”, que poderia ser traduzido com a forma “Anti-papa”. Assim, o seu nome pode ter sido profético, e significa: “Aquele que se opõe ao Papa”.

Esta linha de pensamento aceita que as letras que formam a palavra “Antipas” tenham esse sentido. Para nós, este ponto de vista, não combina com a tese e argumento principal, a razão é por que Antipas foi morto antes do ano (96 d. C.), e o sistema papal só veio a existir séculos depois. Aceitamos ter sido Antipas um homem de origem Iduméria. Este servo de Deus, uma vez convertido ao cristianismo em Jerusalém, sentido a chamada de Deus, e em razão de ser conhecido pessoal do Apóstolo João, foi servir como bispo na cidade de Pérgamo.

Existiam naquela igreja, segundo o texto divino, duas falsas doutrinas: a de Balaão e a dos nicolaítas.

Antipas como sendo uma testemunha de Cristo, ousou desafiar sozinho e selar seu testemunho com seu próprio sangue opondo-se a este “sistema nocivo”.

Simeão Metafrasta, diz que Antipas, o bispo de Pérgamo, foi colocado dentro de um boi feito de bronze, e a seguir foi aquecido ao rubro. Seu corpo foi literalmente, cozido, na chama abrasadora.

  1. “Mas umas poucas de coisas tenho contra ti; porque tens lá os que seguem a doutrina de Balaão, o qual ensinava Balaque a lançar tropeços diante dos filhos de Israel, par que comessem dos sacrifícios da idolatria, e se prostituíssem”.

 “…A doutrina de Balaão”. Na Epístola de Judas (versículo 11): há referência a três homens caídos do Antigo Testamento: “Caim… Balaão… e Core” (cf. Gênesis capítulos 16, 22, 23, 24). Nos dias neotestamentários seus nomes são tomados como figuras expressivas dos falsos ensinadores que, segundo se diz, entrariam no “seio” da Igreja Cristã (cf. 2 Pd 2.15). No texto em foco, é-nos apresentada: “a doutrina de Balaão”.

As características dos seguidores desta “doutrina” são:

(a) Olho mau: malícia.

(b) Espírito orgulhoso: egoísmo.

(c) Alma sensual: imoralidade.

Em Apocalipse 2.14 encontramos a expressão “doutrina de Balaão”. Por conseguinte, existem; o caminho de Balaão. 2Pd 2.15, o erro de Balaão. 2Pd 2.15a e, ainda o prêmio de Balaão, Judas v. 11.

A doutrina de Balaão, que também se transformou no seu erro, era que, raciocinando segundo a moralidade natural, e assim vendo erro em Israel, ele supôs que Deus, justo que era teria de amaldiçoá-lo.

No tocante, ao “caminho de Balaão”, diz Scofield: “Balaão (Nm capítulos 22 a 24), foi o típico profeta de aluguel, ansioso apenas por mercadejar com o dom de Deus. Este é “o caminho de Balaão” (2 Pd 2.15) ”.

No tocante a “doutrina de Balaão”, continua Dr. C. I. Scofield: “A doutrina de Balaão” era o seu ensino a Balaque, rei dos moabitas no qual ensinava Balaque a corromper o povo Israelita, o qual não podia ser maldito (cf. Nm 22.5; 23.8; 31.16), tentando-o a se casar com mulheres moabitas, contaminando assim seu estado de separação para Deus.

As características dos seguidores de Balaão, são: Se alguém tem olho bom, alma humilde, espírito manso, então é discípulo de Abraão, nosso Pai. Mas se alguém tem olho mau, alma jactanciosa e espírito altivo, é dos discípulos de Balaão.

A se prostituíssem. No grego moderno a palavra (ponêros) cujo significado é (mau, de natureza ou condição má; num sentido ético: mau, ruim, iníquo) descreve bem os de Pérgamo, os quais tinham dificuldade de ser (haplous) (perfeito).

Balaão não só foi profeta mercenário; mas além de tudo lançou dois “tropeços” mortais contra o povo de Deus (cf. v. 14). Um desses tropeços consistia em seu mau “caminho” (o da rebelião), Nm 22.32. O próprio Deus disse dele: “…o teu caminho é perverso diante de mim”.

O segundo tropeço que Balaão pôs diante dos filhos de Israel no deserto foi, o da “prostituição” (cf. Nm capítulo 25). A palavra grega aqui usada, “pornéia”, ela alcança todas as formas de imoralidades, porquanto é usada tanto nos ensinos dos profetas, como dos Apóstolos, e de um modo especial nos ensinos de Jesus, para indicar as “formas” dessa prática de infidelidade contra a santidade e a moral.

  1. “Assim tens também os que seguem a doutrina dos nicolaítas: o que eu aborreço”.

“…doutrina dos nicolaítas”. No versículo 14 deste capítulo, encontramos a “doutrina de Balaão”, aqui agora, a “doutrina dos nicolaítas”. É possível observar que na igreja de Éfeso, o Senhor Jesus aborrecia “as obras dos nicolaítas” (2.6 e ss), aqui na igreja de Pérgamo, ele aborrece a sua “doutrina”.

  1. “Arrepende-te, pois, quando não em breve virei a ti, e contra eles batalharei com a espada da minha boca”.

 “…com a espada da minha boca”. No capítulo 19.19 deste livro, o famoso guerreiro (Jesus) trará também uma poderosa Espada. Ali é dito por João, que ela está afiada. Paulo, o Apóstolo nos dá a interpretação sobre isso dizendo: “A espada é a palavra de Deus” (Ef 6.17), e em (2Ts 2.8), ela é chamada, exatamente: “o assopro da sua boca”.

  1. “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito dz às igrejas: Ao que vencer darei eu a comer do maná escondido, e dar-lhe-ei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe”.

 “…comer do maná escondido”. Os gnósticos ofereciam “vantagens abertas”, mediante suas práticas imorais, seus prazeres e a satisfação da parte carnal do homem. Cristo oferece-nos aquilo que está oculto a maioria dos homens: o maná escondido! Para a igreja de Pérgamo o Senhor faz, ao vencedor, uma tríplice promessa: comer do maná escondido, receber uma pedra branca, e um novo nome. O “maná” era um tipo de Cristo, o pão da vida (Jo 6.48), ele caía no deserto, mas não era do deserto (Êx 16.35); Cristo, estava no mundo, mas não era do mundo (Jo 17.16).

Uma pedra branca. Sobre esta “pedra branca” do texto em foco, há muitas opiniões e formas de interpretações:

(a) Conferia-se a pedra branca a um homem que sofrera processo e fora absolvido, o qual como prova de sua absolvição levava, então, consigo a pedra branca para provar que não cometera o crime que se lhe imputara. “Assim, a “pedrinha branca” alude a uma antiga prática judicial da época de João: quando o juiz condenava a alguém, dava-lhe uma pedrinha preta, com o termo da sentença nela escrito; e, quando impronunciava alguém, dava-lhe uma pedrinha branca, com o termo da justificação nela inscrito”.

É evidente que que os cristãos de Pérgamo compreendiam muito bem a aplicação em foco, e as que se seguem.

(b) Era também concedida ao escravo liberto e que agora se tornara cidadão da província. Levava a pedra consigo para provar diante dos anciãos sua cidadania.

(c) Era conferida também a vencedor de corridas e de lutas, como prova de haver vencido seu opositor. Sempre que este competidor conseguia ouvia-se dizer: “correu de tal maneira que o alcançou” (cf. 1Co 9.24b). Isto podia significar tanto uma “coroa de louro” ou uma pedrinha branca”.

(d) A pedra da amizade: Dois amigos poderiam, como sinal de amizade, partir uma pedra branca pelo meio, e cada um ficava com a metade. Ao se encontrarem, a pedra era refeita, e a amizade continuaria.

(e) Também era conferida ao guerreiro, quando de volta da batalha e da vitória sobre o inimigo. Esta forma de interpretar o texto, se coaduna bem a tese principal. Nesta passagem, a pedra branca será entregue ao “Vencedor” do inimigo de Deus e dos homens: o diabo (12.11).

Um novo nome. O nome em toda a extensão das Escrituras tem profundo significado. Ele exprime a realidade profunda do ser que o carrega. Por isso a criação só está completa no momento em que lhe é colocado o nome (cf. Gn 2.19).

O nome pessoal de Deus é YHWH, que significa, “Eu sou”, exprime sua realidade de Ser eternamente (Êx 3.13 e ss).

Eliminar o nome é suprimir a existência (cf. 1Sm 24.22; 2Rs 14.27; Jó 18.17; Sl 83.5; Is 14.22; Sf 1). Do ponto de vista divino, o nome de Deus é o nome por excelência, (Zc 14.9). No presente texto, a promessa de um novo nome é reafirmada, no capítulo 3.12 deste livro. Esse nome que a Igreja receberá da parte de Cristo, é sem dúvida, “um nome social”. Isto, se dará, provavelmente, logo após a celebração das bodas do Cordeiro.

Esse nome conferirá à Noiva a condição de “esposa, mulher do Cordeiro” (cf. Is 56.5; Jr 15.16; Ap 2.17; 3.12; 19.12).

Não deve ser “Hephzibah” (meu regozijo está nela); nem “Beulah” (casada), (Is 62.4) pois esse nome é de Sião.

Só uma coisa é certa: esse novo nome é uma grande bênção de Deus! (Gn 12.2 e 17.5).

 

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